|

HISTÓRIA
Partilhar
Antes de iniciar a "Viagem"
para Moçambique
Quando, em Julho de 1970, o Autor
entrou pela primeira vez no Destacamento Militar da Escola Prática
de Cavalaria, em Santarém, onde, presentemente, está instalada a
Polícia de Segurança Pública, daquele cidade, ainda tinha uma ténue
ideia que no final da especialidade não iria ser "premiado"
com a "viagem", mas ela já estava em marcha.
Os novos "inquilinos"
(recrutas) daquele Destacamento iam chegando em grupos de três e
quatro, dirigiam-se à Porta de Armas mas, dali eram encaminhados
para um enorme portão, existente do lado direito do edifício.
No limiar daquele portão,
encontrava-se um Furriel Miliciano, o qual com o seu vozeirão,
perguntou ao Autor: "És Alentejano?". Disse que sim. Tendo de
seguida apontado para um grupo e disse: "Junta-te àquele grupo!".
A maioria dos elementos que
constituíam o grupo eram oriundos do Alentejo, no qual o Autor foi
encontrar o seu amigo Baraona, companheiro dos bancos de escola -
Escola Industrial e Comercial de Montemor-o-Novo.
Aquela pergunta, era feita a
todos os que passavam o aludido portão.
Na altura, o Autor não percebeu as razões de tal pergunta, mas no
segundo dia de "estadia" naquela Unidade Militar, ficou
tudo esclarecido, aquando da apresentação do comandante do pelotão.
Ficou a pertencer ao 3.º Pelotão
do 5.º Esquadrão, comandado pelo Aspirante
Luís Miguel da Veiga,
um Alentejano! Bastante conhecido por uma grande parte dos
portugueses, sobretudo, de todos aqueles que gostam da Festa Brava.
Quando dos impedimentos do
Aspirante Luís Miguel da Veiga,
o pelotão era comandado pelo Furriel Miliciano, aquele que no
primeiro dia perguntava a todos os novos recrutas se era alentejano
(o Autor tem puxado pela massa encefálica, mas não se recorda
do nome do Furriel Miliciano).
A instrução decorreu da melhor
forma, na medida em que a óptima camaradagem que se desenvolveu
entre todos os elementos do pelotão foi fundamental para se
ultrapassar as horas menos boas, sobretudo, naquela noite, em que
lhes foi "oferecida", uma visita "guiada" pelos esgotos da cidade de
Santarém.

A caserna (Julho de 1970), Destamento
da
Escola Prática de Cavalaria
(Santarém)
Durante a "estadia"
naquela UN, o 3.º Pelotão foi "vedeta", por um dia, num
filme que a RTP estava a realizar sobre a vida do
Cavaleiro Tauromático Luís Miguel da Veiga.
Há a
salientar, que naquela altura faleceu o Professor Doutor António
Oliveira Salazar (27 de Julho de 1970), pelo que houve menos um dia
de recruta.
Em Setembro de 1970, ocorreu o
Juramento de Bandeira que teve lugar na parada da Escola Prática de
Cavalaria, em Santarém.

Juramento de Bandeira - Escola
Prática de Cavalaria, em Santarém
 |
 |
 |
|
Aspirante Luis Miguel da Veiga e o
Furriel Miliciano |
O
Autor |
Depois do
Juramento de Bandeira, o Autor foi colocado
na Escola Prática de Serviço de Material –
EPSM, em
Sacavém, para frequentar o 2.º ciclo do
Curso de Sargentos Milicianos, na
especialidade de Mecânico Auto.
Aquela
Escola, também era conhecida, na altura, por
"Escola
Penal do
Sr. Matos".
O Sr. Matos era o Comandante da Companhia de
Instrução, com a patente de Capitão.
Ali foi
dado todos os conhecimentos sobre a
especialidade e, também, na condução de
viaturas militares pesadas, tais como
Unimog, Berliet e Mercedes Benz a todos os
instruendos possuidores de carta de condução
civil. Os não possuidores daquele documento
foram deslocados para UNs Instrutoras de
Trem Auto.
No final
do curso foi entregue a cada um dos
instruendos o Certificado de Capacidade para
Condução de Viaturas Automóveis na categoria
de "Camião":
 |
 |
Em
Novembro de 1970, no âmbito da instrução
militar, os instruendos do 2.º ciclo do
Curso de Sargentos Milicianos deslocaram-se
à carreira de Tiro da Carregueira, para
execução de tiro ao alvo.

