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LC123728,
um veterano e colaborador deste site
-----Mensagem
original-----
Enviada: segunda-feira, 19 de Novembro de 2007 17:23
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: O Terrorismo, sem artifícios linguísticos.
Reaberta que foi de
forma indecorosa a caixa-de-pandora-anticolonialista – e
mercantilista! –, será talvez o momento de proporcionar
aos visitantes da s/página (e respectivos items, como
por exemplo "A Guerra") umas quantas verdades
incontornáveis (como "eles" dizem agora), relativas aos
iniludíveis malefícios do terrorismo, politicamente
maquilhado na linguagem amaciada de "movimentos de
libertação", o qual – no que a nós portugueses afectou
(afecta) – ficou amplamente descrito e ilustrado em
livro acessível através do link
http://www.dokkumenta.com/AngolaOsDiasDoDesespero/index.htm
Saudações,
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Manuel Araújo, da C. Caç 3496
(1972/1974) Moçambique - Negomano (Rio
Rovuma) e
Chinguinhene (Manica)
-----Mensagem
original-----
De: araujoleao@sapo.pt [mailto:araujoleao@sapo.pt]
Enviada: quarta-feira, 24 de Outubro de 2007 16:21
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras 15OUT2007
Neste "tu cá tu lá"
da guerra, há muitos "clientes do Café Capri", muitos
"Administrativos", muita gente do "ar condicionado",
muitos que nunca comeram a ração no mato e muitos que
nunca cheiraram o trotil. Á partida estes programas são
muito bons para os tais "papagaios" com muito tempo de
lazer a começar pelo jornalista Furtado que me parece
também nunca foi tropa (?).Veremos o resto que virá a
seguir !
Manuel Araújo
CCAÇ 3496 (72/74) -
RMM
Negomano (Rio Rovuma)
Chinguinhene (Manica)
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Informação de LC123278: "A
Guerra do Ultramar", em Nova
Frente,
"Mudança
de Planos", de Pedro Guedes, e "A
guerra e o «Prós e Contras»", do
TCor Brandão Ferreira
(para visualização dos conteúdos clique
nas palavras sublinhadas)
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Barreira Mendes - Ex. Fur. Mil. C.Caç. 1480 -
Moçambique (Mueda / Sagal / Montepuez)
De:
Barreira Mendes [mailto:barreira.mendes@netcabo.pt]
Enviada: segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
17:42
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Barreira Mendes - Ex. Fur. Mil. C.Caç. 1480 - Moçambique
( Mueda/ Sagal/ Montepuez)
Caros ex. combatentes, companheiros e amigos
Vi o debate no passado dia 15 de Outubro e como já
esperava foi uma desilusão. Não trouxe nada de novo.
Pouco mais quero acrescentar ao que disse o nosso
companheiro, ex. Fur. Mil. António Pires, a não ser
confirmar que a maior parte da guerra foi suportada
pelos milicianos, quer fossem, oficiais, sargentos ou
praças. Apesar de "só" fazermos dois anos de comissão em
África, conforme um oficial do quadro disse nesse
debate, fizemos mais km no mato, que muitos deles em 4
ou 5 comissões. Para eles ficavam a maioria dos
louvores.
Mas se já antes pouco esperávamos dos governantes,
presentemente também pouco podemos esperar. Depois de
termos gasto saúde e energia, alguns de nós agora
deficientes vamos sentir na pele a retirada de alguns
benefícios fiscais que até agora tínhamos direito.
Um abraço a todos os ex. combatentes
Barreira Mendes
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Francisco Dores - Ex-Fur.Mil C.CAÇ 3554 / B.
CAÇ 3886 -Moçambique - Mecumbura / Nura / Milange
19972/1974.
De:
Francisco Mota [mailto:franciscomotadores@gmail.com]
Enviada: sábado, 20 de Outubro de 2007 14:25
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate " Prós e Contra " Guerra do
Ultramar, colonial ou de Libertação
Gostei do programa, mas, perdeu-se muito tempo em
discutir "Guerra do Ultramar ou Guerra Colonial".
O que é que a nós Ex-Combatentes, isto, nos diz ?
Nada, digo eu. Que há feridas abertas, HÁ e MUITAS.
É GUERRA e mais nada, e, foi feita por nós contra a
nossa vontade.
Agora o 1º Episódio de "GUERRA", foi uma LIÇÃO DE
HISTÓRIA, e eu espero pela próxima AULA.
Assim dá gosto ver Televisão e pode-se afirmar que isto
é SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO.
Em conclusão o meu grande apreço ao trabalho do Joaquim
Furtado.
Aguardo os próximos episódios.
Francisco Dores
Ex-Fur Mil.
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Inácio Nogueira, ex-Capitão Mili.º,
Comandante da C. Cav 3487
De:
Inacio Nogueira [mailto:inacionogueira@netcabo.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:24
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Um debate adiado. Nem
prós nem contras. Uma sessão inerte, aqui e ali
conflituosa e a deixar transparecer os antagonismos
ainda existentes entre quem considera que o 25 de Abril
foi fruto de constrangimentos corporativos ou de opções
políticas conscientizadoras da mudança que se requeria
para Portugal.
A representatividade
dos ex-combatentes não foi cuidada. No painel,
ex-oficiais do quadro, com discursos muito difusos,
generalistas e pouco esclarecedores - e mais um - sempre o
mesmo, sinceramente já estamos fartos das suas teorias e
da sua verborreia repetitiva e estafada. Não se podia ter
escolhido um ex-combatente miliciano para o painel?
Na plateia
visualizámos as mesmas caras de sempre e uma ampla
representatividade de deficientes das Forças
Armadas. Pareceu-me bem esta última opção. É preciso
mostrar ao país, sem peias, as consequências da guerra,
para que se possa educar para a paz. Quanto às caras, é
tempo de dar voz a outras fisionomias, às organizações
de ex-combatentes em concreto, o que não foi
feito. Perdeu-se uma boa oportunidade para mostrar o que
era há quarenta anos um combatente obrigado a sê-lo, e o
que é hoje, já que acarreta uma história de vida
fustigada pela guerra. Depois, as escolhas feitas para
mostrar ao país os nossos adversários de então, foi
inverosímil e insucedida. Os dois representantes pouco
disseram, nada acrescentaram e mostraram-se crispados.
Má escolha.
Um mau debate, sem
ideias e com peias. Assim Não, Dra!...
Inácio Nogueira
ex-Cap Mil CCav 3487
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José Lessa,
Enfermeiro da Companhia de Caçadores 3513, Quiende /
Angola
De:
Gresilva - José Lessa [mailto:joselessa@gresilva.pt]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
15:45
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Para ser franco, só tive paciência para ver cerca de uma
hora o programa.
Durante essa hora disseram-se banalidades e procurou-se
saber o “sexo dos anjos”.
Guerra Colonial ???
Guerra nas províncias Ultramarinas???.
O
que eu gostava que ali fosse tratado era o problema dos
Companheiros com Stress de Guerra.
A
reforma miserável que deram aos antigos combatentes.
O
abandono a que estão entregues muitos ( para não dizer
todos) Ex. Combatentes.
O
abandono do Ex. Combatentes pelas famílias, etc etc.
Por tudo isto o programa foi desmotivante e eu preferi
ir dormir porque no dia seguinte tinha que trabalhar.
Felizmente tenho uma família.
Felizmente não sou “stressado de guerra” o que não
impede de ainda acordar por vezes “alagado em agua” com
sonhos que tenho…
Mas todo o mal seja esse.
Orgulho-me do trabalho que fiz em 27 meses de Angola, a
minha arma era a seringa que tanto tratava companheiros
como aldeões de cor. Nunca dei um tiro…nem para caçar.
