.

 

Início O Autor História A Viagem Moçambique Livros Notícias Procura Encontros Imagens Mailing List Ligações Mapa do Site

Share |

Brasões, Guiões e Crachás

Siga-nos

Fórum UTW

Pesquisar no portal UTM

Livros

Trabalhos, textos sobre a Guerra do Ultramar ou livros

 

Joaquim Cortes

 

Joaquim Cortes, foi mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira 3 (Évora), para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Artilharia 3859 "Unidos Fortes Venceremos", no período de 1971 a 1974 

 

 

 

O livro:

 

"BArt 3859 - 25 anos ... depois de Angola"

 

Dedicatória:

 

... A todos os meus camaradas militares do Batalhão de Artilharia 3859 e Pelotão de Morteiros 3062, e a todos os militares portugueses que lutaram pela integridade da Pátria e, ainda, continência a todos aqueles que, para sempre, tombaram vendendo a vida ao preço dos heróis ...

 

 

 

título: Batalhão de Artilharia 3859 - 25 anos depois de Angola

Autor: Joaquim Cortes

Edição: Autor

 

1.ª Edição: Outubro de 1999

Tiragem: 1000 exemplares, incluindo a tiragem especial de 100 exemplares numerados e com a chancela do autor

Local: Amadora

Impressão: Benigno e Castro

Fotografia: Arquivo fotográfico de Joaquim Cortes, Jorge Lucas António, Carlos Borges, Joaquim Massano Abrantes, Dr. Manuel Costa Cajão, Dr. António Farias e Carlos Santos

Documentos: Arquivo do BArt3859

Capa: O autor numa picada em contacto com a unidade

Contracapa: Mata da Magina, no norte de Angola

Depósito Legal: 143446/99

Registado no Ministério da Cultura

 

INTRODUÇÃO:

 

Quando são decorridos praticamente 25 anos sobre o nosso regresso de Angola, surge a culminar a realização anual de reuniões de confraternização do Comando e Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Artilharia 3859 - este conjunto de documentos onde, para lá das recordações pessoais do seu autor, se reuniu o efectivo da Unidade que, em Nov. 71, ao início de uma madrugada bem fria (em todos os aspectos), deixou o Campo Militar de Santa Margarida ao encontro do navio «Vera Cruz»›, velha glória da Marinha Mercantedas décadas de 50 e 60, rumo a terras de Angola.

 

Estou crente de que serão muito raras as Unidades que, no período de 1961 a 1974 terão tal compilação efectuada e, ao percorrer os nomes e especialidades que aqui se encontram, avivam-se na memória as caras e episódios passados, a camaradagem e o espírito de sacrifício que foram timbre de todos os que, naquela região do norte de Angola, conviveram 27 duros e inesquecíveis meses das suas vidas.

 

Esta foi, com certeza, a ideia do autor deste meticuloso trabalho, que em tarefa longa de vários anos, deslocações a Unidades, consulta fastidiosa de documentos e contactos permanentemente avivados com os seus camaradas, conseguiu levar a cabo a tarefa a que se dedicou com tanto empenho.

 

Detenhamo-nos, com saudade, sobre os nomes dos que já nos deixaram, lembremos os que, por motivos vários, não tiveram a possibilidade de, pelo menos uma vez por outra, se reunirem a nós, na confraternização anual.

 

Não esqueçamos também, os laços de amizade que nos uniram e unirão, enquanto a nossa presença neste mundo for realidade.

 

Por fim, e para o autor desta obra, vão os agradecimentos de todos nós pelo excelente trabalho realizado, pelo esforço desenvolvido e pela determinação em perpetuar uma fase tão importante das nossas vidas.

 

Bem- haja, pois, o Joaquim Cortes. Obrigado.

Luís Gomes Marques

Cor. Artilharia

 

NOTA DO AUTOR:

 

Já o B.ART. 3859 caminhava para o vigésimo sexto mês de comissão em terras de Angola, (mais precisamente nas povoações de: Curimba, Luvaca, Buela e Calambata), quando pensei em recolher numa colectânea os nomes e moradas de todos os meus camaradas militares da CCS, desde o Comandante às praças que, assim como eu, cumpriam o seu dever militar. Uns por obrigação, outros por dever profissional.

 

Pecou o meu pensamento por ser tardio, pois os camaradas militares do Pelotão de Morteiros 3062, já tinham sido rendidos e já não me foi possível recolher as suas assinaturas e moradas. Foi pena, pois eles eram parte integrante do B.ART. 3859 e, nomeadamente, da CCS.

