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Arnaldo Vasques

 

Arnaldo António Rodrigues Rios Vasques, Furriel Mil.º de Infantaria com o curso de Operações Especiais, n.º 08413569.

 

Mobilizado pelo Batalhão Independente de Infantaria 19 (BII19 - Funchal), para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique integrado na Companhia de Caçadores 2759 «OS KURIKAS» - «RES NON VERBA», no período de 15 de Agosto de 1970 a 20 de Novembro de 1972

 

Texto:

 

"Os Missionários e a Guerra do Ultramar"

 

Fonte:

publicado no semanário 'O Ribatejo', Santarém 16Mar2017

 

- «Alguns Missionários editam amiúde livros de massacres, em Moçambique, durante a Guerra do Ultramar, acusando a tropa portuguesa.


Acreditamos que tais relatos apontam e reflectem comportamentos, numa época tão conturbada.

Conheci estes Missionários e algumas Missões onde catequizavam: Boroma e Mecumbura, em Tete; e Massangulo, no Niassa.

Que me recorde, nunca abriram a porta à tropa para uma "sede de água"!


Mas sabíamos do apoio dado aos guerrilheiros da FRELIMO.

Também nunca deles li qualquer relato sobre as atrocidades cometidas por essa mesma FRELIMO.


Que entrava de noite nas aldeias, roubando o gado e os víveres, e levando à força jovens para combater a "tropa colonialista".


Tão pouco dos julgamentos sumários e execuções, cometidos sobre os seus próprios combatentes, discordantes das diretrizes ou tidos como traidores.

Nem nunca li uma palavra, até hoje, desses mesmos missionários, do ataque à minha Companhia 2759 (29.fevº.1972), no Daque, em Tete, onde mataram mais de trinta inocentes aldeões, mulheres e crianças incluídas, pelo simples facto do aldeamento estar circunscrito ao nosso aquartelamento.


Noite terrível em que na parada jaziam mais de trinta corpos, entre militares meus companheiros e aldeões com quem convivíamos!

Conheci pessoalmente os padres Alfonso Valverde e Martin Hernández, os espanhóis missionários "Padres de Burgos", da Missão de Mecumbura, autores de denúncias daqueles tempos de guerra.

Do padre Martin guardo um episódio.


Encontrámo-nos na "picada", ele de mota e eu com o meu pelotão em patrulha apeada.


Vinha do António, uma aldeia distante, local onde uma mina incendiária, dias antes
[05Mar1971 - in história da CCac2759] nota, nos matara quatro soldados e ferira gravemente mais dezasseis.


À pergunta, se não vira ninguém da FRELIMO, respondeu-me: "Não, não vi".


Arrumei o assunto: "Padre Martin, que não mais o encontre na "picada"…

Chegado ao quartel soube que se queixara ao capitão.


Mas na "picada" é que nunca mais o vi!…
»

 

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Nota:

 

Na manhã de 6ªfeira 05Mar1971, quando uma patrulha-auto da CCac2759/BII19-Funchal - desde 08Jan1971 aquartelada em Mucumbura, sul-sudoeste fronteiriço distrital de Tete e ali às ordens do COFI/RMM -, se deslocava em missão de vigilância, numa picada daquele subsector e nas imediações do 'fumo' (aldeia) do soba António, uma das viaturas Unimog-404 deflagra uma mina anticarro incendiária que causa ferimentos em vinte militares, onze dos quais com graves queimaduras pouco depois helievacuados para a EnfSecF-Tete e da qual, após triagem, helievacuados para o AB7-Chirodzi e dali aerotransportados para o HM2237-Lourenço Marques, onde quatro Soldados vêem a falecer:

 

- na noite de 05Mar1971, MANUEL DE ANDRADE, natural da freguesia do Faial, concelho de Santana (Madeira), filho de João Andrade e de Maria Serafim Andrade; soldado atirador nº 13637470, ficou inumado no cemitério de Santana (Funchal - Madeira).

 

- em 07Mar1971, ANTÓNIO JOSÉ JESUS LOPES, natural da freguesia de Cedofeita, concelho do Porto, filho de José Maria Lopes Sá da Silva e de Maria Rosa de Jesus; soldado mecânico autorodas nº 03646869, ficou inumado no cemitério de Ramalde, concelho do Porto.

 

- em 09Mar1971, FERNANDO PESTANA, natural da freguesia de São Gonçalo, concelho do Funchal (Madeira), filho de Manuel Pestana Domingos e de Teresa de Jesus Caldeira; soldado apontador de metralhadora, nº 09186870, ficou inumado no cemitério da Piedade de São Gonçalo (Funchal - Madeira).

 

- em 21Mar1971, MANUEL ROSÁRIO GONÇALVES LAMBAZ, natural da freguesia da Ribeira Seca, concelho de Porto Moniz (Madeira), filho de João Gonçalves Lambaz e de Francisca Joaquina; soldado atirador nº 13467670, ficou inumado no cemitério de Porto Moniz (Madeira).

 

Entretanto, três outros militares haviam sido aeroevacuados do AB8-Mavalane para o AB1-Figuro Maduro e dali para HMP-Estrela (Lisboa).

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