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Rodrigo Emílio

 

RODRIGO EMÍLIO DE ALARCÃO RIBEIRO DE MELLO

Nascido a 18Fev1944, em Lisboa.

- em Abr67, bacharel em Filologia Românica, incorporado no SMO como soldado-cadete na EPI-Mafra.


- em 01Nov1968, aspirante-a-oficial miliciano de administração militar colocado no 2ºGCAM-Lumiar, tendo sido mobilizado em regime de rendição individual para prestar serviço na Chefia do Serviço de Contabilidade e Administração, da Região Militar de Moçambique, graduado no posto de alferes e embarcado em Lisboa com destino Lourenço Marques.


- em 19Set1970 regressado a Lisboa e reintegrado nos quadros de pessoal da RTP.

Em 1971, iniciou a produção televisiva da rubrica de poesia «Vestiram-se os Poetas de Soldados»; e em 1972, o programa epigrafado «Sobre a Terra e Sobre o Mar».


No final de Mai1973, em homenagem aos combatentes da guerra do Ultramar, seleccionou e prefaciou a antologia «Vestiram-se os Poetas de Soldados - Canto da Pátria em Guerra».


Em 1976, no seu livro «Reunião de Ruínas», prestou homenagem a Maggiolo Gouveia e a Daniel Roxo, dois grandes combatentes da Guerra do Ultramar, respectivamente em Angola e em Moçambique.

Faleceu a 28Mar2004, em Parada de Gonta (freguesia do concelho de Tondela).

Paz à sua Alma.

 

 

O livro:

 

«Reunião de Ruínas»

 

 

Homenagem a Maggiolo Gouveia e a Daniel Roxo, dois grandes combatentes da Guerra do Ultramar, respectivamente em Angola e em Moçambique

 

 

 

Poema de luto pesado I Poema de luto pesado II

Maggiolo Gouveia

Angola

 

Daniel Francisco Roxo

Moçambique

 

(Em memória e louvor do Tenente-Coronel MAGGIOLO GOUVEIA e de mais sessenta Portugueses, fuzilados em Timor pelos facínoras comunistas da FRETILIN) (1)

 

Tu viste, do céu? …
Assististe, Senhor,
à chacina de Aileu
(algures, em Timor) ?! …


Viste a morte cruenta
e sangrenta
- tal como aquela que se dá às rezes…-
que sofreram 50 ou 60
Portugueses?!


Viste como esses perseguidos
se persignaram, em português,
por môr de Dili
- e à hora da morte, unidos,
ali ajoelharam
uma última vez
diante de Ti? …


E viste, viste também
(à flor da ilha que lhes foi berço
e lhes foi cova duradoura),
a Tua Santa Mãe,
Nossa Senhora?! …


Não deixaste sequer de reparar
que, mal a oração final 3/5
por ali se pronuncia -
eles todos, em coral,
desataram a cantar
ao Coração Virginal
de Maria
! …


Finalmente,
puseram-se de pé.


E à frente
de tão nobre gente,
há então quem dê
um último e ardente
testemunho de fé.


É o Tenente-Coronel
MAGGIOLO GOUVEIA
- que não cura de salvar a pele,
Mas a epopeia!


Em nome de todos, disse isto,
Senhor!,
às fardas cruéis
que os iam matar:


Morremos por CRISTO
e por TIMOR
podeis
disparar
”.

 

--------------------------

 

Nota (1):

 

(1). Segundo indícios recolhidos por D. Ximenes Belo, estes fuzilamentos terão ocorrido em 23-12-1975.

Os restos mortais de Maggiolo Gouveia seriam trasladados para Portugal/Mação, em 18-8-2003, com a presença do Ministro da Defesa Nacional. Tal resultou depois das diligências feitas por uma comissão de apoio à família, constituída pelos Coronéis José Pais, Morais da Silva, Manuel Bernardo e Nuno Roque e da ida do seu filho Dr. Rui Maggiolo, a Aileu/Timor, para identificação do corpo.

Em louvor e memória de Daniel Roxo, lendário comandante das milícias do Niassa, Herói e meu amigo.
(Morreu a combater por um Portugal de Portugal – Além-Mar-em-África, em fins de Agosto de 1976, ao cair numa armadilha de fabrico soviético, quando acudia em salvação de um dos seus homens).

 

O teu habitat há-de sempre ser à prova de devassa.
Está nesse mato
Mulato
Em que assentaste praça,
E que já hoje, de raiz, te abraça
- Viriato
Do Niassa!


Ao peso da verde capa de capim, que te revista,
Ou sob o tórrido tampão de terra que assista
À tua ausência
- É de pé, e bem a prumo, que o teu corpo agora jaz!

 
E, ao terrorista
Sem rumo,
Ainda hoje impões tenência
E passo atrás!


Tu cuidaste apenas de arriscar a pele…
Até ao fim, fizeste a guerra
Por amor de um país chocho,
E frouxo,
Hoje por hoje entregue à cobardia.
 

(ouves-me aí, Daniel,
DANIEL ROXO?...


- Esta pobre terra não te merecia!)


Mas, lá do regaço – ingrato –
Desse mato tropical,
Em que tu, afinal, ficaste intacto
- Já nem a própria morte te rechassa,
Viriato
Do Niassa!


E daí que eu cante
E que te conte,
Comandante,
No horizonte d´este instante
Sem horizontes defronte;
E que daqui em diante
Não me cale –
Em recado encomendado
Para o solo, sacral
E tão sagrado,
Ao colo do qual Já tu estás soldado.
Vivo horas d´um Outro Horto
Mortal,
Meu herói morto…


Irado,
Absorto e reclinado
Sobre a sombra do teu corpo
Ou aos pés da tua alma
Ajoelhado,
Eu sei que estou, afinal,
Perante o desconforto,
Sem igual,
De ver baixar ao teu coval,
Portugal amortalhado!


Acolhe-te, agora à sombra lisa d´uma lousa.
E, na sempre abrasadora asa da brisa,
Em paz repousa
De todo o esforço quinto-imperial,
Que tens levado.


Dá longas tréguas de sono
A esse teu corpo moço
- De colono
E de colosso;
De soldado
Ao solo dado!...

 

 

 

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