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José Neves (*)

(*)  pseudónimo literário de Adolfo Pinto Contreiras

Contactos 289 992 546 e 966 298 473

 

"Esquadrão 149: a guerra e os dias"

 

editor: (o autor)
tipogr: Rolo & Filhos

1ªed. Gorjões, 29Nov2003
382 págs
23cm
dep.legal: PT-201253/03
ISBN: 972-9039-12-7

Assunto: Angola 1961-63 (memórias em prosa poética)

Sinopse:
«A obra que relata o dia a dia de um militar na guerra colonial, em África. Um ponto de vista do humaníssimo desespero, do companheirismo e da aprendizagem da vida e do mundo, dos jovens envolvidos neste acontecimento da nossa história contemporânea. O autor, José Neves (pseudónimo), engenheiro, jornalista e poeta, natural de Santa Bárbara de Nexe, pretende testemunhar o olhar do Homem perante os outros Homens e as Circunstâncias ditadas pela guerra.»

 


Extractos (blog do autor):

in: http://apcgorjeios.blogspot.com/2007/05/guerra-colonial.html

 

ASPECTOS DA TOMADA DE NAMBUANGONGO

Segundo Tito Lívio, após a victória de Canas, Maárbal comandante da cavalaria, voltou-se para Aníbal e disse-lhe: "É indispensável que tires deste triunfo todas as consequências, que dele devem decorrer. Dentro de poucos dias deves jantar no Capitólio. Entendo que deves seguir quanto antes, eu te precederei com a cavalaria, de sorte que os Romanos venham a saber da minha chegada, antes de terem tido notícia da minha partida".
Aníbal recusou invocando tempo para meditar e reflectir acerca da marcha sobre Roma.
Maárbal retorquiu: "Sabes vencer, Aníbal, mas não sabes aproveitar-te da victória".

Em Julho-Agosto de 1961, em Angola, dos três Comandantes de forças militares empenhadas na tomada de Nambuangongo, apenas um teve a visão do general Maárbal e por coincidência também era o Comandante da coluna de cavalaria, o Esquadrão 149. Ainda antes da grande arrancada do Esquadrão do Ambriz, foi enviado, em exploração do terreno, um pelotão que foi atacado no Cavunga a 53 kms e regressou de noite, temeroso e aflito, com alguns feridos ligeiros. Imediatamente o Comandante, perante a perplexidade dos oficiais, deu ordem para o mesmo pelotão se preparar e avançar de novo para explorar a victória do Cavunga sem dar tempo à recomposição defensiva do inimigo. Este episódio deu discussão acesa entre Comandante e Alferes que atrazou o arranque definitivo do Esquadrão e foi motivo de duradoura discórdia entre ambos, embora o Alferes reconheça hoje a razão e justeza militar do sacrifício pedido, face ao sinal que tal acto arrojado representava quer para o inimigo quer para o interior da Unidade. Hoje o Alferes pode orgulhar-se de ter sido o primeiro a passar as portas da guerra, com feridos mas com sucesso e homens receosos mas confiantes combatentes já iniciados no fogo de combate.
Já houvera precedentes mas este foi o sinal claro da estratégia geral que estava na cabeça do Comandante e um aviso inequívoco de actuação futura dado a todos os oficiais, sargentos e praças sob seu comando. A surpresa era a táctica diária, explorar em força cada victória era a estratégia geral até ao objectivo final. Em Quimbunbe, após um segundo acampamento e analizada a actuação, forças e armamento do inimigo, o Comandante decide avançar de noite e dia sem parar, exactamente no sentido de chegar junto do inimigo antes que este soubesse da sua partida. E sobretudo estar sempre pronto a carregar sobre o inimigo e fazê-lo recuar mesmo que este infligisse feridos e mortos como aconteceu na batalha de Zala. Com tal rapidez e força de pressão contínua não foi possível ao inimigo colocar mais abatizes e alçapões na picada e de noite tornou-se inofensivo.
Constatado o sucesso prático do uso da estratégia definida , após um dia em Zala para hastear bandeira, com parada a rigor de Soldados sujos e sorridentes, rotos e ratos de guerra, no Posto Administrativo local, o Comandante quer impôr a marcha imediata para Nambuangongo, mas aqui a vóz dos subalternos foi mais forte devido aos feridos, à fadiga geral e sobretudo à falta de munições. O Comandante pensou arrancar com as condições existentes e uma força menor desde que pudesse contar com o pelotão adido de blindados ligeiros, mas este não aderiu e o Esquadrão ficou em Zala outro dia para ser reabastecido por via aérea através duma pista de terra capinada no momento. Na arrancada final de Zala para Nambuangongo manteve a mesma determinação de fazer a caminhada de noite e dia sem parar e foi confirmado o facto de que o inimigo estava impotente e sentia-se batido pois limitou-se a observar de longe a progressão sem intervir.
O Esquadrão 149 não foi o primeiro a jantar em Nambuangongo, tomou o pequeno almoço depois do jantar do Batalhão 96, mas também esta Unidade havia iniciado a operação dias antes e desobstruira um percurso mais curto. E foi notório e sentido pela tropa das duas Unidades em marcha sobre o objectivo final, que o Estado Maior da Operação Viriato se serviu da actuação fulgurante do Esquadrão 149, estimulando a competetividade para ser primeiro e obter os louros da conquista, as tropas mais próximas e assim atingir em tempo útil o objectivo militar que correspondia ao objectivo político da altura.

Por natureza própria ou por conhecimento e estudo, o Comandante Capitão Rui Abrantes, professor de táctica na Academia Militar, demonstrou na prática ter as qualidades e visão estratégica do grande Maárbal, pela lucidez em analizar as potencialidades próprias e do inimigo, pela argúcia, sagueza e capacidade estratégica, pelo comportamento exemplar na frente de combate, pelo respeito militar e humano quer frente aos seus homens quer perante o adversário, desde o primeiro dia conquistou a disposição e entrega total dos seus Soldados face a qualquer situação. E todos confiaram e corresponderam tão pronto, decidida e abnegadamente sob constante perigo de vida, que os regressados ilesos se sentem heróis vivos resgatados da companhia dos heróis feridos e mortos em combate, pela conduta, coragem e moral impostos, desde a primeira hora pelo comando do Esquadrão.

 

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