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Condecorações

Manuel Marques Sardão, Soldado Maqueiro, da CCS/BCac554

 

  "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Fontes:

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

5.º Volume, Tomo I, pág.s 102 e 103, da RHMCA / CECA / EME

7.º Volume, Tomo I, pág.s 176 e 177, da RHMCA / CECA / EME

8.º Volume, Tomo I, Livro 1, pág. 425, da RHMCA / CECA / EME

Jornal do Exército, ed. 101, pág.s 12 e 13, de Maio de 1968

Revista "Combatente", ed. 250, de Dezembro de 1992

Imagens dos distintivos cedidas por Carlos Coutinho

RTP Arquivos

 

HERÓI NACIONAL

 

Manuel Marques Sardão

 

Soldado Maqueiro, n.º 1898/63

 

Companhia de Comando e Serviços (CCS)

 

Batalhão de Caçadores 554 (BCac554)

 

«NON NOBIS»

 

Angola: 14Dez1963 a 25Mar1966

 

Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, grau Cavaleiro, com palma

(Título Póstumo)

 

Mensagem do veterano Jofre Raposo, 1.º Cabo Escriturário, da CCS/BCav682

 

 

«Eu era 1.º Cabo escriturário, da Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Cavalaria 682 (CCS/BCav682).

 

Estive sempre no Dinge.

 

Não me lembro de muita coisa: infelizmente tive uma trombose no ano 2000 e esqueci muita coisa! Mas recordo que foram levar, voluntariamente, mantimentos ao Batalhão de Caçadores 554 (BCac554). Eles não queriam sair do quartel, morriam de fome mas não de balas.

 

O maluco do Alf. Alçada (*), que estava de castigo na Companhia de Cavalaria 679 (CCav679), ofereceu-se e pediu voluntários.


Estou a ver os caixões. Quando chegaram ao quartel, chorei. Não! Chorámos, por perder os nossos camaradas, pedindo ao Divino Espírito Santo que olhasse por eles na eternidade.


Há coisas que não se esquecem!


Deste açoriano, que nunca se esquecerá daqueles que lutaram e morreram pela nossa Pátria, pobre mas honrada!»

 

(*) Nota do colaborador do portal do UTW:

 

No recordatório enviado à consideração do UTW – e dos seus visitantes –, o referido «maluco do Alf. Alçada» é José Luís Oleiro Moraes Alçada (nascido em 19 de Julho de 1941 na Covilhã), agraciado com uma Cruz de Guerra de 4ª classe, por acções em combate.

Reporta-se à emboscada de um grupo do MPLA que, na 6ªfeira, dia 22 de Outubro de 1965, na picada para o Belize e 2km após o destacamento do Pelotão de Caçadores 964 (PelCac964) no Luáli, a cerca de 400 metros do Povo Uanda Conde, ao ter atingido com um rocket o primeiro de dois jipes do Exército, causou às Nossas Tropas sete mortos e cinco feridos graves: na acção de socorro imediato aos feridos, destacou-se um dos feridos graves, Manuel Marques Sardão, Soldado Maqueiro da CCS/BCac554, que veio a morrer no local.

 

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Com o apoio de um colaborador do portal UTW, descrevemos (resumo) o que aconteceu sobre o conteúdo da mensagem do veterano Jofre Raposo:

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados

 

Resumo da ocorrência:


Em 8 de Maio de 1965 morrem dois militares em combate na zona de Batassano.

 

Em 20 de Junho de 1965 durante a Operação "Cerr'os Dentes", um pelotão da Companhia de Cavalaria 679 (CCav679) é alvo de emboscada e sofre um morto e quatro feridos graves. O comandante do sector avança com a Operação "Nanda", prevista para lançar 150 grupos de combate em linha, entre o posto fronteiriço do Miconge e o Caio-Guembo, no extremo norte de Cabinda. O grupo de combate do alferes miliciano de cavalaria Moraes Alçada, desloca-se para o Luáli em reforço ao Pelotão de Caçadores 964 (PelCac964) adido ao Batalhão de Caçadores 554 (BCac554), estando este sediado a 12km. Naquele destacamento ficam apenas alguns militares em pior forma física e o restante efectivo segue para a operação.


Em 19 de Outubro de 1965, após as primeiras baixas com minas antipessoal e alguns tiros isolados, a confusão instala-se entre as tropas de quadrícula. Soldados isolados na mata regressam à picada principal Luáli-Dinge, onde a operação é reorientada, passando a cumprir-se em marcha os dias previstos para a sua conclusão.


Em 22 de Outubro de 1965 o tenente-coronel comandante do
Batalhão de Caçadores 554 (BCac554), em vez de enviar reabastecimentos para o destacamento do Pelotão de Caçadores 964 (PelCac964) no Luáli, ordena aos que lá estão para os ir buscar ao quartel-sede: mas o MPLA, sabendo onde se encontram deslocados os efectivos daquele sector e quantos ficaram no Luáli, monta uma emboscada.