Nada me mói na consciência, se algo de errado fiz, foi
beber, beber muito para que o tempo passa-se depressa,
felizmente não fiquei com mazelas infelizmente muitos de
nós não podem dizer o mesmo.
Um abraço para todos e que a vida seja benevolente com
todos.
José Lessa
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Francisco José Branquinho de
Almeida,
ex-Furriel Mil.º e ex- Alferes, Comandante do GE 201,
Moçambique 1968/1972
De:
Francisco José Branquinho [mailto:zinhopemba@msn.com]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
14:08
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Prós e Contras da RTP
Caríssimo:
Fica a minha opinião, muito suscinta e rápida sobre
esse Programa:
Face às avalizadas
opiniões já aqui expressas, pouco mais teria a
acrescentar, a propósito deste tema.
Revejo-me nas perspectivas da
maioria dos que me antecederam nos comentários, mormente
as opiniões esclarecidas dos primeiro e último
intervenientes: o Vítor Baião e o António Cadete.
Não deixei foi de, pela
leitura que fiz de algumas intervenções aqui postadas,
de reforçar a convicção que já ia tendo, passe a
assumpção de que são respeitáveis todos os pontos de
vista pessoais, do divisionismo que grassa no seio dos
ex-combatentes, com reflexos, dificilmente sanáveis, nas
suas organizações representativas.
Esquecemos o essencial, as
dificuldades por que, na maioria, passámos e da nossa
dádiva à Pátria, quando deviam ficar para outros
patamares de discussão a justeza ou injustiça daquela
Guerra.
Quando, até, se lê por aqui
terem sido os "cantineiros" o odioso daquele conflito
armado, podemos bem aquilatar do disparate que grassa
nas mentes de alguns ex-combatentes. Como se alguém,
minimamente informado, pudesse "descobrir" nos
cantineiros espalhados pelo mato moçambicano, os
verdadeiros colonialistas!...
É uma visão redutora,
injusta, verter nessa gente o ferrete duma guerra.
Como seria, alguém alijar
esse labéu naqueles desonestos militares que, sem
escrúpulos, vendiam, em proveito próprio, a esses
mesmos "cantineiros do mato", o azeite, as batatas, o
bacalhau, o gasóleo...destinado à logística das suas
unidades!
Perdemo-nos com o acessório.
O essencial radica, como
sempre defendi, que a descolonização era inevitável.
Falhou foi, duma forma trágica e lesiva da consciência
colectiva, no tempo e no modo, porque, essa
inevitabilidade que já todos, ao tempo, reconheceríamos,
não pressupunha nem apontava para a forma atabalhoada,
sem honra e sem vergonha, como lhe demos desfecho, à
revelia do sentir das populações. Sem qualquer
pressuposto democrático, num país que, desde o 25A vem
enchendo a boca de Democracia.
Pior, bem mais humilhante,
será a forma aviltante como o Poder instituído, o mesmo
que legisla e decide em nome da Pátria, tem tratado os
ex-combatentes, os tais que lutaram em nome dessa mesma
Pátria (os Poderes mudam, mas a Pátria é a mesma!...),
os portugueses de sempre e os que o eram nos territórios
hoje independentes e que terceram armas, sofreram e
tombaram bem ao nosso lado, fosse qual fosse a
pigmentação da sua pele.
E, com os divisionismos já
atrás aflorados, errando os alvos, estamos claudicando
perante aqueles que não sabem, ou não querem, reconhecer
a dívida que o Estado tem para com os seus
servidores que sofreram, na carne e na alma, no
cumprimento de uma missão que a Pátria lhes impôs.
Saudações,
companheiros....todos!
Francisco José Branquinho de
Almeida
G.E. 201 (Moçambique)
-Agosto1968-Janeiro1972
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António
Cadete, ex-Oficial Mil.º, Comandante dos
GRUPOS ESPECIAIS 803 e 805
De:
Antonio Cadete [mailto:antonio.cadete@mangalia.astral.ro]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 8:20
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Meus caros,
Só ontem vi o debate porque estou no estrangeiro e os
responsáveis pela RTP entendem que nós não devemos ver
este tipo de programas em directo na RTPi. Como aqui são
mais duas horas que em Portugal imaginem a que horas me
fui deitar já que o programa, embora gravado, é emitido
à mesma hora em que vai para o ar na 2ª feira em
Portugal. Na verdade mais valia ter estado a dormir tal
foi o nível do programa. De qualquer modo felicito a
Jornalista e a Direcção de programas por esta iniciativa
porque a Guerra do Ultramar deveria, na minha opinião,
ser devidamente debatida, enquanto ainda por cá andam
alguns dos ex-combatentes, pelo menos por duas ordens
de razões:
-
Mostrar às novas gerações, nossos
filhos e nossos netos, o que foi suportar 13 anos de
guerra em três frentes de combate com as parcas
condições que se dispunha na altura. Simultaneamente
clarificar as razões próximas e remotas do inicio da
“luta armada”, desmistificar alguns tabus, mostrar
quais os verdadeiros interesses que fomentaram e
alimentaram essa luta, etc.
-
Tentar corrigir ( mais vale tarde que
nunca ) a profunda vergonha nacional, o enorme
escândalo sucessivamente camuflado que foi e é o
abandono de ex-militares Portugueses, eu direi mais,
o abandono de Portugueses, que cometeram a
insensatez de servir a Pátria, de acreditar que a
Pátria não os abandonava e foram atraiçoados ( é
provavelmente esta a palavra mais adequada para
referir este abandono nojento de pessoas boas à sua
sorte – e que sorte que muitos tiveram !!! )
O
programa de facto pouco servirá para isso. A primeira
parte foi a discutir se era guerra colonial, do ultramar
ou de libertação. Simplesmente ridículo. Quando eu fui
para a guerra, em 1972, fui para o ULTRAMAR. Era assim
que era designado. Portanto, para mim, eu estive na
Guerra do Ultramar, mas se quiserem podem chamar-lhe
outra coisa qualquer porque isso não tem interesse
nenhum. Se não fossem as intervenções do ex-furriel
Comando Guineense, do Ten.Cor. Brandão Ferreira e de
mais dois ou três intervenientes do publico, certamente
que teria sido um debate absolutamente desinteressante,
completamente inútil e fastidioso. A intervenção do Cor.
Comando Matos Gomes, pessoa de quem sou amigo e pela
qual tenho muita consideração independentemente de não
vermos algumas coisas do mesmo modo, foi interessante
embora seja, obviamente, no que se refere não aos factos
narrados mas às conclusões tiradas, uma visão dos
acontecimentos, a sua própria visão, que, embora
respeitável é discutível.
Mesmo assim venham mais debates e mais reportagens.
Desde que isso possa levar a alguma coisa útil serão
sempre bem vindos.
Um abraço para todos os combatentes, da guerra do
Ultramar, da guerra Colonial, da guerra de Libertação e
de todas as guerras. Nós somos aqueles que generosamente
demos o corpo ao manifesto enquanto outros esperavam
para tirar os proveitos logo que a coisa ficasse calma.
António Cadete
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Luís Cunha, ex-Furriel Mil.º (C. Art 2718), do Dest.
Policial do Songo
De:
Luis Cunha [mailto:luisgcunha@tele2.pt]
Enviada: quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 1:23
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Estimados ex-combatentes :-
A
propósito deste debate, acho que o abandono aos
combatentes continua.
Foram os combatentes do ar condicionado que dominaram o
programa.
Os que combateram estavam lá em cadeira de rodas e de
óculos escuros e apenas deram escassos minutos ao seu
representante.
Dos restantes….ninguém.
