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Condecorações

Alberto Fernão Silvano, Furriel de Infantaria: Cruz de Guerra de 1.ª classe

 

 "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Fontes:

5.º Volume, Tomo II, pág. 52, da RHMCA / CECA / EME

7.º Volume, Tomo I, págs 107 e 108, da RHMCA / CECA / EME

Diário de Lisboa, ed. 13813, págs 1 e 2, de 28 de Maio de 1961

Distintivos cedidos pelo veterano Carlos Coutinho

 

 

Alberto Fernão Silvano

 

Furriel de Infantaria

 

Companhia de Caçadores 128

 

Batalhão de Caçadores 155

 

«CONDUTA BRAVA E EM TUDO DISTINTA»

 

Angola:

 

09Jun1961 a 21Ago1963

 

Cruz de Guerra, de 1.ª classe

 

 

Alberto Fernão Silvano, Furriel de Infantaria.

 

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria  12 (RI12 - Coimbra) para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, Nova Caipemba, Úcua e Andrada, integrado na Companhia de Caçadores 128 do Batalhão de Caçadores 155 (nota1) «CONDUTA BRAVA E EM TUDO DISTINTA», no período de 9 de Junho de 1961 a 21 de Agosto de 1963.

 

Cruz de Guerra, de 1.ª classe

 

 

Furriel de Infantaria
ALBERTO FERNÃO SILVANO


CCac128/BCac155 - RI12
ANGOLA


1.ª CLASSE


Transcrição do Despacho publicado na OE n.º 15 - 3. série, de 1963.


Para efeitos da última parte do art.º 12.º do Regulamento da Medalha Militar, e por despacho de 22 de Abril do CCFAA (Comando-Chefe das Forças Armadas de Angola), foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª classe:


O Furriel de Infantaria, Alberto Fernão Silvano, da Companhia de Caçadores 128 do Batalhão de Caçadores 155 (CCac128/BCac155).


Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Publicado na OS n.º 72 do RI12, de 26 de Março de 1963):


Louvado por Sua Ex.ª o General Comandante da Região Militar de Angola, o Furriel, Alberto Fernão Silvano, da Companhia de Caçadores 128, porque, como Comandante da Secção de Morteiros, mostrou possuir grande competência técnica e muito desembaraço, conseguindo, pela precisão e rapidez de tiro sobre os objectivos, tirar os melhores resultados, o que contribuiu sensivelmente para os bons êxitos das operações de combate da sua Companhia.


Muitas vezes tomou parte em acções como Comandante da Secção de Caçadores, onde revelou óptimas qualidades de comando, muita coragem, sangue frio e bom senso.


Na reocupação do Vale do Loge, fez pessoalmente uma perseguição a um terrorista em fuga, que capturou num golpe de destreza e audácia, verificando-se depois tratar-se de um importante elemento inimigo. Posteriormente, na região de Úcua, ficou-se também a ele devendo, em grande parte, a captura doutro rebelde de valia e activamente procurado, e desta acção saiu ferido.


E como a par disso, é um militar muito dedicado ao serviço, leal, aprumado e disciplinado, impôs-se ao maior apreço e estima dos seus superiores e admiração dos subordinados, merecendo que sejam postas em relevo as suas virtudes e o seu exemplo digno de ser seguido.

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(nota1)

 

Batalhão de Caçadores N.º 155
 

Identificação:
BCac155


Unidades Mobilizadoras:
Regimento de Infantaria 16 (RI16 - Évora): Comando (Cmd) e Companhia de Comando e Serviços (CCS);
Regimento de Infantaria 10 (RI10 - Aveiro): Companhia de Caçadores 127 (CCac127);
Regimento de Infantaria 12 (RI12 - Coimbra): Companhia de Caçadores 128 (CCac128);
Regimento de Infantaria 14 (RI14 - Viseu): Companhia de Caçadores 129 (CCac129).
 

