
título:
"Pára-quedistas em Combate:
1961-1975"
autor: Nuno Mira Vaz
editor: Fronteira do Caos
1ªed. Porto, 29Out2019
362 págs (ilustrado)
23x18 cm
pvp: 18€
dep.leg: PT-462195/19
ISBN: 989-54610-2-8
Sinopse (do editor):
- «Um livro com imensa
informação sobre esta força de elite
que combateu nos três teatros de
operações africanos.
O livro cobre as operações com salto
em para-quedas, o heli-assalto, as
principais operações, os resultados
operacionais. A acção em em Timor.
Contém igualmente um capítulo sobre
as enfermeiras pára-quedistas.»
Da contracapa:
- «Os Pára-quedistas não
comparam resultados operacionais com
ninguém. Conscientes de que as
tropas especiais não só dispunham de
meios humanos e materiais muito
superiores aos dos camaradas em
quadrícula como agiam em
circunstâncias de combate mais
favoráveis, consideram hipócrita
qualquer tentativa de alardear
superioridade nesse domínio. O vasto
conjunto de militares que combateu
com eles em terras africanas, e que
é o mais habilitado dos juízes nessa
matéria, saberá preservar para as
Tropas Pára-quedistas um justo lugar
na sua memória.
Os resultados
obtidos implicaram um número de
mortos e de incapacitados que não
puderam evitar-se e que não
constituem motivo de orgulho. Motivo
de orgulho é, sim, o de terem
conjugado, no cumprimento imperativo
das missões, a excelência técnica e
a prudência táctica, porque a
segurança de cada um era um bem
demasiado precioso para ser
negligenciado. E é por isso que, no
íntimo de cada pára-quedista, serão
sempre demasiados os Boinas Verdes
que tombaram para sempre, sem nada
pedir em troca.
Têm os seus motivos de orgulho, de
que não abdicam: por terem sido os
primeiros a voar da Metrópole para
os Dembos em 16 de Março de 1961;
por terem estado entre os últimos a
saír de África e de Timor; por não
terem deixado nenhum camarada para
trás; por terem respeitado nos
campos de batalha os que contra eles
se bateram; por terem agido guiados
pela Honra, pelo Dever e pela
Camaradagem.»
Excerto:
- «Há na verdade, no
comportamento das Tropas
Pára-Quedistas em África, uma
inequívoca linha de continuidade,
feita de profissionalismo e de
prontidão.
Um profissionalismo garantido por
quadros permanentes com elevada
aptidão psicofísica, experiência
operacional e determinação no
cumprimento da missão; e uma
prontidão reconhecida pela
generalidade dos responsáveis
políticos e militares, que
determinou terem estado os Boinas
Verdes entre os primeiros militares
a marchar para Angola em Março de
1961 e entre os últimos a deixar os
territórios africanos em 1975,
podendo ainda lembrar-se que, quando
a situação se degradou perigosamente
em Timor, foram eles que ali se
mantiveram disponíveis para correr
riscos, constituindo por um período
de tempo apreciável, apesar de
reduzidos a escassas dezenas, o
único segmento militar com
capacidade operacional naquele
longínquo território. Do primeiro ao
último dia das Guerras de África, os
pára-quedistas foram uma garantia de
fiabilidade e por isso lhes couberam
algumas das acções mais espinhosas,
dos assaltos mais duros e das
nomadizações mais prolongadas.»
Índice:
Pág. 9 ....... Agradecimentos
Pág. 11 ..... Introdução
Pág. 17 ..... Os primeiros a chegar
Pág. 41 ..... Operações com salto em
pára-quedas
Pág. 75 ..... Angola
Pág.145 .... Guiné
Pág.219 .... Moçambique
Pág.261 .... Os últimos a partir
Pág.303 .... Enfermeiras de
Camuflado
Pág.329 .... Ninguém fica para trás
Pág.349 .... Epílogo
Pág.351 .... Resultados operacionais
Pág.357 .... Bibliografia
Recensão:
- «Um excelente livro sobre a Guerra
do Ultramar e em muitos aspectos
será mesmo um dos melhores já
publicados sobre este conflito! O
autor socorre-se de factos
comprovados, não esconde
dificuldades, mostra-nos o campo de
batalha como poucas vezes se tem
lido. Esta obra de Nuno Mira Vaz,
coronel pára-quedista que fez a
guerra e já publicou vários livros
em diferentes estilos, tem como
objectivo mostrar ao leitor os
principais feitos de armas dos
boinas verdes portugueses na guerra
em Angola, Guiné, Moçambique e
Timor, dos primeiros dias do
conflito aos últimos da
descolonização.
Um primeiro aspecto que importa
destacar, o facto de Mira Vaz não
pretender ganhar para os
pára-quedistas qualquer campeonato,
forçando um lugar cimeiro em
rankings mais ou menos discutíveis
que se podem sempre ajeitar com o
decorrer dos anos, antes, faz
questão de partilhar muitas
vitórias!
"Pelo facto de terem nascido na
Força Aérea, as Tropas
Pára-quedistas dispuseram de
condições muito favoráveis para se
organizarem e prepararem para
combater. Arma jovem, a Força Aérea
estabeleceu com os Páras uma relação
que, em lugar de privilegiar a
dependência hierárquica, estimulava
a iniciativa e o sentido de
responsabilidade. Desta relação
peculiar nasceu o binómio
pára-quedista/helicóptero, uma
parceria capaz de alcançar elevados
padrões de rendimento nos mais
diversos tipos de acções de combate.
A colaboração era de tal modo
intensa que, em certas operações, se
revelou impossível determinar, com
exactidão, quantos guerrilheiros
haviam sido atingidos pelo canhão do
helicóptero ou pelas armas dos
pára-quedistas."