Parabéns ao sargento guineense que combateu ao nosso
lado. Um verdadeiro português que, com a razão que a
história documenta, provocou “gozo” na classe militar
que encheu os bolsos com a guerra e que mostrava serviço
à custa do sacrifício dos militares milicianos. Aquela
classe, não têm hoje problemas económicos, pois
continuam a comer donde sempre comeram, enquanto que
muitos milicianos vão vegetando porque a pátria só foi
pátria para lhe roubar os melhores anos de vida, e a
alguns, a própria vida.
Passar a 1ª parte do programa a discutir o nome da
guerra é, em meu entender, completamente ridículo, pois
seja qual for o nome que lhe atribuam, os mortos e os
deficientes existem na mesma e nestes, quase não se
falou.
Nem tão pouco se falou nos combatentes sepultados nas
colónias e que jazem em sepulturas ao abandono, como se
tivessem morrido ao serviço de outra pátria qualquer.
Será que isto não faz parte de “A GUERRA” ?
De positivo, somente encontrei a afirmação dum militar
presente, dizendo que o 25 de Abril não foi feito para
dar a liberdade aos portugueses nem a libertação às
colónias, mas sim como medida contestatária à lei que
permitia aos oficiais milicianos passar à frente dos do
quadro. Como se nós já o não soubéssemos.
Cumprimentos.
Luis Cunha
Ex-furriel miliciano, mobilizado para a cart 2718.
Prestei serviço no Destacamento Policial do Songo.
Moçambique 1971-1972.
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Joaquim Coelho, das Tropas Especiais
Pára-Quedistas (Angola e Moçambique)
De:
Joaquim Coelho [mailto:jota_coelho@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
23:16
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Companheiros e
combatentes,
Sobre o conteúdo do
debate da RTP1, como tem vindo a acontecer, os
"tubarões" só prejudicam a seriedade dos programas. Foi
lastimável a intervenção de alguns dos responsáveis pelo
chamado "processo de descolonização"; alguns desses
senhores, ao tempo, comandantes de companhia e de
batalhão, para não prejudicarem as
promoções, deixaram os soldados das respectivas
unidades, que morreram ao serviço da pátria,
abandonados nas toscas campas no meio do capim. Por
causa desses carreiristas e cobardes, mais de três mil
combatentes continuam enterrados em terras africanas. É
um facto vergonhoso que só será limpo dos nossos
corações de combatentes quando todos os restos
mortais, daqueles que um dia foram arrancados às
famílias e atirados para longe das suas terras,
regressarem à sua Pátria-mãe. Este foi um dos temas
pouco falados naquele debate.
Depois de visitar
alguns dos referidos cemitérios abandonados, tomei
consciência da dimensão do problema e do desprezo a que
os governantes nos votaram; por isso, faço parte do
"Movimento Cívico dos Antigos Combatentes", cuja
finalidade é juntar os esforços em movimento para
transladar para Portugal os restos mortais dos
que "ficaram para trás".
Como combatente nas
tropas pára-quedistas, cumpri missões em Angola e
Moçambique nos períodos mais complicados das respectivas
guerras. Operacional subordinado e chefe de grupos de
combate, sofri na pele os efeitos das balas inimigas e
perdi alguns dos bons companheiros nas emboscadas.
Lamento a morte de alguns desses homens feridos que, não
fossem os chefes de operações e os comandantes de sector
usarem os únicos dois helis Allouete II nas suas caçadas
de fim-de-semana, poderiam ter sobrevivido aos
ferimentos.
Comungo
do essencial das mensagens dos Companheiros Inácio Silva
e J. Cabral - fuzileiro, porque refletem muito dos meus
pontos de vista sobre o tema da guerra no debate.
Além de
exposições fotográficas em centros culturais das
autarquias, tento divulgar parte da história que marcou
as gerações do tempo das guerras ultramarinas através da
Net. Vejam:
http://www.espacoetereo.com,
http://micaias.blogs.sapo.pt e
http://ultramarlembrar.blogspot.com
Saudações do Joaquim
Coelho
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Ilídio Costa, ex- 1.º Cabo Mecânico, da C.
Caç de Mocimboa da Praia e GACC
6
1966/1968
De:
ilidio costa [mailto:santoscosta68@yahoo.com.br]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
23:02
Para: Ultramar
Assunto:
Habituado a acompanhar o tema da GUERRA COLONIAL através
de livros e publicações e em alguns debates na TV (tenho
algumas gravações) já não me espanta o que ali foi dito.
Entendo que foi mais do mesmo.
Ilidio Costa
1º Cabo Mecânico de COMPANHIA DE CAÇADORES DE MOCIMBOA
DA PRAIA 1966/68
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José António da Silva, B. Caç 16, B. Caç 15 e
EAMM (Boane)
De:
Jose António [mailto:jabs@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
22:49
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Fui um combatente da guerra do Ultramar ou guerra
Colonial como queiram chamar para mim tanto faz, sei
dizer que tive de ir até lá fazer o meu dever.
Gostei de ver o dito programa com muito respeito, mas é
de lamentar de ainda hoje haver pessoas que entraram no
debate com grandes patentes e estarem contra certos
argumentos que foram ditos, enfim é de lamentar de haver
pessoas deste calibre, a vida deve-lhes correr bem.
Lamento bastante que o assunto dos mutilados de guerra
não estar resolvido.
Sempre ao vosso dispor
Um combatente da guerra Colonial ou Ultramar
- Moçambique 1969 a 1971
Um abraço
José António Silva
B.CAC 16 na
Cidade da Beira entre Junho de 69 a Outubro do mesmo
ano, depois B.CAC 15 em Mueda até Novembro de 70 por
fim terminei a comissão na EAMM de Boane em Agosto
de 1971.
Regressei à minha
unidade na Metropole com o nome BRT (BATALHÃO DE
RECOLHECIMENTO DAS TRANSMIÇÕES) na Trafaria
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Augusto Gouveia de
Sousa, C. Caçadores 3440 - Angola 1971/1973
De:
augusto sousa [mailto:augustogouveia@iol.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
21:42
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Caros internautas e
ex-combatentes esta modesta análise “roça”
aspectos políticos mas não podemos desassocia-los da
realidade.
O debate de ontem na
RTP 1 no programa Prós e Contras serviu quanto mais não
fosse para duas coisa.
A primeira é que
decorridos todos estes anos ficamos a saber _ o que para
muitos não era já segredo – que essa maldita guerra, SÓ
se tornou uma realidade porque um homem, sem a mínima
noção da realidade político/social da época assim o
quis. Ou seja, a guerra só foi feita, porque o velho
ditador Salazar o entendeu.
Foi avisado pela PIDE
e outros militares, mas, casmurro e teimoso qual
avestruz de cabeça enterrada na areia, avançou para a
guerra.
Esta foi uma
constatação que ficou provada e que nenhum dos
intervenientes pôs em causa.
A segunda ilação que
se extraiu deste debate, foi a realidade nua e crua das
sequelas das três frentes de guerra.
Mortos, e deficientes
dos dois lados.
Os mortos que ficaram
sepultados nas antigas colónias, esquecidos e ignorados
pelos sucessivos governos do pós 25 de Abril de 1974.
Os deficientes desses
novos países que lutaram em nome de Portugal,
abandonados à sua sorte.
Os de cá, poucos
menos de que abandonados, por uma Pátria que teima em
não querer assumir a sua responsabilidade.
Ficou demonstrado até
por um dos intervenientes Guineense, esse abandono e a
sua revolta foi bem patente.
Foi reconhecido por
todos esse abando e considerado unanimemente uma
vergonha nacional, sendo inclusive afirmado que não é de
todo impossível mesmo a um país como o nosso, fazer face
aos encargos financeiros que esse reconhecimento
acarretará, até porque, como foi afirmado, e é uma
realidade, todos os ex-combatentes tem mais de 55 anos.
