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Faleceu no dia 6 de Setembro de
2011, Magalhães Pinto, ex- Furriel Mil.º
Vagomestre da Companhia de Comando e Serviços do
Batalhão de Artilharia 645 "Águias Negras", que prestou
serviço no Comando Territorial Independente da Guiné, no
período de 1964 a 1966 (informação do veterano José
Martins - in "Cultura
Online")
António
Adélio Magalhães Pinto
nasceu no Porto.
Economista por formação
académica, estreou-se na literatura em 1994 com a novela
A Dúvida.
Presença assídua, ao longo de mais de quinze
anos, em diversos jornais e estações radiofónicas,
comentando os acontecimentos sociais, económicos e
políticos, publicou, em 1995, A Feira do Sucesso, uma
colectânea de crónicas retratando o cavaquismo do apogeu
à queda, e, em 1996, A OPA, um documento romanceado
sobre uma das maiores operações financeiras em Portugal,
a compra do Banco Português do Atlântico.
Em 1999
publica um outro livro de crónicas, O Meu Primo Calisto,
comentando com alguma ironia, os principais
acontecimentos políticos, económicos e sociais do
primeiro mandato de António Guterres. Cronista,
romancista, biógrafo, Magalhães Pinto, publicou, em
2001, Belmiro - História de uma Vida. Com Os Heróis e o
Medo, o seu segundo romance, revisita a guerra colonial,
que o autor viveu em período crítico na Guiné-Bissau.
"Os
Heróis e o Medo"
Elementos cedidos por um Veterano

"Os
Heróis e o Medo"
autor: Magalhães Pinto*
editor: Âncora
1ª ed. Lisboa, 2003
preço: 19€
275 págs
23x14cm
ISBN: 972-780-115-3
Sinopse:
Não há heróis sem medo. A heroicidade não se mede pelo
número de adversários mortos. Há outra heroicidade na
capacidade de guardar, no meio da tragédia que é a
guerra, um profundo sentido de humanidade,
de solidariedade, de ausência total de racismo. Há uma
outra heroicidade na capacidade de não deixar que o medo
abafe a noção de que em ambos os lados de uma arma estão
seres humanos.
É dessa heroicidade e desse medo que aqui se fala. É,
sobretudo, no dizer do autor, uma homenagem a uma
geração de portugueses extremamente sacrificada, em nome
de um conceito de Pátria nela inculcado, que, todavia
não discutiram. Os Heróis e o Medo é um testemunho
vigoroso de um período conturbado da vida portuguesa,
vivido e sentido pelo autor.
[...]
O Manel abandonou o
abrigo e, cosendo-se com os latões, rastejando aqui e
correndo acolá, dirigiu-se à casa da rádio. Como lhe
cumpria, o telegrafista comunicava a Mansoa estarem
debaixo de fogo. O Manel deu-lhe uma palmada nas costas
e subiu à torre, onde o Zé Grande, agora já com a
companhia do Algarvio, do Jaime e do Reis,
manobravam
as quatro metralhadoras pesadas, à cadência contínua de
seiscentos tiros por minuto, como vinha nos livros. O
Manel tentou perceber a situação. O fogo inimigo parecia
nascer do chão, não distante do arame farpado, vindo de
todos os lados. Estavam cercados. Os estupores tinham
vindo em grande número, desta vez. Desceu as escadas de
quatro em quatro e recomendou ao telegrafista que desse
conta a Mansoa da gravidade da situação. Estavam a ser
atacados por uma companhia inteira, pelo menos. Saiu da
casamata e voou para o abrigo, onde o Cartaxo, o
Miragaia, o Píveas e o Quim despejavam,
furiosamente, carregador atrás de carregador. Portugal
parecia estar todo naquele abrigo, a defender-se do
inimigo.
A situação piorava.
Ou eu estou enganado, ou os filhos da puta já estão no
intervalo entre as duas fieiras de arame farpado que
defendem o forte, murmurou o Manel. Na torre, duas
metralhadoras estavam caladas. Usem isso, bastardos!
Raio de gente! Era necessário construir uma barreira de
chumbo entre os guerrilheiros e os abrigos ou não
tardariam a ser apanhados à unha. Voltou à torre.
Aqueles gajos estavam a precisar de um empurrão. Ainda
ia nas escadas, quando ouviu o fragor do rebentamento de
um roquete mesmo por cima de si. Rompeu os
pedaços de tijolo que intentavam soterrá-lo. Metade da
cobertura da torre tinha desaparecido, levando consigo a
antena de rádio e uma das metralhadoras. Bonito! Se em
Mansoa não se tivessem apercebido já da situação,
enviando reforços, as coisas iam piorar. Porque não
disparavam aqueles gajos lá em cima? No escuro, viam-se,
rubros, os canos das metralhadoras. Duas delas
encravadas pelo calor gerado. Usando as mãos nuas, o
Algarvio tentava desesperadamente substituir o cano
da sua, indiferente ao cheiro de carne assada emprestado
ao ar em redor pela sua pele. Conseguiu. Arremessou o
cano dilatado para longe e introduziu um novo na boca da
culatra. O Manel agarrou-se à arma e vomitou projécteis
em profusão, enquanto o [...]
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