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Jorge Ribeiro

Jorge Ribeiro, jornalista e escritor. Repórter de guerra na África colonial, constituiu uma experiência que enquadrou toda a sua produção literária nesta área, onde títulos como Capital Mueda e Marcas da Guerra Colonial continuam a merecer reedições. Centenas de artigos na imprensa, durante anos, reflectem uma investigação contínua da História do Colonialismo Português. É nesse contexto que surge a história do último tabu do Império: S. João Batista D’Ajudá – o seu primeiro romance na Arca das Letras.

Autor e realizador do único programa da rádio portuguesa produzido até hoje sobre os 13 anos de guerra em Angola, Guiné e Moçambique («Noites de África» / Rádio Press 1992-93), Jorge Ribeiro foi director de quatro estações de rádio, chefe de redacção do JN, e fez televisão durante 15 anos. Presidente do TEP e fundador do FITEI, é SG da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Fonte: http://arcadasletras.no.sapo.pt/autores.htm

 

"Capital Mueda"

 

5.ª edição:

 

 

título: " Capital Ribeiro"

autor: Jorge Ribeiro

editor: UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL (Praça Carlos Alberto, 128-A, 4050-159 Porto,

telefone: 222056660, e-mail: unicepe@net.novis.pt

5ª ed. Porto, Fevereiro 2013 (para o 40º aniversário dos acontecimentos narrados no livro)

depósito legal: 361002/13

ISBN: 978-989-8613-02-8

 

in contracapa:

 

 

Capital Mueda passou ao papel ainda eu voava no Dakota de carga que me resgatou do mato, espreitando o inferno que vivi lá em baixo.

Faz 40 anos. E sobrevive. O regime que se seguiu ao Fascismo parece ter sentido peso da derrota e depreciou o negócio da guerra que fizemos em África. Primeiro ignorou, e depois condescendeu na sua reescrita. A ingratidão oficial aliou-se ao ressentimento subversivo, e as vítimas do Império foram diligentemente varridas para debaixo do tapete da ignomínia. O opróbrio. Mas Capital Mueda resiste. Talvez porque a verdade da guerra testemunhada continua aqui, contrariando as máquinas de efabulação da História

 

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3.ª e 4.ª edição:

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

título: "Capital Mueda"

autor: Jorge Ribeiro

editor: Campo das Letras

3ª e 4.ª ed. Lisboa, 24Out2003

168 págs

21x14cm

preço: 13,23€

ISBN: 972-6107-03-2

 

Há trinta anos, andava eu no mato a disparar o obturador, já convencido e que o que me tinham metido na cabeça, garantido com recibo de propinas, selado e tudo, era mentira. Também já constatara que naquelas paragens não havia tarzans, nem os macacos sabiam cálculo infinitesimal. O sal do mar - tanto mar até lá! - eram afinal lágrimas de pretos. E de brancos.

 

E, de súbito, ali estava o meu camarada sem uma perna, ainda há pouco batíamos as cartas em cima do seu joelho. Mas que jogo era aquele? 

... 

Antes que desapareçam todos os criminosos e todos os inocentes, há que ouvi-los, até ao último, heurística exaustiva, sem exclusões, para construir este trágico puzzle da História de Portugal, habituada a ser montada várias gerações após os acontecimentos. É que, só quando desaparecer a derradeira testemunha, nesse dia então chegará ao fim a Guerra Colonial.

 

Jorge Ribeiro

 

Sinopse:

Jorge Ribeiro é jornalista há 35 anos. Em Moçambique, para onde foi mobilizado em finais de 1971, fez reportagem de guerra durante 27 meses. No regresso, seleccionou a Coluna Mueda-Nangololo como um dos trabalhos que mais o marcaram - acima de tudo pela importância, dimensão, significado e resultados da operação, desencadeada na mítica capital da guerra portuguesa em África, Mueda. A Secção de Reportagem do Destacamento Fotocine, que chefiou, também recebia ordens da RTP, onde o responsável pela informação era o mesmo oficial que, a partir de Lisboa, controlava o que se passava nos três teatros de guerra. Os serviços da Censura faziam o resto. Muita da película que Jorge Ribeiro impressionou não chegou aos ecrãs, mas os seus textos sobreviveram. Foi o que aconteceu com «Capital Mueda», uma das referências na Literatura da Guerra Colonial.

 

Fonte: http://www.byblos.pt/detail.aspx?productId=43991

 

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1.ª e 2.ª edição:

 

título: "Capital Mueda"

autor: Jorge Ribeiro

capa: Onofre Varela

execução gráfica: GRAFILARTE, Águeda - Lisboa

1.ª edição: Fevereiro de 1993

2.ª edição: Maio de 1993

72 págs.

Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa do autor

UNICEPE 128 Pç. Carlos Alberto - 4000 Porto

depósito legal n.º 59706/92

ISBN 972-95024-3-9

 

«Aos lugares mais castigados pela acção da guerrilha a tropa portuguesa designa-os por «buracos». A sistematização da ofensiva da FRELIMO, em determinadas áreas-chave, criou em Moçambique diversos santuários de guerra. O simples pronunciar da palavra Mueda tem arrastado, pelas sucessivas comissões, ao longo destes difíceis anos de guerra, uma carga psicológica arrasadora e criou o símbolo mais terrível de toda a Guerra Portuguesa em África.

Mueda, no Planalto dos Macondes, é a Capital da Guerra.» 

Jorge Ribeiro

Fevereiro de 1973

Índice:

 

Sábado, 3 de Fevereiro

- Acorda, porra. Anda ali o coronel a perguntar que merda é esta ... [...]

 

Domingo, 4 de Fevereiro

No primeiro dia não nos devemos ter afastado de Mueda mais de três quilómetros, ... [...]

 

Segunda-feira, 5 de Fevereiro

- E são quase 9 horas. Se a coluna avançou 500 metros, foi muito ... [...]

 

Terça-feira, 6 de Fevereiro

Cinco horas. Acordo com as pernas anestesiadas. Está tdo encharcado. ... [...]

 

Quarta-feira, 7 de Fevereiro

Está feio, isto. Ao quinto dia, e a meio caminho, encravámos. ... [...]

 

Quinta-feira, 8 de Fevereiro

Mudou o tempo. A madrugada fez-se sentir ... A frase «o cacimbo entra até aos ossos» ... [...]

 

Sexta-feira, dia 9 de Fevereiro

O despontar do dia na selva constitui outro espectáculo de deslumbramento. No Planalto dos Macondes ... [...]   

 

 

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Fonte: http://dizer_bem.weblog.com.pt/arquivo/024486.html

 

Segundo João Paulo Borges Coelho, «só quem foi protagonista pode descrever a Guerra Colonial desta maneira». Pezarat Correia diz de "Capital Mueda", que «era este o clima de guerra». Ou ainda como salienta Inácio Semedo, «a tensão da guerra fielmente retratada nas suas facetas mais dramáticas».

 

Comentários

 

Acho importante que as editoras se empenhem na divulgação de uma fase da nossa história que teve consequências desastrosas. Não estive lá, o meu marido também não, mas lemos os livros de Jorge Ribeiro e de outros autores que viveram a guerra - e penso que ainda há muito por contar, isto é desvendar. Sou professora do Secundário, e sempre que posso leio passagens de outro livro de Jorge Ribeiro, as «Marcas», para eles terem uma ideia do que foi a nossa guerra em África. Numa altura em que estão a aparecer vozes do «antigamente», umas afirmando que ganhámos a guerra do Ultramar e outros garantindo que não houve guerra nenhuma, que foi uma invenção da Oposição ao regime, devemos "dizer bem" de iniciativas literárias como esta de voltar a editar "Capital Mueda".

Marta Ferreira (25Out2003 12:33)

 

Estava aqui a documentar-me e tentar pôr em ordem as minhas recordações de Mueda, pois estive lá em Maio de 1974, quando aquilo foi atacado com o "122". Estávamos entre o arame farpado e a povoação...

Falar sobre Mueda ficará para a próxima, estou de tal ordem ansioso, que nem consigo escrever mais...

Hei-de preparar-me e conseguir dizer algo sobre "aquilo" onde a camaradagem era mais sadia que a própria aragem...

José Correia Lino (08Nov2003 20:38)

 

"Mueda Terra da Guerra, aqui trabalha-se luta-se e morre-se, checa é pior que turra"

Este era o conteúdo da placa que anunciava a chegada a Mueda e foi lá que durante 11 meses vivi.

Para os senhores que põem em causa a existência da guerra, só gostaria que tivessem feito a picada Mueda-Omar e a picada Mueda-Nangololo, para saberem o que é medo, amargura, desespero e como no meio de tanta aflição se gerava a solidariedade.

Horácio de Jesus Soares (03Jan2004 21:33)

 

A história da Guerra Colonial tem vindo a ser feita, tanto quanto possível, por quem nela participou. Não é fácil falar dela, mas parece que o tempo nos obriga a testemunhos, mais tarde ou mais cedo, pois como diz a Marta Ferreira no comentário acima, já por aí anda outra vez quem tenta "branquear" a história.

Furriel Miliciano ex-combatente (09Jan2005 15:36)

 

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