.

 

Início O Autor História A Viagem Moçambique Livros Notícias Procura Encontros Imagens Mailing List Ligações Mapa do Site

Share |

Brasões, Guiões e Crachás

Siga-nos

 

Fórum UTW

Pesquisar no portal UTM

10 de Junho

Celebrações do 10 de Junho - Encontro Nacional de Combatentes

 

 

 

 

29.º Encontro Nacional de Combatentes

 

10 de Junho de 2022

 

Com o apoio de um colaborador do portal UTW

 

 

 

«...celebrar a Pátria honrando os nossos Combatentes.»

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

 

Lisboa:

 

Discurso alusivo feito pelo orador, Professor Doutor Humberto Nuno de Oliveira

 

 

 

– «Portugal, combatendo a Guerra de África, durante vários anos em 3 Teatros de Operações, com inegáveis resultados operacionais, constituíu-se como um raro e notável paradigma de querer colectivo e exemplo digno de memória na História universal.


É este papel na História a razão, talvez, para terem escolhido para vos falar hoje um humilde historiador que teve a subida honra de cumprir o Serviço Militar Obrigatório e que há vinte e nove anos, aqui, em Belém, ante o Monumento aos Combatentes, do lado de lá, onde agora estais, vos vem saudar, homenagear e partilhar convosco este chão sagrado.


Aqui estou, uma vez mais, no vosso dia para vos saudar e homenagear a todos, aos vivos e aos que já partiram, mas que estarão sempre connosco, presentes, naquela dimensão espiritual que constituí o “devir” da História de Portugal, anterior a cada um de nós e que perdurará para além deste nosso lado da vida terrena. Saudação de profundo silêncio para a qual seremos convocados pelos tremendos e arrepiantes toques de Silêncio, Homenagem e Alvorada, onde, de novo, todos nos congregaremos.


A Guerra de África que, sem favor, merece páginas de ouro na história pátria e os seus militares, Vós, o epíteto de Heróis. Não todos, seguramente, pelos grandes feitos que a História regista, mas todos pela superação de cada uma das limitações humanas, respondendo com disponibilidade, responsabilidade e coragem ao chamamento da Pátria que vos convocava a combater.


Mas o acontecimento político que determinou o fim da Guerra de África, trouxe o assalto às universidades de uma cultura que, substituindo o orgulho que todos os portugueses dignos desse nome deveriam ter pela mesma, paulatinamente impôs – captando mesmo militares para tal tarefa – a lenda negra do que propagandisticamente chamaram “Guerra Colonial”, afrontosa para povos supostamente oprimidos, e isto mesmo quando não existiam colónias desde 1951. Uma designação vesga, de má fé, com manifesto intuitos políticos.


Foi o início de uma cultura de ajustamentamento de contas com o passado, reescrevendo-o e quando, inconveniente, apagando-o. É a moderna ditadura de cancelamento do “woke” e a imposição de uma ditadura de pensamento único.


Para tais indivíduos acabou-se com a guerra porque estava contra os ventos da história (que não sopram igual para todos...), acabaram com o serviço militar obrigatório, porque estava contra os ventos da Europa. Mesmo para uma Nação de marinheiros convenhamos que são ventos demasiados contra o mundo militar...


Lentamente foram construíndo uma narrativa em que se demonizaram os que serviram a Pátria em combate – sempre que necessário e útil à sua narrativa – não raras vezes criticados e maltratados, quando tudo deram de si, alçando ao estatuto de heróis os traidores e desertores que fugiram – e todos sabemos a razão, embora inconveniente, e sempre ocultada: a cobardia!
Como se Portugal fosse um país de cobardes e fossem essas ervas daninhas os exemplos a seguir. Todos nós rapazes, de então, sabíamos o que nos esperava e todos aceitavamos o nosso dever para com a Pátria.


É um Portugal ao contrário, que não segue os exemplos generalizados de culto aos heróis que serviram a Pátria por todo o mundo, ao invés atacando quem tudo deu na sua juventude, preocupando-se em rebuscar os nossos eventuais crimes de guerra, ao mesmo tempo que apagam, desculpam – ou, eufemisticamente, contextualizam - e mesmo ocultam quantos cometidos contra nós.


Uma narrativa história masoquista que, demonizando os nossos, busca heroicidade, por vezes manifestamente rebuscada, em quantos nos combateram.


E desta narrativa contra a Guerra de África, progressivamente avançou-se para um mais completo – e complexo – ataque à instituição militar e aos seus valores, facto que quebrou – intencional e criminosamente – a profunda e tradicional ligação da sociedade civil às suas Forças Armadas, tudo sempre em nome de uma maior suposta modernidade e dos “novos direitos humanos”, que não sabemos, nem percebemos, exactamente o que são e muito menos quem os mandatou para os eleger.


