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Carlos Alexandre de Morais, Major de
Cavalaria
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA E GLÓRIA
e
nota de
óbito |
Elementos cedidos
por um
colaborador do portal UTW |
Faleceu em Abril de 2007 o veterano
Carlos Alexandre de
Morais
Comando Territorial Independente do
Estado da Índia Portuguesa
Companhia de Cavalaria
626
Batalhão de Cavalaria 627
Guiné 1969 a 1971
1.ª Repartição do Quartel-General do
Comando Territorial
Independente da Guiné
«A LEI DA VIDA ETERNA
DILATANDO»
«CORAGEM E LEALDADE»
2 Medalhas de Prata de
Serviços Distintos com palma
O Livro:
"A
Queda da Índia Portuguesa"
Crónica da Invasão e
do Cativeiro

título: «A Queda
da Índia Portuguesa - Crónica da Invasão e do Cativeiro»
autor: Carlos Alexandre de Morais
editor: Estampa
edição:
2ªed. Lisboa, 1995 (revista e aumentada); (1ªed. Intervenção,
1980)
páginas:
427 (incluindo 39 fotos p/b, 12 mapas e bibliografia)
dimensões:
20,4x14cm
dep.leg: PT-91488/95
ISBN: 972-33-1134-8
Aquisição:
http://www.wook.pt/authors/detail/id/29360
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Jesuíta declarado herói, 45 anos depois
16/2/2008
| Jose Pedro Castanheira
in: Expresso, 9 de Fev
Só agora o padre Ferreira
da Silva, capelão do campo de concentração de Pondá, foi
louvado. 45 anos depois dos acontecimentos, o Estado português
louvou finalmente o sacerdote jesuíta Joaquim Ferreira da Silva,
com a Medalha Militar de Serviços distintos, grau ouro, com
palma.
Os acontecimentos reportam-se
a 1962 e ao campo de concentração de Pondá, onde estiveram
presos durante largos meses cerca de 1750 militares e civis,
na sequência da invasão de Goa, Damão e Diu pela União
Indiana. O episódio em causa foi presenciado pela quase
totalidade dos prisioneiros e viria a ser relatado por um
dos oficiais que ali esteve detido. Foi no livro ‘A Queda da
Índia Portuguesa. Crónica da Invasão e do Cativeiro’
(Estampa), que o coronel Carlos Alexandre de Morais
descreveu o sucedido no dia 19 de Março de 1962, e que
poderia ter redundado num massacre.
Tudo começou
com uma tentativa de fuga por parte de três prisioneiros,
que procuraram evadir-se no meio do lixo transportado pela
camioneta que todos os dias fazia a limpeza do campo. Quando
a viatura se preparava para transpor a porta de armas, um
furriel — que Carlos de Morais não nomeia —, denunciou a
tentativa de fuga ao comando indiano. Dois dos três
fugitivos foram imediatamente detidos, mas o terceiro
escapuliu, misturando-se com “a multidão de prisioneiros que
acorreu ao local”.
Ao mesmo tempo,
o delator, identificado pelos restantes prisioneiros, teve
que ser retirado do campo pelos militares indianos, para
evitar um provável linchamento. Um major indiano avisou
então que, caso se repetisse uma tentativa de evasão, não
hesitaria em fuzilar os seus autores — o que mereceu um
protesto de um dos oficiais portugueses mais graduados,
invocando a Convenção de Genebra.
O caso parecia sanado, até à chegada do brigadeiro Sagat
Singh, comandante-geral dos Campos de Prisioneiros de Goa.
Mandou formar os prisioneiros, enquanto montava em seu redor
todo um aparato bélico: metralhadoras, bazucas, morteiros.
E, em frente da porta de armas, um ameaçador pelotão armado.
Foi ainda a quente que o padre Ferreira da Silva descreveu
os acontecimentos de que foi o principal protagonista, num
artigo publicado na revista ‘Magnificat’, em 1962. Conta o
jesuíta (à época, tenente capelão de Pondá) que o brigadeiro
“mandou formar os soldados e perguntou se alguém queria
castigar o delator.