Não é um livro sobre a história das
tropas pára-quedistas, muita coisa
fica de fora, mas centra-se com um
rigor inexcedível naquelas operações
que lhe pareceram mais
significativas. O que não está
confirmado é assim referido e uma ou
outra suposição - por exemplo,
muitas vezes o número de feridos
inimigos era de difícil avaliação -,
fica clara.
No decorrer da obra são várias as
transcrições de outros autores e
também de relatos da imprensa da
época sobre algumas
operações/factos. Mira Vaz deixa
para terceiros - muitos
não-pára-quedistas -, os maiores
elogios à actuação dos Páras!
Para nós que somos consumidores
frequentes deste tipo de literatura,
um dos aspectos mais marcantes, é o
modo como muitas situações de
combate são descritas mas também o
facto de ser apenas um livro sobre a
guerra. Está muito bem escrito, de
leitura fácil, compreensível, sem
divagações ou considerações mais ou
menos pessoais a que muitos autores
compreensivelmente não conseguem
fugir.
Baseado nos relatórios de operações
da altura e muitas vezes também em
declarações actuais dos
intervenientes de então, são de um
realismo raramente alcançado. Não
finge que na guerra não matávamos, a
descrição de situações em que o
fulano de tal abateu, matou, são
muito frequentes, e do mesmo modo os
nossos, com nomes, também morrem e
ficam feridos e estropiados.
Muitos exemplos podia aqui dar, mas
numa apreciação mais pessoal
impressiona a quantidade de vezes -
e não são todas as operações,
repito, são algumas das mais
significativas -, que os
pára-quedistas na Guiné se
encontravam frente-a-frente com o
inimigo, não raras vezes bem armado
- inclusive com armas pesadas que os
Páras não dispunham -, treinado e
motivado, e combatiam ferozmente. A
vitória no campo de batalha acabava
por acontecer pela preparação
técnico-táctica e física dos nossos
militares, pelo superior
enquadramento, mas também, 'in
extremis', pelo apoio aéreo - aviões
- e mais frequentemente a entrada em
acção do temível AL-III canhão.
Não pretendo aqui fazer uma síntese
de todo o livro, apenas assinalar
alguns aspectos. Por exemplo em
Angola é de realçar não só os tempos
heróicos do início da guerra - que
incluíram combates corpo-a-corpo e a
muito curta distância -, quando os
pára-quedistas foram os primeiros a
chegar idos de Lisboa logo no dia
seguinte aos massacres de 15 de
Março de 1961, como mais tarde os
combates no Leste que dizimaram o
MPLA e, por fim, o sucesso das
técnicas e tácticas de
contra-infiltração que foram sendo
aperfeiçoadas em conjunto com a
Força Aérea e que se traduziam em
resultados significativos em termos
de baixas causadas ao inimigo e
capturas de material. As últimas
operações de combate em Angola, já
depois do golpe de 25 de Abril de
1974 em Lisboa, surpreendem pelos
efectivos que o inimigo empenhava -
aqui a FNLA -, e o seu armamento. De
Moçambique as tremendas distâncias
muitas vezes sem qualquer hipóteses
de apoio nem terrestre nem aéreo, e
um inimigo aguerrido e esquivo. A
sede e o drama das evacuações está
descrito de modo notável, eu diria
arrepiante pelo detalhe, numa parte
do último capítulo, pela pena do
segundo sargento Joaquim Coelho.
O preço de sangue destes 15 anos de
guerra para as Tropas Pára-quedistas
Portuguesas escreve-se em duas
pesadas linhas: causaram 2780 mortos
e 981 feridos confirmados ao
inimigo, sofreram 160 mortos e 737
feridos.
Desde muito cedo durante a guerra,
em 1968, que os pára-quedistas
honraram os seus mortos, construindo
em Tancos na Casa-Mãe das Tropas
Pára-quedistas Portuguesas, o
Monumento aos Mortos em Combate. O
seu culto e o respeito com que é
tratado marcou e marca hoje todos os
que serviram nas Tropas
Pára-quedistas.
Portugal mudou muito, onde antes
combatemos hoje há países
independentes e amigos, mas o
respeito por aqueles que morreram ao
serviço da Pátria ultrapassa regimes
políticos, gerações, ideologias.
Em Tancos, no Monumento, em várias
Paradas com os seus nomes, e no
Museu das Tropas Pára-quedistas, sem
complexos, nunca se esqueceram os
mortos em combate. Ainda hoje assim
é e este livro vem reforçar esse
culto pelo conhecimento que
transporta até todos.
A leitura deste livro é uma lição de
história centrada no valor do
militar pára-quedista em combate e a
coragem que demonstrava frente ao
inimigo. A competência técnica e
táctica, especialmente nos escalões
mais baixos - da companhia à secção,
mesmo que ocasionalmente todo um
batalhão (ou mesmo dois!) tenha sido
empregue -, produziram os resultados
aqui bem explícitos.
Caro leitor, este pequeno texto que
aqui termino, acredite, não faz jus
ao livro, terá que o ler. Mesmo que
não tenha sido ou seja
pára-quedista, mas se tem interesse
no que foi a Guerra do Ultramar do
ponto de vista do combatente - e
Mira Vaz aborda várias vezes acções
em que outras unidades quer de
Intervenção quer de Quadrícula
intervieram -, daquele que
enfrentava o inimigo "olhos nos
olhos" tem aqui uma excelente fonte
de informação!
Tem muitas fotos a preto e branco,
vários mapas e quadros resumos dos
resultados operacionais, quer em
termos de baixas quer de material
capturado.»
(Miguel Silva Machado, 20Nov2019)