 

A minha ideia teve a melhor aceitação, por parte de todos os camaradas de armas, incluindo os de escalões superiores. Cada um escreveu a mensagem que, no momento, lhe ocorreu:

 

- Um abraço ao Cortes - Desejo-te as maiores felicidades - Felicidades na vida futura - Roubaste-me sempre cigano - Não me fazes mais ciganadas - O cigano do Cortes não me enfia mais barretes - etc., etc., e uma observação verbal, que não posso deixar de registar:

- Isto não é para depois me irem matar, pois não Cortes?» A expressão citada, foi proferida por: um grande homem, grande militar, grande amigo dos soldados, e sobretudo, um grande condutor de homens, que todos, com certeza, guardam nas suas memórias: José Sanches!

 

Alguns dos escritos com muita mágoa minha já não podem ser relidos por quem os escreveu, por já não pertencerem infelizmente ao reino dos vivos!. Estes, para todo o sempre, e enquanto eu viver, ficarão na minha memória.

 

Já o citei, a minha ideia, não foi perfeita na plenitude. Não recolhi nome e moradas dos camaradas do Pelotão de Morteiros 3062, acontecendo o mesmo com as CART.: 3447, 3448 e 3449. O perfeito ainda não nasceu, e não sei quando será o seu parto.

 

Este livro que escrevo:  - evocativo e comemorativo dos vinte e cinco anos do regresso do B.ART. 3859 e do Pelotão de Morteiros 3062, é dedicado a todos os meus ex-camaradas militares, que comigo conviveram e repartiram, alegrias e tristezas, durante o nosso tempo de militares em Angola. Ainda, a título póstumo, aos que deixaram o nosso convívio e já vivem na Eternidade deixo este sentimento: TODOS FICÁMOS MAIS POBRES....l

 

Julgo não haver dúvidas por parte de qualquer camarada militar a amizade que tenho por todos, sem excepção, e que criei durante os vinte e sete meses de Angola. Como esta amizade é: pura, honesta e sincera, permitam-me que vos diga a todos:

 

- Até amanhã, camaradas...!!!

J. Cortes

 

OBRA

 

No presente ano (1999), contam-se vinte e cinco anos desde que regressámos às terras que nos viram partir. Durante o mesmo período, foram levados a cabo encontros anuais de confraternização, com predominância para os ex-militares pertencentes à CCS do nosso Batalhão.

 

Sei, na data que escrevo, que o Pelotão de Morteiros 3062, levou a efeito a sua 1ª confraternização em I997, e já tem a 2ª agendada para Fevereiro de 1998, em Águeda. Também sei, que a C. Art. 3447 já levou a efeito, sob a iniciativa de José Maria Tavares Guiomar, quatro confraternizações, mas não conheço os anos da sua realização. A C.Art. 3448, também sob os auspícios dos ex-furriéis:  - Vítor Moreira , António Pereira e soldado Manuel Costa Reis, já reuniram em oito confraternizações, acontecendo a primeira ao 15° ano de regresso a Portugal . Desconheço se a C.Art. 3449 alguma vez se reuniu para levar a efeito algum convívio desde que regressou de Angola.

 

A obra que escrevo, com base na CCS, é extensiva a todo o Batalhão de Artilharia 3859 e ao Pelotão de Morteiros 3062. Todos temos o mesmo tempo de regresso: 25 anos!

 

Como um quarto de século é demasiado tempo, achei por bem esta data não ficar olvidada, quer por mim quer por todos aqueles que ainda hoje sintam o espírito de camaradagem dos longos vinte e sete meses de Angola. Esta foi a razão forte, pela qual me abalancei a escrever um livro, onde constem as confraternizações já realizadas, assim como e quando, nasceu esta grande camaradagem e amizade, raramente existente hodiernamente no seio das Forças Armadas Portuguesas.

 

Tenho consciência de que a obra que escrevo é, sem dúvida, modesta e à dimensão de quem a escreve. No entanto, julgo de grande interesse para todos aqueles que integraram o B.ART. 3859 e o Pelotão de Morteiros 3062. Tenho a certeza de que, nomeadamente os camaradas militares da CCS, ao lerem o que se passou há 25 anos, se recordarão de momentos, hoje porventura varridos das suas memórias.

 

Os camaradas da CCS, que nunca estiveram presentes, até hoje, em nenhuma confraternização podem ficar inteirados, através da narrativa que se segue, da forma como as mesmas decorreram, o mesmo acontecendo com os camaradas do resto do Batalhão e Pel.Mort. 3062.

 

Terá ainda a virtude, (segundo me é dado saber), de ser a primeira obra do género a versar convívios de antigos combatentes da guerra do Ultramar, tornando-se assim, obra inédita.

