Obra 'Filha da guerra'
colonial escreve livro sobre
a herança de quem lutou
Catarina
Gomes esperou pelos 40 anos,
de vida e de Abril, para
convidar os filhos de quem
lutou na guerra colonial a
falarem sobre este conflito
e a fazerem perguntas como a
que dá nome ao seu livro
"Pai, tiveste medo?".
09:00 - 22 de
Março de 2014 | Por Lusa
"Passaram 40
anos, já somos todos
grandes, trintões e
quarentões, gostava que este
livro fosse um pretexto de
conversa dentro e fora da
família", disse à agência
Lusa a autora.
Ao longo de
quase 250 páginas, Catarina
partilha no livro "Pai,
tiveste medo?", editado pela
Matéria-Prima, 12 histórias
de vida, "relatos de quem
descobriu a guerra através
da memória dos pais".
Ao seu pai,
Catarina fez apenas uma
pergunta, "a clássica:
Mataste alguém?", mas ao
escrever este livro deu por
si a querer fazer-lhe mais:
"Sabias porque ias? O que
esperavas encontrar? Tiveste
medo? De morrer? De matar?
Como é que a guerra te
mudou?".
"Estas são
perguntas que muitos filhos
não fizeram, uns por falta
de curiosidade, outros com
medo de melindrar, por
sentirem mesmo que não era
assunto de que os pais
quisessem falar, além das
histórias mais pitorescas
que foram sendo passadas",
adiantou.
Como se pode
ler na obra, "a porta de
entrada nesse passado foram
muitas vezes os álbuns de
fotografias da guerra que
andam por várias casas
portuguesas e que, na sua
maioria, são já em si mesmo
uma seleção de bons
momentos; parecem postais
pitorescos, com casotas de
colmo, meninos de barriga
arredondada, mulheres negras
de peitos à mostra, quase
parecem fotos de férias, Em
muitos casos, não terá sido
bem assim".
Catarina
volta no seu livro a uma
aventura que começou com uma
investigação inédita sobre o
tema da guerra colonial,
feita pelo Centro de Estudos
Sociais da Universidade de
Coimbra, coordenada pela
professora Margarida
Calafate Ribeiro.
"Escrevi um
artigo para o Público sobre
a investigação -- Os filhos
dos militares também têm
memórias de guerra" - e
senti a necessidade de, pela
primeira vez, fazer
acompanhar a reportagem com
um testemunho na primeira
pessoa, por sentir que não
estava de fora e que eu era
não apenas uma jornalista a
escrever sobre o tema mas
também «uma filha da
guerra», que tinha uma
relação especial com o tema
e que eu também tinha
algumas dessas «memórias em
segunda mão» de que falava a
investigação".
"Somos filhos
de pais que foram jovens
durante um tempo muito
particular da história de
Portugal que os arrastou
para um contexto extremo,
numa passagem à vida adulta
muito particular, muito
diferente da minha geração,
mesmo que muitos não tenham
pegado em armas".
O livro de
Catarina Gomes sai no ano em
que Abril comemora 40 anos e
a autora acredita que "ainda
há tanta coisa por contar".
"Faz-me
confusão, por exemplo, que a
guerra surja muitas vezes
balizada entre 1961 e 1974,
como se milagrosamente
tivesse acabado com o 25 de
Abril. Morreram centenas de
homens depois dessa data e
durante todo o ano de 1975",
alertou.
Questionada
sobre o medo da guerra,
Catarina Gomes não tem
dúvidas: "Claro que todos
tiveram medo, a questão é se
o verbalizaram em família,
aos filhos, às mulheres,
porque esta é ainda uma
geração de homens muito
moldada por uma cultura
tradicional em que o homem
não chora, se tem medo não o
demonstra, esconde-o,
sobretudo aos filhos".
Fonte:
http://www.noticiasaominuto.com/pais/192354/filha-da-guerra-colonial-escreve-livro-sobre-a-heranca-de-quem-lutou
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23 de Abril de 2015, às
18H00
De:
Catarina Gomes
Vou estar a falar do meu livro "Pai, tiveste
medo?, na Biblioteca-Museu República e
Resistência.
É sobre "o lado mais familiar" da guerra
colonial.
Que guerra se conta aos filhos?
Que histórias encerram certas fotos fechadas
nos álbuns de guerra?
Apareçam! Gostava que trouxessem as vossas
fotos e que me contassem uma história. Pais
e/ou filhos.
Biblioteca-Museu República e Resistência –
Espaço Cidade Universitária,
Rua Alberto de Sousa 10A, 1600-002 Lisboa
Contactos: Tel.: 21 780 27 60
bib.republica@cm-lisboa.pt
Entrada livre.