Ao contrário do
que esperava, os rapazes responderam em coro: “Todos!” O
homem ia indo aos arames. Mandou perguntar se tinham
entendido bem. E a resposta foi igual: “Todos!” Manda então
preparar o pelotão de fuzilamento e carregar as
metralhadoras.
Perante o risco
iminente de uma carnificina, o ex-missionário saiu da
formatura e dirigiu-se ao brigadeiro. “Pedi licença para
falar e perguntei-lhe se, como capelão, desejava que
dissesse alguma coisa aos homens. Mas a resposta foi seca:
“Não! É demasiado tarde! É preciso dar uma lição a todos”.
Insisti, pedindo que desse aos homens uma oportunidade.
Negou novamente, perguntando se tínhamos sido alguma vez
maltratados.
Respondi que
não, mas que já tínhamos sofrido bastante para merecermos
que nos fosse dada uma oportunidade. Disse outro não muito
seco e, voltando-se para trás, mandou avançar o pelotão de
fuzilamento. Lancei então o último pedido desesperado,
convencido da sua inutilidade: ‘Senhor, dê-nos uma
oportunidade. É a primeira. Nunca teve razão séria de
queixa. Por favor, dê-nos uma oportunidade’. ‘Está bem’ —
respondeu — ‘mas diga-lhes que será a última’”. O brigadeiro
indiano exigiu então um pedido de desculpas. O sacerdote
dirigiu-se aos presos: “Rapazes, o sr. brigadeiro quer ouvir
uma palavra de desculpa. Depois de a pedirem em coro, o
brigadeiro deu-se por satisfeito. Agradeci, saudei e
afastei-me. A tempestade terminara”.
“Salvou-nos de uma desgraça”
O coronel
Carlos de Morais, no seu livro, não tem dúvidas em dizer
que o padre “salvou-nos, certamente, de uma desgraça de
consequências imprevisíveis”. No entanto, no inquérito
levantado pelas autoridades portuguesas ao comportamento
dos militares em Goa, Damão e Diu (logo após a sua
libertação), a actuação do capelão não mereceu qualquer
menção. E já depois do 25 de Abril, na reanálise do
dossiê Goa efectuada pelas instâncias militares, o gesto
do jesuíta continuou a ser ignorado.
Oficial do
círculo mais próximo do general António de Spínola.
Carlos de Morais chamou a atenção, no seu livro, datado
de 1980, para a injustiça que se cometeu, ao esquecer a
intervenção decisiva do jesuíta. Entretanto, o P.
Ferreira da Silva faleceu a 9 de Dezembro de 1987.
Gravemente doente, mas inconformado, Carlos Morais
dedicou os seus últimos anos de vida a pressionar
incessantemente as autoridades militares a fazerem
justiça ao capelão de Pondá, bem com a escrever uma
curta biografia de Spínola. O coronel viria a falecer em
Abril de 2007. Já não assistiu à publicação do seu livro
‘António de Spínola. O Homem’, que a Estampa editou em
Setembro último.
Como não
tomou conhecimento do despacho do ministro da Defesa,
Nuno Severiano Teixeira, de 7 de Dezembro de 2007 e
publicado no último dia do ‘Diário da República’ do ano
passado, em que louva o “extraordinário acto heróico” do
capelão, “revelador de raras e notáveis qualidades de
abnegação, coragem moral, firmeza de carácter e virtudes
militares, dignas de serem apontadas como exemplo,
classificando-o como distintíssimo e relevante, do qual
resultou honra e lustre para as Forças Armadas
Portuguesas”.
Fonte:
http://www.supergoa.com/pt/read/news_noticia.asp?c_news=951
Para visualização do conteúdo clique no sublinhado
que se segue
«O
Bom Combate da Lancha Vega»
(extracto do livro)



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