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BII17

Batalhão Independente de Infantaria 17 (BII17) - A origem da sua divisa

 

Fonte: Jornal do Exército, ed. 50, de Fev1964

 

Batalhão Independente de Infantaria 17 - A origem da sua divisa:

 

«ANTES MORRER LIVRES, QUE EM PAZ SUJEITOS»

 

 

 

O Batalhão Independente de Infantaria n.º 17 está aquartelado no Castelo de S. João Baptista de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira de Jesus Cristo, do Arquipélago dos Açores. A Ilha Terceira foi centro da heroica resistência oposta pelos portugueses à usurpação da Coroa pelo Rei castelhano.

 


Aclamado D. António, como Rei de Portugal, pelas três Câmaras da Ilha, logo o Corregedor Ciprião de Figueiredo, nomeado Governador-Geral, se propôs organizar a defesa contra possíveis arremetidas de Castela. E tão bem se houve nessa patriótica determinação que, quando a primeira Armada inimiga se propôs conquistar aquela Ilha, sofreu o mais fundo revés, deixando nos Campos da Salga, após o desembarque efectuado, na madrugada de 25 de Julho de 1581, cerca de mil combatentes com todo o material desembarcado e a perda de numerosas embarcações que na operação se haviam empenhado.


Como documento do mais alto valor, que define a têmpera e o carácter desse homem e a patriótica determinação do povo em que se apoiava, transcreve-se parte da carta, enviada por Ciprião de Figueiredo a El-Rei de Castela, em resposta à que recebera daquele, exigindo, sob promessas de mercês e honrarias, a entrega da Ilha às forças invasoras.

«... Quanto melhor vos fará estar em vossos Reynos pacífico, vossos vassallos quietos, amado de todos os Reys christãos, e servido de todos os seus; que com o que tendes feito em Portugal: não somente os christãos, mas todas as nações infiéis vos terão intrínseco odio; Cuydai quantos inocentes matastes com o vosso exército; cuydai nas honras das viuvas, e donzelas roubadas, e nos gemidos que ante a Divina Justiça estão pedindo de vós; lembre-vos quantas casadas por adulterio forçosas são apostatadas; os templos de Deos que profanarão; as Religiosas que deshonrarão; a servidão em que pozestes os moradores de Portugal; e finalmente tudo o que nelle causastes, que Deos tem tomado a sua conta e tomar-vol-a com rigorosa justiça; como por um Reyno que mais que todos do Mundo nobilitou, dando-lhes as suas sagradas chagas, com que nos Redemio, por armas que foy signal e penhor de nunca o desamparar; as cousas que padecem os moradores desse affligido Reyno, bastarão para nos desenganar que os que estão fora desse pesado jugo, quererião ANTES MORRER LIVRES, QUE EM PAZ SUBJEITOS; nem eu darei aos moradores desta Ilha outro conselho; porque não perco a minha alma, nem minha honra, que trocarei quantas vidas tivera, e podera possuir por morrer leal a meu Rey que jurei; porque um morrer bem é viver perpetuamente!...»

De tal modo se evidencia a nobreza de sentimentos desse grande chefe, que da carta se extraiu a divisa que aquela Unidade adoptou e tem sabido honrar, agora como sempre, nas nossas Províncias Ultramarinas, cobrindo-se de glória nas lutas em que os seus soldados tomaram parte e em que alguns já perderam a vida, sacrificando-a galhardamente em holocausto à Pátria.


As medalhas e louvores que conquistaram são testemunho eloquente de que os soldados açorianos sabem continuar, através os tempos, a tradição gloriosa que nesta Unidade se mantém, tão viva e palpitante como nos épicos feitos que a História consagrou para todo o sempre.

 

 

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