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NOTÍCIA - "A Guerra" - Programa "Prós e Contras", na RTP 1, em 15 de Outubro de 2007

 

moderado pela jornalista Dra. Fátima Campos Ferreira

 

para visualização dos vídeos clique nos ícons animados

 

Caros Amigos, Companheiros e Camaradas de Armas da Guerra do Ultramar,

 

No passado dia 15 de Outubro de 2007, à noite, na RTP1, no programa "Prós e Contras", moderado pela jornalista Sra. Dra. Fátima Campos Ferreira, ocorreu um debate sobre a guerra colonial ou do ultramar (como lhe queiramos chamar).

A maioria dos ex-Combatentes não foi ouvida naquele debate, por isso a equipa do terraweb.ultramar abriu um espaço no site com o título "Opinião de Antigos Combatentes" para que todos se pronunciem, elogiando ou criticando, sobre o que foi dito ou não naquele debate.                 

Envia uma mensagem para ultramar@terraweb.biz. As mensagens irão ser transcritas para a página em questão para que todos os ex-Combatentes possam visualizá-las. Pedimos somente que se identifiquem com o nome, a Unidade Militar a que pertenceram e o local onde combateram (ex. Angola, Guiné ou Moçambique).                                           

Opinião de Antigos Combatentes:

 

Para visualização dos conteúdos clique nas palavras sublinhadas

(A ordem das mensagens: é da mais recente para a mais antiga)

 

João Bravo da Matta, in semanário "O Diabo", de 14OUT2008

 

LC123728, um veterano e colaborador deste site

 

Manuel Araújo, da C. Caç 3496 (1972/1974) Moçambique - Negomano (Rio Rovuma) e Chinguinhene (Manica)

 

Informação de LC123278:  "A Guerra do Ultramar", em Nova Frente, "Mudança de Planos", de Pedro Guedes, e "A guerra e o «Prós e Contras»", do TCor Brandão Ferreira

 

Barreira Mendes - Ex. Fur. Mil. C.Caç. 1480 - Moçambique (Mueda / Sagal / Montepuez)

 

Francisco Dores - Ex-Fur.Mil C.CAÇ 3554 / B. CAÇ 3886 -Moçambique - Mecumbura / Nura  / Milange 19972/1974.
 

Inácio Nogueira, ex-Capitão Mili.º, Comandante da C. Cav 3487

 

José Lessa, Enfermeiro da Companhia de Caçadores 3513, Quiende / Angola

 

Francisco José Branquinho de Almeida, ex-Furriel Mil.º e ex- Alferes, Comandante do GE 201, Moçambique 1968/1972

 

António Cadete, ex-Oficial Mil.º, Comandante dos GRUPOS ESPECIAIS 803 e 805

 

Luís Cunha, ex-Furriel Mil.º (C. Art 2718), do Dest. Policial do Songo

 

Joaquim Coelho, das Tropas Especiais Pára-Quedistas (Angola e Moçambique)

 

Ilídio Costa, ex- 1.º Cabo Mecânico, da C. Caç de Mocimboa da Praia e GACC 6 1966/1968

 

José António da Silva, B. Caç 16, B. Caç 15 e EAMM (Boane)

 

Augusto Gouveia de Sousa, C. Caçadores 3440 - Angola 1971/1973

 

António Pereira de Almeida, Capitão Mil.º - C. Cart 3503 (Mueda) e 3.ª C. / B. Caç 19 (Candulo/Niassa)

 

Carlos Vardasca (O Braz, da Companhia de Caçadores 3309)

 

Joaquim Ribeiro, ex- Furriel Mil.º de Cavalaria, da C.Cav 2691 / B. Cav 2909 (Angola,(Zemba, Cambamba, Mucondo,Grafanil (intervenção nos Dembos)) ABR70/MAI72

 

Jacinto Ferreira Gonçalves, Alferes Mil.º, B. Caç 1937, C. Caç 1804, Moçambique, de 11 de Outubro de 1967 a 15 de Dezembro de 1969

 

Inácio Silva - Blog "Relembrar para não esquecer"

 

J. Cabral, ex-Fuzileiro - Guiné

 

Carlos Gouveia, ex-Soldado da Companhia de Cavalaria 2752

 

José Carmindo Vigário dos Santos - ex-Furriel Mil.º, da C.Caç 2359, integrada no B. Caç. 2842, que esteve em Moçambique no período de Abril/1968 a Junho/1970

 

António Pires – Ex-Furriel Milº. de Infantaria – Norte e Leste de Angola (1972/1974 )

 

Salvador Silva, Ex- Cap. Milº. Comandante Regional de GE's no Niassa - Comando do Sector A (Vila Cabral) Julho/1973 a Dez./1974

 

Rui Pedroso Neves, ex-Alferes Mil.º da C. Caç 3310 / B. Caç 3834, no Sector de Mueda - no destacamento de Omar perto do Rio Rovuma Moçambique 1971/1973

 

José António de Albuquerque Dias – Alf. Mil. 09113667 da C. Caç. 3310 / Bat. Caç. 3834 - Moçambique – FEV71 a MAR73 – OMAR e TOMA DO NAIROTO.

Vítor Baião, ex- Alferes Mil.º de Infantaria, C. CAÇ. de Mocimboa da Praia / C. CAÇ. de Vila Cabral (1966/1970)

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LC123728, um veterano e colaborador deste site

 

-----Mensagem original-----
Enviada: segunda-feira, 19 de Novembro de 2007 17:23
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: O Terrorismo, sem artifícios linguísticos.

 

Reaberta que foi de forma indecorosa a caixa-de-pandora-anticolonialista – e mercantilista! –, será talvez o momento de proporcionar aos visitantes da s/página (e respectivos items, como por exemplo "A Guerra") umas quantas verdades incontornáveis (como "eles" dizem agora), relativas aos iniludíveis malefícios do terrorismo, politicamente maquilhado na linguagem amaciada de "movimentos de libertação", o qual – no que a nós portugueses afectou (afecta) – ficou amplamente descrito e ilustrado em livro acessível através do link

http://www.dokkumenta.com/AngolaOsDiasDoDesespero/index.htm

 

Saudações,

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Manuel Araújo, da C. Caç 3496 (1972/1974) Moçambique - Negomano (Rio Rovuma) e Chinguinhene (Manica)

 

-----Mensagem original-----
De: araujoleao@sapo.pt [mailto:araujoleao@sapo.pt]
Enviada: quarta-feira, 24 de Outubro de 2007 16:21
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Neste "tu cá tu lá" da guerra, há muitos "clientes do Café Capri", muitos "Administrativos", muita gente do "ar condicionado", muitos que nunca comeram a ração no mato e muitos que nunca cheiraram o trotil. Á partida estes programas são muito bons para os tais "papagaios" com muito tempo de lazer a começar pelo jornalista Furtado que me parece também nunca foi tropa (?).Veremos o resto que virá a seguir !

Manuel Araújo

CCAÇ 3496 (72/74) - RMM

Negomano (Rio Rovuma)

Chinguinhene (Manica)

 

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Informação de LC123278:  "A Guerra do Ultramar", em Nova Frente, "Mudança de Planos", de Pedro Guedes, e "A guerra e o «Prós e Contras»", do TCor Brandão Ferreira (para visualização dos conteúdos clique nas palavras sublinhadas)

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Barreira Mendes - Ex. Fur. Mil. C.Caç. 1480 - Moçambique (Mueda / Sagal / Montepuez)

 

De: Barreira Mendes [mailto:barreira.mendes@netcabo.pt]
Enviada: segunda-feira, 22 de Outubro de 2007 17:42
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Barreira Mendes - Ex. Fur. Mil. C.Caç. 1480 - Moçambique

                           ( Mueda/ Sagal/ Montepuez)

 

Caros ex. combatentes, companheiros e amigos

 

Vi o debate no passado dia 15 de Outubro e como já esperava foi uma desilusão. Não trouxe nada de novo. 

Pouco mais quero acrescentar ao que disse o nosso companheiro, ex. Fur. Mil. António Pires, a não ser confirmar que a maior parte da guerra foi suportada pelos milicianos, quer fossem, oficiais, sargentos ou praças. Apesar de "só" fazermos dois anos de comissão em África, conforme um oficial do quadro disse nesse debate, fizemos mais km no mato, que muitos deles em 4 ou 5 comissões. Para eles ficavam a maioria dos louvores.

