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Diana Gomes

 

e

 

Rui Caria

 

 

 

 

Diana Gomes

Diana Gomes nasceu em Crescent City, Califórnia (E.U.A.) em 1983.

Aos cinco anos veio com os pais para a Ilha Terceira, onde fez estudos.

Aos 18 tornou-se 'body piercer', tendo feito formação na área, em Madrid (2005).


Rui Caria

Rui Caria nasceu na Nazaré em 1972.

O seu percurso profissional na área da imagem começou em 1990, realizando pequenos filmes comerciais.

Em 1993, tornou-se correspondente da TVI, onde permaneceu como repórter e editor de imagem até 2003.

Em 2005, mudou-se para a Ilha Terceira. Repórter e editor de imagem, correspondente nos Açores para a SIC, desde 2006, colabora como fotojornalista com alguns jornais nacionais e internacionais.

 

O livro:

 

"Ultramar na Pele"

 

título: "Ultramar na Pele"
autoria: Diana Gomes e Rui Caria
 

editor: Instituto Açoriano de Cultura
1ªed. Angra do Heroísmo, 05Out2020
96 págs (ilustrado)
pvp: 15€
ISBN: 989-8225-67-2

contacto/aquisição:
iac@iac-azores.org
 

Sinopse (do editor):


- «Uma obra que nos mostra como a História também se impregna na pele. A história de homens que foram obrigados a fazer uma guerra em nome de um império que se desmoronou. Uma guerra que, como todas as guerras, deixa marcas. Neste caso, tatuagens. Que Diana Gomes, 'expert' na matéria, analisa com rigor técnico e apreciação estética, desvendando o que levou os ex-soldados a tatuar na pele os símbolos e dizeres que ainda perduram. Num livro ilustrado pela objectiva de Rui Caria, fotojornalista, cujo olhar está treinado a escolher enquadramentos, ângulos, luz e o que mais importa.


"Ultramar na Pele" é, pois, um livro que tem tanto de belo quanto de inquietante. Um livro precioso, que alarga o entendimento do património ao próprio corpo. Um livro onde os protagonistas são açorianos que passaram pelos diferentes teatros da guerra colonial e que partilharam com Diana Gomes as suas memórias, os seus testemunhos de uma guerra que deixou marcas profundas no nosso País.»

 

Recensão (excertos):


- «Para quem, como eu e como tantos da minha geração, teve de interromper dois anos de vida e juventude para ir, obrigado, cumprir o seu dever pela Pátria, mesmo com política que poderia estar errada, mas era assim ditada, este livro é um exemplo de criatividade, originalidade e sentimento histórico, ligado ao gosto pela arte e pela profissão.
[...]
Com duas dúzias de testemunhos de antigos combatentes que, já bem no outono da vida, quiseram deixar para a posteridade, no livro, as tatuagens que trouxeram da guerra colonial, a obra conhece a sua outra dimensão na imagem.
[...]
Milhares de jovens quiseram, quase sempre no ímpeto da saudade e dos amores ausentes, perpetuar momentos de vida em locais tão diferentes, em épocas tão difíceis. Corações, frases e nomes, datas, nomes de guerra das companhias e dos batalhões, palhotas e tabancas, tudo era motivo para tatuagem.
[...]
Há muitas formas de reviver o passado, mesmo os momentos duros de ausência. Muitos antigos combatentes desfizeram-se de tudo, não aceitam, nem querem recordações. Outros ainda têm na sua casa, nos seus escritórios e nos seus "cantinhos dos afectos", as recordações que compraram, as missangas, colares, brincos e pulseiras da mais bela arte local, as colchas e tapetes que tantas camas, chãos e paredes cobriram, por esse Portugal fora e por esses Açores dentro.


