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RI8

Regimento de Infantaria 8 (RI8)

 

Regimento de Infantaria 8

 

«SENTINELA DO MINHO»

 

«BRAÇO ÀS ARMAS FEITO»

 

 

Fonte:

Jornal do Exército, ed. 69, pág.s 24 e 25,

de Setembro de 1965

 

Síntese Histórica do Regimento de Infantaria 8

 

 

Alcançada a Liberdade da Pátria em 1640, tornava-se necessário fazer uma rápida preparação militar, para a luta que teria de travar-se, a fim de assegurar a independência nacional.


Para o efeito, nomeados governadores das armas com latos poderes para as cinco províncias em que então se dividia o território nacional, foram também despachados homens de confiança para os pontos mais importantes, encarregados de levantar gente para a guerra e de organizar unidades militares.


Para Castelo de Vide foi enviado, em 21 de Dezembro de 1640, D. Nuno de Mascarenhas, tendo recebido em Janeiro do ano seguinte a categoria de Mestre de Campo, sendo-lhe dada ordem para remeter à Praça de Armas do Alentejo, Praça de Elvas, a gente que fosse recrutando.


Em 12 de Junho, Salvador de Brito Pereira, Alcaide-Mor de Alter do Chão, foi encarregado de levantar gente naquela vila, em Monforte, Sousel e Castelo de Vide.


As tradições do Regimento de Infantaria n.º 8, começam com o Terço de Castelo de Vide, na célebre Batalha de Montijo, travada em Maio de 1644, contra as tropas espanholas. Depois em 1651, tomou parte no ataque a Salvaterra e no cerco de Badajoz em 1657. Participou, em 1659, na batalha de «Linhas de Elvas», em 1663 na de «Ameixial» (recuperação de Évora), no assalto a Valença de Alcântara (1664) e na batalha de Montes Claros (recuperação de Vila Viçosa) em 1665.


Todos estes gloriosos feitos de que o actual Regimento de Infantaria 8 (RI8) pode orgulhar-se, se processaram durante a campanha da Restauração.


Durante a Guerra da Sucessão de Espanha, o Terço de Castelo de Vide, tomou parte no cerco e rendição de Valença de Alcântara. Em 1703, por decreto de 11 de Novembro de 1707, passou a denominar-se Regimento de Infantaria da Praça de Castelo de Vide, e continuou a fazer parte do Exército de operações que combatia contra a Espanha, na guerra que terminou em 1714. Manteve esta designação até 1762; mas, em Setembro deste ano, por proposta do Conde de Lippe, se procedeu ao desdobramento em 1.º e 2.º Regimentos de Infantaria da Praça de Castelo de Vide. Terminada a rápida campanha contra a Espanha, as unidades foram reintegradas na antiga, voltando, em Maio de 1763, a existir somente o Regimento de Infantaria da Praça de Castelo de Vide.


A partir de 19 de Maio de 1806, data em que o Conde da Barca reorganizou o exército, dando aos Regimentos uma numeração seguida, o Regimento da Praça de Castelo de Vide passou a designar-se por Regimento de Infantaria n.º 8, continuando aquartelado em Castelo de Vide.


Entre 1810 e 1814, o Regimento de Infantaria 8 (RI8) participou na Batalha do Buçaco (1810); cerco de Almeida, Fuentes de Oñoro, Albuera, Ciudad Rodrigo e Sítio de Salamanca (1811); Sítio de Burgos e Batalha dos Pirenéus (1812); Batalha de Nivelle, Combate de Urdach, Batalha de Nive, Combate de Turbes e Bloqueio de Pamplona (1813); Batalha de Orthez, Toulouse, Combate de Bederere e Combate de Barcelona (1814).


Foi no Buçaco que o Regimento de Infantaria 8 (RI8) escreveu mais uma brilhante página de heroísmo para o seu já glorioso historial. Os franceses julgavam-se senhores de todas as posições, surge uma carga de baioneta, dada pelos Regimentos 45 e 88 ingleses e pelo 8 de Infantaria portuguesa, que fez frustrar por completo as aspirações dos calejados «poilus» de Napoleão, habituados a violar fronteiras como quem vai para uma parada e a vencer as batalhas mais difíceis.


Esta carga causou a mais funda impressão no espirito dos dois chefes ingleses.


