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Enfermeiras Pára-Quedistas Portuguesas

Informação de um Veterano

 

Luís A. M. Grão

Luís António Martinho Grão, Coronel Pára-Quedista

 

 

"Enfermeiras Pára-Quedistas"

1961 - 2002

 

Dado à estampa em 2006 pela Prefácio Editora, este livro da autoria de Luís Grão que serviu de comemoração do 50.º aniversário da criação das Tropas Pára-Quedistas Portuguesas.


A criação das tropas pára-quedistas portuguesas e a sua integração na Força Aérea deve-se ao General Kaúlza de Arriaga que na sua qualidade de Subsecretário de Estado da Aeronáutica criou o quadro de enfermeiras pára-quedistas para a assistência dos feridos e casos de urgência nos meios de evacuação e como refere o General Kaúlza de Arriaga “o comportamento irrepreensível e os grandes e excelentes serviços que as enfermeiras pára-quedistas foram prestando, nas guerras de África, a favor do Exército, da Armada, da Força Aérea e de Civis, todos rapidamente convenceram e conquistaram. Foi a confirmação do sucesso. (p. 27)
A ideia da formação do Corpo de Enfermeiras Pára-Quedistas em Portugal dá-se em 1956, quando a Senhora D. Isabel Bandeira de Mello (Rilvas), foi a primeira mulher portuguesa a saltar de pára-quedas. Um dos sonhos desta pára-quedista era a criação de um Corpo de médicos e enfermeiras pára-quedistas e tentou junto de do general Kaúlza de Arriaga o apoio deste para a concretização do seu sonho, o que levou Kaúlza a reunir-se com Salazar para a apresentação do projecto que ao fim de duas reuniões, Salazar assinou a legislação proposta pelo Subsecretário da Aeronáutica.


Foram contactadas as escolas de enfermagem de todo o país incluindo as religiosas, especialmente a Escola de Enfermagem Franciscana Missionárias de Maria de onde sairiam dez enfermeiras voluntárias e uma da Escola de S. Vicente de Paulo para o 1.º Curso de Enfermeiras Pára-Quedistas de entre os doze Cursos decorridos entre 1961 e 1974.


A 23 de Agosto de 1961 apresentam-se no Comando da 2.ª Região Aérea, em Luanda, em trânsito para o Destacamento Avançado das Tropas Pára-Quedistas (Luanda), as alferes enfermeiras pára-quedistas Maria Arminda e Maria Ivone que iriam tomar parte na Operação Canda.


O Curso de Enfermeiras Pára-Quedistas tem o seu fim no ano da desgraça de 1974 e última missão de serviço deu-se em Agosto e Setembro de 1976 na participação de evacuação de civis da província ultramarina de Timor para Lisboa.


A sentença de morte é dada pelo Decreto-Lei n.º 309/80 de 19 de Agosto que determina a extinção do pára-quedismo militar e o Conselho da Revolução viria a decretar a extinção total em 17 de Julho de 1980 com a promulgação e ordem de publicação, datada de 5 de Agosto e assinada pelo então Presidente da República, Ramalho Eanes.


Assim, deu-se a transição do pessoal militar permanente privativo do Corpo de Tropas Pára-Quedistas e mais tarde viria a ser extinta para ser criado o Comando das Tropas Aerotransportadas e da Brigada Aérea Independente.


Durante os treze anos, de 1961 a 1974 foram ministrados 12 cursos de enfermeira pára-quedistas, frequentados por 126 candidatas, das quais 47 conseguem alcançar as suas asas de pára-quedistas, embora só 46 tenham ingressado no quadro orgânico.


Com a excepção de duas enfermeiras todas as restantes foram empenhadas em inúmeras missões em zonas operacionais de combate.


Sofreram e lutaram bravamente, como valentes soldados que eram, empunhando como armas apenas as que a medicina lhes confiava.


Há a destacar a trágica morte, na Guiné, da Furriel Graduada Enfermeira Maria Celeste Ferreira da Costa ao ser atingida pela hélice de um Dornier 27, quando se preparava para embarcar e a Furriel Graduada Enfermeira Maria Cristina Justino da Silva, ferida em combate na região de Mueda, em Moçambique, em missão de evacuação de feridos em combate.


Estas senhoras eram as fadas dos soldados, os anjos caídos do céu e as heroínas que têm direito a lugar de Honra na memória dos socorridos e da Pátria que tanto e sempre honraram.

 

in: http://nonas-nonas.blogspot.com/2008/07/livro-enfermeiras-pra-quedistas-1961.html

 

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in "O Ribeira de Pera", de 31JUL2007,

de Beja Santos

 

A partir de 1956, as tropas pára-quedistas portuguesas marcaram presença em Portugal, na Guerra de África no longínquo Timor e mesmo nos países balcânicos. Em 1961, Kaúlza de Arriaga leva o Governo a criar no âmbito do Batalhão de Caçadores de Pára-quedistas, o quadro de enfermeiras, que vão participar no auxílio a quem sofre, vestidas de uniforme camuflado. É essa a história que se conta em “Enfermeiras Pára-quedistas, 1961-2002” (por Luís A. M. Girão, Prefácio, 2007).

