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Condecorações

Manuel Jorge Mota da Costa, Alferes Pára-Quedista, da 1ªCCP/BCP21

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"
 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Fontes:

Elementos extraídos do facebook do sítio do veterano Isidro Moreira Esteves

 Do sítio da Academia Militar

Imagens dos distintivos cedidas por Carlos Coutinho

Outros elementos cedidos por um colaborador do portal UTWv

 

 

 

Manuel Jorge Mota da Costa

 

Alferes Pára-Quedista, brevet n.º 485

 

Comandante de Secção da

 

1.ª Companhia de Combate Pára-Quedista

 

Angola

 

Medalha de Prata de Valor Militar com Palma

 

 

Manuel Jorge Mota da Costa, Alferes Pára-quedista, nascido no dia 14 de Março de 1937, na freguesia de Cedofeita, concelho e distrito do Porto, filho de Ana Ferreira Mota e de Jorge Manuel Rosa da Costa


No dia 1 de Outubro de 1955 ingressa na Escola do Exército, sendo-lhe atribuído o n.º 109 do Corpo de Alunos.


No dia 15 de Agosto de 1959 é promovido a Alferes de Infantaria.


No dia 6 de Novembro de 1959 termina o 8.º Curso de Pára-quedismo no Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas e ingressa na Força Aérea como Alferes Pára-Quedista e é titular do brevet n.º 485.


Mobilizado para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, ao entardecer de 17 de Abril de 1961 embarca em Lisboa no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 9 (BA9 - Luanda), a fim de ser integrado na 2ª companhia de combate pára-quedista (então comandada pelo tenente pára-quedista José Guilherme Rosa Rodrigues Mansilha); pouco após o desembarque, aerotransportado para o Aeródromo Base n.º 3 (AB3 - Negaje) e seguidamente, por necessidade operacional, seguiu via terrestre para a povoação do Bungo como comandante de secção da 1ª companhia de combate pára-quedista (então comandada pelo tenente pára-quedista Manuel Claudino Martins Veríssimo).


Faleceu, no dia 8 de Maio de 1961, pelas 13H00, na estrada Bungo - Negage, a 2km a sul, vítima de ferimentos em combate.


Tinha 24 anos de idade.


Foi inumado no cemitério do Negage (norte de Angola).

 

 

A sua Alma repousa em Paz

 

 

 

Medalha de Prata de Valor Militar com Palma

 

 

Alferes Pára-Quedista

Manuel Jorge Mota da Costa

 

 

A morte, por si mesma, não possui qualquer atributo de grandeza. É no homem, enquanto agente activo da rotura, que ela pode buscar-se.


Que não é preciso ser-se velho e sábio para encontrar sentido à vida, provou-o Mota da Costa na hora da morte.


O seu gesto não terá o arrobo lírico de Egas Moniz nem a exasperação magnífica de João de Castro.


Mas há, no seu juvenil entusiasmo, na coerência da palavra com o gesto, na força de carácter tão bem revelada na sua Proclamação premonitória, a bravura despojada e serena dos heróis que escolhem viver morrendo.
 

M.V.
 

Gabinete do Secretário de Estado da Aeronáutica
 

Por portaria de 25 de Setembro de 1961


1) O alferes pára-quedista Manuel Jorge Mota da Costa, logo após a sua chegada a Angola, foi encarregado da defesa da povoação do Bungo, no distrito do Uíge, que então se encontrava cercada pelo inimigo.


2) Na forma como planeou e montou aquela defesa, o alferes Mota da Costa revelou grande intuição táctica e notáveis conhecimentos militares e logo nas suas primeiras atitudes, exemplos de amor pátrio e de elevado sentido do dever.


É a seguinte a proclamação que dirigiu à população do Bungo:


«Defesa do território nacional português»
 

 

À população do Bungo:


Vai-se acentuando, de dia para dia, uma expectativa maior e, ao mesmo tempo, um aumento de nervos e de impaciência que pode levar a sérios desmandos e desatinos, o que, aliás, já se tem verificado. Peço, portanto, a todos que se mantem calmos, que não saiam da área dos seus postos e que, em caso de alarme, os ocupem rapidamente em vez de se juntarem à minha volta. Também se vai criando um movimento de desconfiança que a todos prejudica. O momento actual não é de se porem problemas, proponham-se soluções, mas que não firam susceptibilidades. A situação é de guerra e ninguém o ignora. Medo todos nós sentimos, o que precisamos é saber dominá-lo no devido momento. Aqueles que se não sentirem com condições físicas e principalmente morais, que retirem, pois aqui só prejudicam os que sabem o que querem. Aqui não há lugar para cobardes, esses que retirem também, que nós apenas os olhamos com piedade. Se tivermos que cair que caiamos de pé, pois nas nossas veias corre sangue português, o mesmo que há oito séculos.


