TRABALHOS, TEXTOS
SOBRE OPERAÇÕES MILITARES ou LIVROS
Jaime
Froufe Andrade
Nasceu em 1945, no
Porto. É jornalista profissional, trabalhou durante
muitos anos do Jornal de Notícias e integra actualmente
os quadros da revista Notícias Magazine, distribuída
semanalmente com o aquele jornal portuense e com o
lisboeta Diário de Notícias.
Ex- Alferes Mil.º de
Operações Especiais, «Ranger», da Companhia de
Caçadores 2358 do Batalhão de Caçadores 2842
(Moçambique, Tete, 1968 / 1970)
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A
angústia de um ex-combatente da Guerra do Ultramar
Através de uma
mensagem de correio eletrónico enviada ao NetBila, um
antigo combatente da guerra do ultramar pede-nos para
ajudar na divulgação de uma das suas histórias passadas
durante a guerra em Moçambique contra o movimento de
libertação daquele território ultramarino, a Frelimo. O
antigo combatente português, Alferes de Operações
Especiais - Ranger -, Jaime Froufe Andrade, sente ainda
hoje, após mais de quarenta anos, uma enorme angústia
por causa de um simples aparelho de rádio pertencente a
um guerrilheiro daquele movimento de libertação.
O facto passou-se no
dia 17 de setembro de 1968 na província de Tete:
O guerrilheiro da Frelimo, como nos conta o Jaime Froufe
Andrade, foi capturado na sequência de um golpe de mão
levado a cabo pelas tropas portuguesas a uma base de
considerável dimensão, instalada por um dos quadros
opositores ao exército português que mais tarde viria a
ser o Presidente da República Popular de Moçambique -
Samora Machel. O guerrilheiro foi surpreendido por um
pequeno grupo de combate helitransportado que atuou sob
o comando de Jaime Andrade. O guerrilheiro de quem não
se sabe o nome trazia consigo, além da arma de fabrico
chinês imediatamente retirada das suas mãos, um aparelho
de rádio sendo este confiscado particularmente pelo
comandante do grupo atacante antes de entregar o
prisioneiro para interrogatório.
Voltando de Moçambique para a Metrópole, o ranger Jaime
Andrade trouxe consigo o pequeno rádio portátil.
Alcançada alguma acalmia por entre o stress de guerra, o
famigerado aparelho deu volta à cabeça àquele que não se
sentia de modo nenhum o seu dono. Tem sido assim durante
estes longos anos. O rádio andou escondido lá por casa
durante muito tempo, só que não lhe desaparecia da
cabeça, pois trazia-lhe à memória outras recordações de
outros momentos e outros factos ocorridos. Assim, o
rádio acabou por tomar um lugar de destaque na mesa de
trabalho do nosso amigo ranger. O pequeno aparelho é
como um dedo que persiste em apontar para mim,
confessa Jaime Andrade. Este, com uma grande angústia
tem contado a sua história publicamente em diversos
fóruns, conseguindo mesmo fazer a sua divulgação em
alguns canais de televisão portugueses, despertando
inclusivamente o interesse de um jornalista da BBC.
É desejo do nosso Alferes, alimentando uma enorme
esperança, reencontrar o seu antigo adversário de guerra
por quem sente hoje um admirável respeito. Pretende
simplesmente devolver-lhe o rádio, dar-lhe um forte
abraço e pedir-lhe desculpa!
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"O rádio" de Jaime Froufe
Andrade, reportagem TVI
Informação de
Ilídio Costa
Um antigo combatente
português, um antigo guerrilheiro da Frelimo e um antigo
rádio a pilhas... A história de Jaime Froufe Andrade, um
ex-ranger em Moçambique, começa no dia em que um ataque
a uma base na Beira capturou um combatente. Apoderou-se
do rádio que este trazia consigo e do qual nunca
conseguiu livrar-se.
Quarenta anos depois, Froufe Andrade tem uma missão
quase impossível: encontrar o guerrilheiro, dar-lhe um
abraço que simboliza a paz, mas sobretudo, entregar-lhe
o rádio, que não lhe pertence.
"O rádio" de Jaime Froufe Andrade, entrevistado pelo jornalista Henrique
Garcia
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7 de Maio de
2010
(sexta-feira),
pelas 19 horas
Jaime Froufe Andrade
Na Biblioteca-Museu
da República e Resistência (Estrada de Benfica, nº 419,
antigo Bairro da Família Grandela, em Lisboa), no âmbito
das
"Memórias Literárias da Guerra Colonial", no 3.º Ciclo
de Conferências, Jaime Froufe Andrade falou e
respondeu a perguntas sobre o seu livro "Não sabes
como vais morrer" que reúne um conjunto de
reportagens que escreveu sobre a sua experiência de
alferes miliciano ranger, em Moçambique.
Aconteceu, em
07Mai2010:
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"Não sabes como vais morrer"
"Não
sabes como vais morrer"
Autor: Jaime Froufe
Andrade
Edição: Associação
dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP)
Porto, 19 Nov
(Lusa) - A Associação de Jornalistas e
Homens de Letras do Porto (AJHLP) lançou
"Não sabes como vais morrer", de Jaime
Froufe Andrade, um novo título da
Colecção Memória Perecível, anunciou
hoje fonte da AJHLP.
Trata-se de um conjunto de oito
histórias da guerra colonial que o autor
viveu em primeira pessoa durante a sua
comissão de serviço em Moçambique, como
alferes miliciano de Operações Especiais
("rangers"), entre 1968 e 1970.
São
outros tantos retratos da vida que
centenas de milhar de jovens portugueses
viveram, nos anos da guerra colonial, no
meio do "mato", em Moçambique, Angola ou
na Guiné-Bissau.
As
histórias são escritas com dramatismo,
em que cabem momentos de humor,
perplexidade, angústia e ansiedade, mas
também a profundidade psicológica, que
faltam a muitos relatos de guerra.
As
pelo menos duas gerações de portugueses
que viveram a guerra em África
reconhecer-se-ão facilmente nestas
linhas escritas por Froufe Andrade.
Noutro capítulo, o autor narra o
regresso atribulado de Moçambique a
Portugal, a bordo do navio Vera Cruz,
sobrelotado com três mil militares.
Quando navegava perto do Cabo da Boa
Esperança (o mítico Cabo das Tormentas
de Camões), na África do Sul, o enorme
navio foi atingido, na sequência do
efeito conjunto de duas ondas sísmicas e
de uma tempestade, por gigantescas
vagas, sofrendo graves avarias e tendo
estado a ponto de soçobrar.
As
circunstâncias desta viagem são narradas
em primeira pessoa por Froufe Andrade e
ainda por um conjunto de 12 depoimentos
por ele próprio recolhidos junto de
outros militares, oficiais, sargentos e
praças, que consigo viajaram.
O
autor entrevistou ainda o oficial-piloto
que estava de turno na ponte de comando
do navio e pesquisou ainda o diário de
bordo do navio, no Arquivo Central da
Marinha, onde recolheu elementos dos
dois comandantes que seguiam a bordo, o
comandante do navio e o comandante dos
militares a bordo.
Jaime
Froufe Andrade, nasceu em 1945, no
Porto. É jornalista profissional,
trabalhou durante muitos anos do Jornal
de Notícias e integra actualmente os
quadros da revista Notícias Magazine,
distribuída semanalmente com o aquele
jornal portuense e com o lisboeta Diário
de Notícias.