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Memoriais

Efeméride: 20Abr1970 Guiné - Foram mortos 3 Majores, 1 Alferes e 3 Guias, do Exército Português

 

Para que a memória não se esvaia com o decorrer do tempo:

 

Com a apoio de um colaborador do portal UTW

 

«Os nossos filhos nunca se hão-de envergonhar dos nomes que usam.»

(Mário José Pereira da Silva, brigadeiro, ministro do Exército 13Abr1961-04Dez1962)

 

 

 JE Mai61

 

 

Foi há 50 anos - 20 de Abril de 1970 - no noroeste da Guiné, que aconteceu o "Massacre do Chão Manjaco".
Foram barbaramente abatidos, por três pseudo-guerrilheiros do PAIGC:
3 Majores, 1 Alferes e 3 Guias, que haviam sido incumbidos, pelo comandante-chefe, de negociar um plano de cessar-fogo na região norte da Guiné

 

 

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados que se seguem:

 

"Bolanha de Cachabate", por J. C. Abreu dos Santos

 

«... Ao alvorecer de 21 de Abril de 1970, os corpos daqueles 4 militares portugueses e dos 3 guias, são encontrados, retalhados e com um tiro na nuca. ...»

 

 

 

Paz às suas Almas

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Mensagem do Capitão de Artilharia José Manuel de Sousa Potier - 20Abr2020

 

Perfazem-se no dia de hoje e por esta hora, cinquenta anos da morte no Pelundo - Guiné, dos Senhores Major Art.ª CEM Raúl Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, que foi meu Comandante de Bataria do Com Art.ª (EPA) em 1960 /61, Major Art.ª Joaquim Pereira da Silva, Major Inf.ª Alberto Fernão de Magalhães Osório, Alferes Mil.º Cav.ª Joaquim João Palmeiro Mosca e Auxiliares Nativos Patrão da Costa, Aliu Sissé e Mamude Lamine Djuare.


Recordando-os como vítimas desse trágico acontecimento, lembro também todos aqueles que morreram durante os acontecimentos que todos recordamos como a Guerra do Ultramar em que participamos.


Permitam-me que lembre em particular o meu distintíssimo Comandante de Bataria, que sei que todos os seus antigos Soldados Cadetes do meu COM na EPA recordam com a mais viva saudade neste dia.


José Manuel de Sousa Potier
Cap. Mil.º Art.ª

 

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Vídeo: 50.º Aniversário da Morte do nosso Major Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos - 20Abr2020 - do Eng.º Ângelo Vidal Correia

 

 

 

 

 

 

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Tenente-Coronel Joaquim Pereira da Silva, por Afonso M F Sousa

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fonte:

Revista "Domingo" do jornal "Correio da Manhã"

30 de Março de 2008

Francisco Rodrigues, Furriel Mil.º

 

"Vi os corpos mutilados dos três majores"
 

Só fui chamado para a tropa aos 21 anos, por causa dos adiamentos. Fiz a recruta em Tavira e, depois, a especialidade de atirador no Regimento de Infantaria de Beja.

Estava no Regimento de Infantaria 3, em Beja, quando fui mobilizado para a Guiné. Tinha sido promovido a furriel. Soube que ia em rendição individual – para o lugar de um camarada morto em combate. Embarquei no navio Uíge, em 22 de Outubro de 1969, com destino a Bissau. Seis dias depois apresentei-me na Companhia de Caçadores 2596, aquartelada no Pelundo, na região central da colónia.


Passei por um momento muito difícil e que ficou para a história da Guerra do Ultramar. Foi o episódio bárbaro e sangrento da morte dos três majores portugueses e de um alferes que os acompanhava. Foram mortos à traição, desarmados, e cortados à catanada por um grupo de guerrilheiros, na zona de Jolmete, relativamente perto do aquartelamento da minha companhia, no Pelundo.


Os três majores (Pereira da Silva, Passos Ramos e Magalhães Osório) tiveram vários encontros com chefes da guerrilha a fim de os convencer a abandonarem a luta. Isto fazia parte de um plano secreto do general Spínola, então comandante-chefe. Soube-se depois que o trabalho dos majores estava a dar resultados. A guerra na Guiné ou acabava ou endurecia.


Na manhã de 20 de Abril de 1970, reparei que dois jipes saíram do quartel para os lados de Jolmete. Eu nem sonhava o que estava a acontecer. Naquelas viaturas, vim a saber, seguiam os três majores, o alferes Mosca e três guias guineenses. Iam para mais um encontro.