 

A Força Aérea, em Março de 1961, desafiou enfermeiras voluntárias, já experientes, para prestarem assistência a feridos/doentes, evacuados por via aérea nas zonas de combate em Angola. Houve adesão imediata de 11 candidatas nas quais 6 alcançaram o respectivo brevê, sendo 5 delas antigas enfermeiras da Escola de Enfermagem Franciscanas Missionárias de Maria e uma da Escola de Enfermagem de S. Vicente de Paulo. Foi nesta escola, teria eu 9,10 anos que assisti a uma festa de Natal em que participava a minha irmã como aluna ao lado da sua amiga Maria Arminda Lopes Pereira. Com o passar dos anos, antes, durante e depois de eu ter ido à guerra na Guiné, perguntava invariavelmente à minha irmã: “Tens sabido por onde anda a Arminda, a nossa pára-quedista?”

 

Este corpo de enfermeiras pára-quedistas era uma completa originalidade em Portugal, não havia tradição e cedo se revelaram transponíveis as dificuldades de encontrar candidatas com a qualificação necessária. O autor aproveita esta oportunidade para fazer um breve relato do historial da assistência sanitária em campanha, da presença da mulher na enfermagem e refere o aparecimento das enfermeiras pára-quedistas em França. Quanto à preparação, as candidatas tinham que ter treino no solo, treino no avião e praticar saltos de manutenção. No caso português, para serem admitidas no curso de formação as candidatas deviam ter idade compreendida entre os 18 e os 30 anos e serem solteiras e viúvas sem filhos Em Maio de 61, definia-se o quadro de pessoal de enfermeiras, constituído por um tenente, 5 alferes e 5 sargentos, logo alterado no ano seguinte para 3 tenentes 9 alferes e 9 sargentos. De acordo com a legislação portuguesa as missões e a dependência das enfermeiras pára-quedistas estavam definidas em Junho de 61 da seguinte maneira. Quanto às missões, deviam ser a prestação de assistência e enfermagem em locais de grande aglomeração de feridos e doentes, em hospitais militares e até mesmo em hospitais civis e noutras missões. Quanto à dependência, os enfermeiros equiparados a militares pára-quedistas ficavam subordinados ao regimento de caçadores pára-quedistas ou ao batalhões de caçadores pára-quedistas nº 21 ou 31.

 

Não foi pacífico, no seio das Forças Armadas, o aparecimento de mulheres com patente oficial e sargento, tais os preconceitos da época. No caso das tropas pára-quedistas, após alguma curiosidade inicial, o facto foi aceite com alguma naturalidade. À cautela, saiu uma ordem de serviço recordando que o pessoal feminino com graduação militar prestava e tinha direito às honras e saudações militares correspondentes aos seus postos.

 

Em Agosto de 61, duas enfermeiras partiram para Angola, actuando em zonas de combate, em inúmeras missões de acompanhamento de feridos e doentes evacuados de África para Lisboa. As enfermeiras foram plenamente aceites, alvo de respeito e carinho, o autor cita testemunhos de jornalistas acerca da solicitude por elas demonstrada. Os boletins militares da época saudavam as “digníssimas enfermeiras pára-quedistas”, exteriorizando o orgulho que sentiam na sua colaboração e missão. Estas enfermeiras estiveram presentes nas missões de evacuação dos militares portugueses aprisionados pela União Indiana, em 1961 e 62, tendo recebido louvores pelo seu espírito de sacrifício e devoção.

 

O autor enuncia os cursos subsequentes, a partir de 1962. Em 73, é publicada a legislação que vai permitir a continuação do aproveitamento do pessoal de enfermagem nas organizações com carácter hospitalar da Força Aérea, mesmo quando perdesse esta qualificação. O ano de 1974 marcou o termo dos cursos de pára-quedismo destinado a enfermeiras, com a descolonização. Em 1975, as enfermeiras pára-quedistas regressaram a Portugal e foram nomeadas para desempenhar funções em serviços de saúde da Força Aérea. Mas em Agosto e Setembro de 76, estas enfermeiras tiveram a sua última missão, participando em acções de evacuação de civis, de Timor para Lisboa. Em 1980, é publicada a legislação que determina a extinção progressiva do quadro de pessoal especializado em pára-quedismo equiparada a militar. Os oficiais e sargentos graduados enfermeiros pára-quedistas em serviço efectivo podiam, desde que o requeressem, transitar para a categoria de pessoal militar permanente. Em Janeiro de 94, abria-se um novo capítulo para as tropas pára-quedistas portuguesas, extinguindo-se o corpo de tropas pára-quedistas e criando-se, no exército, o Comando das Tropas Aerotransportadas e a Brigada Aerotransportada Permanente.

 

Estas enfermeiras estiveram nas frentes de combate com desvelo, como tantos feridos e sinistrados recordam. Uma perdeu a vida, numa lamentável sinistro. Outra ficou marcada por uma bala traiçoeira.

 

Foram boinas verdes abnegadas, cuja coragem foi escrita nalgumas das páginas mais ilustres e dignificantes das nossas Forças Armadas.

Por: Beja Santos

 

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