 

Como tudo na vida, há princípio, meio e fim!. Assim, achei que devia dar a conhecer, a quem tiver a paciência de ler o que escrevo, como nasceu esta profunda amizade entre todos os que fizeram parte do B.ART. 3859 e o Pelotão de Morteiros 3062. Por este motivo, não posso deixar de ir ao princípio de tudo: B. ART. 3859 - Évora. Esta amizade começou cimentada durante a viagem a bordo do Vera Cruz e reforçada nos locais onde sempre estivemos: Cuimba, Luvaca, Buela e Calambata. A ida aos primórdios onde se iniciou a grande amizade evita a existência de um fosso, mas implica inserir na obra, todo o percurso feito desde Évora até Cuimba / Angola. No que concerne ao Pelotão de Morteiros, eu penso que a sua camaradagem teve início na unidade mobilizadora, R.I. 15 (em Tomar) e cimentada em Cuimba, como a CCS / B. ART. 3859. A sua viagem (Lisboa - Luanda), foi igual à dos restantes camaradas que viajaram a bordo do Vera Cruz.

 

Não vou empregar frases filosóficas! Vou, isso sim, escrever à semelhança da minha simplicidade, transferindo - a para todos os meus antigos camaradas militares. Todos sabemos que a maioria, por dificuldades de vária ordem se viram inibidos de tirar cursos superiores e o currículo obrigatório à época não ia para além de instrução primária.

 

Tentarei dar a conhecer a todos, com a máxima fidelidade, como vi e registei na minha memória todo o percurso, desde Évora a Angola. Como se iniciaram as confraternizações da CCS / B.ART. 3859, e o que de mais importante se passou em cada uma. Passagens dignas de registo, que aconteceram em várias ocasiões, sendo a grande parte do que narro, arquivo de memória e, por isso, passível de algum esquecimento porque já lá vão vinte e cinco anos.

 

No que diz respeito às mensagens recebidas ou outros escritos, é feita a sua transcrição, fazendo apenas a correcção ortográfica, mantendo o pensamento transmitido por todo e qualquer camarada militar, mesmo as de difícil interpretação e compreensão.

 

Documentos, que eu entenda, que são elucidativos, sempre que possível, serão reproduzidos, tanto para confirmação como elucidação, de todos os camaradas militares no texto da respectiva confraternização. Os restantes documentos, como cartas, mensagens, etc., são transcritos no ano respectivo, com a reprodução dos originais na rubrica: «Documentos e Correspondência», local onde também serão inseridas as reportagens fotográficas.

 

Empregarei algumas das alcunhas pelos quais eram mais conhecidos alguns dos camaradas militares, apenas uma só vez já que os mesmos têm nome próprio. Usarei sempre o apelido, «nome de guerra», como eram conhecidos e chamados no Exército todos os camaradas. Aqueles que a terminologia do nome seja igual, poderei destrinçar: «nome  - apelido», «posto - nome» «apelido - especialidade» «apelido – terra», ou «como vulgarmente eram tratados».

 

No que se refere à listagem da composição do B.ART. 3859, a mesma é escrita por ordem alfabética de: apelidos, independentemente do posto militar de cada um. Na listagem de composição constam, além do apelido, o nome, o número mecanográfico, o posto e a especialidade, sempre que me foi possível apurar estes dados. Há ainda uma coluna: «Obs:», onde estão registadas as alterações havidas durante a comissão de serviço, critério também usado, para todas as companhias do Batalhão e Pelotão de Morteiros 3062.

 

A listagem de composição do B.ART. 3859 é iniciada com a CCS, seguindo, depois, a ordem cronológica numérica das companhias operacionais. Por último o Pelotão de Morteiros 3062, que não fazendo directamente parte do Batalhão, ficou adido ao mesmo, durante os vinte e sete meses de comissão, sendo de elementar justiça, que todos os seus homens, constem, com os do Batalhão.

 

Quanto ao mapa de presenças em confraternizações, só a CCS, apresenta o nome de todos os camaradas militares, que fizeram parte da mesma, mesmo que nunca tenham comparecido em qualquer confraternização.

 

No entanto e relativamente às companhias operacionais e Pelotão de Morteiros, só aparecerá o nome dos camaradas militares, que alguma vez estiveram presentes e o ano que se verificou a sua presença. As presenças de cada um: CCS, CART.: 3447, 3448, 3449 e Pel. Mort., serão assinaladas com um asterisco (*) no ano respectivo.

 

Sempre que apareça o substantivo Camarada, sem o acompanhamento do adjectivo militar, entenda-se como linguagem usada entre homens da mesma farda, cumprindo o seu serviço militar.

 

Mesmo empregando todo o cuidado, sei que haverá omissões, muito concretamente, no que diz respeito a mensagens enviadas por camaradas para as organizações. Aos visados, fica a informação: - as mesmas, não me chegaram as mãos.

 

Muito dificilmente quem escreve consegue agradar a gregos e a troianos, mas se conseguir com esta modesta obra, agradar pelo menos aos meus antigos camaradas de armas do B.ART. 3859 e Pelotão de Morteiros 3062, já me dou por satisfeito. Foi para eles e por eles que a escrevi e é editada!!.

 

O Autor

 

© UTW online desde 30Mar2006

Traffic Rank

Portal do UTW: Criado e mantido por um grupo de Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar

Voltar ao Topo