Elementos cedidos por um colaborador
do portal UTW
Foto cedida pelo veterano J. C. Abreu
dos Santos
John
P. Cann

John P. Cann, oficial-aviador da Marinha
norte-Americana na reserva, fez parte do gabinete do
Secretário Auxiliar da Defesa para Operações Especiais e
Conflitos de Baixa Intensidade e, depois, do gabinete do
Subsecretário de Estado da Defesa.
Doutorado em Estudos de Guerra pelo King's College, da
Universidade de Londres, tem publicado artigos sobre o
tema da contra-insurreição. Prestou também serviço no
Pentágono e no comando Ibérico da Nato, em Oeiras.
"Os Páras em África (1961 - 1974)"
O livro

título: "Os Páras em África (1961-1974)"
autoria: John Cann
editor: Tribuna da História
1ªed. Parede, Mai2017
160 págs
27x20cm
pvp: 19,95 €
ISBN: 989-8219-5-03
Síntese:
Os pára-quedistas, nascidos sob a visão clara
e o entendimento de Kaulza de Arriaga, de que havia um
lugar importante para tais tropas em contra-insurreição,
conquistaram um lugar de muito valor na Força Aérea
Portuguesa.
Kaulza de Arriaga tinha observado a criação de forças
aerotransportadas pelos franceses e pelos americanos
para operações de contra-insurreição, e antevia a mesma
necessidade na África Portuguesa. Foi ele que lhes
proporcionou o melhor equipamento e treino existente em
qualquer força portuguesa da época, e que teve a visão
de combiná-los com o helicóptero, para que se pudessem
deslocar em efectivos adequados e surpreender e dominar
o inimigo no campo de batalha africano.
O heroísmo patriótico destas tropas de elite, que sempre
pagaram com alto preço a sua abnegação, foi notável para
uma força de quatro batalhões com um efectivo de cerca
de 1900 páras operando nos três teatros da África
portuguesa. Foram 160 os homens que deixaram a sua vida
em África, de um total de 8 mil a 10 mil militares que
por lá passaram e combateram, durante os 13 anos da
guerra de contra-insurreição independentista
portuguesa.
Índice:
Abreviaturas
Introdução
Capítulo I - O Começo
Capítulo II - As Operações no Norte de Angola
Capítulo III - A Guiné
Capítulo IV - Moçambique
Capítulo V - Vitória à Vista
Capítulo VI - Consolidação do Norte de Angola
Capítulo VII - Tragédia
Agradecimentos
Introdução:
– «Portugal enfrentou, entre 1961 e 1974, o
desafio extremamente ambicioso de conduzir
simultaneamente três campanhas de contrainsurreição em
Angola, na Guiné e em Moçambique, não sendo nessa época
nem um país rico nem um país muito desenvolvido.
Era de facto, e segundo a maioria dos padrões de
desenvolvimento económico, um dos países menos ricos da
Europa.
Constituiu assim um notável sucesso militar para o
Portugal de 1961, a mobilização das forças armadas, o
seu transporte através de muitos milhares de quilómetros
para as colónias africanas, o estabelecimento de uma
sofisticada infraestrutura logística de apoio, o seu
equipamento com armas e materiais especiais e o seu
treino para um tipo de guerra muito sofisticado.
Mais notável ainda é o facto destas tarefas terem sido
enfrentadas sem qualquer prévia experiência, doutrina,
ou demonstrada competência nas áreas da afirmação de
poder ou da guerra de contrainsurreição e, portanto, sem
dispôr de instrutores competentes nestas áreas.
Esta última afirmação deve ainda ser colocada em
contexto pois, com excepção de eventuais acções de
pacificação, Portugal não tinha disparado um único tiro
real em África desde a Primeira Guerra Mundial, quando a
Alemanha invadiu o norte de Moçambique e o sul de
Angola.
Os especialistas portugueses em Defesa conheciam bem os
princípios da contrainsurreição, sabiam que as suas
forças não iriam lutar numa guerra convencional, e
percebiam que as suas tropas tinham que ser convertidas
e qualificadas para a missão que as esperava.
Não foi sem grande preocupação, a todos os níveis nas
forças armadas, que se empreendeu o que seria uma
mudança radical e generalizada da sua estrutura e
treino, com impacto nos aspectos das tácticas, das
técnicas e dos procedimentos clássicos, perturbando o
'status quo' e, portanto também, as carreiras militares.
Portugal conseguiu mesmo assim converter as suas forças
armadas ao novo tipo de guerra e criou unidades
especialmente vocacionadas para este desafio,
adaptando-se à nova guerra ao invés de tentar combatê-la
com forças inadequadas.
Um dos progressos mais notáveis foi a criação e uso de
forças especiais para combater os insurrectos. Os
Paraquedistas, ou simplesmente "Páras", foram a primeira
destas forças especiais e, como tal, previsivelmente
controversos. A Força Aérea era jovem e não receava
experimentar novos conceitos. O seu organizador, Kaúlza
de Arriaga, foi um inovador que anteviu a articulação
dos Páras com o helicóptero como uma forma eficaz de
enfrentar os vastos espaços da África Portuguesa e de
perseguir e destruir os insurrectos com sucesso. Deste
modo os Páras tornaram-se parte da nova Força Aérea, o
que provou ser um golpe de génio dado que, com o advento
do helicóptero, com a sua aquisição por Portugal em
largos números e a sua combinação com o Páras, a
mobilidade aérea e o ataque vertical se tornaram numa
potente táctica contra a qual os insurgentes pouca
possibilidade de defesa tinham. Estas táticas de
envolvimento foram inspiradas nas operações dos
helicópteros franceses, aperfeiçoadas na Argélia, e esta
é a história da sua sublimação no combate africano. Nas
páginas seguintes iremos acompanhar a adaptação dos
Páras ao ambiente de guerra africano, até se tornarem
numa poderosa força de contrainsurreição.»