José Pais
José
Clementino Pais: nasceu em 14Out36, em Vila Nova de Foz
Côa; em 15Out56 ingressou na Escola do Exército; no
final do ano lectivo 58-59 concluiu o curso de
Infantaria, no início de Nov60 promovido a alferes e em
meados de 61 mobilizado com a CCac6 para servir no
Estado da Índia Portuguesa; em 19Dez61 feito prisioneiro
e em Mai62 regressou a Lisboa; cumpriu 2ª comissão
ultramarina, como capitão «comandante de companhia em
Nambuangongo» (CCac724/RI15-Tomar)**;
a 3ª comissão ultramarina, em 09Fev68-Fev70 em Cabo
Verde como comandante de uma CCacI no Mindelo; e a 4ª
comissão ultramarina no norte-centro da Guiné, a partir
de Mar71
como comandante da CCac14 nas imediações de Farim,
sector onde foi ferido (02Mar72?) com gravidade pela
explosão de 1 mina, ficando internado no HM241-Bissau em
coma durante 1 mês; foi evacuado para a Metrópole e em
09Set73, de entre os capitães reunidos no palheiro
alentejano do Monte Sobral, era o de maior antiguidade;
em 75 passou à reforma extraordinária; em 04Jul96 era
coronel e residia em Foz Côa, onde faleceu em 16Fev2006
vítima de cancro.
** (integrada no
BCac725 comandado pelo TCor Baptista de Carvalho, em
07Out64 largou do Tejo a bordo do NTT "Vera Cruz",
ficando colocada no Quixico ainda naquele mês,
transferida para Forte República (sector de Malanje) em
Out65 e Cacuso em Abr66, regressando à Metrópole em
Jan67)
"Histórias
de Guerra: Índia, Angola e Guiné - Anos 60"
Título: "Histórias
de Guerra: Índia, Angola e Guiné - Anos 60"
autor: José Pais (prefácio de Manuel A. Bernardo)
editor: Prefácio
1ªed. Lisboa, 02Out002
141 págs
23x15cm
preço: 13€
dep.legal: PT-180823/02
ISBN: 972-8563-75-2
Sinopse:
Oficial e homem de forte capacidade de liderança, de
coragem física e mental, dá-nos um conjunto de histórias
passadas na guerra que constitui um contributo valioso
para a história contemporânea de Portugal.
Recensão
– «Um impressionante testemunho a fechar o ciclo do
Império, um livro comovente, cujo lançamento ocorreu no
passado dia 2 de Outubro [de 2002], na Sociedade
Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa, tendo
a presença de muitos ex-combatentes.
O título resume o conteúdo, mas foi acrescentado um
último capítulo, relativo a factos relacionados com o 25
de Abril. Esse capítulo é o "fecho da abóbada" nesta
obra de José Pais.
"Histórias de Guerra" não são historietas, são histórias
reais vividas num itinerário autobiográfico. São
História. Pela sua pureza, dramaticidade e abrangência,
apresentam-se como síntese das dores, das misérias, mas
também das grandezas de uma geração, num Portugal que
morreu. Síntese, também, das dores, misérias e
grandezas, dessa mesma geração, no Portugal novo que
ajudaram a nascer.
Um livro que faz doer, seca a garganta e põe orvalho nos
olhos. Que nos faz ter vergonha ("há alturas em que um
português tem tanta vergonha" – assim termina o livro),
mas que nos faz ter orgulho em Homens como o Coronel
José Pais, transmitindo-nos, por isso, esperança.
Politicamente incorrecto, o livro de José Pais
incomodará muita gente e não irá ser badalado nos
grandes meios de comunicação social.
É, no entanto, um belíssimo livro. A linguagem é
escorreita, simples e pura, a linguagem de um homem que
se comove e nos comove, que tem apego à verdade e é
frontal. Tem autenticidade, e a força de uma vivência
intensa na guerra do "ex-Ultramar".
Prisioneiro na Índia, ferido por 2 vezes em combate, a
última com muita gravidade, José Pais é figura luminosa.
Um português de antanho!
Combatente pela liberdade, foi importante o seu papel na
luta contra os desvios e excessos do PREC. E importantes
são as lutas que hoje continua a travar pela verdade e
justiça.
No livro, por contar fica uma história: a sua luta
corajosa contra a doença. Rins maltratados, tanta
pancada levaram em saltos e cambalhotas por picadas e
bolanhas.
Milhares de portugueses revêem-se em "Histórias de
Guerra".
Porque escrito com dor e verdade, porque retrata os
sentimentos e os dramas do Homem português, no seu
peregrinar pelo mundo, "Histórias de Guerra" é, também,
um livro intemporal.»
(Carlos Gueifão, in "Voz da Minha Terra" - Mação, 25 de
Novembro 2002)