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Vozes no Charco autorFernando Manuel Brites

 

Fernando Manuel Vieira Carvalho Brites, nasceu a 19Jan1951 no Soutocico, aldeia da freguesia do Arrabal, no concelho de Leiria.


Em 14Jan72-20Out74 prestou serviço militar na guarnição normal da Região Militar de Moçambique, em Moçambique, como furriel miliciano, sucessivamente colocado no ECav1 e no ECav3 (¹).
 

O livro:

"Vozes no Charco"

 

Vozes no Charco

 

título: "Vozes no Charco"
autor: Fernando Manuel Brites

editor: (o Autor)
1ªed. Leiria,1999
277 págs
24cm
dep.leg: PT-141647/99
ISBN: 972-98089-2-9

 

Em Moçambique, exerceu funções nos Caminhos de Ferro de Moçambique.


Em Leiria, exerceu funções na Caixa de Previdência, no Gabinete de Ingresso ao Ensino Superior, no Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho, no Governo Civil (na qualidade de Secretário), e como Coordenador da Secção de Processo do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.


Aposentado, é licenciado em Direito pela Universidade Internacional de Lisboa, e Pós-Graduado em Estudos Europeus pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.


Sócio efectivo de várias colectividades da freguesia do Arrabal, participou na criação do Centro de Cultura e Desporto do Arrabal, foi membro da Assembleia de Freguesia do Arrabal, Presidente da Assembleia Geral da Filarmónica do Arrabal, sócio fundador e Presidente do Clube Recreativo e Desportivo do Soutocico. Fez parte da Comissão Coordenadora das comemorações do IV Centenário da Freguesia do Arrabal e da Comemoração do Centenário da Filarmónica do Arrabal, tendo participado activamente na criação das duas monografias.


Publicou os seguintes livros: Mirante (poesia, Moçambique, 1970); Canção para um poema só (poesia, Leiria, 1975); Vozes no Charco (ensaio sobre a guerra colonial, Leiria, 1999); O último patamar (monografia, Soutocico, 2012).


Galardoado com o 1º Prémio no VII Encontro de Poetas de Leiria, com o soneto "Descalça-te, minha cidade".


Participou em co-autoria nos livros: 5x5 Poetas de Leiria (1983); Poesia Contemporânea em Leiria (Antologia dos Poetas de Leiria, 1988); Orvalhos de Saudade (Antologia de Poetas da Freguesia do Arrabal, 2001).

 

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(¹) in "Correio da Manhã"

25.01.2015 10:00

“A guerra fez mal à minha geração”

Podia ter ficado em Moçambique como civil mas senti-me sozinho.

Por: Ana Maria Ribeiro Guiao
Fui para Moçambique com 18 anos trabalhar numa empresa de artigos elétricos. Seis meses depois concorri aos Caminhos de Ferro de Moçambique. Fiz a inspeção militar em Lourenço Marques, atual Maputo. A 14 de janeiro de 1972, com 20 anos, fui para Boane, a 30 quilómetros da capital, para fazer a recruta. Cinco dias depois fazia 21 anos.

Após os três meses da recruta tirei a especialidade em reconhecimento de cavalaria na antiga Vila Pery (Chimoio). Em três meses aprendi tudo sobre carros de combate, as célebres Panhard e as Fox. Ainda estive um mês em Pemba, a antiga Porto Amélia, antes de ser mobilizado para Macomia, palco de guerra no norte de Cabo Delgado. Guiao

Aí começou, para mim, a verdadeira guerra colonial. Vivia-se em estado de permanente sobressalto e apesar de não ter muitas razões de queixa, porque nunca fui ferido, o meu grupo detetou minas, teve uma rebentada num Unimog, sofreu uma emboscada no Moja e teve um ataque à morteirada ao quartel, no Natal de 1972.

