"Ouve-se falar no desgaste que a
guerra no Ultramar produziu nas
finanças da Nação, mas não há uma
noção perfeita do volume total das
despesas efectuadas.
[...]
Não escondemos que foi grande o
volume dos gastos, porém, manter uma
guerra em três frentes, desenvolver
territórios e obter sucessos
evidentes, foram factores que não
devemos esquecer, a lançar no activo
das Forças Armadas, se quisermos
desapaixonadamente apreciar este
período da vida nacional.
Mais, importará reconhecer, não
obstante as carências de ordem
financeira que na Marinha e na Força
Aérea se manifestaram por
deficiências em material, talvez
mais do que no Exército, também este
Ramo as sentiu, sem que, contudo,
nunca tenha faltado ânimo e empenho
no cumprimento das missões
operacionais, merecendo os
combatentes o apreço da Nação pela
luta que travaram, para que se
mantivesse nosso o que nosso era há
quinhentos anos.
[...]
Importará dizer, ainda, que muito da
despesa realizada contribuiu para o
desenvolvimento local, em
infraestruturas, educação, saúde e
acção social que Portugal deixou aos
novos países.
Mas, mais do que possa ser
reconhecido no campo humanitário e
material, está a gesta de todos os
que serviram a Pátria e
principalmente as gerações de
oficiais, sargentos e praças dos
três Ramos das Forças Armadas que,
durante treze anos, fizeram a guerra
nos três teatros de operações.
Pagaram um preço alto pelo seu
esforço ao serviço da Pátria, preço
que se reflectiu na sua saúde,
invalidez e sacrifício da própria
vida.
Esforço este que, por vezes, não foi
e continua a não ser reconhecido
entre nós.
[...]
A História que os vindouros venham a
fazer deste período da Pátria, terá
que ser uma história rica e única e
dará, certamente, a dimensão que
ainda é cedo para ser encontrada."