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Nota de óbito:

Faleceu durante a madrugada de hoje (14Jan2019), o veterano Luís Manuel Farinha Fernandes Caraço.

A sua Alma Repousa em Paz.

 

Velório a partir das 17H00 na Igreja do Lumiar (Lisboa), onde pelas 21H00 será celebrada Missa.

Pelas 14H30 do dia 15Jan2019 seguirá o préstito para o cemitério do Lumiar

 

 

Luís Fernandes

 

Capitão (graduado)

 

Comandante do destacamento dos Grupos Especiais Pára-quedistas, em Moçambique

 

 

Luís Manuel Farinha Fernandes Caraço, Capitão (graduado), comandante do destacamento dos Grupos Especiais Pára-quedistas, em Moçambique, nasceu no dia 13 de Janeiro de 1947, em Lisboa

 

Brevíssima Resenha Castrense

 

Em Outubro de 1971, sendo quintanista do ISCSPU (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina), interrompe a formação final universitária e voluntaria-se para cumprir o SMO (Serviço Militar Obrigatório), ingressa na Escola Prática de Infantaria (EPI - Mafra como soldado-cadete n/m 16199568, ficando colocado no 1.º pelotão da 5.ª companhia de instrução;


No final de Dezembro de 1971 conclui o 1º ciclo do curso de oficiais milicianos, sendo transferido para a Escola Prática de Administração Militar (EPAM - Lumiar) a fim de frequentar na respectiva secção de pessoal, um curso de acção psicológica;


Em 15 de Abril de 1972 promovido a aspirante-a-oficial miliciano e transferido para a 2.ª Repartição do Estado-Maior do Exército (2ªRep/EME), a fim de frequentar o estágio da especialidade APsic (Acção Psicológica), onde vem a finalizar o curso com um trabalho epigrafado "O Terror e o Aliciamento como pólos fundamentais da Guerra Psicológica";


Durante a noite de 11 de Julho de 1972, tendo sido mobilizado em regime de rendição individual pelo 2.º Grupo de Companhias de Administração Militar (2.ºGCAM - Lisboa) para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) num Boeing-707 dos TAM (Transportes Aéreos Militares) com destino à Base Aérea n.º 10 (BA10 - Beira), promovido a alferes miliciano a fim de ser colocado na "Secção de APsic" do Centro de Instrução de Infantaria do Namialo (CIInf - Namialo);


Em meados de Julho de 1972 voluntaria-se para frequentar no Centro de Instrução de Grupos Especiais (CIGE - Dondo), um curso de formação dos Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP);


Em meados de Setembro de 1972, após concluído o curso dos Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP), transferido para Catunguirene onde assume o comando do Grupo Especial de Pára-quedistas n.º 5 (GEP005), reportando ao dispositivo operacional aquartelado no Guro;


No início de 1973 instala a base do seu Grupo Especial de Pára-quedistas n.º 5 (GEP005) junto ao cantineiro de Massangano, na margem do Zambeze perto do istmo de Tete;


Em meados de Abril de 1973 regressa com o Grupo Especial de Pára-quedistas n.º 5 (GEP005) ao Centro de Instrução de Grupos Especiais (CIGE - Dondo);


Em 20 de Julho de 1973 graduado em capitão e colocado temporariamente no Mungari, como comandante do destacamento dos Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP's);


Em Agosto de 1973 transferido para o Guro a fim de coordenar actividades dos Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP) - designadamente no Guro, Tambara, Chamba e Inhassalala -, atribuídas pelo Comando Geral dos Grupos Especiais e à disposição do coronel comandante do Comando Operacional das Forças de Intervenção (COFI);


Em 19 de Fevereiro de 1974, após ter participado voluntariamente em diversas actividades de contra-guerrilha executadas por destacamentos de Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP's) - entre as quais as Operações "Queimar 3", "Questiúncula 4" e "Nadinha 2" -, e tendo integrado a coordenação das Operações "Elefante Branco" e "Palanca Negra", é mandado regressar ao Centro de Instrução de Grupos Especiais (CIGE - Dondo) pelo novo comandante, afecto ao MFA (Movimento das Forças Armadas), o qual na cidade da Beira era «um dos principais mentores do tal movimento dos capitães»;


Em meados de Fevereiro de 1974 transferido para Mafambisse (arredores do Dondo), como 2º comandante do batalhão de instrução dos GE's, ficando sob a "supervisão" do tenente GE Riquito Soares «comprometido com a conspiração dos capitães»;

 
Em 17 de Março de 1974 embarca no aeroporto Sacadura Cabral (cidade da Beira), em vôo regular da TAP, para gozar licença disciplinar de 35 dias na Metrópole;


