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Notas Varias autorJoão Charulla de Azevedo

Projecto o melhor espero o pior e aceito de ânim
João Charulla de Azevedo foi, inegavelmente, uma das figuras políticas mais discutidas na vida da colônia portuguesa de Angola, na década de 60.

 

Jornalista possuidor de um estilo directo, de certa maneira de “falar” com o leitor, os seus escritos eram sempre carregados de intenção. Tivesse razão ou não, era sempre convincente.

 

Arrastava a opinião pública atrás de si. Mas nunca se recusou a reconhecer um erro. Nunca hesitou em rectificar, com a mesma sinceridade, posições erradas.

 

Não foi perfeito. Nem infalível. Mas foi certamente um dos mais distintos e combativos jornalistas de Portugal.

 

Falecido prematuramente com 34 anos, em 1967, esta obra reúne as notas publicadas semanalmente na revista "Noticia", da qual foi editor e director

 

in: "Estante Virtual"

O livro

 

"Angola - Notas várias"

 

Notas Varias capatítulo: "Angola - Notas várias"
autor: João Charulla de Azevedo
 

editor: Notícia
1ªed. Luanda, 1968
224 págs

 

Excerto – página 173

 

«O COMBATE DA CATUTA

JULHO, 1961

 

Saí de Luanda na madrugada de quarta-feira. Caçadores de Aveiro, aquartelados no RIL, preparavam, aos primeiros alvores, a coluna em que seguimos vários jornalistas, para destino ignorado. A disposição era excelente. As viaturas testemunhavam-no, através das inscrições a giz: «vinho novo» no chapeado do atrelado da água; «Ementa: sopa de bolinhas; a segunda está em estudo; a terceira vem no ano 2.000», podia ler-se na cozinha rolante: «Homens maus», «esticadinho», «falcão», «os cantinflas» - cada «jeep», cada carro levava um nome.

 

Os «especiais» de Aveiro são da tropa melhor que está em Angola. Da mais brava e da que mais fama criou. Primeiro em Malanje, depois por todo o Norte, acumularam estes moços razões de orgulho. Agora destinava-se-lhes missão por certo importante, pois que os chamados haviam sido eles.

 

A cidade acordava quando passamos a caminho do asfalto do Cacuaco. A coluna era envolvida pelo carinho dos que já circulavam nas ruas. E, das janelas, debruçavam-se mulheres acenando, com calor, votos de felicidades.

 

Depressa se atingiu o Caxito. E, na bifurcação a seguir, soubemos que o rumo era o Úcua.

 

Pó de cortar à faca, durante sessenta quilómetros. Depressa esfria a animação geral, que ninguém resiste ao desgaste destas estradas. Matagal extenso e cerrado de ambos os lados: uma presença constante que, quando enfrentada fisicamente, fornece ao espírito a dimensão real da tarefa que as circunstâncias exigem aos que combatem no Norte.

 

Soubemos no Úcua que se registara, na véspera, um ataque aos bailundos que trabalhavam próximo, na fazenda da Quibaba, oito quilómetros adiante. Prisioneiros feitos na altura informavam que apenas seria poupada a fazenda do Vale do Louma, porque se destinava ao «presidente da república». Mais importante que essa baforada de ridículo, mais importante e mais inquietante era – e é – a certeza de que, desde há uma semana, o eixo dos acontecimentos se deslocou e que a parte que resta da organização terrorista procura fixar-se na área do Úcua. Não se escoariam quarenta e oito horas sem que eu tivesse uma prova terrível de que é assim: da linha do horizonte emerge o recorte cónico e … »

 

 Notas Varias pg173

 

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