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Opinião sobre as histórias "A Minha Guerra", in revista "Domingo" do jornal Correio da Manhã

 

 

Abreu dos Santos

 

06Fev2008,15:50

 

«Os muros das lamentações»


A propósito de textos vindos a lume, na imprensa diária ou em editados em livro, e reproduzidos na internet - designadamente no sítio ultramar.terraweb.biz.


No caso recente do magazine dominical do CM, as estórias "escolhidas" são mais um mimo de tretas: ele é o «combate» do marinheiro, que jamais disparou um tiro nem andou no mato; ele é a vez de um outro, em que «só de uma vez perdemos 23 homens»; ele é uma «companhia» de artilharia - referida por um seu antigo alferes (não era um "nharro" qualquer) - cuja numeração jamais lhe foi atribuída... Ou então, coisas mais genéricas e mais antigas: reproduzir à exaustão alguns epifenónemos de guerra (vg "casualties of war"), para ilustrar «os massacres da guerra colonial», sem atender a contraditório(s) publicado(s) em tempo oportuno ou sequer ao enquadramento histórico-político e propagandístico da época nem à verificação da credibilidade das respectivas "fontes".


Aparentemente, não se ocupam os novos "jornalistas" e "editores" em proceder a triagem da veracidade dos factos, relatados por "entrevistados" ou "contadores de estórias". No caso vertente, e que diz respeito - repete-se, respeito - a milhares de homens que cumpriram serviço militar no Ultramar, continuam a ser oferecidas em dose cadenciada umas estorietas particulares e o mor das vezes em tom de «muro das lamentações», nas quais se retrata as Forças Armadas Portuguesas (tanto milicianos como do quadro permanente) como um ror de incompetentes e sempre perdedores, e o(s) ex-terrorista(s) ex-inimigo(s) como pleno de razão, de força e de vitórias. Ou seja, persiste a inconfessada (e inconfessável) manobra de instilar a lassidão na retaguarda, ora sob pretexto de reconciliação com a(s) memória(s) e com os "povos libertados". No entanto, a manobra de agit-prop, aparentemente salvífica, radica sobretudo numa Síndrome de Estocolmo resultante de não haver sido cumprido o objectivo da tal «libertação dos povos», antes terá ficado grande parte dos veteranos cativa das «razões» do Outro, qual seja o vencedor-que-dita-a-história. E no meio de tudo isso, perde-se o sentido primeiro da continuada actividade de milhares de homens, enquadrados numa missão patriótica e cujo interesse primeiro era a defesa da população civil, esta completamente esquecida nos tais relatos agora (re)postos a correr na imprensa, nas televisões e nas páginas da internet.


Fala-se e escreve-se sobretudo olhando o umbigo, a estorieta privada enquadrada no pequeno universo onde o "protagonista" foi "obrigado" a "fazer a tropa", tudo com uma falta de senso e uma mariquice pegada: em quase todas as «actividades» relatadas, é só mortos militares, feridos militares, estropiados militares, terríveis bombardeamentos inimigos, mortíferas emboscadas inimigas, etc, etc.


Resumindo: se a "tropa" não morreu toda, isso deve-se aos "salvadores", de lá e de cá; e o que dela restou na torna-viagem, é-nos cadenciamente apresentada, desde a «madrugada libertadora», completamente estropiada física e/ou mentalmente. Mais grave: é apresentada, aos descendentes daqueles mesmos veteranos de guerra, como uma cambada de patetas, nharros, bestas, trucidadores, massacradores de "populações" indefesas ou assassinos-a-soldo-do-regime-fascista, ou ainda como apoiantes dos "colonialistas" exploradores-dos-pretos.


Não compete a quem lê, velho ou novo, indagar se tais estórias têm fundamento, ou apenas inseridas em estratégia genérica e não assumida de ganhar audiências: a qualquer custo. Certo é que, re-descoberto o "filão" das ditas «guerras coloniais», todos à uma e cada vez mais se ocupam em promover e difundir «estórias da guerra». Pena é que em grande parte desses relatos esteja absolutamente ausente qualquer sentido pedagógico, quando não mesmo a honradez pessoal e o sentido geracional.

 

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Algumas publicações na revista "Domingo" do jornal Correio da Manhã

 

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