Em
Outubro de 1971, sendo quintanista
do ISCSPU (Instituto Superior de
Ciências Sociais e Política
Ultramarina), interrompe a formação
final universitária e voluntaria-se
para cumprir o SMO (Serviço Militar
Obrigatório), ingressa na Escola
Prática de Infantaria (EPI - Mafra
como soldado-cadete n/m 16199568,
ficando colocado no 1.º pelotão da
5.ª companhia de instrução;
No
final de Dezembro de 1971 conclui o
1º ciclo do curso de oficiais
milicianos, sendo transferido para a
Escola Prática de Administração
Militar (EPAM - Lumiar) a fim de
frequentar na respectiva secção de
pessoal, um curso de acção
psicológica;
Em
15 de Abril de 1972 promovido a
aspirante-a-oficial miliciano e
transferido para a 2.ª Repartição do
Estado-Maior do Exército
(2ªRep/EME), a fim de frequentar o
estágio da especialidade APsic
(Acção Psicológica), onde vem a
finalizar o curso com um trabalho
epigrafado "O Terror e o Aliciamento
como pólos fundamentais da Guerra
Psicológica";
Durante
a noite de 11 de Julho de 1972,
tendo sido mobilizado em regime de
rendição individual pelo 2.º Grupo
de Companhias de Administração
Militar (2.ºGCAM - Lisboa) para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Moçambique, embarca
no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo
Maduro) num Boeing-707 dos TAM
(Transportes Aéreos Militares) com
destino à Base Aérea n.º 10 (BA10 -
Beira), promovido a alferes
miliciano a fim de ser colocado na
"Secção de APsic" do Centro de
Instrução de Infantaria do Namialo (CIInf
- Namialo);
Em
meados de Julho de 1972
voluntaria-se para frequentar no
Centro de Instrução de Grupos
Especiais (CIGE - Dondo), um curso
de formação dos Grupos Especiais
Pára-quedistas (GEP);
Em meados de Setembro de 1972, após
concluído o curso dos Grupos
Especiais Pára-quedistas (GEP),
transferido para Catunguirene onde
assume o comando do Grupo Especial
de Pára-quedistas n.º 5 (GEP005),
reportando ao dispositivo
operacional aquartelado no Guro;
No início de 1973 instala a base do
seu Grupo Especial de Pára-quedistas
n.º 5 (GEP005) junto ao cantineiro
de Massangano, na margem do Zambeze
perto do istmo de Tete;
Em meados de Abril de 1973 regressa
com o Grupo Especial de
Pára-quedistas n.º 5 (GEP005) ao
Centro de Instrução de Grupos
Especiais (CIGE - Dondo);

Em
20 de Julho de 1973 graduado em
capitão e colocado temporariamente
no Mungari, como comandante do
destacamento dos Grupos Especiais
Pára-quedistas (GEP's);
Em Agosto de 1973 transferido para o
Guro a fim de coordenar actividades
dos Grupos Especiais Pára-quedistas
(GEP) - designadamente no Guro,
Tambara, Chamba e Inhassalala -,
atribuídas pelo Comando Geral dos
Grupos Especiais e à disposição do
coronel comandante do Comando
Operacional das Forças de
Intervenção (COFI);
Em 19 de Fevereiro de 1974, após ter
participado voluntariamente em
diversas actividades de
contra-guerrilha executadas por
destacamentos de Grupos Especiais
Pára-quedistas (GEP's) - entre as
quais as Operações "Queimar 3",
"Questiúncula 4" e "Nadinha 2" -, e
tendo integrado a coordenação das
Operações "Elefante Branco" e
"Palanca Negra", é mandado regressar
ao Centro de Instrução de Grupos
Especiais (CIGE - Dondo) pelo novo
comandante, afecto ao MFA (Movimento
das Forças Armadas), o qual na
cidade da Beira era «um dos