Comandante:
Tenente-Coronel de Infantaria Armindo de Jesus Fernandes
 

2.º Comandante:
Major de Infantaria José Leitão Fernandes de Carvalho
 

Oficial de Informações e Operações /Adjunto:
Capitão de Infantaria Fernando Manuel da Costa Estorninho
 

Comandantes de Companhia:
 

Companhia de Comando e Serviços (CCS):
Capitão de Infantaria Arnaldo Alfredo Pereira do Carmo Sousa Teles
 

Companhia de Caçadores 127 (CCac127):
Capitão de Infantaria Sérgio Manuel Carvalhais Ribeiro dos Santos
Capitão Mil.º de Infantaria Alberto António Ferreira
 

Companhia de Caçadores 128 (CCac128):
Capitão de Infantaria Octávio Gabriel Calderon Cerqueira Rocha
Capitão de Infantaria António Salgadinho São Braz
 

Companhia de Caçadores 129 (CCac129):
Capitão de Infantaria Joaquim Abrantes Pereira de Albuquerque
Capitão Mil.º Ramiro de Oliveira Dias
 

Divisa:
"Conduta Brava e Em Tudo Distinta"
 

Partida:

Embarque em 28 de Maio de 1961 (nota2), no NTT «Niassa»; desembarque em 9 de Junho de 1961.
 

Regresso:
Embarque em 21 de Agosto de 1963, no NTT «Niassa» (no Lobito)
 

Síntese da Actividade Operacional


Inicialmente, o Batalhão de Caçadores deslocou-se para Salazar (Dalatando), onde recebeu o Pelotão de Morteiros 14 (PelMort14) e o Pelotão de Canhões Sem Recuo 9 (PelCanhSRc9), de reforço.


Em 10 de Julho de 1961, atingiu o Songo, no Sector 2, mais tarde designado por Sector I.


O dispositivo adoptado foi o seguinte o:
Comando, Companhia de Comando e Serviços (CCS), a Companhia de Caçadores 127 (CCac127), o Pelotão de Morteiros 14 (PelMort14) e o Pelotão de Canhões Sem Recuo 9 (PelCanhSRc9) no Songo, a
Companhia de Caçadores 128 (CCac128) ocupou Nova Caipemba, a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129) em Banza Iende e, a partir de 11 de Agosto de 1961, em Quizalala e a Companhia de Caçadores 61 (CCac61), de reforço, no Toto e com um pelotão no Bembe.


A partir de 11 de Outubro de 1961, por reorganização dos sectores, a Companhia de Caçadores 129 (CCac129) passou a depender operacionalmente do Batalhão de Caçadores 159 (BCac159), voltando à responsabilidade do seu batalhão em 14 de Março de 1962, após ter sido substituída em Quizalala pela Companhia de Caçadores 62 (CCac62) e instalando-se então no Songo.


Após reformulação do dispositivo decorrente do plano de operações "Centauro Grande", o BCaç [BCac155] foi substituído na área do Toto-Bembe pelo Batalhão de Caçadores 158 (BCac158) e passou a ocupar a nossa zona de acção na região de Úcua, onde substituiu efectivos do Batalhão de Caçadores 261 (BCac261), passando a integrar o Sector D, da ZIN (Zona de Intervenção Norte), então criado.
Em 30 de Junho de 1962, data em que assumiu a responsabilidade do subsector.


O dispositivo inicialmente adoptado foi o seguinte: o

Comando, a Companhia de Comando e Serviços (CCS) e a Companhia de Caçadores 128 (CCac128) em Úcua, a
Companhia de Caçadores 127 (CCac127) em Pango Alquem, a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129) no Píri e, em reforço, a
Companhia de Caçadores 78 (CCac78) em Bula Atumba, esta com destacamentos em Quiage e Fazenda Augusta; no entanto, esta ZA (Zona de acção) de Bula Atumba deixou de pertencer ao batalhão a partir de 12 de Agosto de 1962.


Da constante actividade operacional destacam-se nos sectores I e D as operações "Serra do Uige/NE", "Jamuca", "Bota Alta", "Quicombo" e "Mato Grosso".


O inimigo, que já dispunha de grande número de armas automáticas, executou numerosas emboscadas e tentou ocupar o Bembe com grande efectivo em Fevereiro de 1962, sendo rechaçado com êxito.


Em princípios de 1 de Novembro de 1962, o Batalhão de Caçadores [BCac155] regressou a Luanda, de onde seguiria em 6 de Dezembro de 1962 para a Lunda.


Em 18 de Dezembro de 1962, o batalhão assumiu a responsabilidade do subsector de Veríssimo Sarmento (Camissombo), então criado.


