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 TRABALHOS, TEXTOS SOBRE OPERAÇÕES MILITARES ou LIVROS

Imagem da capa e restantes elementos cedidos por Ilídio Costa

Manuel Maria

 

"Checa é pior que turra"

Texto in: "CHECA É PIOR QUE TURRA"

"…

Decorrido algum tempo, regressavam os protagonistas do incidente. Caliate, que vinha na dianteira, dirigiu-se imediatamente a José António:

- Está tudo bem, meu alferes. Não conseguimos evitar o contacto, mas não sofremos qualquer baixa. Fui obrigado a matar uma sentinela e capturei-lhe esta Kalash.

José António olhou-o, fixamente, nos olhos, alheando-se, completamente, da arma que exibia.

- Pode descansar – disse-lhe secamente.

Aguardou que o seu interlocutor se afastasse e volveu, então, para Paulo.

- Quero que me faça o relato circunstanciado do acontecido.

Ele próprio ficara surpreendido com a intenção do Zeca: o que ele visava não era, efectivamente, o reconhecimento do objectivo, mas reaver a sua mulher que continuava na guerrilha e que se encontrava precisamente naquela base. Quando se aproximaram do objectivo, o Zeca disse-lhe que iria tentar falar com ela e que precisava que ele e a sua secção lhe fizessem a cobertura. Ainda lhe manifestara a sua discordância, tendo em conta a recomendação do alferes, mas o homem estava com a ideia fixa. Colocou, então, a sua secção em posição e acompanhou-o até quase à sentinela, com quem trocou algumas palavras, após o que o homem da Frelimo se dirigiu a uma palhota improvisada, diante da qual ardia uma pequena fogueira. Alguns instantes depois, a mulher surgiu à claridade do lume, na companhia de outro guerrilheiro, enquanto a sentinela se dirigia para o local onde o outro o aguardava. Ao pronunciar o nome da mulher, o ex-comandante da guerrilha foi imediatamente reconhecido e, antes que a sentinela tivesse tempo sequer de raciocinar, desferiu-lhe uma rajada, arrancando-lhe a Kalash. Ao ouvirem os disparos, os G.E’s fizeram imediato uso das suas armas, pelo que, rapidamente, ambos se encontravam entre fogo cruzado. No meio de toda a confusão, desapareceu a mulher e era evidente que a Frelimo ficara a saber que se encontrava lá a tropa.

- Porra! – gritou José António – Denunciar a nossa presença com uma actuação totalmente à revelia do que fora planeado! – vozeirou ainda com os dentes quase cerrados.

- Meu alferes, ele confessou, depois, que estava com medo do que pudesse vir a acontecer à mulher no assalto de amanhã.

- E agora? Não tem medo do possa estar já a acontecer-lhe?! A obrigação dele era dizer a verdade, para que pudéssemos estudar a melhor forma de ser bem sucedido amanhã.

O furriel ouvia em silêncio.

- Alémdo mais, vai obrigar-nos a passar toda a noite em claro. Sei lá eu bem do que eles são capazes agora. Deu, ao menos, para saberem o seu efectivo?

- Foi tudo muito rápido, meu alferes, mas a área é grande e tem pedaços bem camuflados.

- Não sei qual é a ideia deles neste momento. Ou são poucos e sobrevalorizam a presença do Caliate, levando-os à fuga ou, então se o seu número for encorajador, poderão preparar-nos, sem dúvida, uma bonita recepção com fogo de artifício e …"                         

 

 

 

 

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