principais mentores do tal movimento
dos capitães»;


Em
meados de Fevereiro de 1974
transferido para Mafambisse
(arredores do Dondo), como 2º
comandante do batalhão de instrução
dos GE's, ficando sob a "supervisão"
do tenente GE Riquito Soares
«comprometido com a conspiração dos
capitães»;
Em 17 de Março de 1974 embarca no
aeroporto Sacadura Cabral (cidade da
Beira), em vôo regular da TAP, para
gozar licença disciplinar de 35 dias
na Metrópole;
Ao final da noite de 24 de Abril de
1974 regressa a Moçambique, em vôo
TAP da Portela com destino a
Lourenço Marques;
Em 27 de Abril de 1974 retoma as
suas funções no quartel de
Mafambisse;
Entretanto, na Metrópole sobre si
«já fora emitido um mandado de
captura [...] por ser oficial da
FAC» (Força Automóvel de
Choque/Agrupamento Especial de
Oficiais da Legião Portuguesa),
tendo estado em casa de seus pais,
em Lisboa, «elementos da Marinha»
para «o prender»;
Em 6 de Julho de 1974 o semanário
'Expresso' reproduz-lhe uma "carta
ao director", em réplica a anterior
artigo que no mês de Maio, na edição
nº 74 aquele jornal havia publicado;
Consequentemente, por determinação
do coronel 'controleiro' MFA no
Comando Territorial do Centro (CTC),
em 13 de Julho de 1974 é ouvido nos
termos do art.130º do RDM
(Regulamento de Disciplina Militar)
em auto-de-declarações, ao qual
formalmente responde por escrito;
Em 25 de Julho de 1974 é punido por
aquele oficial com cinco dias de
prisão disciplinar e segue em vôo
TAM para Nampula, onde, após
apresentação no Quartel General do
Comando Chefe das Forças Armadas de
Moçambique (QG/CCFAM), se instala
num quarto da messe de oficiais,
sita no Hotel Portugal, a fim de
cumprir o "castigo de não haver
aderido ao MFA";
Em 30 de Julho de 1974 o general
Comando Chefe das Forças Armadas de
Moçambique (CCFAM) dá-lhe por finda
a comissão e passa-lhe
guia-de-marcha para que se apresente
no Depósito Geral de Adidos (DGA -
Ajuda), pelo que embarca em vôo TAM
Boeing-707 com destino ao Aeródromo
Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro);
Desde 8 de Setembro de 1974,
considerado na situação de
disponibilidade.
Naquela mesma noite, embarca na
Portela em vôo TAP com destino a
Luanda, prosseguindo em táxi-aéreo
para o Luso (escala de
reabastecimento) até Salisbúria e
dali para o aeroporto sul-africano
de Ian Smut:
Dias depois, de Joanesburgo regressa
por avião a Salisbúria e daquele
aeroporto através da Air Malawi até
à cidade da Beira, onde na manhã
seguinte é detectada a sua presença
"clandestina" em Moçambique;
Tendo-lhe sido colocada a Polícia
Militar no encalço, logra embarcar
num vôo para Umtali (fronteira
rodesiana);
Insistindo no regresso a território
de Moçambique, utiliza primeiro a
ferrovia Umtali-Beira até Vila Pery
e seguidamente como
ajudante-de-motorista num pesado
camião de mercadorias até Lourenço
Marques, onde se instala no Hotel
Polana;
Após reestabelecer contactos com
antigos subordinados dos Grupos
Especiais de Pára-quedistas (GEP's)
e com oficiais das Companhias de
Comandos 2043 e 2045 (CCmds 2043 e
2045), propõe-se «preparar um
golpe-de-mão contra a cadeia da
Machava para libertar os nossos
presos e fugir para a África do
Sul»;
«na madrugada seguinte», 18 de
Outubro de 1974, «preso pela Polícia
Militar tendo um pelotão irrompido
pelo hotel onde estava alojado»;