Serviu também este
debate para alguns saudosistas talvez ainda sonhando com
um império deixarem isso claro.
Pena que não fosse
convidado nenhum governante.
Augusto Gouveia de Sousa
Companhia de Caçadores 3440
Angola 1971 1973
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António Pereira de
Almeida, Capitão Mil.º - C. Cart 3503 (Mueda)
e 3.ª C. / B. Caç 19 (Candulo/Niassa)
De:
Antonio Almeida [mailto:a.p.almeida@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
16:35
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
O
debate a que acabamos de assistir, pese as expectativas
criadas, quanto a mim, falhou redondamente, pelo menos,
num dos objectivos que deveria atingir, isto é,
tranasmitir às gerações posteriores "à guerra" uma ideia
de quanto se passou, melhor, quem foram os grandes
responsáveis pela sua eclosão e prossecução.
O
falhanço, repito, quanto a mim, do debate, como áliàs,
tem acontecido, sempre que se pretende abordar a questão
da "guerra", entre outros fica a dever-se à não
participação de ex-combatentes milicianos, nas frentes
de guerra.
António Pereira de Almeida
Capitão Miliciano
Cart 3503 - Mueda (de Outubro de 1973 até uma semana
antes do 25 Abril)
3ª CCaç 19 - Candulo/Niassa (até Janeiro de 1975)
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Carlos
Vardasca (O Braz, da Companhia de Caçadores
3309)
De: Carlos Vardasca [mailto:carlosvardasca@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 12:47
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: ENC: Re: guerra colonial no prós & contras RTP
1
Viva Companheiros
Devido ao interesse
de que se revestia e à coragem que pareceu existir por
parte dos organizadores em se começar a abordar a
questão colonial sem complexos, de facto também vi o
debate no programa “Prós&Contras na RTP1. Quero vos
dizer que as minhas expectativas foram goradas. Alguém
nestes comentários disse que “qualquer um de nós
faria melhor”, eu não iria tão longe, mas
quase. Parece impossível que em pleno século XXI, ainda
existam dúvidas se aquela guerra foi; Colonial; do
Ultramar ou de África, ou de outra coisa qualquer que
vierem a inventar no futuro, para tentarem minimizar ou
ocultar a existência daquele conflito de trágicas
recordações para quem nele participou.
Em minha opinião,
aquele conflito tem toda a legitimidade em se denominar
como Guerra Colonial, por razões históricas, que são
abrangentes a qualquer conceito político, sejam eles de
direita ou de esquerda, e que nenhum deles deve ignorar
ou fingir que não sabe, por conveniência ideológica. É
do conhecimento geral que aqueles territórios foram
ocupados (qual descobertas qual carapuça) e que
desde essa altura sempre houveram grandes lutas para que
os Portugueses se conseguissem instalar ao longo das
suas costas, o que contraria as velhas ilustrações do
livros da 4ª Classe onde se vêm os nativos em poses
subservientes (quase que a beijar os pés aos navegadores
que então iam chegando), quando na realidade, desde
esses tempos que foram travadas grandes lutas contra as
forças ocupantes (sempre com o clero a abençoar os
massacres que então se foram desencadeando durante a
ocupação colonial) e onde se notabilizaram grandes
guerreiros nativos de que a história fala muito
vagamente. É claro que com a Conferência de Berlim (de
15 de Novembro a 26 de Fevereiro de 1885) a questão
colonial se acentuou, com o esquartejar do continente
africano pelas diversas potências coloniais, ficando
continente africano como se encontra hoje, como se fosse
uma manta de retalhos, o que tem originado e sido a
causa dos diversos conflitos de que nós todos temos
conhecimento.
Portanto, carece de
legitimidade dizer-se que o que aconteceu na Guiné,
Angola e Moçambique (1961-1974) foi uma guerra do
Ultramar “porque aquilo era nosso”
(diziam) quando se finge desconhecer que a resistência
ao ocupante inicia-se desde logo naquele período que nos
impingiram na escola e que denominaram “descobertas”.
Quanto ao programa e aos seus diversos intervenientes,
considero que foi muito pobre. Até da parte daqueles que
se esperava uma posição mais esclarecedora, ficaram-se
pelos termos técnicos, quase com receio em definir que
tipo de conflito tinha sido aquele, abstendo-se de
responder com factos históricos e documentais às
provocações de um certo general de que não me lembro o
nome, e que criaram a indignação por parte dos
deficientes da Forças Armadas. Não fosse a intervenção
do representante da FRELIMO, que me pareceu mais
sustentada e esclarecedora, ficaríamos sem saber (se não
tivéssemos vivido o conflito colonial) da luta heróica
de libertação travada pelos povos das ex-colónias, uma
vez que aquele embaixador e representante do PAIGC “não
soube dizer nada” nem soube explicar porque foi preso
pela PIDE nem explicou como deve ser as causas do
massacre no Cais de Pidgiguiti em 1959.
Ficou
claro que naquele debate ficou quase tudo por dizer, e
que espero que o documentário a exibir na RTP ao longo
de 18 episódios seja mais esclarecedor, pelo menos que
faça lembrar aos que intencionalmente já estejam
esquecidos, dos verdadeiros dramas que aquele conflito
colonial provocou na sociedade portuguesa.
Por
agora fico-me por aqui...haverá decerto muito mais para
se dizer...
Um
abraço solidário de quem sobreviveu
Carlos Vardasca
(O
Braz, da Companhia de Caçadores 3309)
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Joaquim
Ribeiro, ex- Furriel Mil.º de Cavalaria, da
C.Cav 2691 / B. Cav 2909 (Angola,(Zemba, Cambamba,
Mucondo,Grafanil (intervenção nos Dembos)) ABR70/MAI72
De:
Joaquim Ribeiro [mailto:joaquimribeiro@netcabo.pt]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
12:00
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Caros ex combatentes, companheiros e amigos
Para mim, este debate foi uma vez mais uma desilusão.
Os intervenientes não representavam claramente os
operacionais, os que na realidade davam o "corpo ao
manifesto",à excepção do sargento comando guineense
e dos nossos camaradas deficientes. Deu-se muito ênfase
e discutiu-se demasiado sobre questões marginais, como
por exemplo o nome pela qual era na época conhecida a
guerra, não foi aflorado o verdadeiro sentido do
conflito na óptica do combatente no teatro de guerra, as
suas angustias, o futuro, a sua realidade como jovem.
Discutiu-se sim, e de forma clara, a visão
política/pessoal de alguns intervenientes, o que ao fim
e ao cabo, temos assistido ao longo destes trinta e três
anos. Um facto positivo em todo o debate, foi o
reconhecimento geral que a guerra não foi perdida no
campo militar, mas sim no político.
Fico na expectativa que a série"guerra" do sr. Joaquim
Furtado, esperando que este venha contribuir de uma vez
por todas, com serenidade, sem faltar à verdade, baseado
em factos reais e não absurdos, relatar o que foi o
teatro desta guerra da qual fomos actores e
protagonistas.
Saudações para todos os ex combatentes
17/10/2007
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Jacinto Ferreira
Gonçalves, Alferes Mil.º, B. Caç 1937, C. Caç
1804, Moçambique, de 11 de Outubro de 1967 a 15 de
Dezembro de 1969
De:
Jacinto Gonçalves [mailto:jacinto.go@gmail.com]
Enviada: quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 2:34
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Debate
Não correspondeu, de
todo, às minhas expectativas. Perdeu-se demasiado tempo
a discutir "o sexo dos anjos", se guerra o Ultramar, se
guerra colonial, ou qualquer outra coisa. Restou pouca
paciência para assistir até ao fim. Aguardo com
redobrada expectativa para assistir à série televisiva
so "A Guerra Colonial".