O Comando, a Companhia de Comando e Serviços (CCS) e a Companhia de Caçadores 127 (CCac127) instalaram-se em Veríssimo Sarmento, a


Companhia de Caçadores 128 (CCac128) em Andrada e a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129) em Portugália (Dundo), recebendo ainda em reforço a
Companhia de Caçadores 283 (CCac283) em Cacanda, a
Bateria 147 do Grupo de Artilharia de Campanha 157 (Btr147/GAC157) e o
Pelotão de Artilharia Antiaérea 56 (PelAAA56), ambos em Portugália; havia ainda destacamentos em Luxilo, Canzau e Fucauma.
 

De 25 de Dezembro de 1962 a 1 de Junho de 1963, o batalhão [BCac155] instalou ainda um Posto de Comando Avançado em Cacanda, a fim de fazer face à instabilidade verificada no Catanga.


O inimigo não se revelou na ZA (Zona de acção), pelo que a acção do Batalhão de Caçadores [BCac155] constou sobretudo de intensos patrulhamentos e manutenção de contacto com as populações.


Em 13 de Agosto de 1963, o batalhão [BCac155] foi rendido no subsector pelo Batalhão de Caçadores 451 (BCac451).

 

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(nota2)

 

28Mai1961:

A partida do NTT «Niassa» com destino a Luanda (Angola)

 

Diário de Lisboa, ed. 13813, págs 1 e 2, de 28 de Maio de 1961

 

 

Título da notícia:

 

«Partiu para o Ultramar mais um contingente de tropas. O Ministro do Exército despediu-se dos soldados»

(transcrição):

 

Um importante contingente militar embarcou esta manhã com destino a uma das nossas províncias ultramarinas, facto que provocou grande curiosidade do publico, que se aglomerou no vasto largo fronteiro á estação marítima de Alcântara. Aí os soldados desfilaram, depois de o ministro do Exército, acompanhado do subsecretário da mesma pasta e do chefe do Estado-Maior do Exército, lhes ter passado revista.


A impressionante coluna de homens, com os seus fardamentos de caqui, encontrava-se formada ao longo da comprida avenida, atingindo quase a estação marítima da Rocha do Conde de Óbidos.


À sua chegada, o ministro do Exército foi recebido pelo subsecretário, sr. tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca, e pelos generais Antunes Cabrita, governador militar de Lisboa, Câmara Pina, chefe do Estado-Maior do Exército, Alves de Sousa, comandante da 2.ª Região Militar, David dos Santos, Barbieri Cardoso, Matos Mala, Romão Duarte, Valadares, comandante da 1.ª Região Militar, e brigadeiros Ribeiro de Carvalho e Bastos Gonçalves, assim como por muitos outros oficiais superiores.

 


O sr. brigadeiro Mário Silva, depois de ter passado revista ás tropas, dirigiu-se para uma pequena tribuna, onde, acompanhado do sr. tenente-coronel Filipe da Fonseca, assistiu ao desfile. Findo este e quando os últimos soldados entravam a bordo do navio [NTT «Niassa», com destino a Luanda, Angola], a multidão rompeu os cordões da Polícia e dirigiu-se para o cais, vitoriando os soldados.


A banda do Regimento de Infantaria 1, que abrilhantara o desfile, continuou a executar marchas militares, até o navio se fazer definitivamente ao largo.


O discurso do ministro do Exército


O Sr. ministro do Exército dirigiu-se depois para bordo e, num dos salões onde se encontravam todos os oficiais expedicionários, fez-lhes uma breve alocução, começando por declarar:


- Mais um contingente para o Ultramar; mais uma vez o Exército responde: «Angola é e será território nacional».


- Nada mais próprio para celebrar esta data do 28 de Maio — prosseguiu —, em que se comemora o aniversário da Revolução Nacional, nada mais próprio do que uma parada de tropas. Aliás, esta parada, se lhe falta o luzimento dos uniformes garridos e a decoração das grinaldas e pendões, tem em contrapartida a moldura do povo anónimo, que em redor do cais de embarque abençoa os soldados que partem. Que partem numa missão sagrada, na mais dignificante tarefa que um português pode assumir: a de defender a todo o custo o solo pátrio.
Continuando as suas declarações, o sr. ministro do Exército acrescentou que esperava que todos e cada um soubessem desempenhar-se das tarefas que lhes forem cometidas, de forma a honrarem a farda que envergam.


