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Imagens do Cemitério de Vila Cabral (Lichinga, Moçambique), de 2004

 

Texto e Imagens cedidas por Manuel Pedro Dias

 

NEM TUDO É DEGRADAÇÃO

 

Cemitério de Vila Cabral

(Lichinga, Moçambique)

 

 

A minha ida a Moçambique, em 2004, foi fonte de inspiração para editar um livro a que dei o título “38 ANOS DEPOIS MOÇAMBIQUE REENCONTRADO POR UM COMBATENTE” (Não estou a fazer publicidade visto o livro se encontrar esgotado). Num dos capítulos do livro dedicado ao Niassa, escrevo, a certo passo, quando me refiro à visita que fiz ao antigo Cemitério de Vila Cabral, onde eram sepultados os militares mortos em combate ou acidente, até determinada data:

«(...)Seguidamente e ainda acompanhados pelo referido oficial, dirigimo-nos ao cemitério, já desactivado, em romagem ao talhão onde se encontram sepultados antigos camaradas combatentes. Aí nos detivemos por alguns momentos em recolhimento. Ficámos sensibilizados pela forma como encontrámos aquele cemitério, que apesar de desactivado, não apresenta aspecto degradante, contrariamente a outros que, segundo temos conhecimento se encontram de tal forma danificados que conseguem entristecer o mais insensível visitante.

Sem procuração para tal, mas com a certeza de que nos seria passada por todos, queremos expressar, em nome de PORTUGAL, o nosso sentido agradecimento pelo modo digno como preservam a memória dos nossos compatriotas falecidos e que outrora eram designados por vós, legitimamente, a guerra é assim mesmo, de inimigos. BEM HAJAM».

Tudo isto se passou, como disse, em 2004. Não tenho conhecimento como se encontra hoje aquele cemitério. Talvez a necessitar de uma capinagem. Contudo, leva-me a crer que se mantenha ainda bem murado e fechado, ou seja nada vandalizado, por ser essa a vontade da edilidade local, com quem mantive, então, amistoso diálogo.

Há matéria em Lichinga (Vila Cabral) para solidificar e desenvolver o processo de dignificação daqueles que ao serviço da Pátria, ali se encontram sepultados. Assim as “boas vontades portuguesas” o queiram. Essas, por vezes, andam arredias...

Manuel Pedro Dias

 

Imagens de 2004

 

 

Cemitério Vila Cabral em 2004 - Campa ainda bem conservada

 

Nota:

A lápide: Manuel José de Sousa Cristina, nasceu em 21 de Dezembro de 1951 e faleceu em 5 de Maio de 1972.

Este cidadão português não faleceu em condição militar (informação de LC123278).
 

 

Cemitério Vila Cabral em 2004 como se vê bem murado

 

 

Cemitério Vila Cabral em 2004 Talhão dos militares portugueses

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