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e

nota de óbito

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

Faleceu, no dia 3 de Maio de 2016, o veterano

 

Victor Manuel Mota de Mesquita

 

Tenente - General, na situação de reforma

 

ex- Director do Departamento de Finanças do Exército

 

Ordem de Avis, grau oficial

 

Serviu Portugal nas Províncias Ultramarinas de Angola e Moçambique

 

 

Texto:

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

 

«No Início e no Fim da Guerra em Angola»

 

Excertos:

 

[...]
Como foi natural, estes acontecimentos tiveram um impacto muito grande em toda a cidade de Luanda e muitas foram as pessoas surpreendidas, o que levou a uma reacção descomunal, principalmente nos funerais que ocorreram no cemitério novo, à estrada de Catete, onde se cometeram autênticas barbaridades, quando alguém se lembrou de gritar a aproximação de “turras”.
[...]
Antes, por causa da sublevação verificada na Baixa de Cassange, haviam chegado quatro Companhias de Caçadores Especiais e uma Companhia de Polícia Militar, em reforço à guarnição normal.
Em princípios de 1961, a criação de um dispositivo capaz de fazer face aos acontecimentos estava em fase embrionária, dispondo de um efectivo de cerca de 6.500 homens, dos quais apenas 1.500 eram europeus.
[...]
Recordo que nos primeiros tempos, em que a Força Aérea não estava ainda implantada em Angola, foram as aeronaves do Aeroclube de Luanda que fizeram reabastecimentos improvisados e procederam à evacuação dos primeiros feridos. Como era brevetado tive a oportunidade de fazer alguns voos utilizando pistas feitas à pressa pelas populações.
[...]
Quando, em Novembro de 1963, regressei à Metrópole, Angola tinha o seu dispositivo logístico de intendência a funcionar em pleno, com o apoio natural da retaguarda, consubstanciado na Manutenção Militar e nas Oficinas Gerais de Fardamento
[...]
Não se compreendia que ao fim de treze anos de guerra, com esta ganha e com a população europeia, mais do que nunca, com a consciência do dever cumprido, se estivesse a entregar ao abandono o território, regressando à Metrópole apressadamente, sem que houvesse uma entrega planeada, que evitasse a saída de cerca de quinhentas mil pessoas.
[...]
As consequências foram desastrosas, não só para os europeus que amavam aquela terra e a consideravam sua, pelas gerações que os antecederam, como também para os naturais que, em consequência, vieram a suportar uma guerra civil de trinta anos que tantos danos lhes causou.
[...]
Até ao 25 de Abril de 1974, os reabastecimentos decorreram normalmente, não faltando nada às unidades que actuavam em todo o território, sendo que os efectivos da Marinha e da Força Aérea também se socorriam do apoio do Exército, naquilo que não conseguiam obter pelos seus meios.
[...]
Resolvemos fretar o navio de carga “Novo Redondo” com grande espanto da Sede, que argumentava falta de competência para tal, e do próprio Comando da Região Militar que acabou, depois, por reconhecer ter sido a salvação para enviar muito do material que, por falta de transporte, teria ficado em Angola.
[...]
A carga ficou toda a bordo em 24 e, em 25 de Outubro de 1975, um sábado, regressámos a Lisboa, cansados, muito cansados, mas felizes por termos cumprido o nosso dever.
Estes factos pouco conhecidos, só do conhecimento de quem os viveu, marcou-nos de tal maneira, que, ao longo destes 35 anos, nos temos reunido, em confraternização, civis e militares, todos os sábados mais próximos de 25 de Outubro, para recordarmos aqueles momentos que passaram à história.
 

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