Nesta ofensiva inseriu-se a criminosa extinção do Serviço Militar Obrigatório – que a maioria de nós com orgulho cumpriu, afastou-se o povo das suas Forças Armadas, erradicou-se do território nacional o seu dispositivo militar, apagou-se a memória, a ligação tradicional, tornando as Forças Armadas algo de distante e quase estanque da sociedade civil. As Forças Armadas nunca foram prioridade de nenhum governo desde então e, seguramente, ainda não são.


Tal daria lugar, segundo algumas mentes iluminadas, a um exército baseado num voluntariado que levaria a uma profissionalização, expectavelmente, de excelência.


Poucos anos passados sobre tão trágica decisão os resultados estão à vista e, lamento dizê-lo, as nossas Forças Armadas – em diversos padrões de análise – encontram-se num nível manifestamente risível e o afamado voluntariado falhou em toda a extensão. Não há efectivos e faltam também muitas outras coisas.


Já não se vai à tropa por imposição legal. Já não se vai à tropa, ponto. Os que vão – salvo honrosas e pontuais excepções, sobretudo nas forças especiais –, não o fazem por vocação. Decretou-se o fim das Forças Armadas nacionais e criou-se o emprego militar e este, evidentemente, sempre subordinado aos euros do orçamento, necessariamente escassos e orientados para outras preocupações e bandeiras...


Quando até entre ilustres militares, de modo livre, aparentemente, surgem assertivas declarações contra o Serviço Militar Obrigatório, e se advoga a eventual aceitação de candidatos de nacionalidade estrangeira – ou seja, mercenários – para servir nas nossas Forças Armadas, está claro o temor em violentar os meninos das juventudes partidárias e quem manda, realmente, na “coisa” militar em Portugal... Haja vergonha e como avisava Hamlet, “algo vai mal”...


E tudo isto quando o realismo – e os recentes acontecimentos – aconselham o regresso do mesmo, como já se vai fazendo em diversos países europeus.


Os nossos muitos modernos, mas algo quixotescos decisores, gostam de teimar no erro e recentemente a nossa Ministra da Defesa afirmou mesmo que, e cito, "esse tipo de sistema de serviço militar não responde às necessidades estratégicas”. Parece que a tutela convive mal com três expressões: “serviço”, “militar” e “obrigatório”, coisas, seguramente, pouco modernas e arejadas...


Ou seja, o sistema que progressivamente vai sendo recriado na Europa, que permitiu a nossa participação na Guerra Mundial e que nos permitiu travar a Guerra de África, num total de 14 anos, não serve. Mas a profissionalização muito menos... Esperemos que não se lembrem de decretar o fim das Forças Armadas...


A ideia do Serviço Militar Obrigatório – e é lamentável que tal não seja cristalinamente entendido – não visa apenas as necessidades estratégicas, nem sequer a satisfação da necessidade de efectivos, mas algo superior, muito superior, os conceitos de Segurança e Defesa da Pátria e uma outra dimensão que todos pretendem ocultar, uma verdadeira formação cívica da juventude.


Sem estes vectores colocaremos em causa a coesão nacional... Esperemos não ser esse um objectivo oculto!


O resultando é evidente, temos hoje uma classe castrense que o poder político pretende subjugar, adormecer e, em muitos casos, desvirilizar (mas esse, será, porventura, um objectivo a perseguir).


Somando a tudo isto a recente ofensiva a tradições enraizadas nas Forças Armadas como as boinas, as diferentes marchas ou cânticos, tudo em nome de uma suposta harmonização e espírito de corpo, são sinais contrários e muito preocupantes. A não terem sido sustentados por militares – será que o foram de livre vontade? – diria que eram decisões de quem não percebe nada da tropa...


Combatentes!


Como afirmei, todos os anos aqui venho ao encontro do coração de Portugal.


Aqui estão os que combatem e combateram, voluntária ou involuntariamente em nome de todos. Estão aqui os que servem e serviram acima de tudo e de todos, tornando-se unos com a nossa Pátria! Para esta homenagem viria, ainda que sozinho, mas esperemos que este chão sagrado floresça no futuro, agregando todos quantos se identificam com os nossos valores! Ganhar este desafio é a nossa tarefa fundamental para o futuro!


Aqui estou e estarei convosco para juntos travarmos a guerra contra a mentira, contra o ódio e o cancelamento da nossa História;


- para convosco defendermos a memória da Guerra de África e dos seus heróis e combatermos a lenda negra do que eles chamam “Guerra Colonial”;


- para em conjunto defendermos a existência e a dignidade das Forças Armadas de Portugal e a sua ligação ao todo da Nação.


Honra aos nossos Heróis!


Viva Portugal!»¹


¹ (Discurso do 10 de Junho de 2022; Humberto Nuno de Oliveira, no Monumento 'Aos Combatentes do Ultramar')

 

 

© UTW online desde 30Mar2006

Traffic Rank

Portal do UTW: Criado e mantido por um grupo de Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar

Voltar ao Topo