Jacinto Gonçalves
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Inácio
Silva - Blog "Relembrar para não esquecer"
De:
Inácio Silva [mailto:inacio.silva@iol.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
22:41
Para:
Assunto: Comentários acerca do debate sobre a
Guerra do Ultramar no Prós e Contras
Caros amigos e ex-camaradas:
Presenciei ao debate na RTP1, na
passada segunda-feira (15-10-2007), sobre a Guerra
do Ultramar, de princípio ao fim. Salvo as
intervenções dos membros das associações de defesa
dos ex-combatentes, o resto foi tudo "déjà vu": não
vislumbrei nenhum interesse, em especial.
Um debate em que a maioria dos
intervenientes são ou foram oficiais superiores ou
generais, obviamente, só poderia versar sobre as
questões belicistas ou político-belicistas. Estes
senhores não têm contas a pedir ao Estado, porque,
sendo do Quadro Permanente, viram todas as suas
regalias satisfeitas, na plenitude. Onde estavam os
milicianos e os praças? Provavelmente na plateia.
Alguém lhes perguntou alguma coisa? Disseram de sua
justiça? Nada!
Todos sabemos que as guerras deixam
sequelas de vária ordem: pais que viram desaparecer
os seus filhos, esposas, namoradas e amigos que
viram partir os seus entes queridos, filhos órfãos
de pai, muitos deles nem sequer chegaram a ver o
progenitor...Cidadãos deficientes que, com muito
esforço, sobrevivem, tentando integrarem-se o melhor
possível na sociedade, na esperança de serem
reconhecidos e apoiados pelo Estado e por ela.
Muitos deles são activos e intervenientes
e, graças à sua acção, procuram que o seu presente
e o futuro sejam passados com alguma dignidade.
O que é que interessa debater e
resolver depois de uma guerra? Não será minimizar os
danos e os traumas sofridos, tanto os de ordem
material, como os de ordem afectiva, psicológica,
moral, social e, até, de cidadania? Nenhuma
sociedade viverá em paz consigo mesma se não
entender, profundamente, esta realidade! Não
é enterrando a cabeça na areia, como faz a avestruz,
fazendo de conta que o que aconteceu nada tem a ver
consigo que os problemas são resolvidos...
E o Estado Português, representado
pelos Órgãos de Soberania, órgãos estes titulados
por cidadãos eleitos pela referida sociedade, o que
tem feito? Mais de trinta anos decorridos desde o
fim da guerra (colonial, do ultramar ou de
libertação, como queiram), os ex-combatentes
lamentam, diariamente, o divórcio do Estado,
relativamente às consequências danosas, de vária
ordem, a que foram sujeitos e estão sofrendo na
pele, por terem sido OBRIGADOS a combater em
territórios que, na altura, os responsáveis por este
Estado, entenderam classificá-los como "Províncias
Ultramarinas" e, consequentemente, fazendo parte do
espaço português!!!
A guerra nunca será esquecida, pelo
menos por aquelas que a protagonizaram ou por os
que, para ela, foram empurrados. Seria bom que os
tais cidadãos,
eleitos democraticamente, representantes
dos Órgãos de Soberania não agissem com hipocrisia,
isto é, reconhecessem o esforço, o sacrifício, a
privação, o medo, a dor, a doença, a deficiência, a
morte, a perda de empregos, o atraso ou a
interrupção dos estudos, enfim, uma panóplia de
prejuízos de valor incalculável, e reconhecessem em
Lei, perante a sociedade que representam - antes que
os ex-combatentes morram - que é necessário
eliminar, de uma vez por todas, estas nódoas da
guerra, que teimam em eternizar-se...
Se tal não for feito, os
ex-combatentes morrerão com a mágoa de terem
combatido, em vão, sem o reconhecimento devido, do
Estado, a quem serviram. Mas os políticos, titulares
dos Órgãos de Soberania, eleitos pela sociedade de
que os ex-combatentes são parte integrante, jamais
repousarão em paz e serão, sempre, considerados,
mesmo pelas gerações vindouras, como políticos
incultos, insensíveis, autistas e hipócritas.
Em conclusão: como ex-combatente, não
me revejo nesta forma de fazer política. Desejo que
fique claro que os políticos a que me refiro são
todos os que Portugal, infelizmente, teve depois da
instauração da democracia
"sistema político em que a
autoridade emana do conjunto dos cidadãos,
baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade".
Sou democrata e não sou possuído por nenhum
sentimento passadista ou saudosista. Mas fico
indignado e triste por assistir a tanta indiferença
e insensibilidade...
Cumprimentos a todos.
Inácio Silva
Veja o blogue "Relembrar para não
esquecer"
http://guerracolonial.blogs.sapo.pt
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J. Cabral,
ex-Fuzileiro - Guiné
De: Jaime Gamboa [mailto:jaime.gamboa@tcontas.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007 18:17
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Meus Caros Camaradas de Armas e
Combate,
- Desiludido, uma pobreza de
programa (!....), uma grande decepção ( !...),
quando sabemos que a Dr.ª Fátima Campos Ferreira
quando se prepara domina, não foi
o caso ! Não quis. Percebeu-se.
Perdeu o programa ! "Vazio" - Guerra do Ultramar
?! Colonial?! África ?! Tinha objectivo ?. Sim.
- O painel envergonhava, apesar de
haver lá uma cabeça, mas que puxa para um
ultra "lado" !!!!! Que pobreza. Sinceramente.
- Os nossos Militares do Quadro,
quase todos, que pena, fazem dó! Apesar de muito
agradecido lhes estar por me terem conduzido à
Democracia.
-
O Senhor jornalista Furtado (....) : O Sr.
jornalista Furtado , após tanto elogio da Dr.ª
Fátima, "explicou" quiz explicar, não sei
porquê e para quê o porquê do título
do filme :
Guerra do Ultramar blá blá blá, Guerra Colonial
blá blá blá, Guerra de África blá blá blá, não,
"por isso resolvi -
Guerra
-" !! Muito bem.
Que conversa vã.
A coincidência do programa
(precipitado), com a promoção da série televisiva, para
o dia seguinte....., é de mais !!!! Tenham
dó.
Um
Parêntesis
:
(
(*) No
final das emissões todas ( em 2008), esperemos que
ponham, depressa, à venda ( vai dar boa massa) a
série televisiva, para
comprarmos,
depressa e de uma vez só, os DVD e oferecer,
depressa, aos nossos filhos e netos, para se
"deleitarem" a ver os seus pais e avós a pegar fogo
nas tabancas com mulheres crianças e velhos a
fugirem, a morrerem, cabeças espetadas em paus, a
malta a atacar e a ser atacada, berros, gritos,
horror, terror, fugir debaixo de fogo a morrer a
ficar ferida, as evacuações, os helicópteros os
aviões FIAT, os helicanhões, tiros , granadas,
bazucas, rajadas, as emboscadas, minas, pernas
esfaceladas, os golpes de mão, os prisioneiros, as
torturas, , os combates, os massacres as bombas, os
bombardeamentos aos quartéis, a fome, a sede, o
cansaço, a ira, a raiva, o ódio, o medo a coragem, o
descontrolo, o pânico, a inconsciência,
aresponsabilidade pesada, a irresponsabilidade, a
maluqueira, o poder, o despudor, as qualidades, as
incompetências, o desprezo de muitos responsáveis
pela vida dos seus e dos outros, o sofrimento a
dor, os caixões etc, enfim o inferno em terra. E
nós, nós vamos explicar os filmes, tintim por
tintim, o que fizemos e como fizemos !!!!!!!!!......)
É
isto que querem, puxar a raiva, ressentimentos,
ódios dor e doença. Pôr ácido em cima das feridas e
pô-las a arder mais ainda. Haja juízo. Basta. A
Liberdade
não é isto nem para isto!
