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 TRABALHOS, TEXTOS SOBRE OPERAÇÕES MILITARES ou LIVROS

Imagem da capa e restantes elementos cedidos por Ilídio Costa

Afrontamento (Depoimentos)

"Tortura na Colónia de Moçambique 1963 - 1974"

 

Texto in: "Tortura na Colónia de Moçambique 1963 - 1974"

Ambudo Momade, de Mocímboa da Palma

 

Detido, em 5 de Janeiro de 1971, em Mocímboa, para onde tinha seguido com um grupo familiar de 10 pessoas. Enviado para o Ibo sem explicação.

 

Forma de interrogatório e tratamentos a que foi sujeito:

 

No primeiro interrogatório foi acusado de se haver apresentado para colher informações sobre o movimento das tropas. O chefe Almeida fez o interrogatório e para forçar a desejada confissão mandava dar «porrada». Ao fim de um mês de interrogatórios e violências físicas, o preso resolveu dizer que efectivamente tinha a missão de se informar dos movimentos. As violências eram praticadas com paus e câmaras de ar cortadas. Veio para a Machava em Janeiro de 1972 e não foi sujeito a qualquer interrogatório. Na Machava sofreu maus tratos infligidos pelo agente Mendes.

Durante 5 meses ficou na cela. Depois passou a circular no pátio. Passou então a ir trabalhar em casa de Maria do Carmo, funcionária da D. G. S. Ia de manhã e voltava à noite. Isto desde 15-5-72 até 30-4-74.

No Ibo viu o detido morrer 7 pessoas, entre eles o Cambaco, que havia sido funcionário. Era chefe de posto da palma. Por se recusar a confessar relações ou dar informações da Frelimo era sempre espancado e acabou por morrer à paulada. O detido foi escolhido pelo chefe Almeida para prestar serviço em sua casa e foi assim que testemunhou por uma conversa entre o Almeida e o inspector a respeito do seu amigo. Assim o inspector perguntou ao Almeida se já havia tratado do assunto da véspera, ao qual Almeida respondia que sim, que o havia levado para a praia e acabado com ele à paulada. O inspector zangou-se por o haverem deixado no local e mandou-os ao local afim de o enterrarem.

Os outros 6 eram milícias e mais o Cambaco foram levados um de cada vez e iam desaparecendo. Os nomes eram: Chati Sarisco, Saidi Momade, Abuchiri Azi, Agi Tuaili, Issa Moamede, Amadi Hussead. Todos eles desapareceram pela mão do Almeida.

Foi libertado a 1 de Maio de 1974

 

 

 

 

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