A Ilha de
Moçambique
é uma cidade insular situada na província de Nampula, na região
norte de Moçambique, que deu o nome ao país do qual foi a primeira
capital. Devido à sua rica história, manifestada por um
interessantíssimo património arquitectónico, a Ilha foi considerada
pela UNESCO, em 1996 Património Mundial da Humanidade.
Actualmente, a
cidade é um município, tendo um governo local eleito.
O seu nome,
que muitos nativos dizem ser Muipiti, parece ser derivado de
Mussa-Ben-Bique, ou Mussa Bin Bique, ou ainda Mussa Al Mbique,
personagem sobre quem se sabe muito pouco, mas que deu o nome (na 2ª
versão) a uma nova universidade, sediada em Nampula.
A Ilha tem
cerca de 3 km de comprimento e 300-400 m de largura e está orientada
no sentido nordeste-sudoeste à entrada da Baía de Mossuril, a uma
latitude aproximada de 15º02’ S e longitude de 40º44’ E. A costa
oriental da Ilha estabelece com as ilhas irmãs de Goa e de Sena
(também conhecida por Ilha das Cobras) a Baía de Moçambique. Estas
ilhas, assim como a costa próxima, são de origem coralina.
Arquitectonicamente, a Ilha está dividida em duas partes, a "cidade
de pedra" e a "cidade de macuti", a primeira com cerca de 400
edifícios, incluindo os principais monumentos, e a segunda, na
metade sul da ilha, com cerca de 1200 casas de construção precária.
No entanto, muitas casas de pedra são igualmente cobertas com
macuti.
A Ilha de
Moçambique está ligada ao continente por uma ponte com cerca de 3 km
de comprimento, construída nos anos 60.
Resumo histórico
Quando Vasco
da Gama chegou, em 1498, a Ilha de Moçambique tornara-se uma
povoação swahili de árabes e negros com seu xeque, subordinado ao
sultão de Zanzibar e continuava a ser frequentada por árabes que
prosseguiam o seu comércio de séculos com o Mar Vermelho, a Pérsia,
a Índia e as ilhas do Índico. Onde na Ilha é hoje o Palácio dos
Capitães-Generais, fizeram os portugueses a Torre de S. Gabriel no
ano de 1507, data em que ocuparam a Ilha, construindo a pequena
fortificação que tinha 15 homens a proteger a feitoria nela
instalada.
A Capela de
Nossa Senhora do Baluarte, construída em 1522 na extremidade norte
da ilha, a mais próxima da Ilha de Goa, é o único exemplar de
arquitectura manuelina em Moçambique.
Em 1558
principiou a construção da Fortaleza de S. Sebastião - totalmente
com pedras que constituíam o balastro dos navios, algumas das quais
ainda se vêem na praia próxima - que só terminou em 1620 e é a maior
da África Austral. Esta fortaleza era muito importante, porque a
Ilha tinha-se tornado o entreposto da permuta de panos e missangas
da Índia por ouro, escravos, marfim e pau preto de África, e era da
Ilha que partiam todas as viagens comerciais para Quelimane, Sofala,
Inhambane e Lourenço Marques e os árabes não queriam perder os
privilégios comerciais que tinham adquirido ao longo dos séculos.
Para além dos
portugueses outros concorrentes europeus apareceram na corrida pelo
controlo das rotas comerciais. Os franceses conseguiram assumir o
papel de intermediários do negócio da escravatura para as ilhas do
Índico, os ingleses começavam a controlar as rotas de navegação
nesta região e os holandeses tentaram a ocupação da Ilha em
1607-1608 e, não o conseguindo, devastaram-na pelo fogo.
A reconstrução
da vila foi difícil, uma vez que o governo colonial não existia
senão para cobrar impostos e estava muito mais interessado nas
terras de Sofala - na Zambézia tinham-se institucionalizado os
Prazos da Coroa, e o desenvolvimento do comércio do ouro naquela
região leva a que a Ilha perca a sua primazia. Então, os cristãos
decidiram fundar na Ilha uma Santa Casa da Misericórdia que
funcionaria como Câmara Municipal, para a defesa dos cidadãos e da
terra, até 1763, ano em que a povoação passou a Vila. Esta viragem
resultou da decisão do governo colonial em separar a colónia
africana do Estado da Índia e criar uma Capitania Geral do Estado de
Moçambique baseada na Ilha, em 1752. A vila voltou a prosperar e, em
1810 é promovida a cidade.
A exportação
de escravos era o principal comércio da Ilha, tal como a do Ibo mas
a Independência do Brasil em 1822, que era o principal destino deste
comércio, voltou a deixar a Ilha no marasmo. O golpe final foi a
passagem da capital da colónia para Lourenço Marques, em 1898.
in
Ilha de Moçambique. (2006, Janeiro 18). Wikipédia, a enciclopédia
livre. Retrieved 17:30, Janeiro 30, 2006