Respeitem-nos e deixem-nos tranquilizar a cabeça,
caramba. Respeitem os pais e filhos dos Veteranos,
sobretudo dos que morreram.
Chega. Não chateiem a gente.
Respeitem os Povos de Angola, Guiné e Moçambique.
Eles gostam de nós e nós deles. É um facto. É só lá
ir
Preocupem-se em chatear quem nunca
olha, ainda não olha e nunca OLHOU, e continua a
não querer olhar para nós. TODOS.
RTP,
Coragem. Coragem Dr.ª Fátima Campos Ferreira. Agarrem
um programa a sério, só para, em público,
OBRIGAREM Governantes e Deputados a respeitarem
os ex-combatentes e a eles próprios e a Instituição
- Liberdade - a que o 25 de Abril, que os
ex-combatentes também consubstanciaram,
lhes deu acesso.(1)
Querem programas da realidade
Ultramar/Colónias / África, façam-no. Sr. jornalista
Furtado, sem mostrar a violência da Guerra (dos dois
lados) que é o mais hediondo dos actos.
Querem ver filmes de Guerra - quem
gosta -, vão ao Video-club e aluguem filmes do
Vietnam, mas estes são com actores de cinema.
- No programa de ontem, para falar
desta Guerra, à parte dos SALAZARES, a Dr.ª Fátima
- conhecia e sabia tudo o que estava e esteve por
trás da Guerra, durante e pós, quer no contexto
nacional quer Internacional ! Não conduziu a
entrevista!
O nosso País era o que era, uma
tristeza. Os Governantes outra.
Nós, os que não podíamos fugir ou
não sabíamos ou não queríamos, só tínhamos a Guerra,
a Pide, a prisão ou a deserção/refractário, até ao
25 Abr, e as vidas a andarem sempre para trás, sem
expectativas. Isto mostra a guerra sem tiros , sem
prazer mórbido
- Os nossos Veteranos fizeram tudo e só o que lhes
mandaram e porque os mandaram, mas fizeram e de
que maneira, apesar de tão mal tratados que eram e
por
quem, e
continuam a ser. Regressaram os que regressaram
para logo emigrarem.
Era o que o País nos oferecia, Guerra e fome.
(1)-"Conhece-se uma Nação pelos
homens que criou, mas também por aqueles de quem se
recorda e venera." - J. Kennedy. " O carácter de
uma Nação vê-se pela forma como trata os seus
Veteranos"- Churchil. )
- A merecerem o
nosso maior destaque, estavam os nossos queridos
Veteranos camaradas deficientes, com elevadíssima
dignidade, uns SENHORES e que são os mais
merecedores do nosso maior respeito e de todo o
País. Foram o programa. Revejo-me na sua luta,
porque continuam a querer esquecê-los e a todos nós
(1)
- Quanto aos (*) "filmes"
- série televisiva - dispenso obrigado, . Gostava
muito que os meus filhos não o vissem. Eles sabem
que o pai fez a Guerra e ainda está nela,
infelizmente. O parentesis (*) que fiz é um alerta.
Não revivam o Inferno.
Sejamos muito respeitadores dos
nossos portugueses Veteranos que combateram e dos
povos de lá e de cá.
J. Cabral
Fuz.º (1970/72)
Guiné
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Carlos Gouveia, ex-Soldado da Companhia
de Cavalaria 2752
De:
Carlos Gouveia [mailto:cargouveia@t-online.de]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
18:13
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Caros amigos e Camaradas
Vi
com muita atenção o programa Prós e Contras
transmitido no dia 15 embora tenha sido bastante
tarde para mim visto eu viver na Alemanha e aqui ser
uma hora a mais que em Portugal, o entusiasmo foi
tão grande que me levou estar a ver televisão até
cerca das três horas da manhã.
Este tema na minha perspectiva não trouxe nada de
novo até que a discussão dirigida pela jornalista
Fátima Ferreira, não deu oportunidade aos ex
militares presentes e que eram muito, esses sim
talvez tivessem muito a contar pelo sofrimento que
tiveram mas não, apenas foram entrevistados os
Senhores Coronéis e Generais os mesmo que iam para o
Ultramar quase voluntários com regalias formidáveis
ordenados chorudos e com mais uma promoção garantida
no fim de cada comissão.
Alguns desses presentes, e outros a guerra colonial
foi um poco e ouro onde ganharam bons ordenados,
enquanto que os ex.militares presentes, aqueles que
deram o corpo ao manifesto, o que ganharam eles? Eu
vi-os ontem e vocês também, estou a referir-me a
esses bravos ex.soldados que ficaram feridos para
toda vida e abandonados como (cães) desculpem-me
esta expressão, hoje ninguém se lembra deles é um
escândalo uma vergonha, esses bravos homens que
combateram nas Colónias defendendo o que não era
deles mas sim uma Colónia Portuguesa.
Voltando a mesma entrevista, é fácil falar-se hoje e
dizer que a guerra foi injusta e que o Salazar foi o
culpado.
Finalmente. Falando dos tais chamados Retornados ou
Desapropriados, não terão sido alguns desses
senhores que durante muitos e muitos anos exploraram
os indígenas até que depois enfim
revoltaram-se ajudados por outros mais inteligentes
porque os macondes ou macuas de Mocambique nada
sabiam de independência e muito menos de guerra
apenas se contentavam com a farinha que ou
cantineiros a troco de cereais e outras mais valias
lhes davam como pagamento.
Eu estive em Moçambique fazendo parte da Companhia
de Cavalaria 2752/BCAV.2923,estive na Serra do Mapé
em Macomia e sofri na pele, o que não desejava a
ninguém assim como os meus camaradas tudo do mais
desumano possível porque para alguns senhores
oficiais havia tudo, para nos (carne para canhão),
nada havia enquanto nos bebíamos água do rio Messalo
esses Senhores bebiam água engarrafada, e vem-me
então agora para a televisão fazer de Madalena
Arrependida. Muito mais havia para escrever mas
fica para outra oportunidade.
Agradeço do fundo coração a toda a liga dos
combatentes que muito tem ajudado e continuam
ajudar, a todos Muito OBRIGADO
Carlos Gouveia
Ex.Soldado da
CCAV 2752
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José
Carmindo Vigário dos Santos
- ex-Furriel Mil.º, da
C.Caç 2359,
integrada no B. Caç. 2842, que esteve em Moçambique
no período de Abril/1968 a Junho/1970
De:
José Carmindo Vigário dos Santos [mailto:vigario.santos@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
18:00
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Pr�s e Contras
15OUT2007
Fiquei
surpreendido, mais pela negativa do que pela
positiva, isto porque me pareceu que não foram
abordados os verdadeiros problemas porque passamos
nós os milicianos e soldados, bem como algumas das
excepções dos militares do quadro permanente.
Vou apenas
abordar uma das questões, que levou a que aquela
guerra nunca pudesse ser vencida. Fiz parte «como
furriel miliciano» da Companhia de Caçadores n.º
2359, integrada no B. Caç. 2842, que esteve em
Moçambique no período de Abril/1968 a Junho/1970,
mais concretamente no norte do Distrito de Tete «Vuende
– Furancungo- Vila Gamito – Bene – Têmboa, entre
outras localidades.
Quando parti da
metrópole «era assim que se dizia ao tempo», tal
como quase todos os milicianos e soldados e cabos ,
estava convencido da verdade dos motivos que nos
levavam para aquela terra, deixando para trás os
familiares, mas chegado a Lourenço Marque « hoje
Maputo», logo verifiquei da mentira ao tomar
conhecimento «in loco» do regime quase de apartaid.
Que ali se praticava, com algumas raras e honrosas
excepções.