Mas se já antes pouco esperávamos dos governantes, presentemente também pouco podemos esperar. Depois de termos gasto saúde e energia, alguns de nós agora deficientes vamos sentir na pele a retirada de alguns benefícios fiscais que até agora tínhamos direito. 

Um abraço a todos os ex. combatentes

Barreira Mendes

 

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Francisco Dores - Ex-Fur.Mil C.CAÇ 3554 / B. CAÇ 3886 -Moçambique - Mecumbura / Nura  / Milange 19972/1974.
 

 

De: Francisco Mota [mailto:franciscomotadores@gmail.com]
Enviada: sábado, 20 de Outubro de 2007 14:25
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate " Prós e Contra " Guerra do Ultramar, colonial ou de Libertação

 

Gostei do programa, mas, perdeu-se muito tempo em discutir "Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial".
O que é que a nós Ex-Combatentes, isto, nos diz ?   Nada, digo eu. Que há feridas abertas, HÁ e MUITAS.
É GUERRA e mais nada, e, foi feita por nós contra a nossa vontade.
Agora o 1º Episódio de "GUERRA", foi uma LIÇÃO DE HISTÓRIA, e eu espero pela próxima AULA.
Assim dá gosto ver Televisão e pode-se afirmar que isto é SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO.
Em conclusão o meu grande apreço ao trabalho do Joaquim Furtado.
Aguardo os próximos episódios.

Francisco Dores
Ex-Fur Mil.

 

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Inácio Nogueira, ex-Capitão Mili.º, Comandante da C. Cav 3487

 

De: Inacio Nogueira [mailto:inacionogueira@netcabo.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:24
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Um debate adiado. Nem prós nem contras. Uma sessão inerte, aqui e ali conflituosa e a deixar  transparecer os antagonismos ainda existentes entre quem considera que o 25 de Abril foi fruto de constrangimentos corporativos ou de opções políticas conscientizadoras da mudança que se requeria para Portugal.

A representatividade dos ex-combatentes não foi cuidada. No painel, ex-oficiais do quadro, com discursos muito difusos, generalistas e pouco esclarecedores - e mais um - sempre o mesmo, sinceramente já estamos fartos das suas teorias e da sua verborreia repetitiva e estafada. Não se podia ter escolhido um ex-combatente miliciano para o painel?

Na plateia visualizámos as mesmas caras de sempre e uma ampla representatividade de deficientes das Forças Armadas. Pareceu-me bem esta última opção. É preciso mostrar ao país, sem peias, as consequências da guerra, para que se possa educar para a paz. Quanto às caras, é tempo de dar voz a outras fisionomias, às  organizações de ex-combatentes em concreto, o que não foi feito. Perdeu-se uma boa oportunidade para mostrar o que era há quarenta anos um combatente obrigado a sê-lo, e o que é hoje, já que acarreta uma história de vida fustigada pela guerra. Depois, as escolhas feitas para mostrar ao país os nossos adversários de então, foi inverosímil e insucedida. Os dois representantes pouco disseram, nada acrescentaram e mostraram-se crispados. Má escolha.

Um mau debate, sem ideias e com peias. Assim Não, Dra!... 

 

Inácio Nogueira

ex-Cap Mil CCav 3487

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José Lessa, Enfermeiro da Companhia de Caçadores 3513, Quiende / Angola

 

De: Gresilva - José Lessa [mailto:joselessa@gresilva.pt]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 15:45
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Para ser franco, só tive paciência para ver cerca de uma hora o programa.

Durante essa hora disseram-se banalidades e procurou-se saber o “sexo dos anjos”.

Guerra Colonial ???

Guerra nas províncias Ultramarinas???.

O que eu gostava que ali fosse tratado era o problema dos Companheiros com Stress de Guerra.

A reforma miserável que deram aos antigos combatentes.

O abandono a que estão entregues muitos ( para não dizer todos) Ex. Combatentes.

O abandono do Ex. Combatentes pelas famílias, etc etc.

Por tudo isto o programa foi desmotivante e eu preferi ir dormir porque no dia seguinte tinha que trabalhar.

Felizmente tenho uma família.

Felizmente não sou “stressado de guerra” o que não impede de ainda acordar por vezes “alagado em agua” com sonhos que tenho…

Mas todo o mal seja esse.

Orgulho-me do trabalho que fiz em 27 meses de Angola, a minha arma era a seringa que tanto tratava companheiros como aldeões de cor. Nunca dei um tiro…nem para caçar.

Nada me mói na consciência, se algo de errado fiz, foi beber, beber muito para que o tempo passa-se depressa, felizmente não fiquei com mazelas infelizmente muitos de nós não podem dizer o mesmo.

Um abraço para todos e que a vida seja benevolente com todos.

José Lessa

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Francisco José Branquinho de Almeida, ex-Furriel Mil.º e ex- Alferes, Comandante do GE 201, Moçambique 1968/1972

 

De: Francisco José Branquinho [mailto:zinhopemba@msn.com]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 14:08
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Prós e Contras da RTP
 

 Caríssimo:
 
  Fica a minha opinião, muito suscinta e rápida sobre esse Programa:
  
      Face às avalizadas opiniões já aqui expressas, pouco mais teria a acrescentar, a propósito deste tema.
 Revejo-me nas perspectivas da maioria dos que me antecederam nos comentários, mormente as opiniões esclarecidas dos primeiro e último intervenientes: o Vítor Baião e o António Cadete.
   Não deixei foi de, pela leitura que fiz de algumas intervenções aqui postadas, de reforçar a convicção que já ia tendo, passe a assumpção de que são respeitáveis todos os pontos de vista pessoais, do divisionismo que grassa no seio dos ex-combatentes, com reflexos, dificilmente sanáveis, nas suas organizações representativas.
   Esquecemos o essencial, as dificuldades por que, na maioria, passámos e da nossa dádiva à Pátria, quando deviam ficar para outros patamares de discussão a justeza ou injustiça daquela Guerra.
   Quando, até, se lê por aqui terem sido os "cantineiros" o odioso daquele conflito armado, podemos bem aquilatar do disparate que grassa nas mentes de alguns ex-combatentes. Como se alguém, minimamente informado, pudesse "descobrir" nos cantineiros espalhados pelo mato moçambicano, os verdadeiros colonialistas!...
   É uma visão redutora, injusta, verter nessa gente o ferrete duma guerra.
   Como seria, alguém alijar esse labéu naqueles desonestos militares que, sem escrúpulos,  vendiam, em proveito próprio, a esses mesmos "cantineiros do mato", o azeite, as batatas, o bacalhau, o gasóleo...destinado à logística das suas unidades!
   Perdemo-nos com o acessório.
   O essencial radica, como sempre defendi, que a descolonização era inevitável. Falhou foi, duma forma trágica e lesiva da consciência colectiva, no tempo e no modo, porque, essa inevitabilidade que já todos, ao tempo, reconheceríamos, não pressupunha nem apontava para a forma atabalhoada, sem honra e sem vergonha, como lhe demos desfecho, à revelia do sentir das populações. Sem qualquer pressuposto democrático, num país que, desde o 25A vem enchendo a boca de Democracia.
   Pior, bem mais humilhante, será a forma aviltante como o Poder instituído, o mesmo que legisla e decide em nome da Pátria, tem tratado os ex-combatentes, os tais que lutaram em nome dessa mesma Pátria (os Poderes mudam, mas a Pátria é a mesma!...), os portugueses de sempre e os que o eram nos territórios hoje independentes e que terceram armas, sofreram e tombaram bem ao nosso lado, fosse qual fosse a pigmentação da sua pele.
   E, com os divisionismos já atrás aflorados, errando os alvos, estamos claudicando perante aqueles que não sabem, ou não querem, reconhecer a dívida que o Estado tem para com os seus servidores que sofreram, na carne e na alma,  no cumprimento de uma missão que a Pátria lhes impôs.
 
  Saudações, companheiros....todos!
 
