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Manuel Amaro Bernardo

 

Coronel de Infantaria (na reforma) / Escritor

 

Nota biográfica

 

"Combater em Moçambique - Guerra e Descolonização - 1964-1975"

"(...) Também por esta circunstância tem importância que se proceda à recolha das memórias dispersas dos que gastaram a vida nas acções, tantas vezes distanciados das suposições dos projectos, longe do registo que acompanha a percepção oficializada dos acontecimentos, e ajudando a dar consistência à leitura dos arquivos quando finalmente abertos à indagação e à crítica.

(...) "A vida real de quem por regra não escreve memórias, por vezes decide que é mais indicado perder a lembrança, ou assume precipitadamente a inutilidade da parcela que lhe pertenceu na gesta colectiva.

"É para minorar o desperdício dessas humildades e silêncios que muito contribuem as buscas pacientes como as que absorvem a dedicação do autor."

 Professor Adriano Moreira, in "Prefácio"

"(...) Menos de 30 anos depois, as guerras em África não são apenas um assunto do século passado como parecem, muitas vezes, estarem mergulhadas no abismo do esquecimento. É por isso bem no fundo das suas memórias que militares, como Manuel Amaro Bernardo, coronel de Infantaria na reforma, vão buscar a recordação dos seus dias de combatentes para dar conta do que viveram e faz indispensavelmente parte da História de Portugal.

"(...) O livro "Combater em Moçambique" (....) pauta-se por preocupações de rigor histórico e científico, dentro das possibilidades em termos de documentação, alguma ainda reservada. (...)"

João Vaz, in "Correio da Manhã" de 4-5-2003

(...) O livro de Manuel Bernardo "Combater em Moçambique; Guerra e Descolonização; 1964-1975", lança novas pistas sobre o assassínio de Eduardo Mondlane, fundador e organizador da FRELIMO. Manuel Bernardo argumenta que foi a mão de Casimiro Monteiro, subinspector da PIDE - o autor material do homicídio de Humberto Delgado, que enviou a carta armadilhada que haveria de liquidar o líder africano em 1969. Mas deixa também pistas, nem todas inéditas, sobre o envolvimento dos serviços secretos de outros países.

Sobre o navio mercante "Angoche" que transportava material de guerra para as Forças Armadas Portuguesas e (onde uma bomba) explodiu no alto mar, em 1971, o autor suspeita de uma "operação combinada", um atentado que terá envolvido o PCP, através da ARA, e um submarino soviético. (...)

Carlos Ferreira Marques, in "Independente" de 6-6-2003

(...) O trabalho é complementado com depoimentos de ilustres combatentes:Tenente-General Júlio Oliveira (ex-Presidente da Liga dos Combatentes); os "comandos" Coronel Jaime Neves e Tenente-Coronel Ribeiro da Fonseca, ambos condecorados com a Torre e Espada; os Páras Major-General Rafael Durão e Coronel Costa Campos e ainda o controverso Arcebispo de Braga (ex-Bispo de Vila Cabral), D. Eurico Dias Nogueira.

In "O Algarve" de 27-7-2003

 

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Depoimento do Tenente-Coronel Ribeiro da Fonseca:

in: "Combater em Moçambique - Guerra e Descolonização 1964 - 1975"

"...

Combater em Moçambique

Nesta altura, as ordens em Cabo Delgado eram para limpar tudo o que aparecesse pela frente. Ao mesmo tempo, no Niassa, já era complicado matar fosse o que fosse... Por vezes apareciam militares incríveis, como um ten-coronel, comandante de batalhão, que afirmava ser preferível a morte de dois soldados do que lhe "estamparem" uma viatura... Depois foi bastante ferido numa mina e os soldados foram visitá-lo ao hospital, recordando-lhe tais afirmações.

Após a estadia de um mês no Namialo, voltámos a Cabo Delgado, desta para vez para Diaca (em Março). A FRELIMO colocava minas nas picadas e fazia emboscadas e, nomeadamente no itinerário Mocimboa da Praia/Diaca/Mueda, que era a linha de rebastecimento da maior parte das tropas sediadas no planalto dos macondes. As colunas eram sistematicamente atacadas e, na baixa da Sagal, as minas muito frequentes.

Quando fomos para lá, ouvíamos dizer que era proibido fazer o designado fogo de reconhecimento. No entanto, nas nossas colunas, as viaturas pareciam autênticos carros de assalto. Só à minha conta usava três armas: uma pistola metralhadora Uzy, uma Breda em cima da viatura e a pistola de 9 mm. Também se utilizavam granadas de mão e de morteiro. Assim, os guerrilheiros não se atreviam a atacar-nos.

Estivemos em Diaca cerca de dez meses e apenas sofremos um morto em combate, apesar de termos sido alvo de três ataques ao aquartelamento da companhia. Tínhamos bastante actividade, reagimos bem e até chegámos a ir a bases da FRELIMO. Foi lá que se me deparou com a maior base de sempre, com portaria, porta d'armas, postos de sentinela ligados com guisos e palhotas, com portas e janelas, todas ordenadas e numa grande extensão. Até encontrámos uma tabuleta dizendo: "Hoje há instrução de morteiro". Como houve quebra de surpresa com a aproximação, todos fugiram para o mato e, no regresso ao quartel, acabámos por sofrer duas emboscadas e o capitão, que veio ao nosso encontro, desmanchou mais duas...

De novo em Moçambique...

Quando regressei à metrópole, ofereci-me para frequentar o COM, em Mafra, que era facilitado a quem já tivesse uma comissão com boa informação. Depois fui mobilizado para Angola, para o comando de um agrupamento (sector) mas, fazendo uma troca, acabei por seguir com a C. Caç. 1671 (B. Caç. 1907), comandada pelo Capitão miliciano Rodrigues da Silva, para Massangulo, no Niassa, 92 Km a sul de Vila Cabral. Era comandante de pelotão mas quando ia para a actividade operacional, levava um grupo de combate (20 homens).

..."

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SUMÁRIO:

Prefácio

Introdução

I - Antecedentes

II - Guerra no Norte e na Zambézia

III - Uma Campanha em Cabo DElgado (1966-1967)

IV - Niassa - Sucesso Parcial da Contra-guerrilha

V - Repórteres de Guerra

VI - Vida e Morte de Eduardo Mondlane

VII - Cabora Bassa e a 3.ª Frente da FRELIMO

VIII - O Misterioso Caso Angoche

XIX - Tropas Especiais Moçambicanas

X - FRELIMO em Manica e Sofala

XI - A Propaganda na Guerra

XII - Outros Aspectos da Guerra

XIII - Moçambique depois de Abril de 1974

XIV - O 7 de Setembro

XV - A "Descolonização" Apressada

XVI - Distúrbio Pós-Traumático do Stress

XVII - Considerações Finais

Depoimentos de Combatentes

Cronologia

Bibliografia

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