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Falecimento

 António Lourenço de Sousa Lobato, Major Piloto-Aviador na situação de reforma

 

 

 

Nota de óbito

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

Faleceu no dia 8 de Março de 2024 o veterano

 

 

 

 

António Lourenço de Sousa Lobato

 

Major Piloto-Aviador na situiação de reforma

 

Aeródromo Base n.º 2 - Bissalanca

 

Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné

«ESFORÇO E VALOR»

 

 

 

 

...não só não assinaria como declarou que, se liberto, logo pediria à autoridade militar portuguesa para tornar ao combate....

in livro "Um Político Confessa-se: Diário 1960-1968",

de Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira

 

Enviado pelo veterano JC Abreu dos Santos:

 

Alberto-Marciano-Gorj-o-Franco-Nogueira-280... citando:


"NOTÁVEL PORTUGUÊS, E QUE EXEMPLO PARA OS MENINOS DE CÁ QUE VÃO A CURSILHOS, SÃO PACIFISTAS, TÊM TESES, SÃO MUITO SUPERIORES, SÃO MUITO EVOLUÍDOS, E CONSOMEM-SE EM DISCUTIR COM UM EMBEVECIMENTO PROVINCIANO SE A PÁTRIA DEVE OU NÃO EXISTIR".


– «Lisboa, 28 de Dezembro [de 1967] - Há quatro ou cinco anos que se encontra preso na República da Guiné o sargento-aviador português Lobato. Raptado pelos terroristas, estes têm-no conservado preso com a conivência de Sekou Touré. Preso conjuntamente com criminosos de delito comum, subalimentado, em condições de suprema degradação, e tudo isto num clima que derrota os mais animosos. Tudo tenho tentado para libertar aquele nosso sargento: a Cruz Vermelha, a Comissão Internacional de Juristas, o governo francês, as Nações Unidas. Tudo em vão. Há dias, as autoridades guineanas disseram que estavam prontas a libertar Lobato se este assinasse um compromisso: se solto, não voltaria a combater em África. Pois Lobato respondeu que não só não assinaria como declarou que, se liberto, logo pediria à autoridade militar portuguesa para tornar ao combate. Parece que perante tanto patriotismo e tanta coragem moral, as autoridades da Guiné ficaram estupefactas, e impressionadas. Falei no assunto ao general Gomes de Araújo. Este tomou o caso muito a sério, e reuniu os chefes de Estado-Maior das três armas: por unanimidade, resolveram que se não [ie, não se] podia autorizar aquele militar a tomar tal compromisso, nem mesmo o governo tem poderes para o permitir. Assim o transmiti para Paris. Mas que notável português, e que exemplo para os meninos de cá que vão a cursilhos, são pacifistas, têm teses, são muito superiores, são muito evoluídos, e consomem-se em discutir com um embevecimento provinciano se a Pátria deve ou não existir. Lobato, serenamente, anonimamente (pois ele não sabe que nós sabemos da sua atitude), não tem teses, não está propriamente a par da consciência universal - e está pronto a morrer».¹


¹ (Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira (17Set1918-14Mar1993), in "Um Político Confessa-se: Diário 1960-1968"; 1ªed. Livraria Civilização, Porto 1986; pgs 272/3)

 

 

 

 

 

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