Ao fim da tarde, o capitão da companhia quis saber quais eram os pelotões que estavam livres. Estavam dois livres – o primeiro, comandado pelo alferes Francisco, e o quarto, que estava à minha responsabilidade e de um outro furriel, o Carlos Silva. O capitão estava com cara de caso. Informou-nos que os três majores tinham ido de manhã para Jolmete e deviam ter regressado ao Pelundo pela hora do almoço – mas, ao fim do dia, ainda não tinham dado sinais de vida: ou estavam mortos, ou sequestrados. Recebemos ordens para sair imediatamente à procura deles. Já era de noite.


Chamámos o pessoal dos dois pelotões e saímos, bem armados e prontos para a porrada, por volta da meia-noite. Éramos uns 50 homens. Levámos dois guias, o Dibo e o Massabá, guineenses da nossa confiança. À frente, seguia o primeiro pelotão, do alferes Francisco. Depois, iam duas viaturas ‘unimogues’. A fechar a coluna, ia o meu pelotão.


Após umas quatro horas de caminho, já tínhamos percorrido uma dezena de quilómetros, parámos a um sinal dos guias. Eles tinham conseguido ver na escuridão, lá mais à frente, a traseira de um dos jipes que procurávamos. Como era de noite não nos aproximámos do jipe – porque podia estar armadilhado. Só avançámos quando o dia clareou. Aquilo podia ser uma emboscada. Aproximámo-nos com todo o cuidado. Vimos então uma cena macabra – uma tragédia que por mais que me esforce não consigo limpar da cabeça.


Os majores, o alferes e os três guias que os acompanhavam tinham sido barbaramente assassinados. Os corpos estavam horrivelmente mutilados. Apresentavam golpes de catana no pescoço, nos braços e nas pernas – e foram abertos ao meio à catanada. Devem ter sofrido muito. Os cadáveres dos três guias ainda estavam em pior estado: foram cortados aos bocados. Os sete corpos estavam espalhados. Dava a ideia de que tentaram fugir. Partiram desarmados para o encontro. Não tinham maneira de se defenderem. Foram apanhados à traição. Todos eles eram homens valentes.


Recolhemos os corpos, com a ajuda dos nossos guias, e colocámo-los tapados nos ‘unimogues’. Entrámos em contacto com o nosso comandante para lhe dizer o que se passava. Daí a pouco, recebemos ordens para permanecermos no local - porque o nosso general Spínola ia a caminho, de helicóptero, e era preciso assegurar a protecção da zona. Nós não sabíamos se estávamos a ser cercados por uma força de guerrilheiros do PAIGC. Assegurámos um perímetro de segurança. O meu pelotão ficou a proteger uma zona mais afastada. Vi o helicóptero ao longe: aterrou – e descolou momentos depois numa nuvem de pó. Spnínola foi lá. Se os guerrilheiros andavam por perto, e era natural que andassem, não se manifestaram e nem nós os vimos. Nem disparámos um tiro.


Chegámos com os corpos ao quartel de Pelundo em cima da hora do almoço. Acho que nem almocei. Ainda hoje, retenho na memória as imagens horríveis daqueles corpos esquartejados.
[...]

 

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Os instruendos do COM 1960/1961 da Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, no próximo dia 16Jun2012, no Regimento de Artilharia 4 - Leiria, vão recordar a efeméride, nomeadamente, o então Capitão Passos Ramos, Comandante da Bataria do referido COM

 

O evento do COM - Curso de Oficiais Milicianos 1960/1961 - no RA4-Leiria

No dia 20 de Abril, em que se espera que seja publicado o primeiro anúncio público do nosso Convívio marcado para o dia 16 de Junho de 2012, que segue em anexo, decorrerão precisamente 50 anos sobre a data da operação em que foi morto o nosso nunca esquecido Comandante de Bataria do COM, Senhor Capitão de Artilharia Raúl Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos.

As fotografias que integram esta mensagem apresentam-no tal como ele era: fardado formalmente, como algumas vezes o vimos, a última das quais, talvez, no dia em que fomos promovidos a Aspirantes a Oficial Miliciano e deixamos Vendas Novas, e em convívio na Guiné, onde participou em operações que todos que o recordam sabem que o fez da forma que adoptou sempre que actuou em acção: com desprezo pela própria vida mesmo conhecendo os enormes riscos que ele próprio e alguns dos seus Camaradas que com ele estão fotografados corriam.

Ajudou muito a formar-nos, enquanto Militares e, sobretudo, como Homens.

Recordá-lo neste dia é da mais elementar justiça.

Com os cumprimentos Amigos do

José Manuel Potier

 

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