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  "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

José Francisco Fernando Nico

 

Tenente-General Piloto Aviador

 

Cruz de Guerra de 1.ª classe

Ordem à Aeronáutica nº 26, 2.ª série de 1969, então Tenente Piloto Aviador

 

 

 

 

Clique no sublinhado que se segue para visualização do conteúdo completo:

 

"Madina do Boé, 'o Algarve na Guiné'"

Guiné: Madina do Boé - o alvo para a estreia dos cubanos em combate

 

Excertos:

 

[…]

A ideia de que a zona era difícil de proteger, levou mesmo a URSS a prometer ao PAIGC construir uma pista para aviões de transporte Antonov para apoio logístico directo, assim que conseguissem desalojar os portugueses daquela posição…


[…]
 

«A primeira operação militar de envergadura que se realiza com a participação dos assessores cubanos é a efectuada contra o quartel português de Madina de Boé, em 10 de Novembro de 1966…»


[…]
 

A resposta dos Portugueses não se faz esperar; têm coberta a pequena elevação de onde ataca a guerrilha e as suas granadas de morteiro começam a produzir impactos certeiros sobre o comando guerrilheiro, provocando a confusão e a desorganização


[…]
 

…atira-se para cima do corpo de Ulisses com a clara intenção de o proteger, quando é atingido por um estilhaço de morteiro, que lhe provoca uma ferida que sangra copiosamente. Ulisses, ajudado por outro cubano, transporta-o para o posto médico, situado a uns 100 metros na retaguarda, mas o seu corpo chega a este já sem vida…


[…]
 

O ex-comandante da CCaç1790 descreveu-me assim a posição que foi ocupar:
- «Madina do Boé é uma pequena povoação com características físicas específicas. É rodeada por pequenas elevações (com cerca de 300 m de cota média), que são a continuação na Guiné da cordilheira do Futa Djalon da Guiné-Conacri. Madina fica num vale fértil com muita água, tem um clima agradável, a ponto de em brincadeira os militares que ocuparam anteriormente a posição terem ali colocado uma tabuleta com a expressão “Madina do Boé, o Algarve na Guiné”,e que ali permaneceu até ao fim da presença portuguesa.


[…]
 

Está hoje completamente comprovado que o PAIGC teve sempre nos arredores de Madina oficiais e sargentos cubanos, que regulavam o tiro das suas armas pesadas com muita eficácia; como nos montes em redor tinham excelentes postos de observação de tiro e meios adequados para o efeito, escolhiam facilmente as zonas a bater, e faziam correr as salvas por todo o aquartelamento.


[…]
 

O segundo factor era uma vulnerabilidade dos cubanos, que utilizavam emissores-receptores nas frequências da banda FM dos 80 Mhz que podiam ser escutadas nos rádios (transistores) do pessoal. Por essa razão, era normalmente possível ouvir-se em Madina as comunicações do inimigo, em castelhano,…


[…]
 

…10 de Abril de 1968, fui escalado para uma missão com o Cap Vasquez, que era na altura o comandante da Esquadra 121. A caminho da linha da frente, disse-me que íamos ver se Madina do Boé precisava de apoio e que os aviões iam armados com bombas incendiárias e foguetes, para além das metralhadoras, é claro….


[…]
 

Ainda estava a subir voltando apertado pela direita, todo torcido e comprimido na cadeira de ejecção, a tentar localizar visualmente o avião do Cap Vasquez, quando a voz do Cap Aparício me encheu o capacete:
- «Em cheio Tigres, em cheio. Era mesmo aí!»
[…]
 

As comunicações rádio dos cubanos escutadas em Madina, na sequência deste ataque, prolongaram-se por várias horas. No essencial pediam apoio para a evacuação da enorme quantidade de feridos que tinham sofrido e referiam também a existência de cerca de 30 mortos. O tom de aflição e a insistência nos pedidos de socorro, reflectiam claramente uma situação de extrema gravidade.


[…]
 

O comandante do batalhão de pára-quedistas nº 12, na altura o TCor Pára Fausto Marques, deslocou-se a Madina do Boé para perceber melhor a natureza do problema e engendrar um plano de acção. Com base nos elementos colhidos, concluiu
que só a surpresa poderia garantir resultados,…


[…]
 

Por essa razão foi iniciado o transporte diário em DO-27, directamente de Bissalanca para Madina, de equipas de quatro pára-quedistas, simulando vôos de rotina. Para encobrir a chegada deste pessoal, o avião aterrava de Este para Oeste e, quando dava a volta no fim da pista para se dirigir à entrada do aquartelamento (a meio da pista), parava por momentos para deixar sair os quatro homens que se embrenhavam na mata próxima. Estes vôos começaram no dia 11 de Julho e terminaram no dia 15 de Julho de 1968.


[…]
 

Logo no segundo dia foi efectuado um reconhecimento ao alvorecer, em que foram empenhados os primeiros quatro pára-quedistas que haviam chegado no dia anterior, apoiados por um grupo de combate da CCaç1790.


[…]
 

Ao chegar ao trilho, a meia encosta, procuraram rapidamente uma zona que proporcionasse um campo de tiro e montaram um dispositivo em L invertido em que a perna maior, com dez páraquedistas, se estendia a subir ao longo do trilho e a menor 90º à direita, de frente a uma pequena clareira. Numa posição recuada em relação à perna maior, ficaram o 1º Cabo enfermeiro Giroto e o homem do rádio.


[…]
 

Coube-me a mim efectuar a evacuação dos dois feridos. Comigo viajou o TCor Fausto Marques e por um feliz acaso alguém fez uma foto do DO-27 3460 aterrado na pista de Madina onde eu, o Tem Gomes e um soldado da CCaç1790 aparecem. É a única prova que ainda tenho de que alguma vez estive “no Algarve na Guiné”...


[…]
 

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Autor do

 

Livro:

 

«A BATALHA DO QUITAFINE»

A contraguerrilha antiaérea na Guiné e a fantasia das áreas libertadas

 


Texto:

 

 

"Um ataque com «olhos azuis»"

Guiné: «Um ataque atípico no dia 6 de Janeiro de 1969»

 

 

 

 

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