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Condecorações

José Marques da Silva, 1.º Cabo Pára-Quedista, da 2ªCCP/BCP31: Cruz de Guerra de 1.ª classe (Colectiva)

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"
Barata da Silva
, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos enviados por Pedro Castanheira

Outros elementos extraídos do sítio do facebook do veterano Isidro Moreira Esteves

Contributo do veterano Celso Feijão de Almeida

 

 

José Marques da Silva

 

1.º Cabo Pára-Quedista

 

2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas

 

Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31

«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE »

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

 

Cruz de Guerra de 1.ª classe (Colectiva)

 

José Marques da Silva, 1.º Cabo Pára-Quedista, n.º 191/67, titular do brevet n.º 5812, nascido no dia 11 de Julho de 1947, na aldeia de Rodrigos - Nicho dos Rodrigos, na freguesia de São Pedro, concelho de Torres Novas, distrito de Santarém.

 

Conhecido na sua terra natal pela alcunha de "Zé do Quatorze".


Incorporado no dia 17 de Março de 1967 no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos), onde concluiu com aproveitamento o Curso de Pára-quedismo no dia 22 de Dezembro de 1967.


Em 22 de Outubro de 1968 é promovido a 1.º Cabo Pára-Quedista.


Mobilizado para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique, onde chegou no dia 4 de Janeiro de 1969 e é integrado na 2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas (2ªCCP) do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL
GENTE».


Faleceu no dia 12 de Abril de 1969, pelas 06H45, no Hospital Militar 125 (HM125 - Mueda), vítima de ferimentos em combate ocorrido cinco dias antes - 7 de Abril de 1969 - na região de Nangololo / Mutamba dos Macondes - Mueda.


Tinha 21 anos de idade.


Está inumado no cemitério de Carvalhal da Areosa, na freguesia de São Pedro, concelho de Torres Novas.


Condecorado com a Medalha de Cruz de Guerra de 1.ª classe - Colectiva.

 

O seu nome está gravado no monumento erigido na localidade de Rodrigos, inaugurado no dia 1 de Novembro de 1974 - clique aqui

 

 

 

A sua Alma repousa em Paz

 

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Contributo do

Sargento-Mor Celso Feijão de Almeida

 

«NUNCA »»»»»SERÁS ESQUECIDO«««««« PCABO /PARAQUEDISTA SILVA (MITEDA) Primeiro Cabo Paraquedista 191/67, José Marques da Silva era uma pessoa simples nascida e criada para os lados de Torres Novas, dedicado ao serviço, interessado em estudar e aprender matérias novas, se possível seguir a carreira das armas.

Era um rapaz observante, simples e de trato singular, o seu modo sedutor e voluntarioso gerava simpatia à sua volta.

Bem preparado fisicamente, responsável, dedicado às Tropas Paraquedistas, a sua energia e índole útil à preparação física militar, movia os recrutas para junto do guia.

Como comandante da 3ª secção de um pelotão de recrutas, repartia comigo as matérias a administrar aos catatuas. O PCAB/Silva embarcou para o BCP 31, uns meses antes de mim.

Eu aguardava guia de marcha para o mesmo batalhão. Era uma questão de tempo e quem sabe, até ficaríamos na mesma Companhia .

Uns meses depois, encontrei-o na 2ªCCP, mas não era o José Marques da Silva , mas sim o PCAB/Miteda.

Recebeu o novo apelido, em memória ao local do baptismo de fogo.

Encontrei um homem transformado, triste, isolado, com falta de comunicação e pouco sorridente.

Quando o cumprimentei, procurei a razão da brusca mudança.- Alegou não ser nada de especial...., não era nada...., não passava de impressão minha .

Ambos transportávamos vinte um de idade, a minha experiência e veteranice, destacava-se nos 24 meses passados na savana de África e indicava-me indícios de depressão.

Abordei o assunto com o meu Comandante de Pelotão, PSAR/Ventura Pinto e ambos procurámos saber a origem de tanta preocupação.

Com a ajuda de um jovem Paraq. ficamos a saber que o Silva recuperava o desgosto de um amor sem esperança.

A mãe não suportando o comportamento da menina, que dias antes, na despedida, afogou em lágrimas os lindos olhos azuis e, que em momento de emoção bem junta dele, lhe havia jurado amor eterno, implorando o seu regresso são e salvo, não resistindo à pressão do isolamento e incertezas, procurou em outro rapaz, o apoio, carinho, conforto, segurança e em especial a presença física que a distância de 13 000 Km, impedia o Silva de lhe proporcionar.

Naquele domingo de Pascoela, quente e chuvoso de 07 de Abril de 1969, a 2a CCP descia ao Vale de Miteda para mais uma vez, impor presença e travar actividade inimiga.

O vale semelhante a uma estufa, permanecia abafado, cálido e transbordava humidade.

Após o ataque à base e destruída a infraestrutura, não houve retirada.

Por decisão superior ficamos emboscados no local demasiado tempo.

O ruído de alguns desenquadrados, (equipa de comando) protegidos no centro da força emboscada, convidou o IN a aproximar-se.

Conhecedor dos perigos, por várias vezes o PCAB Silva avisou a quem de direito, da presença e aproximação de forcas hostis.

Levantada a emboscada, ao retomarmos a progressão, fomos contra-emboscados com uma violência, só vista em filmes.

O enfermeiro foi chamado ao local e o radio-telefonista pedia evacuação, zero horas. Em direcção ao Helicóptero, metido em maca, o Silva com sintomas graves de hemorragia interna, foi evacuado para o Hospital Avançado de Campanha em Mueda.

Ao cruzarmos o olhar, o meu amigo de olhos perdidos num rosto cor de cal, sentindo a vida fugir-lhe, segredou-me:-Não pude fazer mais nada.

Avisei muitas vezes da presença do IN, não consegui elimina-los todos, pois também fui atingido!- Ele alheio à gravidade dos ferimentos, mantinha a esperança de voltar em breve à sua equipa.

Por experiência adquirida.., vi que aquele local encerrava para sempre o sonho de um futuro FURRIEL.

Naquela tarde o sol cintilante, encerrava mais um triste capítulo,.. tudo ficou cinzento e diferente, num domingo de Pascoela de 1969.

A todos os Silvas que ao serviço da Pátria escreveram a vermelho no memorial da Nação, o meu respeito!!
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