   Francisco José Branquinho de Almeida
  G.E. 201 (Moçambique) -Agosto1968-Janeiro1972

 

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António Cadete, ex-Oficial Mil.º, Comandante dos GRUPOS ESPECIAIS 803 e 805

 

De: Antonio Cadete [mailto:antonio.cadete@mangalia.astral.ro]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 8:20
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Meus caros,

 

Só ontem vi o debate porque estou no estrangeiro e os responsáveis pela RTP entendem que nós não devemos ver este tipo de programas em directo na RTPi. Como aqui são mais duas horas que em Portugal imaginem a que horas me fui deitar já que o programa, embora gravado, é emitido à mesma hora em que vai para o ar na 2ª feira em Portugal. Na verdade mais valia ter estado a dormir tal foi o nível do programa. De qualquer modo felicito a Jornalista e a Direcção de programas por esta iniciativa porque a Guerra do Ultramar deveria, na minha opinião, ser devidamente debatida, enquanto ainda por cá andam alguns dos ex-combatentes,  pelo menos por duas ordens de razões:

 

  1. Mostrar às novas gerações, nossos filhos e nossos netos, o que foi suportar 13 anos de guerra em três frentes de combate com as parcas condições que se dispunha na altura. Simultaneamente clarificar as razões próximas e remotas do inicio da “luta armada”, desmistificar alguns tabus, mostrar quais os verdadeiros interesses que fomentaram e alimentaram essa luta, etc.

  2. Tentar corrigir ( mais vale tarde que nunca ) a profunda vergonha nacional, o enorme escândalo sucessivamente camuflado que foi e é o abandono de ex-militares Portugueses, eu direi mais, o abandono de Portugueses, que cometeram a insensatez de servir a Pátria, de acreditar que a Pátria não os abandonava e foram atraiçoados ( é provavelmente esta a palavra mais adequada para referir este abandono nojento de pessoas boas à sua sorte – e que sorte que muitos tiveram !!! )

 

O programa de facto pouco servirá para isso. A primeira parte foi a discutir se era guerra colonial, do ultramar ou de libertação. Simplesmente ridículo. Quando eu fui para a guerra, em 1972, fui para o ULTRAMAR. Era assim que era designado. Portanto, para mim, eu estive na Guerra do Ultramar, mas se quiserem podem chamar-lhe outra coisa qualquer porque isso não tem interesse nenhum. Se não fossem as intervenções do ex-furriel Comando Guineense, do Ten.Cor. Brandão Ferreira e de mais dois ou três intervenientes do publico, certamente que teria sido um debate absolutamente desinteressante, completamente inútil e fastidioso. A intervenção do Cor. Comando Matos Gomes, pessoa de quem sou amigo e pela qual tenho muita consideração independentemente de não vermos algumas coisas do mesmo modo, foi interessante embora seja, obviamente, no que se refere não aos factos narrados mas às conclusões tiradas, uma visão dos acontecimentos, a sua própria visão, que, embora respeitável é discutível.

 

Mesmo assim venham mais debates e mais reportagens. Desde que isso possa levar a alguma coisa útil serão sempre bem vindos.

 

Um abraço para todos os combatentes, da guerra do Ultramar, da guerra Colonial, da guerra de Libertação e de todas as guerras. Nós somos aqueles que generosamente demos o corpo ao manifesto enquanto outros esperavam para tirar os proveitos logo que a coisa ficasse calma.

 

António Cadete

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Luís Cunha, ex-Furriel Mil.º (C. Art 2718), do Dest. Policial do Songo

 

De: Luis Cunha [mailto:luisgcunha@tele2.pt]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 1:23
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Estimados ex-combatentes :-

 

A propósito deste debate, acho que o abandono aos combatentes continua.

 

Foram os combatentes do ar condicionado que dominaram o programa.

 

Os que combateram estavam lá em cadeira de rodas e de óculos escuros e apenas deram escassos minutos ao seu representante.

 

Dos restantes….ninguém.

 

Parabéns ao sargento guineense que combateu ao nosso lado. Um verdadeiro português que, com a razão que a história documenta, provocou “gozo” na classe militar que encheu os bolsos com a guerra e que mostrava serviço à custa do sacrifício dos militares milicianos. Aquela classe, não têm hoje problemas económicos, pois continuam a comer donde sempre comeram, enquanto que muitos milicianos vão vegetando porque a pátria só foi pátria para lhe roubar os melhores anos de vida, e a alguns, a própria vida.

 

Passar a 1ª parte do programa a discutir o nome da guerra é, em meu entender, completamente ridículo, pois seja qual for o nome que lhe atribuam, os mortos e os deficientes existem na mesma e nestes, quase não se falou.

 

Nem tão pouco se falou nos combatentes sepultados nas colónias e que jazem em sepulturas ao abandono, como se tivessem morrido ao serviço de outra pátria qualquer. Será que isto não faz parte de “A GUERRA” ?  

 

De positivo, somente encontrei a afirmação dum militar presente, dizendo que o 25 de Abril não foi feito para dar a liberdade aos portugueses nem a libertação às colónias, mas sim como medida contestatária à lei que permitia aos oficiais milicianos passar à frente dos do quadro. Como se nós já o não soubéssemos.

 

Cumprimentos.

Luis Cunha

Ex-furriel miliciano, mobilizado para a cart 2718.

Prestei serviço no Destacamento Policial do Songo.

Moçambique 1971-1972.

 

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Joaquim Coelho, das Tropas Especiais Pára-Quedistas (Angola e Moçambique)

 

De: Joaquim Coelho [mailto:jota_coelho@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 23:16
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Companheiros e combatentes,

 

Sobre o conteúdo do debate da RTP1, como tem vindo a acontecer, os "tubarões" só prejudicam a seriedade dos programas. Foi lastimável a intervenção de alguns dos responsáveis pelo chamado "processo de descolonização"; alguns desses senhores, ao tempo, comandantes de companhia e de batalhão, para não prejudicarem as promoções, deixaram os soldados das respectivas unidades, que morreram ao serviço da pátria,  abandonados nas toscas campas no meio do capim. Por causa desses carreiristas e cobardes, mais de três mil combatentes continuam enterrados em terras africanas. É um facto vergonhoso que só será limpo dos nossos corações de combatentes quando todos os restos mortais, daqueles que um dia foram arrancados às famílias e atirados para longe das suas terras, regressarem à sua Pátria-mãe. Este foi um dos temas pouco falados naquele debate.

 

Depois de visitar alguns dos referidos cemitérios abandonados, tomei consciência da dimensão do problema e do desprezo a que os governantes nos votaram; por isso, faço parte do "Movimento Cívico dos Antigos Combatentes", cuja finalidade é juntar os esforços em movimento para transladar para Portugal os restos mortais dos que "ficaram para trás".

Como combatente nas tropas pára-quedistas, cumpri missões em Angola e Moçambique nos períodos mais complicados das respectivas guerras. Operacional subordinado e chefe de grupos de combate, sofri na pele os efeitos das balas inimigas e perdi alguns dos bons companheiros nas emboscadas. Lamento a morte de alguns desses homens feridos que, não fossem os chefes de operações e os comandantes de sector usarem os únicos dois helis Allouete II nas suas caçadas de fim-de-semana, poderiam ter sobrevivido aos ferimentos.

 

Comungo do essencial das mensagens dos Companheiros Inácio Silva e J. Cabral - fuzileiro, porque refletem muito dos meus pontos de vista sobre o tema da guerra no debate.

 

Além de exposições fotográficas em centros culturais das autarquias, tento divulgar parte da história que marcou as gerações do tempo das guerras ultramarinas através da Net. Vejam: http://www.espacoetereo.com, http://micaias.blogs.sapo.pt e http://ultramarlembrar.blogspot.com

 

Saudações do Joaquim Coelho

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Ilídio Costa, ex- 1.º Cabo Mecânico, da C. Caç de Mocimboa da Praia e GACC 6 1966/1968

 

De: ilidio costa [mailto:santoscosta68@yahoo.com.br]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 23:02
Para: Ultramar
Assunto:

 

Habituado a acompanhar o tema da GUERRA COLONIAL através de livros e publicações e em alguns debates na TV (tenho algumas gravações) já não me espanta o que ali foi dito.

Entendo que foi mais do mesmo.

 

Ilidio Costa

1º Cabo Mecânico de COMPANHIA DE CAÇADORES DE MOCIMBOA DA PRAIA 1966/68

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José António da Silva, B. Caç 16, B. Caç 15 e EAMM (Boane)

 

De: Jose António [mailto:jabs@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 22:49
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Fui um combatente da guerra do Ultramar ou guerra Colonial como queiram chamar para mim tanto faz, sei dizer que tive de ir até lá fazer o meu dever.

