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TRABALHOS, TEXTOS
SOBRE OPERAÇÕES MILITARES ou LIVROS
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O
livro
"Zau-Évua ~
terra de ninguém, sítio de vivências"
Algumas páginas do livro
Comentário ao livro, por José Lessa

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Pedro Martins
livros@pedromartins.com
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José Manuel Ferreira Martins
Companhia de
Caçadores 105 / 03 RI 20
Norte de Angola
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Casal do Marco
2840-030 Paio Pires
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Telemóvel: 914847055
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"Zau-Évua ~
terra de ninguém, sítio de vivências"
A
obra que trazemos ao conhecimento dos leitores
reporta-se a factos que ocorreram há precisamente trinta
anos. Na altura, o autor era um jovem militar
em
campanha, na defesa de princípios e valores que o poder
político considerava de interesse nacional. Em regra, os
mancebos eram recrutados praticamente com o destino
marcado: lutar nas províncias ultramarinas. Dos que
deixaram o território metropolitano, aqui na Europa,
mobilizados para as várias províncias em armas, já se
publicaram obras de conteúdo marcadamente político, de
simples relato de experiências pessoais ou mesmo de
ficção. Dos que viviam nesses territórios e os
consideravam a sua própria terra, na lógica da
portugalidade que ia do Minho a Timor, não terão sido
dados à estampa obras de conhecimento público
significativo. Nós, pelo menos, temos essa convicção, a
que atribuímos, obviamente, o significado de certeza,
nem é isso que está em causa. E daqueles que serviram a
Nação, no contexto da guerra colonial, tendo uma visão
mais próxima da realidade social, cultural e política
das respectivas províncias, onde desejavam continuar os
seus projectos de cidadania depois da desmobilização,
ainda não terão sido publicadas as respectivas obras.
Por
fim, no meio evangélico nacional, onde o autor tem,
assumidamente, as suas referências ideológicas mais
marcantes, não se deu oportunidade a projectos
editoriais de natureza semelhante.
No
início da nossa actividade como editor, temos o ensejo
de dar à estampa esta obra que colmatará uma das muitas
lacunas no nosso universo editorial. E dizemo-lo sem
presunção, pois estamos certos que os leitores da
geração do autor (não só os seus amigos, que são muitos,
mas também os que, como ele, deram uma fatia da sua
juventude à Pátria e mantêm um vinculo afectivo pessoal,
e, ainda, os que acompanharam a sua actividade
profissional), e os das gerações seguintes, que apreciam
Memórias, o testemunho de vida, especialmente os jovens,
garantirão o seu êxito. Não só pelo que ela representa
na sua motivação essencial - dar a conhecer uma
perspectiva diferente da guerra colonial num registo
novo - mas porque a narrativa é viva, por vezes
emocionante, e fala de sentimentos, atitude, defeitos e
virtudes tão comuns a todos nós. Podemos dizer que a
leitura de ZAU-ÉVUA ~ terra de ninguém, sítio de
vivências proporcionará um reencontro com o passado, sem
conflito, àqueles que batalharam por uma ideia de Nação
e um pretexto de reflexão sobre os fundamentos em que
cada um construiu a sua relação com os outros, o que
poderá, inclusive, acordar o propósito de dar a conhecer
a outras memórias interessantes.
Pedro Martins
O
Editor
Algumas páginas do livro:
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Comentário ao livro,
por José Lessa
Zau-évua - Terra de
ninguém, sitio de vivências
Autor – Dr. José
Manuel Martins
Não podia ficar
indiferente a esta publicação.
Eu também estive em
Zau-évua…
Ao ler o livro,
revivi muito do que o autor escreveu, mais parece que
fui mais um dos homens do seu grupo.
Não conheço
pessoalmente o autor. Um dia li o título neste espaço e
escrevi-lhe para lhe mostrar o meu desejo e interesse na
compra de um exemplar, mal eu sabia que ia encontrar
tantas afinidades no conteúdo.
Ás páginas tantas o
autor descreve uma situação trágico-cómica passada e
vivida e que também se passou comigo.
Falava o autor de
muitos acidentes que aconteceram na Guerra Colonial em
que muitos perderam a vida muito devido á inexperiência
como que os condutores iam para o “mato”, felizmente no
nosso caso tudo acabou em bem.
Uma pausa na picada
devido a um riacho sem ponte que foi preciso cortar
arvores para as viaturas poderem passar.
Como a coluna não
andava um condutor resolveu avançar para ver o motivo da
paragem prolongada.
Capim com mais de 3
metros não dava para ver um metro a frente do nariz e
eis que o nosso “Fitipaldi” com o unimogue carregado de
pessoal arranca pela esquerda, tomba e fica de pernas
para o ar, no riacho onde estavam a colocar as arvores
para a coluna passar, no meu caso era o único que me
tinha mantido na viatura porque assim via o panorama no
caso do Martins a coisa podia ter sido complicada porque
eram muitos a poder morrer afogados…
Eu fiquei com a
cabeça de fora e com as pernas presas entre os bancos e
o lodo…apanhei um “cagaço” que nem vos conto tanto mais
que estava a 3 dias de vir passar férias…
Obrigado Zé Martins
pelo teu testemunho.
Zau ficará para
sempre nos nossos corações, como ficará Luanda,
Ambrizete, Tombouco e no meu caso o Quiende…
Até sempre amigo e
mesmo não contendo as lágrimas ao ler o que escreveste,
gostei muito de reviver 27 meses da minha vida.
José Lessa
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