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MOÇAMBIQUE - Em memória dos Militares que tombaram em combate no dia 23Jul1973

 

 

Em memória dos

 

 

Militares que tombaram em combate no dia

 23 de Julho de 1973

ao serviço de Portugal

 

 

 

 

Batalhão de Artilharia 3887

 

Companhia de Comando e Serviços (CCS)

 

Companhia de Artilharia 3558

 

Mobilizadas pelo Regimento de Artilharia Ligeira (RAL3 - Évora)

 

 

 

 

Texto e fotos do veterano A. Abel F. Rosa

(23Jul2014)

Mecula, Niassa, 23 de Julho de 1973.

A coluna, composta por vários camiões civis e escoltada por várias berliet’s militares partiu muito cedo de regresso a Marrupa.

Uma berliet com os componentes da secção de detecção de minas e alguns voluntários, decidiram adiantar-se para começar a picar (detectar minas).

Uma explosão enorme ouviu-se no quartel, despertando a todos que dormíamos, pois como disse, era muito cedo.

Todos sabíamos o que tinha acontecido, mas tínhamos a esperança de que fosse somente um susto e creríamos nos milagres.

Imediatamente, via rádio, começaram a chegar más notícias: Dois mortos e bastantes feridos, muito graves.

Informaram que na Berliet que se tinha adiantado viajavam 13 soldados.

Se mobilizou em seguida um grupo de voluntários para dar assistência e evacuação aos feridos, mas o tenente médico não teve "cataplines" para sair e não estava entre os voluntários. O grupo de enfermeiros estava chefiado pelo furriel Ferrão.

As notícias eram cada vez mais dramáticas: O número de mortos ia aumentando.

Se pediram urgentemente meios aéreos para evacuar os feridos.

Eu, nesse dia, entrava de sargento de piquete e me dirigi com 8 soldados para a pista para montar a correspondente segurança.

Na pista eu não tinha rádio e desconhecia o número de feridos a evacuar.

Passado algum tempo chegaram dois aviões. Pouco depois apareceu uma viatura com o furriel Ferrão e três feridos. Eu perguntei-lhe quantas viaturas vinham e ele respondeu-me: Só esta. Eu exclamei: Meu Deus!

O Ferrão e um soldado transportaram para o avião o 1º ferido. Um sodado e eu agarrámos no 2º ferido, que era um Moçambicano de cor preta. No trajecto da viatura ao avião vi que a cabeça dele caía para um lado e disse ao Ferrão: Morreu.

O piloto, que não tinha descido do avião, parece que ouviu o que eu disse e gritou: Se está morto não o levo. Eu repliquei: Não está morto. De certeza? Insistiu ele. Eu respondi: Sim, não vê que se mexe! Mas era mentira.

Metemos o 3º ferido, e o avião partiu rumo a Vila Cabral.

No quartel tinham ficado dez mortos, mais um no avião, dava um total de onze. E dois feridos graves: O Albino, que hoje se move numa cadeira de rodas, e o Pina, condutor da berliet, que psiquicamente ficou destroçado e morreu passados alguns anos.

Talvez tenha sido este o maior acidente com minas na história do exército Português, mas apenas foi difundido e poucos tiveram conhecimento! A mega-mina de Mecula, compunha-se duma mina no rodado ligada a 3 mais no centro da picada. Pelo aspecto da fotografia podemos ver a magnitude da explosão e como foi reduzido a escombros um camião militar.

Hoje, passados 41 anos, quero homenagear aos companheiros mortos e feridos, componentes da CCS e da CART 3558 do Batalhão de Artilharia 3887.

QUE DESCANSEM EM PAZ.

 

 

 

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 1973 Em memória dos militares que tombaram ao se
 

 

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