alferes miliciano de infantaria António Leitão Malcatanho, comandante daquele destacamento, deixa o cabo Branco, o cozinheiro Crossas e um soldado (com problemas de epilepsia), seguindo com os restantes em dois jipes para a sede do batalhão. Após 2km de marcha caem na emboscada e o jipe da frente é atingido em cheio por uma granada de LGF (Lança-granada foguete) inimiga, causando a morte imediata de 3 primeiros-cabos do
Pelotão de Caçadores 964 (PelCac964) e de 1 soldado da Companhia de Cavalaria 679 (CCav679), ficando o soldado-condutor José Fernandes atingido no rosto e na cabeça por estilhaços do pára-brisas, que lhe provocam cegueira parcial; sob intenso tiroteio inimigo, o condutor salta da sua viatura, recolhe as armas dos camaradas mortos e dispara sobre os atacantes enquanto se abriga junto do segundo jipe, onde foram mortalmente atingidos outros dois soldados da CCav679, o alferes Malcatanho está ferido pela primeira rajada em ambas as mãos, o 1º Cabo Ângelo dos Santos Rodrigues (1está totalmente cego de um dos olhos, o soldado-maqueiro Manuel Marques Sardão (5) está gravemente ferido e apenas resta ileso o soldado Orlando de Jesus Costaque utiliza eficazmente a sua arma e impede o inimigo de avançar para a picada (2). Os 5 sobreviventes continuam a disparar seguindo as instruções do oficial (3) e o tiroteio é ouvido no destacamento do Luáli, de onde arrancam no único jipe o cabo e o cozinheiro, que durante o trajecto vão disparando curtas rajadas. No local da emboscada, o inimigo interrompe o ataque e o soldado-condutor Fernandes aproveita a pausa para pôr o segundo jipe em andamento em direcção ao destacamento em busca de socorros (4) ignorando que os seus camaradas vêm a caminho; os atacantes, permanecendo emboscados e preparados para descer à picada, liquidar os feridos, esfacelar os mortos e capturar o armamento, ao ouvir o tiroteio aproximar-se pensam tratar-se de fortes reforços e retiram apressadamente, deixando no terreno uma bazooka e outro material-de-guerra; logo de seguida o soldado-maqueiro, apesar de gravemente ferido, procura socorrer os camaradas feridos e morre no local do combate, no exercício da função da sua especialidade (5).

(1) promovido por distinção a Furriel e agraciado com o grau de Cavaleiro, com palma, da Ordem da Torre e Espada


(2) agraciado com uma Cruz de Guerra de 4ª classe


(3) agraciado com uma Cruz de Guerra de 3ª classe


(4) agraciado com uma Cruz de Guerra de 1ª classe


(5) a título póstumo, promovido por distinção a Furriel e agraciado com o grau de Cavaleiro, com palma, da Ordem da Torre e Espada - Manuel Marques Sardão

 

Os militares que morreram naquele dia, são:


- ANTÓNIO ALCOBIA (²)

António Alcobia, Soldado Atirador, n.º 1767/63, natural da freguesia de Pias, concelho de Ferreira do Zêzere, mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3, para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Cavalaria 679 do Batalhão de Caçadores 682. Está sepultado no cemitério de Cabinda, em Angola, no talhão militar, campa 11-1-B


- ANTÓNIO GOMES GUERRA

António Gomes Guerra, 1.º Cabo Atirador, n.º 141/64, natural da freguesia e concelho de Figueira Castelo Rodrigo, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 2, para servir na Região Militar de Angola, integrado no Pelotão de Caçadores 964, adstrito ao Batalhão de Caçadores 554. Está sepultado no cemitério da freguesia de naturalidade.

 


- ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA MARQUES (²)

António José Ferreira Marques, 1.º Cabo Atirador, n.º 1/64, natural de Celeirô, da freguesia de São Nicolau, concelho de Cabeceiras de Basto, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 2, para servir na Região Militar de Angola, integrado no Pelotão de Caçadores 964, adstrito ao Batalhão de Caçadores 554. Está sepultado no cemitério de Cabinda, em Angola, no talhão militar, campa 6-1-B


- FERNANDO LOURENÇO MOTA (²)

Fernando Lourenço Mota, Soldado Atirador, n.º 1602/63, natural da freguesia da Barroca, concelho do Fundão, mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3, para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Cavalaria 679 do Batalhão de Caçadores 682. Está sepultado no cemitério de Cabinda, em Angola, no talhão militar, campa 9-1-B


- FRANCISCO DE JESUS ESTEVES LUCAS (²)

Francisco de Jesus Esteves Lucas, Soldado Atirador, n.º 1765/63, natural de Rochas de Baixo, da freguesia de Almaceda, concelho de Castelo Branco, mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3, para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Cavalaria 679 do Batalhão de Caçadores 682. Está sepultado no cemitério de Cabinda, em Angola, no talhão militar, campa 10-1-B


- MANUEL MARQUES SARDÃO

Manuel Marques Sardão, Soldado Maqueiro, n.º 1898/63, natural de Santo Amaro da Boiça, da freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 15, para servir na Região Militar de Angola, integrado na Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Caçadores 554. Está sepultado na localidade de nascimento - (clique no sublinhado que se segue):  Manuel Marques Sardão

 

- ÓSCAR GOMES PIRES (²)

Óscar Gomes Pires, 1.º Cabo Atirador, n.º 320/64, natural de tremoceira, da freguesia de Pedreiras, concelho de Porto Mós, mobilizado pelo Regimento de Infantaria 2, para servir na Região Militar de Angola, integrado no Pelotão de Caçadores 964, adstrito ao Batalhão de Caçadores 554. Está sepultado no cemitério de Cabinda, em Angola, no talhão militar, campa 8-1-B

(²) (os seus restos mortais, ainda se encontram inumados em campas do talhão militar no cemitério da cidade de Cabinda)

 

 

 

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