E muitos outros ainda - e vão sendo cada vez menos, porque vão passando para a outra dimensão da vida -, quiseram que a recordação ficasse impressa nos braços, no peito, nas costas ou nas pernas. É desses que reza este "Ultramar na pele", mas neles está muito mais do que isto. E por isso mesmo é comovente a dedicatória que Diana Gomes faz "a todos os combatentes que lutaram na Guerra do Ultramar e às suas famílias, sem esquecer todas as mães que tanto sofreram com a ida dos seus filhos para a guerra. As tatuagens 'Amor de Mãe' serão sempre um verdadeiro ícone destes tempos". E, no seu prefácio, o fotojornalista Rui Caria, co-autor do livro, acrescenta avisadamente que ele (livro) "fica para lá de nós; para lá de todos os que viveram a guerra do Ultramar e dos que nunca viveram guerra nenhuma. E é para estes, sobretudo, que este diário antológico deve permanecer, como uma tatuagem gravada no tempo, para que nunca caiamos no erro de pensarmos que o que se passou não se volta a repetir".
[...]
O respeito pela História, aqui recordada em retalhos de vida dos seus corajosos protagonistas, ganha foros de humanismo e realismo que muitos tentam reescrever, mas que não se apaga da alma e do corpo de quem tudo isto viveu.


Este é um livro que me tocou e, mais do que leitor e jornalista, como também sou do número daqueles que tiveram de ir para o Ultramar, a tal palavra que veio branquear o conceito de colónia, esconjurado internacionalmente.»¹


¹ (Santos Narciso, director-adjunto do jornal 'Correio dos Açores')
 

 

Recensão (excertos):


- «Há quase uma década que não saía da cabeça de Diana Gomes uma ideia. Vivia ali e deixava-se ver, para depois se esconder. Mostrava-se em traços, pontilhados, letras e recordações de um tempo enevoado na memória pessoal e colectiva, de um Portugal escondido e varrido para debaixo do tapete do quotidiano. [...] Fascinavam-na as "pinturas de guerra" dos antigos combatentes da guerra colonial, umas vezes escondidas pela roupa outras à mostra, mas de significado igualmente ignorado.


'Angola', 'Moçambique', 'Guiné', datas, nomes, desenhos e juras de amor eterno, umas vezes concretizado, outras, nem por isso.


As tatuagens exibidas pelos militares do Ultramar são arte à flor da pele, feita em noites e dias ébrios, de solidão, de saudade, ou no rescaldo de mais um dia em que rapazes de 20 anos, oriundos de um Portugal dormente e brutalizado, escapavam de um encontro imediato com aquilo que ninguém quer.


Esses episódios relatados, as mensagens e os talismãs desenhados na pele resultaram no livro "Ultramar na Pele", que Diana assina com Rui Caria, fotojornalista natural da Nazaré, radicado na Terceira.


O volume documenta, ao longo de 96 páginas, as histórias e tatuagens de 21 antigos combatentes locais.


"As tatuagens da guerra eram mistificantes", conta a autora. No coração desta artista de 37 anos, nascida quase dez anos após o fim do conflito [...], havia uma necessidade urgente de saber mais, de conhecer, de escutar, de entender e de preservar para o futuro um capítulo da história que, em Portugal, em vez de se abraçar e tirar lições, se prefere, muitas vezes, condenar como "vergonhoso" e "opressor" ou, noutros casos, elogiar como se fosse determinante para a "portugalidade".


O sonho materializou-se quando um antigo militar entrou pela porta do seu estúdio de tatuagem. Queria tapar uma das pinturas que tinha, por não se sentir confortável com ela.


"Percebi que era urgente preservá-las para as gerações futuras. Se não houvesse forma de as guardar, elas desapareceriam para sempre. A minha avó sempre me disse que 'o trabalho feito de noite, de dia aparece'. Muitas vezes, nestas tatuagens, era o caso.


Os soldados, rapazes ainda, desenhavam-nas em condições emocionais complexas, após emboscadas, após um combate, após verem amigos serem mortos. "Alguns tatuaram 'Salazar' e, após o 25 de Abril, com maior conhecimento, traçaram-no com um risco preto", conta Rui Caria.


É provável que, devido a Hollywood, boa parte dos portugueses saiba de cor nomes de cidades no Vietname, como Hanói e Saigão, onde as tropas americanas e o Vietcong se confrontaram. Menos saberão o que são Madina do Boé, Caxito, Silva Porto ou Tete.»²
 

² (Jacinto Silva Duro, in 'Jornal de Leiria')

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo (lançamento) SICN-10 de Outubro de 2020

 

 

 

 

 

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