 

Gostei de ver o dito programa com muito respeito, mas é de lamentar de ainda hoje haver pessoas que entraram no debate com grandes patentes e estarem contra certos argumentos que foram ditos, enfim é de lamentar de haver pessoas deste calibre, a vida deve-lhes correr bem.

 

Lamento bastante que o assunto dos mutilados de guerra não estar resolvido.

 

Sempre ao vosso dispor

 

Um combatente da guerra Colonial ou Ultramar -  Moçambique 1969 a 1971

 

Um abraço

 

José António Silva

B.CAC 16 na Cidade da Beira entre Junho de 69 a Outubro do mesmo ano, depois B.CAC 15 em Mueda até Novembro de 70 por fim terminei a comissão na EAMM de Boane em Agosto de 1971.

Regressei à minha unidade na Metropole com o nome BRT (BATALHÃO DE RECOLHECIMENTO DAS TRANSMIÇÕES)  na Trafaria

 

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Augusto Gouveia de Sousa, C. Caçadores 3440 - Angola 1971/1973

 

De: augusto sousa [mailto:augustogouveia@iol.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 21:42
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Caros internautas e ex-combatentes esta modesta análise “roça” aspectos políticos mas não podemos desassocia-los da realidade.

 

O debate de ontem na RTP 1 no programa Prós e Contras serviu quanto mais não fosse para duas coisa.

A primeira é que decorridos todos estes anos ficamos a saber _ o que para muitos não era já segredo – que essa maldita guerra,  SÓ se tornou uma realidade porque um homem, sem a mínima noção da realidade político/social da época assim o quis. Ou seja, a guerra só foi feita, porque o velho ditador Salazar o entendeu.

Foi avisado pela PIDE e outros militares, mas, casmurro e teimoso qual avestruz de cabeça enterrada na areia, avançou para a guerra.

Esta foi uma constatação que ficou provada e que nenhum dos intervenientes pôs em causa.

 

A segunda ilação que se extraiu deste debate, foi a realidade nua e crua das sequelas das três frentes de guerra.

Mortos, e deficientes dos dois lados.

Os mortos que ficaram sepultados nas antigas colónias, esquecidos e ignorados pelos sucessivos governos do pós 25 de Abril de 1974.

 

Os deficientes desses novos países que lutaram em nome de Portugal, abandonados à sua sorte.

Os de cá, poucos menos de que abandonados, por uma Pátria que teima em não querer assumir a sua responsabilidade.

Ficou demonstrado até por um dos intervenientes Guineense, esse abandono e a sua revolta foi bem patente.

 

Foi reconhecido por todos esse abando e considerado unanimemente uma vergonha nacional, sendo inclusive afirmado que não é de todo impossível mesmo a um país como o nosso, fazer face aos encargos financeiros que esse reconhecimento acarretará, até porque, como foi afirmado, e é uma realidade, todos os ex-combatentes tem mais de 55 anos.

 

Serviu também este debate para alguns saudosistas talvez ainda sonhando com um império deixarem isso claro.

 

Pena que não fosse convidado nenhum governante.

 

Augusto Gouveia de Sousa

Companhia de Caçadores 3440

Angola 1971 1973

 

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António Pereira de Almeida, Capitão Mil.º - C. Cart 3503 (Mueda) e 3.ª C. / B. Caç 19 (Candulo/Niassa)

 

De: Antonio Almeida [mailto:a.p.almeida@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 16:35
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

O debate a que acabamos de assistir, pese as expectativas criadas, quanto a mim, falhou redondamente, pelo menos, num dos objectivos que deveria atingir, isto é, tranasmitir às gerações posteriores "à guerra" uma ideia de quanto se passou, melhor, quem foram os grandes responsáveis pela sua eclosão e prossecução.

O falhanço, repito, quanto a mim, do debate, como áliàs, tem acontecido, sempre que se pretende abordar a questão da "guerra", entre outros fica a dever-se à não participação de ex-combatentes milicianos, nas frentes de guerra.

 

António Pereira de Almeida

Capitão Miliciano

Cart 3503 - Mueda (de Outubro de 1973 até uma semana antes do 25 Abril)

3ª CCaç 19 - Candulo/Niassa (até Janeiro de 1975)

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Carlos Vardasca (O Braz, da Companhia de Caçadores 3309)

 

De: Carlos Vardasca [mailto:carlosvardasca@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 12:47
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: ENC: Re: guerra colonial no prós & contras RTP 1

Viva Companheiros

Devido ao interesse  de que se revestia e à coragem que pareceu existir por parte dos organizadores em se começar a abordar a questão colonial sem complexos, de facto também vi o debate no programa “Prós&Contras na RTP1. Quero vos dizer que as minhas expectativas foram goradas. Alguém nestes comentários disse que “qualquer um de nós faria melhor”, eu não iria tão longe, mas quase. Parece impossível que em pleno século XXI, ainda existam dúvidas se aquela guerra foi; Colonial; do Ultramar ou de África, ou de outra coisa qualquer que vierem a inventar no futuro, para tentarem minimizar ou ocultar a existência daquele conflito de trágicas recordações para quem nele participou.

Em minha opinião, aquele conflito tem toda a legitimidade em se denominar como Guerra Colonial, por razões históricas, que são abrangentes a qualquer conceito político, sejam eles de direita ou de esquerda, e que nenhum deles deve ignorar ou fingir que não sabe, por conveniência ideológica. É do conhecimento geral que aqueles territórios foram ocupados (qual descobertas qual carapuça) e que desde essa altura sempre houveram grandes lutas para que os Portugueses se conseguissem  instalar ao longo das suas costas, o que contraria as velhas ilustrações do livros da 4ª Classe onde se vêm os nativos em poses subservientes (quase que a beijar os pés aos navegadores que então iam chegando), quando na realidade, desde esses tempos que foram travadas grandes lutas contra as forças ocupantes (sempre com o clero a abençoar os massacres que então se foram desencadeando durante a ocupação colonial) e onde se notabilizaram grandes guerreiros  nativos de que a história fala muito vagamente. É claro que com a Conferência de Berlim (de 15 de Novembro a 26 de Fevereiro de 1885) a questão colonial se acentuou, com o esquartejar  do continente africano pelas diversas potências coloniais, ficando continente africano como se encontra hoje, como se fosse uma manta de retalhos, o que tem originado e sido a causa dos diversos conflitos de que nós todos temos conhecimento.

Portanto, carece de legitimidade dizer-se que o que aconteceu na Guiné, Angola e Moçambique (1961-1974) foi uma guerra do Ultramar “porque aquilo era nosso” (diziam) quando se finge desconhecer que a resistência ao ocupante inicia-se desde logo naquele período que nos impingiram na escola e que denominaram “descobertas”.

Quanto ao programa e aos seus diversos intervenientes, considero que foi muito pobre. Até da parte daqueles que se esperava uma posição mais esclarecedora, ficaram-se pelos termos técnicos, quase com receio em definir que tipo de conflito tinha sido aquele, abstendo-se de responder com factos históricos e documentais às provocações de um certo general de que não me lembro o nome, e que criaram a indignação por parte dos deficientes da Forças Armadas. Não fosse a intervenção do representante da FRELIMO, que me pareceu mais sustentada e esclarecedora, ficaríamos sem saber (se não tivéssemos vivido o conflito colonial) da luta heróica de libertação travada pelos povos das ex-colónias, uma vez que aquele embaixador e representante do PAIGC “não soube dizer nada” nem soube explicar porque foi preso pela PIDE nem explicou como deve ser as causas do massacre no Cais de Pidgiguiti em 1959.

Ficou claro que naquele debate ficou quase tudo por dizer, e que espero que o documentário a exibir na RTP ao longo de 18 episódios seja mais esclarecedor, pelo menos que faça lembrar aos que intencionalmente já estejam esquecidos, dos verdadeiros dramas que aquele conflito colonial provocou na sociedade portuguesa.

Por agora fico-me por aqui...haverá decerto muito mais para se dizer...

Um abraço solidário de quem sobreviveu

Carlos Vardasca

(O Braz, da Companhia de Caçadores 3309)

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Joaquim Ribeiro, ex- Furriel Mil.º de Cavalaria, da C.Cav 2691 / B. Cav 2909 (Angola,(Zemba, Cambamba, Mucondo,Grafanil (intervenção nos Dembos)) ABR70/MAI72

 

De: Joaquim Ribeiro [mailto:joaquimribeiro@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 12:00
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Caros ex combatentes, companheiros e amigos

 

Para mim, este debate foi uma vez mais uma desilusão.