Mais adiante, disse:


Tenho de vincar bem a necessidade de cada um, oficial, graduado ou praça, se inteirar de que só uma inteira ligação, uma integral cooperação entre as Forças Armadas e as populações te autoridades civis das províncias do Ultramar pode levar a dominar a situação actual e cimentar, nume próximo futuro, uma era de paz e de prosperidade em toda a terra portuguesa.

 


No combate contra o inimigo não pode haver melindres nem escolha de missões


- No combate contra o inimigo cruel e sanguinário - afirmou o sr. brigadeiro Mário Silva - não pode haver melindres, nem escolha de missões: os civis, as autoridades administrativas, os homens, as mulheres, as crianças, terão de combater de armas na mão, ao lado dos soldados. Estes - acentuou - hão-de empunhar a enxada e entrar nas colheitas, ombro a ombro com os agricultores, brancos, pretos ou mestiços, se tal for necessário para o bem comum e para a boa marcha das operações ou para a efectivação dos planos económicos superiormente estabelecidos.


A concluir o seu discurso, o sr. brigadeiro Mário Silva disse:


- Faço votos pela vitória e tenho fé inabalável em que ela nos há-de sorrir, recompensando todo este esforço militar, todo este esforço nacional, que é o das causas justas. Espero (e esperam-no todos os portugueses verdadeiros), que dentro em breve, em vez de nos despedirmos dos soldados, começaremos a ir esperá-los no regresso ás suas casas, serenos e confiantes e com a consciência do dever cumprido.


As últimas palavras do brigadeiro Mário Silva foram para desejar a todos boa sorte e boa viagem e o melhor êxito.


Em resposta ás palavras do ministro, o comandante das forças expedicionárias, sr. tenente-coronel Ribeiro de Albuquerque, declarou, num breve improviso, que os soldados sob as suas ordens tudo fariam para que os seus filhos nunca se envergonhassem do nome dos pais. Emocionado, o sr. tenente-coronel Ribeiro de Albuquerque declarou, por último: «Aquilo que recebemos dos nossos avós e dos nossos pais, havemos de legá-lo aos nossos filhos».


O ministro falou também aos sargentos


Noutro salão de bordo, o ministro do Exército dirigiu a palavra aos sargentos, chamando-lhes a atenção para a missão que os espera e afirmando confiar na sua coragem e decisão. Aconselhou-os a insuflarem ânimo nos soldados mais impressionáveis com pormenores de vária ordem.
O sr. brigadeiro Mário Silva, depois de ter abraçado o sargento mais antigo, sr. António Borja Araújo, ergueu um viva a Portugal, no que foi vibrantemente correspondido.
Antes de se retirar, percorreu ainda os vários compartimentos do navio, acompanhado dos oficiais-generais, inteirando-se da maneira como os oficiais e soldados iam alojados.

 

Clique na imagem que se segue para ampliação:

 

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09Jun1961:

 

Chegada a Luanda do terceiro contingente de tropas

 

Fotos relativas ao embarque no NTT "Niassa" – largado de Alcântara (Cais da Rocha do Conde de Óbidos) no domingo 28Mai61 e acostado ao porto de Luanda às 08:00h da 6ªfeira 09Jun61 –, do terceiro grande contingente de tropas destinadas a reforço da guarnição normal da Região Militar de Angola, composto pelas seguintes Unidades:

 

- BCac114 (CCS/RI1-Amadora, CCac115/EPI-Mafra, CCac116/RI5-Caldas da Rainha, CCac117/RI6-Porto);

 

BCac155 (CCS/RI16-Évora, CCac127/RI10-Aveiro, CCac128/RI12-Coimbra, CCac129/RI14-Viseu);

 

BCac156 (CCS/RI11-Setúbal);

 

ECav121/RC8-Castelo Branco;

 

PelCanh9/RI2-Abrantes;

 

PelCanh10/RI7-Leiria;

 

PelMort12/RI2-Abrantes;

 

PelMort13/RI7-Leiria;

 

PelMort14/RI5-Caldas da Rainha;

 

PelInt126/1ºGCAM-Póvoa do Varzim

 

 

 

 

 

 

 

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