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Angola

Batalhão de Cavalaria 745

 

Batalhão de Cavalaria 745

 

 

«NÓS QUEREMOS»

 

«NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE»

 

Os «ZÉ BRAVO»

 

Angola

 

18Jan1965 a 28Fev1967

 

                                     

 

 

Jornal do Exército, edição 94, de Outubro de 1967

 

«O 745 DE CAVALARIA»

 

 

Assim ficou conhecido em ANGOLA, o Batalhão de Cavalaria n.º 745, uma Unidade que regressou há pouco daquela Província Ultramarina, e que ali cumpriu valorosamente o seu dever no decurso de toda a sua comissão de Campanha.


Desembarcado em LUANDA em 18 de Janeiro de 1965, logo foi destacado pata o NORTE, para assumir a responsabilidade da área de ZALA, ao tempo considerada das mais nevrálgicas e difíceis daquela zona de operações.
 

 

Com as suas bases em ZALA, BELA VISTA e VILA PIMPA, o 745 iniciou então a sua brilhante carreira em terras de Angola, estudando, planeando e executando a missão de quadrícula que lhe foi atribuída, num trabalho sério, sem alardes, mas firme nos seus propósitos e determinação.

Ali recebeu, a quase totalidade dos seus homens, o baptismo de fogo que consagra o combatente; ali perdeu os seus primeiros homens em combate; ali se revelou como Unidade de elite e afirmou indiscutivelmente o seu exemplar espírito de Corpo.
 

 

Desenvolvendo uma actividade constante, agressiva, sem desfalecimentos e sempre imbuídos daquela inquebrável força de vontade inspirada na sua Divisa simples, mas significativa, de «QUEREMOS», os homens do 745 — os «ZÉ BRAVO», como ficaram conhecidos de todos — bem mereceram da admiração de quantos acompanharam o seu esforço, aplicado em ar de quem pede licença para ser melhor, porque os bons são simples e eles foram bons e melhores porque «quiseram». Atestando a envergadura da sua acção, ficarão os resultados de tantas operações realizadas, cujos nomes serão uma eterna recordação para cada «Zé Bravo»: KATESPERO, FAISÃO VERDE, GALOPE CURTO, DUAS PASSADAS, DIAMANTE NEGRO, PELICANO ACROBATA, GAVIÃO AZUL, DONA CHICA II e quantas mais poderiam ser mencionadas, que nenhuma foi menos violenta, de nenhuma menos se orgulham.

 

Cerca de sete meses depois, era o 745 escolhido para Unidade de intervenção do Comando da Região Militar de Angola, tendo merecido de S. Ex.ª o General Comandante da Região referência elogiosa pela sua acção na quadrícula, em que foi ressaltado o «espírito de missão» patenteado pelo Batalhão, o qual, «tendo a seu cargo uma ZA tradicional e realmente difícil pela natureza do terreno e do inimigo ali existente», desde o início da sua permanência no subsector de ZALA, conduziu «da melhor forma a sua acção, traduzida na criteriosa e intensa actividade operacional desenvolvida com vincada agressividade».
 

 

Inicia então o 745 um novo período da sua já exemplar conduta, não menos árduo nem arriscado do que fora o trabalho dos primeiros sete meses. Actuando nas regiões mais nevrálgicas da ZIN e sempre no cumprimento das missões de maior esforço e risco, os «ZÉ BRAVO» acrescentaram novos motivos de justificado orgulho aos que já bem mereciam pelo que já haviam feito.

Continuou assim o 745 a consolidar a posição que havia alcançado pela preparação inicial que lhe fora dada, e pela experiência que entretanto acumulara, juntando, em mais seis meses de intensa actividade de campanha, nove operações às vinte e oito que em igual tempo realizara na quadrícula, pelo que mereceu de S. Ex.ª o General Comandante da RMA, o LOUVOR que se transcreve:

«O Batalhão de Cavalaria n.º 745, por, em actuação no Sector dos DEMBOS, designadamente nas Operações «ASSALTOS COORDENADOS D2», ATOLEIROS D» e «SALADO D», ter agido sempre com a maior agressividade e conseguido vibrar duros golpes no prestígio que o inimigo poderia ter nas regiões das operações, especialmente nos vales dos rios CASSULO e CUILO, CAUSSEQUE, LUSSANZUA e na MATA-BALA.
 

 

O Batalhão de Cavalaria n.º 745 prestou a melhor colaboração às operações citadas, tendo fornecido por vezes efectivos superiores aos que lhe eram determinados, a fim de possibilitar a obtenção de melhores resultados, e executou as missões que recebeu com sã alegria de combate. A sua vontade de proveitosa colaboração, a sua própria confiança e a sua combatividade demonstrada através das missões queforam das principais, por mais perigosas, são índice duma boa preparação e de um excelente espírito militar, que torna o Batalhão de Cavalaria n.º 745 uma Unidade de elite, por valorosa, do que me apraz dar público louvor.»

De facto, no fim deste primeiro ano de constante e extraordinária actividade de campanha aplicada em toda a zona do Norte de Angola, dada sempre com o melhor espírito e vontade na acção pelas suas Companhias e outras Subunidades operacionais eventualmente constituídas, o 745 de Cavalaria, funcionando sempre como um todo, era sem dúvida uma Unidade que granjeara a maior confiança e um merecido prestígio. Assim, ao seu Comando, além das próprias Subunidades orgânicas — CCS e CCAV 744, 743 e 742— foram entregues também as outras Unidades de Reserva da RMA sediadas em LUANDA.
 

 

 

E após curto período de 3 meses em que o Batalhão se manteve, para recuperação, no serviço da defesa de Luanda, porquanto se encontrava então a 40 % da sua capacidade operacional, pelo número de indisponíveis, o que bem atesta o esforço a que havia já sido submetido e a que não se poupara num magnífico exemplo de espírito de missão, de novo regressaram as suas Subunidades a intensa actividade operacional, destacando as Companhias para a Operação QUISSONDE e outras, das quais sobressai a Operação «DETERMINADOS», em que coube à CCAV 743 o assalto ao importante quartel inimigo do QUIUEMBO-ZALA. Também neste período destacou para a ZIL o seu Pelotão de Sapadores que mereceu pela sua acção uma referência elogiosa.

O 745 chegou a Lisboa no dia em que fazia precisamente vinte e seis meses que partira do Cais da Rocha, no paquete «Vera Cruz», tendo coberto praticamente toda a sua comissão em actividade de campanha, e tendo dado exemplo de forte espírito de corpo, excelente preparação inicial, e constante vontade de cumprir, da melhor maneira, o seu Dever e a sua Missão.

 

 

 

 

 

 

 

 

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