Os intervenientes não representavam claramente os operacionais, os que na realidade davam o "corpo ao manifesto",à excepção do sargento comando guineense e dos nossos camaradas deficientes. Deu-se muito ênfase e discutiu-se demasiado sobre questões marginais, como por exemplo o nome pela qual era na época conhecida a guerra, não foi aflorado o verdadeiro sentido do conflito na óptica do combatente no teatro de guerra, as suas angustias, o futuro, a sua realidade como jovem.

Discutiu-se sim, e de forma clara, a visão política/pessoal de alguns intervenientes, o que ao fim e ao cabo, temos assistido ao longo destes trinta e três anos. Um facto positivo em todo o debate, foi o reconhecimento geral que a guerra não foi perdida no campo militar, mas sim no político.

Fico na expectativa que a série"guerra" do sr. Joaquim Furtado, esperando que este venha contribuir de uma vez por todas, com serenidade, sem faltar à verdade, baseado em factos reais e não absurdos, relatar o que foi o teatro desta guerra da qual fomos actores e protagonistas.

 

Saudações para todos os ex combatentes

 17/10/2007

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Jacinto Ferreira Gonçalves, Alferes Mil.º, B. Caç 1937, C. Caç 1804, Moçambique, de 11 de Outubro de 1967 a 15 de Dezembro de 1969

 

De: Jacinto Gonçalves [mailto:jacinto.go@gmail.com]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 2:34
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Debate

Não correspondeu, de todo, às minhas expectativas. Perdeu-se demasiado tempo a discutir "o sexo dos anjos", se guerra o Ultramar, se guerra colonial, ou qualquer outra coisa. Restou pouca paciência para assistir até ao fim. Aguardo com redobrada expectativa para assistir à série televisiva so "A Guerra Colonial".

 

Jacinto Gonçalves

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Inácio Silva - Blog "Relembrar para não esquecer"

 

De: Inácio Silva [mailto:inacio.silva@iol.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 22:41
Para:
Assunto: Comentários acerca do debate sobre a Guerra do Ultramar no Prós e Contras

 

Caros amigos e ex-camaradas:

 

Presenciei ao debate na RTP1, na passada segunda-feira (15-10-2007), sobre a Guerra do Ultramar, de princípio ao fim. Salvo as intervenções dos membros das associações de defesa dos ex-combatentes, o resto foi tudo "déjà vu": não vislumbrei nenhum interesse, em especial.

 

Um debate em que a maioria dos intervenientes são ou foram oficiais superiores ou generais, obviamente, só poderia versar sobre as questões belicistas ou político-belicistas. Estes senhores não têm contas a pedir ao Estado, porque, sendo do Quadro Permanente, viram todas as suas regalias satisfeitas, na plenitude. Onde estavam os milicianos e os praças? Provavelmente na plateia. Alguém lhes perguntou alguma coisa? Disseram de sua justiça? Nada!

 

Todos sabemos que as guerras deixam sequelas de vária ordem: pais que viram desaparecer os seus filhos, esposas, namoradas e amigos que viram partir os seus entes queridos, filhos órfãos de pai, muitos deles nem sequer chegaram a ver o progenitor...Cidadãos deficientes que, com muito esforço, sobrevivem, tentando integrarem-se o melhor possível na sociedade, na esperança de serem reconhecidos e apoiados pelo Estado e por ela. Muitos deles são activos e intervenientes e,  graças à sua acção, procuram que o seu presente e o futuro sejam passados com alguma dignidade.

 

O que é que interessa debater e resolver depois de uma guerra? Não será minimizar os danos e os traumas sofridos, tanto os de ordem material, como os de ordem afectiva, psicológica, moral, social e, até, de cidadania? Nenhuma sociedade viverá em paz consigo mesma se não entender, profundamente, esta realidade! Não é enterrando a cabeça na areia, como faz a avestruz, fazendo de conta que o que aconteceu nada tem a ver consigo que os problemas são resolvidos...

 

E o Estado Português, representado pelos Órgãos de Soberania, órgãos estes titulados por cidadãos eleitos pela referida sociedade, o que tem feito? Mais de trinta anos decorridos desde o fim da guerra (colonial, do ultramar ou de libertação, como queiram), os ex-combatentes lamentam, diariamente, o divórcio do Estado, relativamente às consequências danosas, de vária ordem, a que foram sujeitos e estão sofrendo na pele, por terem sido OBRIGADOS a combater em territórios que, na altura, os responsáveis por este Estado, entenderam classificá-los como "Províncias Ultramarinas" e, consequentemente, fazendo parte do espaço português!!!

 

A guerra nunca será esquecida, pelo menos por aquelas que a protagonizaram ou por os que, para ela, foram empurrados. Seria bom que os tais cidadãos, eleitos democraticamente, representantes dos Órgãos de Soberania não agissem com hipocrisia, isto é, reconhecessem o esforço, o sacrifício, a privação, o medo, a dor, a doença, a deficiência, a morte, a perda de empregos, o atraso ou a interrupção dos estudos, enfim, uma panóplia de prejuízos de valor incalculável, e reconhecessem em Lei, perante a sociedade que representam - antes que os ex-combatentes morram - que é necessário eliminar, de uma vez por todas, estas nódoas da guerra, que teimam em eternizar-se...

 

Se tal não for feito, os ex-combatentes morrerão com a mágoa de terem combatido, em vão, sem o reconhecimento devido, do Estado, a quem serviram. Mas os políticos, titulares dos Órgãos de Soberania, eleitos pela sociedade de que os ex-combatentes são parte integrante, jamais repousarão em paz e serão, sempre, considerados, mesmo pelas gerações vindouras, como políticos incultos, insensíveis, autistas e hipócritas.

 

Em conclusão: como ex-combatente, não me revejo nesta forma de fazer política. Desejo que fique claro que os políticos a que me refiro são todos os que Portugal, infelizmente, teve depois da instauração da democracia

"sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade". Sou democrata e não sou possuído por nenhum sentimento passadista ou saudosista. Mas fico indignado e triste por assistir a tanta indiferença e insensibilidade...

 

Cumprimentos a todos.

 

Inácio Silva

 

Veja o blogue "Relembrar para não esquecer" http://guerracolonial.blogs.sapo.pt

 

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J. Cabral,  ex-Fuzileiro - Guiné

 

 

De: Jaime Gamboa [mailto:jaime.gamboa@tcontas.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:17
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

 Meus Caros Camaradas de Armas e Combate,

 

-  Desiludido, uma pobreza de programa  (!....),  uma grande decepção ( !...),  quando sabemos que a Dr.ª Fátima Campos Ferreira quando se prepara domina, não foi

    o caso !  Não quis. Percebeu-se.  Perdeu o programa !   "Vazio" - Guerra do Ultramar ?!  Colonial?!  África ?!  Tinha objectivo ?.   Sim.

 - O painel envergonhava, apesar de haver lá uma cabeça, mas que puxa para um ultra "lado" !!!!!   Que pobreza.  Sinceramente.

 - Os nossos Militares do Quadro, quase todos, que pena, fazem dó!   Apesar de muito agradecido lhes estar por me terem conduzido à Democracia.

  - O Senhor jornalista Furtado (....) : O Sr. jornalista Furtado , após tanto elogio da Dr.ª Fátima,  "explicou" quiz explicar, não sei porquê e para quê o porquê do título do filme : Guerra do Ultramar  blá  blá  blá, Guerra Colonial  blá  blá blá,  Guerra de África blá blá blá,  não,  "por isso resolvi  - Guerra  -"  !!  Muito bem. 

   Que conversa vã.

   A coincidência do programa (precipitado), com a promoção da série televisiva, para o dia seguinte....., é de mais !!!!   Tenham dó.