Wellington, na parte oficial da batalha dada ao Conde de Liverpool, dizia:


«...Peço permissão para assegurar a V. Ex.ª, que nunca presenciei um mais bravo ataque, do que aquele feito pelos regimentos 88 e 45 e pelo regimento português n.º 8 sobre a divisão inimiga que havia subido a serra...»


Por sua vez, o Marechal Beresford escreveu:


«A conduta do regimento n.º 8 foi extremamente brilhante, pelo ataque de baioneta que fez ao inimigo com os regimentos ingleses.»


Terminada a guerra Peninsular o bravo Regimento de Castelo de Vide passou em 1816 para Castelo Branco.


Surgem as lutas civis em 1828 e o Regimento de Infantaria 8 (RI8) coloca-se do lado da facção realista contra as hostes liberais, que seguiu até ao fim da luta.


Por decreto de 9 de Julho de 1829, os Corpos deixaram de ter número e passaram a ser designados pelos nomes das terras onde tinham seus quartéis; e em virtude desse documento e por força do decreto de 15 de Abril de 1830, passou a designar-se por «Regimento de Infantaria de Extremoz». Mas voltou a ser Regimento de Infantaria n.º 8 por decreto de 19 de Fevereiro de 1834, por a experiência ter demonstrado que a nova organização não satisfazia as necessidades do Exército.


Neste mesmo ano foi dissolvido, nos termos da Convenção de Évora Monte, mas logo reorganizado em 18 de Julho, continuando em Extremoz. Em 1835 teve quartel em Elvas e Setúbal e pelas reformas militares em 1837, pelas quais foram extintos os Regimentos de Infantaria, foi organizado em Penafiel o Batalhão de Infantaria n.º 8.


Em 1841 foi colocado na cidade de Braga, onde ainda se encontra.


Pelas reformas militares em 1842 passou a ter novamente a categoria de Regimento, visto não ter resultado a experiência de 1837.


Fm 1846, resiste no seu quartel ao assalto dos partidários da Revolta da Maria da Fonte e participa na Acção de Torres Vedras.


Chegamos à Grande Guerra que ensanguentou a Europa de 1914 a 1918 e um Batalhão do Regimento de Braga marchou para a Flandres, onde constituiu, com os Batalhões de Infantaria 3, 20 e 29, a distinta Brigada do Minho, que deixou de si nome perdurável. Foi ela que suportou, na manhã nevoenta de 9 de Abril, a maior avalancha alemã que se abateu sobre as trincheiras portuguesas. As vagas sucediam-se ininterruptas contra o Batalhão do 8, as quais os soldados do Minho repeliam com impressionante firmeza. (Batalha de La Lys, Fauquissart e Red House — 1918).


Passam-se anos e é em Braga, no quartel de Infantaria n.º 8, que tem início a revolução de 28 de Maio de 1926, chefiada por essa prestigiosa figura militar que se chamou Manuel de Oliveira Gomes da Costa.


Na Guerra Mundial que começou em 1939 e só terminou em 1945, Infantaria 8 mobilizou um Batalhão, ao qual foi dado o n.º 68, que foi guarnecer a nossa Província de Moçambique, onde permaneceu 4 anos. Regressou ao Continente em 1944, deixando, contudo, na terra portuguesa de Africa, 12 soldados valorosos, que sucumbiram às fadigas e trabalhos que tiveram de suportar, os quais o Regimento e a Pátria não poderão nunca esquecer.


Hoje, como nos 324 anos da sua existência, dando continuidade ao seu glorioso passado, o brioso Regimento de Infantaria n.º 8, prepara homens para defesa da integridade do solo Pátrio nas terras longínquas do nosso Ultramar, nesta hora grave da nossa História, como o atestaram as Subunidades nele formadas:


Companhia de Caçadores 94 (CCac94) destacada para a Guiné;
Comando e Companhia de Comando [CCS] do Batalhão n.º 159 [BCac159], Companhia de Caçadores 152 (CCac152) e Pelotão de Morteiros n.º 20 (PelMort20) destinados a Angola.


Tem o Regimento de Infantaria n.º 8. como se vê, pergaminho, e pedra armoriada no historial do Exército Português.

 

 

 

 

 

 


 

        

 

 

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