Ao final da noite de 24 de Abril de 1974 regressa a Moçambique, em vôo TAP da Portela com destino a Lourenço Marques;
Em 27 de Abril de 1974 retoma as suas funções no quartel de Mafambisse;


Entretanto, na Metrópole sobre si «já fora emitido um mandado de captura [...] por ser oficial da FAC» (Força Automóvel de Choque/Agrupamento Especial de Oficiais da Legião Portuguesa), tendo estado em casa de seus pais, em Lisboa, «elementos da Marinha» para «o prender»;


Em 6 de Julho de 1974 o semanário 'Expresso' reproduz-lhe uma "carta ao director", em réplica a anterior artigo que no mês de Maio, na edição nº 74 aquele jornal havia publicado;


Consequentemente, por determinação do coronel 'controleiro' MFA no Comando Territorial do Centro (CTC), em 13 de Julho de 1974 é ouvido nos termos do art.130º do RDM (Regulamento de Disciplina Militar) em auto-de-declarações, ao qual formalmente responde por escrito;


Em 25 de Julho de 1974 é punido por aquele oficial com cinco dias de prisão disciplinar e segue em vôo TAM para Nampula, onde, após apresentação no Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas de Moçambique (QG/CCFAM), se instala num quarto da messe de oficiais, sita no Hotel Portugal, a fim de cumprir o "castigo de não haver aderido ao MFA";


Em 30 de Julho de 1974 o general Comando Chefe das Forças Armadas de Moçambique (CCFAM) dá-lhe por finda a comissão e passa-lhe guia-de-marcha para que se apresente no Depósito Geral de Adidos (DGA - Ajuda), pelo que embarca em vôo TAM Boeing-707 com destino ao Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro);


Desde 8 de Setembro de 1974, considerado na situação de disponibilidade.


Naquela mesma noite, embarca na Portela em vôo TAP com destino a Luanda, prosseguindo em táxi-aéreo para o Luso (escala de reabastecimento) até Salisbúria e dali para o aeroporto sul-africano de Ian Smut:


Dias depois, de Joanesburgo regressa por avião a Salisbúria e daquele aeroporto através da Air Malawi até à cidade da Beira, onde na manhã seguinte é detectada a sua presença "clandestina" em Moçambique;


Tendo-lhe sido colocada a Polícia Militar no encalço, logra embarcar num vôo para Umtali (fronteira rodesiana);


Insistindo no regresso a território de Moçambique, utiliza primeiro a ferrovia Umtali-Beira até Vila Pery e seguidamente como ajudante-de-motorista num pesado camião de mercadorias até Lourenço Marques, onde se instala no Hotel Polana;


Após reestabelecer contactos com antigos subordinados dos Grupos Especiais de Pára-quedistas (GEP's) e com oficiais das Companhias de Comandos 2043 e 2045 (CCmds 2043 e 2045), propõe-se «preparar um golpe-de-mão contra a cadeia da Machava para libertar os nossos presos e fugir para a África do Sul»;


«na madrugada seguinte», 18 de Outubro de 1974, «preso pela Polícia Militar tendo um pelotão irrompido pelo hotel onde estava alojado»;


Clique no sublinhado que se segue para visualização do conteúdo

 

 

«Sequestrado e Entregue ao Inimigo»


«encarcerado à ordem do CTS (Comando Territorial do Sul) até Março de 1975», então «entregue à Frelimo pelas autoridades militares portuguesas»;


Sucessivamente deslocado sob escolta armada do inimigo, para Porto Amélia, Macomia, Chai, Mocímboa da Praia e Sagal até Mueda, sempre sujeito a trabalhos forçados em "campos de reeducação" frelimista;


Após 25 de Junho de 1975, a revista francesa L'Express publica «um artigo sobre os "capitães esquecidos de Moçambique"»;


Semanas depois é transferido (com outros seis ex-militares portugueses), de Mueda para o antigo quartel dos fuzileiros em Porto Amélia;


Em consequência do '25 de Novembro', o MNE (Ministério dos Negócios Estrangeiros) envia a Lourenço Marques um alto funcionário para promover junto da Frelimo a libertação dos "sete presos políticos portugueses";


Do antigo quartel dos fuzileiros, é transferido com os demais para a antiga esquadra da PSP (Polícia de Segurança Pública) em Porto Amélia, da qual em 20 de Janeiro de 1976 remete uma carta dirigida ao general Kaulza de Arriaga;


Decorridos escassos dias, transportado em bimotor - sob escolta armada - com os seis outros cativos até ao aeroporto da Beira, ali esperados por um alto funcionário do MNE (Ministério dos Negócios Estrangeiros) e pelo cônsul-geral português naquela cidade, sendo seguidamente embarcados num avião da TAP com destino a Lisboa.

 

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