    Um Parêntesis : (  (*) No final das emissões todas (  em 2008), esperemos que ponham,  depressa, à venda ( vai dar boa massa) a série televisiva, para comprarmos, depressa e de uma vez só, os DVD e oferecer, depressa, aos nossos filhos e netos, para se "deleitarem"  a ver os seus pais e avós a pegar fogo nas tabancas com mulheres crianças e velhos a fugirem, a  morrerem, cabeças espetadas em paus, a malta a atacar e a ser atacada, berros, gritos, horror, terror, fugir debaixo de fogo a morrer a ficar  ferida, as evacuações, os  helicópteros os aviões FIAT,  os helicanhões, tiros , granadas, bazucas,  rajadas, as emboscadas, minas, pernas esfaceladas, os golpes de mão, os prisioneiros, as torturas, , os combates,  os massacres as bombas, os bombardeamentos aos quartéis, a fome,  a sede, o cansaço, a ira, a raiva, o ódio, o medo a coragem, o descontrolo, o pânico, a inconsciência, aresponsabilidade  pesada, a irresponsabilidade, a maluqueira, o poder, o despudor, as qualidades, as incompetências, o desprezo de muitos responsáveis pela vida dos seus e dos outros, o sofrimento a dor, os caixões etc, enfim o inferno em terra.  E nós, nós vamos explicar os filmes,  tintim  por  tintim, o que  fizemos e como fizemos !!!!!!!!!......) 

 

    É isto que querem, puxar a raiva, ressentimentos, ódios dor e doença. Pôr ácido em cima das feridas e pô-las a arder mais ainda. Haja juízo.  Basta. A Liberdade

    não é isto nem para isto! Respeitem-nos e deixem-nos tranquilizar a cabeça, caramba. Respeitem os pais e filhos dos Veteranos, sobretudo dos que morreram.

   Chega. Não chateiem a gente. Respeitem os Povos de Angola, Guiné e Moçambique. Eles gostam de nós e nós deles. É um facto. É só lá ir

   Preocupem-se em chatear quem nunca olha, ainda não olha e nunca  OLHOU, e continua a não querer olhar para nós. TODOS.  

   RTP, Coragem. Coragem Dr.ª Fátima Campos Ferreira. Agarrem um programa a sério, só para, em público,  OBRIGAREM  Governantes e Deputados  a  respeitarem  os ex-combatentes e a eles próprios e a Instituição - Liberdade - a que o 25 de Abril, que os ex-combatentes também consubstanciaram, lhes deu acesso.(1)

    Querem programas da realidade Ultramar/Colónias / África, façam-no. Sr. jornalista Furtado, sem mostrar a violência da Guerra (dos dois lados) que é o mais hediondo dos actos.

   Querem ver filmes de Guerra - quem gosta -, vão ao Video-club e aluguem filmes do Vietnam, mas estes são com actores de cinema.  

 -  No programa de ontem, para falar  desta Guerra, à parte dos SALAZARES,  a  Dr.ª Fátima - conhecia e sabia tudo o que estava e esteve por trás da Guerra,   durante e  pós, quer  no contexto nacional quer Internacional ! Não conduziu a entrevista!   

  O nosso País era o que era, uma tristeza. Os Governantes outra.

  Nós, os que não podíamos fugir ou não sabíamos ou não queríamos, só tínhamos a Guerra, a Pide,  a prisão ou a deserção/refractário, até ao 25 Abr, e as vidas a   andarem sempre para trás, sem expectativas. Isto  mostra a guerra sem tiros , sem prazer mórbido  

   - Os nossos Veteranos  fizeram tudo e só o que lhes mandaram  e porque os mandaram, mas fizeram  e de que maneira, apesar de tão mal tratados que eram e por  quem, e continuam a ser.  Regressaram os que regressaram para logo emigrarem. Era o que o País nos oferecia, Guerra e fome.

   

 (1)-"Conhece-se uma Nação pelos homens que criou, mas também por aqueles de quem se recorda e venera." - J. Kennedy.  " O carácter de uma Nação vê-se pela forma como trata os seus Veteranos"- Churchil. )

 

  - A merecerem o nosso maior destaque, estavam os nossos queridos Veteranos camaradas deficientes, com elevadíssima dignidade, uns SENHORES e que são os mais merecedores do nosso maior respeito e de todo o País. Foram o programa. Revejo-me na sua luta, porque continuam a querer esquecê-los e a todos nós (1)

 

- Quanto aos (*) "filmes" - série televisiva - dispenso obrigado, .  Gostava muito que os meus filhos não o vissem. Eles sabem que o pai fez  a Guerra e ainda está nela, infelizmente. O parentesis (*) que fiz é um alerta. Não revivam o Inferno.

 

Sejamos muito respeitadores dos nossos portugueses Veteranos que combateram  e dos povos de lá e de cá.

J. Cabral

Fuz.º  (1970/72)

Guiné

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Carlos Gouveia, ex-Soldado da Companhia de Cavalaria 2752

 

De: Carlos Gouveia [mailto:cargouveia@t-online.de]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:13
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Caros amigos e Camaradas

 

Vi com muita atenção o programa Prós e Contras transmitido no dia 15 embora tenha sido bastante tarde para mim visto eu viver na Alemanha e aqui ser uma hora a mais que em Portugal, o entusiasmo foi tão grande que me levou estar a ver televisão até  cerca das três horas da manhã.

Este tema na minha perspectiva não trouxe nada de novo até que a discussão dirigida pela jornalista Fátima Ferreira, não deu oportunidade aos ex militares presentes e que eram muito, esses sim talvez tivessem muito a contar pelo sofrimento que tiveram mas não, apenas foram entrevistados os Senhores Coronéis e Generais os mesmo que iam para o Ultramar quase voluntários com regalias formidáveis ordenados chorudos e com mais uma promoção garantida no fim de cada comissão.

Alguns desses presentes, e outros a guerra colonial foi um poco e ouro onde ganharam bons ordenados, enquanto que os ex.militares presentes, aqueles que deram o corpo ao manifesto, o que  ganharam eles? Eu vi-os ontem e vocês também, estou a referir-me a esses bravos ex.soldados que ficaram feridos para toda vida e abandonados como (cães) desculpem-me esta expressão, hoje ninguém se lembra deles é um escândalo uma vergonha, esses bravos homens que combateram nas Colónias defendendo o que não era deles mas sim uma Colónia Portuguesa.

Voltando a mesma entrevista, é fácil falar-se hoje e dizer que a guerra foi injusta e que o Salazar foi o culpado.

Finalmente. Falando dos tais chamados Retornados ou Desapropriados, não terão  sido alguns desses senhores que durante muitos e muitos anos exploraram os indígenas até que depois enfim revoltaram-se  ajudados por outros mais inteligentes porque os macondes ou macuas de Mocambique nada sabiam de independência e muito menos de guerra  apenas se contentavam com a farinha que ou cantineiros a troco de cereais e outras mais valias lhes davam como pagamento.

Eu estive em Moçambique fazendo parte da Companhia de Cavalaria 2752/BCAV.2923,estive na Serra do Mapé em Macomia e sofri na pele, o que não desejava a ninguém assim como os meus camaradas tudo do mais desumano possível porque para alguns senhores oficiais havia tudo, para nos (carne para canhão), nada havia enquanto nos bebíamos água do rio Messalo esses Senhores bebiam água engarrafada, e vem-me então agora para a televisão fazer de Madalena Arrependida. Muito mais havia para escrever mas fica  para outra oportunidade.

Agradeço do fundo coração a toda a  liga dos combatentes que muito tem ajudado e continuam ajudar, a todos Muito OBRIGADO

Carlos Gouveia

Ex.Soldado da

CCAV 2752

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José Carmindo Vigário dos Santos - ex-Furriel Mil.º, da C.Caç 2359, integrada no B. Caç. 2842, que esteve em Moçambique no período de Abril/1968 a Junho/1970

 

De: José Carmindo Vigário dos Santos [mailto:vigario.santos@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:00
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Pr�s e Contras 15OUT2007

 

Fiquei surpreendido, mais pela negativa do que pela positiva, isto porque me pareceu que não foram abordados os verdadeiros problemas porque passamos nós os milicianos e soldados, bem como algumas das excepções dos militares do quadro permanente.

Vou apenas abordar uma das questões, que levou a que aquela guerra nunca pudesse ser vencida. Fiz parte «como furriel miliciano» da Companhia de Caçadores n.º 2359, integrada no B. Caç. 2842, que esteve em Moçambique no período de Abril/1968 a Junho/1970, mais concretamente no norte do Distrito de Tete «Vuende – Furancungo- Vila Gamito – Bene – Têmboa, entre outras localidades.

Quando parti da metrópole «era assim que se dizia ao tempo», tal como quase todos os milicianos e soldados e cabos , estava convencido da verdade dos motivos que nos levavam para aquela terra, deixando para trás os familiares, mas chegado a Lourenço Marque « hoje Maputo», logo verifiquei da mentira ao tomar conhecimento  «in loco» do regime quase de apartaid. Que ali se praticava, com algumas raras e honrosas excepções.