Carreira de Tiro da Carregueira
(Novembro de 1970)
Identificação
do grupo presente naquela fotografia:
De pé (da
esquerda para a direita):

|
|
Cunha |
Antunes |
Quintas |
Carmo |
Carvalho |
|

De joelhos (da
esquerda para a direita):

Após a
conclusão do 2.º ciclo do Curso de Sargentos Milicianos, o Autor foi
colocado no Regimento de Artilharia Ligeira n.º 3 (RAL 3), em Évora,
pelo que em Abril de 1971 apresentou-se na Secção Auto daquele
Regimento, onde foi encontrar o seu amigo e conterrâneo 1.º Sargento
Candeias.
Ali permaneceu
cerca de dois meses.
No dia 26 de
Maio de 1971, por volta das 11 horas, o Autor encontrava-se na
Secção Auto do RAL 3, executando as tarefas distribuídas pelo
responsável pela Secção Auto - 1.º Sargento Candeias, quando vê
entrar pelo portão de acesso às oficinas uma figura rara por
"aquelas paragens": o 1.º Sargento da Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e, depois dirigir-se para as escadas que davam acesso
à parte administrativa da Secção Auto.
O Autor
pensou: "Aí vem prenda para alguém!" ou "A minha!"
E, não se enganou. O 1.º Sargento da CCS dirigiu-se ao Autor com
aquele ar solene que lhe era peculiar em determinadas alturas e
diz-lhe:
"Tenho uma notícia para si!"
"Está
nomeado para servir no Ultramar, nos termos da alínea c) do Art.º 20
do Decreto 49107 de 7 de Julho de 1969, . . . , cujo
destino é: Chefia de Serviço Material da Companhia de Comandos e
Serviços do Quartel General da Região Militar de Moçambique –
Nampula, com a Requisição Pessoal n.º 645/SC/70", vai render
o Furriel Miliciano Folgado Dias. Tem embarque marcado para meados
de Junho de 1971, pelo que deve apresentar-se
na
Companhia de Adidos, em Lisboa, para levantamento da Guia de Marcha"
No
dia 31 de Maio de 1971, o Autor apresentou-se na Companhia de
Adidos, em Lisboa (na Ajuda), foi-lhe entregue a Guia de Marcha,
confirmando o atrás referido.
Dia 14 de Junho de 1971, pelas 14 horas, o Autor apresentou-se no
Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, para embarcar no navio
"Pátria" com destino ao porto de Nacala / Moçambique e, depois,
seguir de comboio para a cidade de Nampula
O navio "Pátria" tinha a saída
prevista para as 16 horas.

Por razões que
o Autor desconhece, o navio "Pátria" saiu com um atraso de 4 horas e
30 minutos, ou seja, saiu às 20 horas e 30 minutos.
Cerca das 3 horas da madrugada, o
navio "Pátria", regressou a Lisboa, para deixar um tripulante pelo
motivo de ter partido uma perna.
Com a partida do navio "Pátria,
cujo destino era Porto Amélia - Moçambique, o Autor ia começar a sua
"Viagem".
O Regresso à Metrópole:
Decorridos 848 dias (2 anos, 3
meses e 28 dias), o Autor regressou à Metrópole num avião dos
T.A.M., tendo desembarcado em Lisboa no dia 9 de Outubro de 1973,
pelas 6 horas e 30 minutos.
|