Fazíamos patrulhamentos para proteção às colunas civis que transitavam entre Ancuabe e Macomia e entre esta e o Chai. Nisto, apenas há a lamentar os feridos na mina rebentada. Perdi companheiros de luta, sim, mas em acidentes. Em Macomia faleceu Artur Lopes, furriel, ao cair de uma viatura em andamento e, em Tete, o Filipe Alves, também furriel, esmagado quando a Panhard se virou no desaterro à saída da cidade. Eram ambos da minha especialidade. Com ele faleceu também o cabo atirador [Agostinho Lopes de Sousa]. Só se salvou o condutor.

GuiaoESCREVER UM LIVRO

Passado um ano fui transferido para Marara, no distrito de Tete, que ficava a meia distância entre Tete e a barragem de Cahora Bassa. Em Tete foi pior. Quando cheguei ainda não tínhamos blindados e andávamos a dar o corpo às balas como atiradores de cavalaria. Os carros chegaram passados meses e aí um pelotão de Marara passou a fazer proteção às colunas de Changara para Tete e daqui para Cahora Bassa.

Quando se deu o 25 de Abril estava a fazer proteção num aldeamento de Boroma, onde havia uma missão de padres e freiras italianos. Na altura houve agitação. Tentativas de golpes da Frelimo que nós fomos sempre controlando. Nessa altura, por indicação superior, voltei à base de Marara e, finalmente, para Maputo, em junho de 74, transferido para o esquadrão militar da cidade.

Quando pensávamos que estava tudo a correr bem, deu-se o 7 de Setembro. Para comemorar o Acordo de Lusaka e a transferência de poderes para a Frelimo, os negros da periferia invadiram a cidade com insultos aos brancos. Estes revoltaram-se e ocuparam as instalações do Rádio Clube.

Foi complicado. Começaram as revoltas e os morticínios. Matava-se quem quer que entrasse na cidade e nós tínhamos de andar a proteger as pessoas. Chegámos a andar 40 horas seguidas em cima de uma Panhard a fazer patrulhamentos entre o aeroporto e a cidade. Foi então que começou o êxodo dos lusos.

A 20 de outubro de 74 passei à disponibilidade e voltei a trabalhar nos Caminhos de Ferro, mas sentia-me sozinho e acabei por regressar a Portugal em maio de 1975. No meu livro ‘Vozes no Charco’ recordo a guerra colonial e os malefícios que causou à minha geração.

depoimento de FERNANDO BRITES

Comissão: Moçambique, 1972-1974

Força: Cavalaria

Atualidade: É casado, tem dois filhos. Aos 64 anos, é reformado da Segurança Social

 Vozes no Charco foto grupo
Grupo de combate no quartel de Marara

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Os falecidos referenciados no texto supra:

Guiao

 

Artur Dias Lopes

 

Artur Dias Lopes, Furriel Mil.º de Cavalaria, nasceu na freguesia e concelho de Lourenço Marques, mobilizado pela Região Militar de Moçambique para servir naquela Província Ultramarina integrado no Esquadrão de Cavalaria 1.

 

Faleceu no dia 5 de Novembro de 1972

 

GuiaoFilipe Baptista Alves

Filipe Baptista Alves, Furriel Mil.º de Cavalaria, natural do lugar de Silva, da freguesia de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, mobilizado pela Região Militar de Moçambique para servir naquela Província Ultramarina integrado no Esquadrão de Cavalaria 3.

Faleceu no dia 16 de Julho de 1973

 

Agostinho Lopes de Sousa
Agostinho Lopes de SousaGuiao

Agostinho Lopes de Sousa, 1.º Cabo Atirador, nascido no dia 15 de Novembro de 1950, no lugar de Corvos, da freguesia de Anaia, concelho de Ponte Lima, mobilizado pela Região Militar de Moçambique para servir naquela Província Ultramarina integrado no Esquadrão de Cavalaria 3.

Faleceu no dia 16 de Julho de 1973. Tinha 22 anos de idade.

Está sepultado no cemitério da freguesia de naturalidade.

 

Que as suas Almas descansem em Paz!

 

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