Mas o mais grave  que isso pude constatar no interior daquelas regiões, mato e mais mato, onde os cantineiros « comerciantes portugueses que vendiam tudo, incluindo medicamentos» exploravam os negros até ao tutano « exemplos o sal era vendido ao preço do ouro, os trabalhadores agrícolas, trabalhavam o ano inteiro na cultura do algodão « cultura predominante da zona» e no fim do ano ao fazerem as contas ficavam sempre a dever dinheiro à companhia algodoeira, que apenas se limitava a lavras as terras e fornecer as sementes, outros eram espancados após a época das culturas, para não lhe pagarem os míseros ordenados – era comum ver os alfaiates a trabalharem nas varandas das ditas cantinas, nas mesmas condições dos outros trabalhadores.

cantineiros, alguns dos quais não conheciam uma letra do tamanho de um palácio mas que eram gente grande na terra ,que eram protegidos por alguns capangas, e que jogavam com ambas as facções « militares portugueses e da frelimo» . etc. etc……..

Recordo uma vez quando entreguei numa povoação um saco de 30 kg. de sal, para seu consumo « aquela gente tinha tudo para viver menos o sal», quase me idolatravam, posteriormente faziam visitas ao quartel para  presentearem a nossa furriela vigário « era assim que me chamavam», com cabritos, cucos «galinhas», porcos e até um bovino. Pobres dos negros que causticados pelo regime, sabiam reconhecer aqueles que lhes fazia bem.

Esta era uma das razões porque a grande maioria dos ditos cantineiros não gostarem da permanência do exército português junto deles, estragava-lhes o negócio.

Histórias destas quase todos os militares que como eu serviram o país como carne para canhão, verificaram e que contribuíram e de que maneira para o desfecho final, com erros como tudo na vida, mas desafio muitos dos críticos da nossa praça a justificarem porque por várias maneiras e feitios, tudo fizeram para  não embarcarem .

Para terminar posso garantir que não foram os guerrilheiros da frelimo, que mais problemas nos criaram, mas sim aqueles intrusos , que se dedicavam de forma  sistemática  e gananciosa, à exploração dos negros para depois aparecerem na metrópole, como heróis.

Não posso nem devo generalizar, porque reconheço que como tudo na vida, também lá no mato havia gente honesta, mas coitados não saíram da cepa torta.

Mas meus amigos ou eu, estou errado ou tive o azar de ter  verificado aquelas situações, ou então o mundo está distorcido, por aquilo que ouço de muita boa gente.

José Carmindo Vigário dos Santos

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António Pires – Ex-Furriel Milº. de Infantaria – Norte e Leste de Angola (1972/1974 )

 

De: Antonio Pires [mailto:barbaspires@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 16:58
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate Prós e Contras em 15/10, na RTP1 sobre a Guerra do Ultramar

 

Caros Companheiros

 

Sinceramente, depois de tanta publicidade, esperava mais e bem mais do debate.

Os aspectos negativos começam logo pelos intervenientes seleccionados pelos realizadores do programa. Continua a apostar-se nas opiniões de quem na realidade, não sofreu as agruras reais da guerra. O Dr. Jaime Nogueira Pinto é um estudioso do tema, tudo bem, mas não participou na guerra.   Pareceu-me que o Cor. Matos Gomes é um historiador e está bem documentado. Mas será que isso é suficiente? Para mim claramente que o não é. Quando ele, em determinado momento do programa, desdenha dos milicianos pois estes "… se limitavam a fazer uma comissão de dois anos, enquanto os do quadro permanente faziam comissões seguidas…" limita-se a confirmar que para ele a guerra não passa de tomadas de decisão em gabinete, pois era, com honrosas excepções, o que os militares do quadro permanente faziam. 

Tanto ele como os restantes, parecem ignorar que os sargentos e oficiais do quadro, ou estavam nas cidades, muitas vezes acompanhados da mulher e filhos ou, no pior caso, em quartéis no mato de onde não saíam. Nós, milicianos, os verdadeiros combatentes, costumávamos chamar-lhes "aramistas", pelo facto de estarem sempre dentro do arame farpado. Antes de ir cumprir o meu serviço militar obrigatório, tive oportunidade de conhecer por motivos profissionais, imensos desses senhores, "cansados da guerra" que metiam "cunhas" para serem escolhidos para nova comissão.   

Os outros convidados são meros teóricos e/ou fazedores da opinião pública. Alguns deles dizem-se ex-combatentes mas vê-se que nunca estiveram debaixo de fogo, ao contrário do sargento dos Comandos Africanos, esse sim combatente em toda a acepção da palavra.

É vergonhoso a forma como alguns dos presentes, tentaram confundir este homem relativamente à sua nacionalidade. Creio que ele é mais português do que a maioria dos que o tentaram enxovalhar!

Como é alguns dos presentes podem indignar-se, com a forma como o estado português trata os ex-combatentes, se eles estão bem na vida graças ao sangue, suor e lágrimas, vertidos por esses mesmos milicianos de quem eles desdenham?

No debate onde é que estavam os representantes dos que fizeram a guerra no terreno? Onde é que estavam os homens do SMO? 

Espero que o trabalho do jornalista consiga superar estes preconceitos.

Realmente basear uma história em quem na realidade não participou activamente nela, é apenas perder mais uma oportunidade de dar a conhecer a realidade nua e crua dessa guerra que todos parecem querer meter debaixo do tapete. Se o anterior regime o fazia o actual fá-lo ainda com maior acuidade. Provavelmente por muitos dos responsáveis actuais terem sido refractários ou desertores.

Já repararam que o país está cheio de monumentos aos combatentes da 1ª. Grande Guerra e quase não existem aos que combateram na Guerra do Ultramar?

No entanto esta última durou mais e causou mais vitimas que a outra. Dá para perceber?

 

Com a descolonização fechou-se um ciclo da história de Portugal.

Não será tão cedo que Portugal viverá momentos tão gloriosos.

Provavelmente nunca mais acontecerá.

Na história do universo cada nação parece ter um momento de glória. Nós vivemo-lo entre os fins do século XIV e os do século XX. Tudo na vida tem um princípio e um fim. Em minha opinião foi pena este ciclo, que tinha de mesmo de acabar, ter sido encerrado da forma vergonhosa como o foi. 

Agora resta honrar aqueles que se bateram e tudo deram,  em alguns casos a própria vida,  à sua pátria.

 

Cumprimentos

António Pires

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Salvador Silva, Ex- Cap. Milº. Comandante Regional de GE's no Niassa - Comando do Sector A (Vila Cabral) Julho/1973 a Dez./1974

 

De: Salvador Silva [mailto:salvador.silva.2@netvisao.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 16:29
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Caríssimos:

 

Subsescrevo inteiramente o que diz na sua mensagem o Ex- Alf.Milº. Victor Baião. É caso para dizer que me tirou as palavras da boca. 

Acrescento, no entanto, qu estou curioso de conhecer a série A GUERRA... que hoje vai começar na RTP, mas pela intervenção que ontem ouvi ao seu autor (Joaquim Furtado) ponho em dúvida o grau de isenção da mesma. Veremos...

Como este "site", não estou aqui para justificar ou denegrir as razões da Guerra, mas gostaria de ver este país a assumir o seu passado recente e a não ter "vergonha" da geração que tanto sacrificou e tão mal tem tratado.

Quero ainda confirmar a minha grande admiração pela intervenção do representante da Assoc. dos Deficientes das F.A., mas lembrar-lhe que também devem olhar para dentro e  limpar o  mau que também por lá há.

Saudações Amigas

Salvador Silva

 

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Rui Pedroso Neves, ex-Alferes Mil.º da C. Caç 3310 / B. Caç 3834, no Sector de Mueda - no destacamento de Omar perto do Rio Rovuma Moçambique 1971/1973

 

 

De: Jazzpress [mailto:jazzpress@gulbenkian.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 14:50
Para: opinioes@rtp.pt; pros.contras@rtp.pt
Assunto: PRÓS E CONTRAS

 

 

Boa tarde.

