.

 

Início O Autor História A Viagem Moçambique Livros Notícias Procura Encontros Imagens Mailing List Ligações Mapa do Site

Share |

Brasões, Guiões e Crachás

Siga-nos

Fórum UTW

Pesquisar no portal UTM

Livros

Falecimento do Capitão Piloto Aviador Abílio Alves Ferreira

Elementos cedidos pelo veterano

Cláudio Francisco Portalegre Trindade,

e outros extraídos do ciberespaço

 

Nota de óbito:

 

Faleceu, na madrugada do dia 17 de Outubro de 2016, no Rio de Janeiro (Brasil), o veterano

 

Abílio Alves Ferreira

 

Capitão Piloto Aviador

 

Abílio Alves Ferreira nasceu em Carrazedo de Montenegro e estudou em Chaves.

 

Em 1957 ingressou na Força Aérea como aluno Piloto.

 

Fez a primeira comissão em Angola no início da guerra do Ultramar, tendo feito mais cinco (entre elas, em Moçambique), a última das quais em Timor-Leste que terminou em Dezembro de 75 com a anexação daquele território pela Indonésia.

 

Escreveu um livro sobre esses acontecimentos, “O Último Voo Sobre Timor” considerado pela crítica “Um Documento Histórico”.

 

Depois da passagem à reserva, viveu em Aveiro onde fundou o Aeroclube de Aveiro, do qual foi o primeiro presidente.

 

Residia no Rio de Janeiro.

 

O funeral realizou-se às 16H30 no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

 

Tinha 77 anos de idade.

 

Que a sua Alma descanse em Paz

 

----------------------------------------------------------------

 

Capitão Piloto Aviador Alves Ferreira

 

De: Abílio A. Ferreira
Enviada: sábado, 10 de Março de 2007 13:17
Para: UTW
Assunto: Livros: Informação sobre livros relativos ao tempo da Guerra Colonial

Exmos Senhores

Os meus cumprimentos.

Chamo-me Abílio Alves Ferreira e sou Capitão Piloto na Reforma. Fiz comissões em Angola, Moçambique e Timor.

Foi sobre a descolonização deste território que escrevi o livro "O ÚLTIMO VOO SOBRE TIMOR". Não pretendo vender o livro, mas apenas dar a conhecer a muita gente o que se passou em Timor em 75. Para isso coloquei o livro na Web

Aí todos o podem baixar e ler sem qualquer custo. Obrigado pela atenção.

Um grande abraço para todos os ex-combatentes.

 

O livro:

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado ou na imagem que se seguem:

 

"O Último Voo Sobre Timor"

(edição completa online)

 

título: "O último voo sobre Timor"

autor: Cap. Pil.Alves Ferreira

 

editor: Paisagem

1ªed. Aveiro, 2003

112 págs (ilustrado)

21 x 14,5 cm

 

Excerto:

 

«... Senti que toquei com a perna direita num coral e vi que sangrava. Regressei ao acampamento onde já tinham iniciado o jantar. Passei pelo chuveiro, vesti-me e fui também comer. A perna ardia-me um pouco, mas já não sangrava. Tinha sido apenas um arranhão.
Junto à messe, os miúdos brincavam atirando latas de cerveja uns para os outros, por cima da rede de vólei. Andavam contentes. A comida chegava para todos, mesmo para eles. De cada vez que um Unimog ia ao aeroporto, aí iam eles junto com os “páras”. Que futuro os esperava? Pensei nos casamentos, três, que houve na ilha durante a nossa permanência. A vida continuava. A nossa presença lá, tinha sido aceite como uma benção.
Adormeci tarde nessa noite, mas fi-lo propositadamente. Tinha marcado a minha ida a Lisboa para o dia 14. Faltava apenas uma semana e isso era reconfortante. Deviam ser umas três e meia da manhã quando alguém entrou no nosso quarto chamando o maj. Barrento. Ao princípio não consegui captar a conversa, pois continuava ensonado. Ouvi falar de barcos, bombardeamento, Indonésia, mas tudo sem ligação. Aos poucos percebi que todos se levantavam. Fiz o mesmo. Perguntei ao primeiro oficial que vi, o que se passava.
- Os indonésios estão a bombardear Dili!
Ah! Então era isso! Os meus pressentimentos tinham sido certos. O destino de Timor estava traçado.
Lá ao longe, no silêncio da noite, podia ouvir-se a “voz da razão”, os canhões da Indonésia!
A ordem surgiu de seguida:
- Vamos deixar isto. Preparar tudo para largar às 15 horas!
Pela minha parte estava pronto. O avião ficava sempre abastecido, não fosse haver qualquer emergência. Preparei as poucas coisas que tinha no Ataúro e meti tudo numa mala. Faltavam as conchas! Não ia deixá-las ficar. Eram o resultado de muitas horas passadas naquelas maravilhosas águas do Ataúro. Tinha algumas a limpar em casa de um pescador. Fui buscá-las.
- Ainda não estão todas prontas – disse o maubere.
- Não faz mal. Vão como estão. Eu limpo-as depois.
O homem parecia excitado como se percebesse que algo de anormal se passava. Por fim decidiu-se ante a minha mentira:
- É que eu vou de férias mais cedo e tenho que as levar. Fique com o ácido e com isto. – entreguei-lhe os últimos escudos de Timor que possuía.
Cuidadosamente encaixotei as conchas para seguirem na corveta até Darwin.
A agitação era enorme. Toda a gente falava ao mesmo tempo e punha problemas diversos.
- Os tipos da Cruz Vermelha querem ficar!
- Diga-lhes que não assumimos a responsabilidade pela segurança deles.
- Que vamos dizer à tropa de cá?
- Chama-se o aspirante Ximenes. Diz-se-lhe que vamos ficar aqui por perto para ver no que isto dá.
- Talvez seja melhor eu ir no avião para preparar as coisas em Darwin.
- Eu também gostava de ir.
- O avião passa por cima de Timor e eles até o podem abater!
- Bem, no avião, além do Ferreira e do Florindo, vai o Barreto que tem passagem marcada para Lisboa depois de amanhã e vai a família do primeiro sargento…
- Como vai reagir a população?
- Veremos…
As conversas continuavam neste ritmo. Os soldados timorenses, de braços cruzados, olhavam para todo aquele movimento.
Fui para o aeroporto com o Florindo e os restantes passageiros. A hora H aproximava-se. Eram exactamente três horas e cinco minutos daquela tarde de sete de Dezembro, quando iniciei a descolagem. Era a minha última viagem.
O último vôo sobre o mar de Timor!
O Ataúro foi ficando para trás. Lá à frente Dili, chamas e fumo!
Tentei contar os barcos de guerra. Sete, suponho A distância era bastante para poder afirmar com segurança
....»

 

© UTW online desde 30Mar2006

Traffic Rank

Portal do UTW: Criado e mantido por um grupo de Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar

Voltar ao Topo