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"Pesquisa académica sobre
soldados e policiais africanos e mestiços... "
O
professor Jochen Steffen Arndt, doutorando na universidade
norte-americana do Illinois –, na qual é um
«third-year
Ph.D. student in African history, where his research focuses on
the relationship between colonialism, violence and identity
formation» –, enviou
para diversos destinatários um email, no qual reproduz parte da
apresentação do seu portal "ForgottenAfricanSoldiers.org",
manifestando desejo em
«ouvir soldados e policiais
"brancos" que serviram com colegas africanos ou mestiços em
África», no âmbito
de um seu «projecto
de pesquisa académica sobre soldados e policiais africanos e
mestiços que serviram com as forças coloniais portuguesas em
Angola, Guiné e Moçambique entre 1961 e 1974»,
e cuja explícita finalidade é a obtenção de um doutoramento em
História.
Para conhecimento, e
eventual contacto pessoal com aquele académico, anexo reprodução
do supracitado email.
Cpts,
Abreu dos Santos
2010/09/29 - Mensagem de
Jochen Steffen Arndt
Contacto: E-mail:
jarndt4@uic.edu
email recebido de
Jochen Steffen Arndt
<jarndt4@uic.edu>
date/time: 2010-09-28 10:15:06 PDT
sender IP: 24.12.28.22 [United States]
Chicago, Illinois ( +1 936 615 7420)
Exmos. Senhores,
O meu nome é Jochen Steffen Arndt, sou
instrutor na Universidade de Illinois, Chicago (EUA) e em
processo de obter o meu Doutoramento em História. Estou
escrevendo para os senhores, para solicitar a vossa ajuda num
projecto de pesquisa académica.
Como podem ver no meu site –
www.forgottenafricansoldiers.org
–, estou realizando um projecto de
pesquisa sobre soldados e policiais africanos e mestiços, que
serviram com as forças coloniais portuguesas em Angola, Guiné e
Moçambique, entre 1961 e 1974. A minha percepção, é que a
história desses soldados e policiais é pouco pesquisada e mal
compreendida pela comunidade académica. As narrativas
pós-coloniais têm silenciado as vozes dessas pessoas,
concentrando-se nas experiências da minoria branca e dos seus
antagonistas nacionalistas. No entanto, ignorar esses soldados e
policiais ameaça representar a história da descolonização como
uma luta entre "brancos" e nacionalistas africanos.
Eu penso que os soldados e policiais
africanos e mestiços, demonstram que esta história é mais
confusa e mais complexa do que essa dicotomia sugere. Por que é
que esses soldados e policiais africanos e mestiços, entraram
para os serviços de segurança das colónias portuguesas? Quais
foram as suas experiências antes, durante e após o período de
conflito? Quais são as suas memórias do seu tempo de serviço?
Como é que eles sobreviveram no tempo pós-colonial?
O objectivo deste projecto, é
encontrar respostas para estas e outras perguntas, e usá-las
como fonte de material para um estudo académico sobre este
assunto. Na verdade, o objectivo deste projecto é garantir que
esses soldados e policiais "esquecidos", sejam devidamente
recordados e se tornem parte da narrativa histórica. Para
atingir este objectivo, são necessários os honestos e generosos
contributos desses soldados e policiais.
Ao mesmo tempo, gostaria de ouvir
também soldados e policiais "brancos", que serviram com colegas
africanos ou mestiços em África.
O site explica como os diversos
veteranos podem contactar-me.
Gostaria de saber, se poderiam
transmitir para outros interessados, estas informações e o URL
do meu site –
www.forgottenafricansoldiers.org
Desde já muito obrigado pelo vosso
tempo e ajuda.
Atentamente,
Jochen Arndt
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Nota da equipa do UTW:
Caros Veteranos da Guerra do Ultramar
Na eventualidade de estarem
interessados em darem o seu contributo para aquele projecto,
informamos que existe no site supra citado, no sítio
http://www.forgottenafricansoldiers.org/Page_2.html#Vers%C3%A3o_Portugu%C3%AAsa
um modelo que fornece algumas
sugestões:
(transcrição do que está online)
Versão
Portuguesa:
Este modelo
fornece apenas algumas sugestões. Você não tem de segui-lo
palavra por palavra. Escreve sobre o que você se lembra, o que é
importante para você, e o que nos ajuda a compreender suas
decisões, experiências e impressões. Acima de tudo, seja honesto
sobre suas motivações, acções, experiências e impressões no
passado.
Conte-nos sobre o seu passado antes da
sua contratação.
(Nome, idade, local, etnia, situação familiar, educação,
trabalho, religião)
Conte-nos sobre as circunstâncias do
seu recrutamento. (Quais
foram os factores que afectaram a sua contratação? Quis se
juntar para ganhar dinheiro? Quis participar porque gostou de
alguma coisa sobre o exército ou a polícia? Por quê o exército?
Por quê a polícia? Quem foi contratado com você - amigos? Será
que as pessoas que você conheceu - pai, mãe, irmão, etc. –
afectaram a sua decisão de aderir?)
Conte-nos sobre sua formação e
especialização. (Local e duração, os amigos, as
impressões, experiências)
Descreva o seu tempo nas forças
armadas ou policiais. (Como foi ser um soldado ou
policial? Como era a vida no quartel? Como foi a sua vida fora
do quartel? Você se sentiu orgulhoso de ser um soldado ou
policial? O que pensaram os seus familiares e amigos sobre você
ser um soldado ou policial? Lamentou uma vez a sua decisão de
ser um soldado ou policial? Como foi sua vida com os colegas
soldados ou policiais africanos (bons amigos)? Como foi a sua
vida com os colegas brancos? Você se dava bem com os soldados ou
policiais brancos? Você teve soldados ou policiais brancos como
amigos?)
Conte-nos sobre a guerra.
(Unidade, área, duração, impressões na partida para o teatro de
guerra, as impressões na chegada ao teatro de guerra)
Conte-nos sobre as suas experiências
no teatro de guerra. (Unidade, camaradas, o
relacionamento com os outros soldados e policiais africanos ou
brancos, experiências e impressões em relação aos veteranos, o
combate e as missões, morte, ferimentos, medo, excitação,
inimigo, alimentação, entretimento)
Conte-nos sobre o retorno da zona de
combate para a vida civil. (Recepção pela família e
pelos amigos? Como você lidou com danos psicológicos e físicos?
Como é que você se reintegrou na vida civil? Você teve nostalgia
da zona de combate?)
Finalmente, dá-nos algumas informações de contacto. No caso
de você gostaria de permanecer anónimo, recomendamos que nos dê
o seu primeiro nome e um endereço de e-mail. Por favor,
deixe-nos também saber se nós podemos perguntar-lhe sobre outras
perguntas por e-mail ou por entrevista (por telefone ou
pessoalmente). Finalmente gostaríamos também de saber se podemos
colocar a sua contribuição disponível online no seu primeiro
nome.
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O seu contributo deverá ser enviado para o e-mail:
jarndt4@uic.edu
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