 

Sou Rui Pedroso Neves que participou na Guerra Colonial/Ultramar de 1971-73 como Alferes Miliciano da Comp. Caçadores 3310, Bat. Caç. 3834 no Sector de Mueda, Moçambique, no destacamento de Omar perto do Rio Rovuma e da linha de infiltração Kilido onde a Frelimo fazia entrar os seus equipamentos e pessoal vindos da vizinha Tanzânia, muito apoiados pela China.

A minha Companhia teve 14 mortos em combate, 7 em emboscadas e 7 por accionarem minas. Fomos a 3ª Companhia da Guerra de Moçambique com mais baixas, um score que fala por si.

 

Vi, hoje, em diferido na RTP multimédia, a 1ª parte do programa Prós & Contras e, devo dizer, que notei a ausência de verdadeiros operacionais da época com consciência política e experiência suficiente para dissertar com credibilidade. Vi, sim, oficiais superiores caducos a defenderem pontos de vista completamente fora da realidade, vi um guerrilheiro (que tinha sido enfermeiro) a dizer a cassette e um embaixador da Guiné com manifestas dificuldades de comunicação mas, que, não deixou de dizer que a consciência, na época, não era lá muito a de se libertarem da colonização.

 

A nossa consciência de jovens oficiais arrebanhados para irem à guerra originava duas opções: ou se desertava (mais fácil), ou se alinhava. Desertar era mais fácil pois havia muitos países abertos a receber, quer refractários, quer desertores e muitos ficaram a residir nesses países. Como oficiais com formação universitária, alguns de nós, de tendências esquerdistas e que alinhavam, tinham a consciência que a solução não era prosseguir a guerra mas sim, no terreno, controlá-la e, mesmo, sabotá-la. Por exemplo, como ex-oficial, posso dizer que falseávamos relatórios de operações. Na minha Companhia chegámos mesmo a retirar o poder administrativo dos sargentos que, como muitos, desviavam dinheiro na gestão da Unidade. Corrupções deste género não eram raras e todos se lembrarão do caso do Major Valentim Loureiro que foi suspenso da carreira militar e, mais tarde, reintegrado depois do 25 Abril, uma ironia, precisamente porque na sua posição de oficial de Administração Militar, tinha a faca e o queijo na mão. Era, na verdade, muito fácil, golpear o sistema, pois a maior parte dos oficiais superiores estava farta da guerra onde não se vislumbrava solução. Pessoalmente, tinha conversas com o meu Comandante de Batalhão sobre este assunto, pois um militar de carreira não se importa de ir para a guerra, quer é que ela tenha um princípio e um fim e o fim da Guerra Colonial não se vislumbrava de todo. Mais: o apoio logístico e operacional era deplorável.

 

Cheguei a Moçambique em Março de 1971 - depois de uma viagem de 21 dias no navio Niassa com dois Batalhões a bordo, 1.500 pessoas, os soldados a viajarem em condições infra humanas nos porões, tal como gado - no rescaldo da Operação Nó Górdio, planeada pelo General Kaúlza de Arriaga, um ultra do regime e que até era um óptimo estratega e que, quando a imaginou, era para ganhar. Quando o general solicitou mais dinheiro ao poder central para terminar a operação, foi-lhe recusada a pretensão, pois, era uma ameaça para Marcelo Caetano. Kaúlza de Arriaga era ambicioso e inteligente e não custa imaginá-lo 100% vitorioso no terreno e a tentar tomar, de seguida, o poder em Lisboa. A Frelimo estava quase desfeita no terreno, contudo com os seus quadros intactos, mas, a sua derrota esteve eminente.

 

No vosso programa notei a discussão em torno de Guerra Colonial e Guerra do Ultramar, mas ninguém fez notar que a dicotomia de Esquerda/Direita na época, era bem definida e não como agora, que está diluída. Assim como, também ninguém se referiu à situação particular de Angola onde nasci em 1948. Ir para Angola, estabelecer-se e fazer uma vida, não era para todos. Eram pessoas escolhidas com emprego assegurado e, sobretudo, aqueles que não sendo activistas de Esquerda, eram assim mantidos afastados, caso de meu pai que trabalhou na ex-Diamang, Companhia de Diamantes de Angola, de 1945 a 75. Na verdade, em Angola, os tentáculos da Pide eram mais ténues. Em Angola, quando o MPLA se constituiu, englobava poucos negros, bastantes mulatos e alguns brancos que sustentavam a Independência negociada mas mantendo uma relação próxima com a ‘Metrópole’. Nada disto Salazar contemplou, nascendo assim o movimento armado. O novo regime do 25 de Abril, feito por oficiais descontentes com a Guerra Colonial/Ultramar, um golpe de Estado, despachou à pressa a independência, originando a guerra civil com os resultados que se conhecem, ou seja, um tremendo erro histórico que permitiu todo o tipo de corrupção e a depauperação de um povo cuja terra é das mais ricas do planeta. Em 1974, a guerra em Angola estava circunscrita a pequenas zonas no Leste e a Unita fazia jogo duplo com o colonizador atacando o MPLA que se enfraquecia cada vez mais.  

 

Vivemos um tempo em que, finalmente, podemos historiar este assunto.

Elogio, naturalmente, o vosso trabalho, bem como o de Joaquim Furtado.

Contudo, a ausência de testemunhas mais credíveis é o que lamento.

 

Ser-vos-ia interessante visitar o site dos ex-combatentes http://ultramar.terraweb.biz pois aqui se depositam memórias daquilo que mais ficou em nós, malgré tout, o espírito de corpo e de irmandade que nos une para sempre, independentemente de se ser a favor ou contra.

 

Cordialmente,

Rui Pedroso Neves

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José António de Albuquerque Dias – Alf. Mil. 09113667 da C. Caç. 3310 / Bat. Caç. 3834 - Moçambique – FEV71 a MAR73 – OMAR e TOMA DO NAIROTO.

 

De: Jose Antonio de Albuquerque Dias [mailto:albuquerquedias@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 11:11
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras15OUT2007

 

Camaradas,
Nunca esperei nada de especial deste programa, porque ninguém  está preparado para enfrentar de repente e quase de improviso um tema desta natureza ...
A areia do tempo e a máquina ideológica instalada vão apagando as memórias e os argumentos vão-se desvanecendo e estreitando.
Resta (ainda) algum tempo, mas já muito curto, para conseguir demonstrar uma traição que se instalou e enraizou no quotidiano cultural dos portugueses de hoje.
Penso que devemos estar todos melhor preparados para aproveitar as raras ocasiões que como esta possam surgir.
Enorme abraço para todos !

José António de Albuquerque Dias – Alf, Mil. 09113667 da C. Caç. 3310 / Bat. Caç. 3834 - Moçambique – FEV71 a MAR73 – OMAR e TOMA DO NAIROTO.

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Vítor Baião, ex- Alferes Mil.º de Infantaria, C. CAÇ. de Mocimboa da Praia / C. CAÇ. de Vila Cabral (1966/1970)

 

 

De: Vitor Baião [mailto:vic.cristovam@netcabo.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 2:37
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007

 

Meu Caro Amigo

 

Acabei agora de ver o programa.

Para ser franco não gostei.

Do painel só dois elementos estavam preparados para discutir o assunto o Cor. Matos Gomes e o Dr. Pinto, com versões antagónicas dos acontecimentos.

Os representantes da Guiné e de Moçambique apresentaram posturas diferentes, reconciliadora e pragmática o primeiro, conflituosa e pouco esclarecida o de Moçambique.

Nos militares (do quadro permanente) continuam as clivagens. E nos técnicos a sua linguagem codificada dificulta a compreensão.

Salvaram-se, em minha opinião, os representantes dos deficientes e o sargento mil. guineense.

Quanto aos representantes dos espoliados muito ficou por dizer.

O jornalista, autor da nova série sobre esta temática que vai para o ar a partir de amanhã, divulgou parte do seu trabalho e opinou sobre a temática com base nos depoimentos recebidos. Esperamos que os 18 episódios contem uma história verdadeira do que foi a gesta portuguesa nestes 13 anos de Guerra.  

Enfim considero que o debate sobre a Guerra (de África, Colonial ou do Ultramar) defraudou as minhas expectativas.

Faltou-lhe a intervenção, o vigor, a paixão, o empenho, o improviso e a frontalidade dos milicianos autênticos peões desta verdadeira gesta portuguesa que não devemos olvidar.

Um abraço do

Vítor Baião

Oficial Mil. de Infantaria

CCaçMPraia; CCaçVCabral

Moçambique 1966/1970

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