Começou por ser uma forma de “lançar
para o papel” as angustias de quem esteve na guerra
do Ultramar. Guilherme Ganança, autor do livro “Do
Cacine ao Cumbijã” diz que após a chegada do
ultramar, os militares querem esquecer o que lá
passaram, mas a verdade é que 40 anos depois há
recordações, “fantasmas” como lhe chama o autor, que
não desaparecem e continuam a atormentar.
Passar essas recordações para o papel
foi uma forma de exorcizar os fantasmas “aliviou-me
“ confessa Guilherme Ganança.
No longo processo de escrita os
textos, as recordações eram partilhadas com
familiares e amigos, e o romance histórico nasceu
“eu e outras pessoas começamos a pensar que era
possível transformar as memórias num livro” ao real
juntou-se a ficção e nasce esta história do alferes
Gabriel “o real são os factos que são a linha
condutora do livro” explica o autor “a ficção é o
cimento que vai ligando os factos e que vai deixando
transparecer as emoções, sentimentos e vivencias num
teatro de guerra”.
E porque neste romance a ficção e a
realidade se cruzam muitos dos que estiveram no
Ultramar, nomeadamente na Guiné vão rever-se na
história “o livro é a minha história, mas concerteza
que muitos dos camaradas que lá estiveram vão
lembrar-se da sua própria história”.
O próximo passo é “trazer o Alferes
da Guiné” diz Guilherme Ganança. O livro,
apresentado na semana passada em Castelo Branco,
conta a história da ida para a guerra, mas esse
jovem voltou e o autor quer também contar essa parte
da história “a continuação deste livro vai contar a
história do Alferes a partir do momento em que ele
se apercebe que é possível voltar a casa” a angustia
de ver o tempo passar, já em contagem decrescente
para o regresso, é tão grande como a que leva um
jovem quando parte para a guerra “esse trabalho,
livro, já está todo feito, está escrito, estruturado
falta apenas limpar, tirar o que está a mais”.
Amigos encheram auditório da
Biblioteca
Numa sala recheada de amigos,
Guilherme Ganança convidou alguns camaradas de
guerra para estar presentes no lançamento do livro.
O Tenente Coronel Filipe Ferreira Lopes, que esteve
na Guiné com o autor do livro, destacou a
importância de livros como este que falam desses
anos marcantes na história de Portugal “para além de
felicitar o autor, temos que agradecer-lhe, porque
são estes livros que ajudam a fazer a nossa
história”.
800 mil homens estiveram na guerra do
Ultramar, Filipe Lopes diz que deverão estar
editados cerca de 100 obras sobre o acontecimento, e
por “ser muito pouco” o Tenente Coronel considera
“notável o livro de Guilherme Ganaça”.
Joaquim Morão, que trabalhou com o
autor na Câmara de Castelo Branco, destacou o seu
profissionalismo e a marca que deixa na cidade, não
só com a publicação deste livro, mas com o seu
trabalho em prol da cidade.