Mas o mais grave
que isso pude constatar no interior daquelas
regiões, mato e mais mato, onde os cantineiros «
comerciantes portugueses que vendiam tudo, incluindo
medicamentos» exploravam os negros até ao tutano «
exemplos o sal era vendido ao preço do ouro, os
trabalhadores agrícolas, trabalhavam o ano inteiro
na cultura do algodão « cultura predominante da
zona» e no fim do ano ao fazerem as contas ficavam
sempre a dever dinheiro à companhia algodoeira, que
apenas se limitava a lavras as terras e fornecer as
sementes, outros eram espancados após a época das
culturas, para não lhe pagarem os míseros ordenados
– era comum ver os alfaiates a trabalharem nas
varandas das ditas cantinas, nas mesmas condições
dos outros trabalhadores.
cantineiros,
alguns dos quais não conheciam uma letra do tamanho
de um palácio mas que eram gente grande na terra
,que eram protegidos por alguns capangas, e que
jogavam com ambas as facções « militares portugueses
e da frelimo» . etc. etc……..
Recordo uma vez
quando entreguei numa povoação um saco de 30 kg. de
sal, para seu consumo « aquela gente tinha tudo para
viver menos o sal», quase me idolatravam,
posteriormente faziam visitas ao quartel para
presentearem a nossa furriela vigário « era assim
que me chamavam», com cabritos, cucos «galinhas»,
porcos e até um bovino. Pobres dos negros que
causticados pelo regime, sabiam reconhecer aqueles
que lhes fazia bem.
Esta era uma das
razões porque a grande maioria dos ditos cantineiros
não gostarem da permanência do exército português
junto deles, estragava-lhes o negócio.
Histórias destas
quase todos os militares que como eu serviram o país
como carne para canhão, verificaram e que
contribuíram e de que maneira para o desfecho final,
com erros como tudo na vida, mas desafio muitos dos
críticos da nossa praça a justificarem porque por
várias maneiras e feitios, tudo fizeram para não
embarcarem .
Para terminar
posso garantir que não foram os guerrilheiros da
frelimo, que mais problemas nos criaram, mas sim
aqueles intrusos , que se dedicavam de forma
sistemática e gananciosa, à exploração dos negros
para depois aparecerem na metrópole, como heróis.
Não posso nem
devo generalizar, porque reconheço que como tudo na
vida, também lá no mato havia gente honesta, mas
coitados não saíram da cepa torta.
Mas meus amigos
ou eu, estou errado ou tive o azar de ter
verificado aquelas situações, ou então o mundo está
distorcido, por aquilo que ouço de muita boa gente.
José Carmindo
Vigário dos Santos
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António
Pires – Ex-Furriel Milº. de Infantaria –
Norte e Leste de Angola (1972/1974 )
De:
Antonio Pires [mailto:barbaspires@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
16:58
Para: Ultramar Terraweb
Assunto: Debate Prós e Contras em 15/10, na
RTP1 sobre a Guerra do Ultramar
Caros Companheiros
Sinceramente,
depois de tanta publicidade, esperava mais e bem
mais do debate.
Os aspectos
negativos começam logo pelos intervenientes
seleccionados pelos realizadores do programa.
Continua a apostar-se nas opiniões de quem na
realidade, não sofreu as agruras reais da guerra. O
Dr. Jaime Nogueira Pinto é um estudioso do tema,
tudo bem, mas não participou na guerra. Pareceu-me
que o Cor. Matos Gomes é um historiador e está bem
documentado. Mas será que isso é suficiente? Para
mim claramente que o não é. Quando ele, em
determinado momento do programa, desdenha dos
milicianos pois estes "… se limitavam a fazer uma
comissão de dois anos, enquanto os do quadro
permanente faziam comissões seguidas…" limita-se a
confirmar que para ele a guerra não passa de tomadas
de decisão em gabinete, pois era, com honrosas
excepções, o que os militares do quadro permanente
faziam.
Tanto ele como os
restantes, parecem ignorar que os sargentos e
oficiais do quadro, ou estavam nas cidades, muitas
vezes acompanhados da mulher e filhos ou, no pior
caso, em quartéis no mato de onde não saíam. Nós,
milicianos, os verdadeiros combatentes, costumávamos
chamar-lhes "aramistas", pelo facto de estarem
sempre dentro do arame farpado. Antes de ir cumprir
o meu serviço militar obrigatório, tive oportunidade
de conhecer por motivos profissionais, imensos
desses senhores, "cansados da guerra" que metiam
"cunhas" para serem escolhidos para nova
comissão.
Os outros
convidados são meros teóricos e/ou fazedores da
opinião pública. Alguns deles dizem-se
ex-combatentes mas vê-se que nunca estiveram debaixo
de fogo, ao contrário do sargento dos Comandos
Africanos, esse sim combatente em toda a acepção da
palavra.
É vergonhoso a
forma como alguns dos presentes, tentaram confundir
este homem
relativamente à sua nacionalidade. Creio que ele é
mais português do que a maioria dos que o tentaram
enxovalhar!
Como é alguns dos
presentes podem indignar-se, com a forma como o
estado português trata os ex-combatentes, se eles
estão bem na vida graças ao sangue, suor e lágrimas,
vertidos por esses mesmos milicianos de quem eles
desdenham?
No debate onde é
que estavam os representantes dos que fizeram a
guerra no terreno? Onde é que estavam os homens do
SMO?
Espero que o
trabalho do jornalista consiga superar estes
preconceitos.
Realmente basear
uma história em quem na realidade não participou
activamente nela, é apenas perder mais uma
oportunidade de dar a conhecer a realidade nua e
crua dessa guerra que todos parecem querer meter
debaixo do tapete. Se o anterior regime o fazia o
actual fá-lo ainda com maior acuidade. Provavelmente
por muitos dos responsáveis actuais terem sido
refractários ou desertores.
Já repararam que
o país está cheio de monumentos aos combatentes da
1ª. Grande Guerra e quase não existem aos que
combateram na Guerra do Ultramar?
No entanto esta
última durou mais e causou mais vitimas que a outra.
Dá para perceber?
Com a
descolonização fechou-se um ciclo da história de
Portugal.
Não será tão cedo
que Portugal viverá momentos tão gloriosos.
Provavelmente
nunca mais acontecerá.
Na história do
universo cada nação parece ter um momento de glória.
Nós vivemo-lo entre os fins do século XIV e os do
século XX. Tudo na vida tem um princípio e um fim.
Em minha opinião foi pena este ciclo, que tinha de
mesmo de acabar, ter sido encerrado da forma
vergonhosa como o foi.
Agora resta
honrar aqueles que se bateram e tudo deram, em
alguns casos a própria vida, à sua pátria.
Cumprimentos
António Pires
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Salvador Silva, Ex- Cap. Milº. Comandante
Regional de GE's no Niassa - Comando do Sector A
(Vila Cabral) Julho/1973 a Dez./1974
De:
Salvador Silva [mailto:salvador.silva.2@netvisao.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
16:29
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e Contras
15OUT2007
Caríssimos:
Subsescrevo inteiramente o que diz na
sua mensagem o Ex- Alf.Milº. Victor Baião. É caso
para dizer que me tirou as palavras da boca.
Acrescento, no entanto, qu estou
curioso de conhecer a série A GUERRA... que hoje vai
começar na RTP, mas pela intervenção que ontem ouvi
ao seu autor (Joaquim Furtado) ponho em dúvida o
grau de isenção da mesma. Veremos...
Como este "site", não estou aqui
para justificar ou denegrir as razões da Guerra, mas
gostaria de ver este país a assumir o seu passado
recente e a não ter "vergonha" da geração que
tanto sacrificou e tão mal tem tratado.