A bem da defesa do território português, em qualquer parte do mundo,
(Assinado) Manuel Jorge Mota da Costa, alferes pára-quedista.


3) É nos graves momentos que se seguiram, o alferes Mota da Costa evidenciou toda a sua estatura de português e militar valoroso. Teve actuação particularmente brilhante na acção que se desenvolveu junto de uma ponte na estrada Bungo - Negage, onde se houve com invulgares heroísmo, abnegação, valentia e coragem e onde perdeu a vida.


É o seguinte o trecho do relatório do Comando do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas n.º 21, relativo àquela acção:


«A patrulha deslocou-se à ponte destruída, na estrada Bungo - Negage, às 09H00 do dia 8 de Maio, tendo-a ultrapassado, a fim de recrutar pessoal para os trabalhos na Fábrica Andrea Costas, Lda., situada um pouco mais adiante. Enquanto o soldado Belchior ficava na Fábrica com os civis, para recrutar o pessoal, a patrulha procurou garantir a segurança dos trabalhos, para o que efectuou um reconhecimento nas imediações, tendo localizado e destruído um posto com 5 rebeldes. Entretanto, junto à Fábrica, o soldado Belchior e o civil António foram inesperadamente atacado pelos rebeldes e, não os conseguindo deter, refugiaram-se no capim. O alferes Mota da Costa, apercebendo-se da situação e notando o perigo em que se encontravam os civis, dirigiu-se na direcção do fogo inimigo, levando consigo os elementos que se encontravam mais próximo, 3 pára-quedistas da sua secção. Ao atacar os rebeldes, depara com forte resistência e uma tentativa de envolvimento, pelo que ordena a retirada dos 3 elementos que o acompanhavam, continuando a avançar isoladamente e procurando com eminente risco de vida, cobrir a retirada dos seus homens. O guia Caras Lindas que se encontrava próximo, é atingido e, ao procurar socorrê-lo, ao mesmo tempo que enfrenta os rebeldes com decisão e sangue frio, procurando ainda continuar a cobria os seus homens, o alferes Mota da Costa é atingido com um tiro e canhangulo. Aos três pára-quedistas, agora a coberto do fogo dos rebeldes, junta-se, minutos depois, o restante da secção, que ataca os assaltantes e recolhe os corpos sem vida do alferes Mota da Costa e do guia Caras Lindas. Mais tarde, são encontrados o soldado Belchior e o civil António, ambos feridos.»


4) Assim e com base nos factos acabados de referir, manda o Governo da República Portuguesa, pelo Secretário de Estado da Aeronáutica e sob proposta do comandante da 2.ª Região Aérea condecorar, a título póstumo, nos termos do artigo 7.º e seu § 12 do artigo 50.º e artigo 51.º e seu § 1.º, do regulamento da medalha militar, aprovado pelo Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de 1946, com a medalha de prata de valor militar, o alferes pára-quedista Manuel Jorge Mota da Costa por actos de extraordinário valor praticados em presença do inimigo.

 

Desde 22 de Junho de 1971, por edital do município de Lisboa, foi-lhe atribuída, no arruamento do Impasse 1 do Plano de Urbanização de Olivais Velho, a toponímia: "Rua Alferes Mota da Costa".

 

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«Aqui não há lugar para cobardes; esses que retirem, que nós apenas os olharemos com piedade. Se tivermos que cair, que caiamos de pé, pois nas nossas veias corre sangue português, o mesmo de há oito séculos»

 

 

 

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No dia 3 de Junho de 1962, na Base Aérea n.º 9 (BA9 - Luanda), foi condecorado, a título póstumo, com a Medalha de Prata de Valor Militar com Palma, a qual foi recebida pelo seu pai, Sr. Jorge da Costa, residente em São Paulo, que se deslocou propositadamente a Luanda para esse fim.

Clique na imagem que se segue para ampliação

 

 

Legenda:

O primeiro a ser chamado foi o alferes pára-quedista Mota da Costa, que morreu em combate no Bungo, ali representado por seu pai, sr. Jorge da Costa, residente em S. Paulo e que se deslocou propositadamente a Luanda, para receber a condecoração atribuída a seu filho.

 

 

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