Quero ainda confirmar a minha grande
admiração pela intervenção do representante da Assoc.
dos Deficientes das F.A., mas lembrar-lhe que também
devem olhar para dentro e limpar o mau que
também por lá há.
Saudações Amigas
Salvador Silva
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Rui Pedroso Neves, ex-Alferes Mil.º da C.
Caç 3310 / B. Caç 3834, no Sector de Mueda -
no destacamento de Omar perto do Rio
Rovuma
Moçambique
1971/1973
De:
Jazzpress [mailto:jazzpress@gulbenkian.pt]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
14:50
Para: opinioes@rtp.pt; pros.contras@rtp.pt
Assunto: PRÓS E CONTRAS
Boa tarde.
Sou Rui Pedroso Neves que participou
na Guerra Colonial/Ultramar de 1971-73 como Alferes
Miliciano da Comp. Caçadores 3310, Bat. Caç. 3834 no
Sector de Mueda, Moçambique, no destacamento de Omar
perto do Rio Rovuma e da linha de infiltração Kilido
onde a Frelimo fazia entrar os seus equipamentos e
pessoal vindos da vizinha Tanzânia, muito apoiados
pela China.
A minha Companhia teve 14 mortos em
combate, 7 em emboscadas e 7 por accionarem minas.
Fomos a 3ª Companhia da Guerra de Moçambique com
mais baixas, um score que fala por si.
Vi, hoje, em diferido na RTP
multimédia, a 1ª parte do programa Prós & Contras e,
devo dizer, que notei a ausência de verdadeiros
operacionais da época com consciência política e
experiência suficiente para dissertar com
credibilidade. Vi, sim, oficiais superiores caducos
a defenderem pontos de vista completamente fora da
realidade, vi um guerrilheiro (que tinha sido
enfermeiro) a dizer a cassette e um
embaixador da Guiné com manifestas dificuldades de
comunicação mas, que, não deixou de dizer que a
consciência, na época, não era lá muito a de se
libertarem da colonização.
A nossa consciência de jovens
oficiais arrebanhados para irem à guerra originava
duas opções: ou se desertava (mais fácil), ou se
alinhava. Desertar era mais fácil pois havia muitos
países abertos a receber, quer refractários, quer
desertores e muitos ficaram a residir nesses países.
Como oficiais com formação universitária, alguns de
nós, de tendências esquerdistas e que alinhavam,
tinham a consciência que a solução não era
prosseguir a guerra mas sim, no terreno, controlá-la
e, mesmo, sabotá-la. Por exemplo, como ex-oficial,
posso dizer que falseávamos relatórios de operações.
Na minha Companhia chegámos mesmo a retirar o poder
administrativo dos sargentos que, como muitos,
desviavam dinheiro na gestão da Unidade. Corrupções
deste género não eram raras e todos se lembrarão do
caso do Major Valentim Loureiro que foi suspenso da
carreira militar e, mais tarde, reintegrado depois
do 25 Abril, uma ironia, precisamente porque na sua
posição de oficial de Administração Militar, tinha a
faca e o queijo na mão. Era, na verdade, muito
fácil, golpear o sistema, pois a maior parte dos
oficiais superiores estava farta da guerra onde não
se vislumbrava solução. Pessoalmente, tinha
conversas com o meu Comandante de Batalhão sobre
este assunto, pois um militar de carreira não se
importa de ir para a guerra, quer é que ela tenha um
princípio e um fim e o fim da Guerra Colonial não se
vislumbrava de todo. Mais: o apoio logístico e
operacional era deplorável.
Cheguei a Moçambique em Março de 1971
- depois de uma viagem de 21 dias no navio Niassa
com dois Batalhões a bordo, 1.500 pessoas, os
soldados a viajarem em condições infra humanas nos
porões, tal como gado - no rescaldo da Operação Nó
Górdio, planeada pelo General Kaúlza de Arriaga, um
ultra do regime e que até era um óptimo estratega e
que, quando a imaginou, era para ganhar. Quando o
general solicitou mais dinheiro ao poder central
para terminar a operação, foi-lhe recusada a
pretensão, pois, era uma ameaça para Marcelo
Caetano. Kaúlza de Arriaga era ambicioso e
inteligente e não custa imaginá-lo 100% vitorioso no
terreno e a tentar tomar, de seguida, o poder em
Lisboa. A Frelimo estava quase desfeita no terreno,
contudo com os seus quadros intactos, mas, a sua
derrota esteve eminente.
No vosso programa notei a discussão
em torno de Guerra Colonial e Guerra do Ultramar,
mas ninguém fez notar que a dicotomia de
Esquerda/Direita na época, era bem definida e não
como agora, que está diluída. Assim como, também
ninguém se referiu à situação particular de Angola
onde nasci em 1948. Ir para Angola, estabelecer-se e
fazer uma vida, não era para todos. Eram pessoas
escolhidas com emprego assegurado e, sobretudo,
aqueles que não sendo activistas de Esquerda, eram
assim mantidos afastados, caso de meu pai que
trabalhou na ex-Diamang, Companhia de Diamantes de
Angola, de 1945 a 75. Na verdade, em Angola, os
tentáculos da Pide eram mais ténues. Em Angola,
quando o MPLA se constituiu, englobava poucos
negros, bastantes mulatos e alguns brancos que
sustentavam a Independência negociada mas mantendo
uma relação próxima com a ‘Metrópole’. Nada disto
Salazar contemplou, nascendo assim o movimento
armado. O novo regime do 25 de Abril, feito por
oficiais descontentes com a Guerra
Colonial/Ultramar, um golpe de Estado, despachou à
pressa a independência, originando a guerra civil
com os resultados que se conhecem, ou seja, um
tremendo erro histórico que permitiu todo o tipo de
corrupção e a depauperação de um povo cuja terra é
das mais ricas do planeta. Em 1974, a guerra em
Angola estava circunscrita a pequenas zonas no Leste
e a Unita fazia jogo duplo com o colonizador
atacando o MPLA que se enfraquecia cada vez mais.
Vivemos um tempo em que, finalmente,
podemos historiar este assunto.
Elogio, naturalmente, o vosso
trabalho, bem como o de Joaquim Furtado.
Contudo, a ausência de testemunhas
mais credíveis é o que lamento.
Ser-vos-ia interessante visitar o
site dos ex-combatentes
http://ultramar.terraweb.biz pois aqui se
depositam memórias daquilo que mais ficou em nós,
malgré tout, o espírito de corpo e de irmandade
que nos une para sempre, independentemente de se ser
a favor ou contra.
Cordialmente,
Rui Pedroso Neves
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José
António de Albuquerque Dias – Alf. Mil.
09113667 da C. Caç. 3310 / Bat. Caç. 3834 -
Moçambique – FEV71 a MAR73 – OMAR e TOMA DO NAIROTO.
De:
Jose Antonio de Albuquerque Dias [mailto:albuquerquedias@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 16 de Outubro de 2007
11:11
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Debate RTP 1 Programa Prós e
Contras15OUT2007
Camaradas,
Nunca esperei nada de especial deste programa,
porque ninguém está preparado para enfrentar de
repente e quase de improviso um tema desta natureza
...
A areia do tempo e a máquina ideológica instalada
vão apagando as memórias e os argumentos vão-se
desvanecendo e estreitando.
Resta (ainda) algum tempo, mas já muito curto, para
conseguir demonstrar uma traição que se instalou e
enraizou no quotidiano cultural dos portugueses de
hoje.
Penso que devemos estar todos melhor preparados para
aproveitar as raras ocasiões que como esta possam
surgir.
Enorme abraço para todos !
José António de Albuquerque Dias –
Alf, Mil. 09113667 da C. Caç. 3310 / Bat. Caç. 3834
- Moçambique – FEV71 a MAR73 – OMAR e TOMA DO
NAIROTO.
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