
Os Oficiais de Artilharia do COM –
1960/61 – EPA, homenagearam na Sala da Liga dos
Combatentes, no Mosteiro da Batalha, e no Regimento
de Artilharia 4, em Leiria, no passado Sábado, dia
16 de Junho de 2012, o seu antigo Comandante da
Bataria de Instrução, Sr. Tenente Coronel de
Artilharia CEM Raúl Ernesto Mesquita da Costa Passos
Ramos e o seu Camarada de Curso, Sr. Capitão
Miliciano de Artilharia Comando Horácio Francisco
Martins Valente, mortos ao serviço de Portugal na
Guiné, no dia 20 de Abril de 1970, e em Moçambique,
no dia 11 de Agosto de 1968, respectivamente.
O Senhor General Gabriel Augusto do
Espírito Santo, antigo Chefe do Estado Maior General
das Forças Armadas, Tenente de Artilharia em
1960/61, que foi um dos Comandantes de Pelotão e
Instrutor desse Curso de Oficiais Milicianos,
presidiu às cerimónias, que tiveram inicio no
Mosteiro da Batalha.
Proferiu, então, uma alocução durante
a qual recordou os brilhantes feitos militares dos
dois Oficiais que se homenageavam, ambos mortos por
Portugal, ao serviço de quem se bateram de forma
corajosa, denodada e sempre brilhante desde 1961 até
aos dias dos seus falecimentos, no desempenho de
muitas e diversas acções, de tal forma relevantes e
distintas que levaram a que, além das condecorações
que receberam em vida, como a Cruz de Guerra, lhes
tenham sido atribuídas a Medalha de Valor Militar,
com Palma e, a título póstumo, a Ordem Militar da
Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, ou
sejam, as duas mais altas distinções militares que
Portugal concede, em tempo de guerra ou de paz.
De seguida, após um minuto de
silêncio em sua memória, foram colocadas em cada uma
das vitrinas existentes na Sala da Liga dos
Combatentes que contêm as suas Medalhas, por dois
dos Oficiais Milicianos seus Comandados e Camaradas
do COM de 1960/61, uma Palma de Flores em cujas
fitas se destacavam as acções que realizaram e que
conduziram a esta homenagem.
Terminada esta parte da cerimónia,
deslocaram-se os Oficiais desse Curso presentes na
cerimónia para o Regimento de Artilharia nº 4, em
Leiria.
Aí chegados, foram recebidos junto à
Porta de Armas do Regimento pelo seu Comandante,
Senhor Coronel de Artilharia Luís Miguel Green Dias
Henriques, que saudou o Senhor General Gabriel
Espírito Santo, a quem foram prestadas as honras
militares que lhe são devidas.
De seguida, na Capela do Regimento,
foi celebrada Missa pelo Capelão da Unidade, em
sufrágio pelos Militares que integraram o Curso de
Oficiais Milicianos de Artilharia de 1960/61, assim
como por todos os Militares que, ao longo dos
tempos, prestaram serviço no Regimento de Artilharia
4 e nas Unidades suas antecessoras que, de tão
brilhantes que foram, levaram a que lhes hajam sido
concedidas as mais altas condecorações militares,
nelas se incluindo a Ordem Militar da Torre e Espada
do Valor, Lealdade e Mérito.
Terminada a celebração da Missa,
dirigiram-se todos os presentes para junto do
Monumento erigido na Parada do Regimento onde, de
seguida, com a participação dum Terno de Clarins e
de uma Secção do Regimento, se prestaram Honras
Militares aos Militares Falecidos, tendo sido
depositada nesse Monumento, dedicado aos Mortos do
Regimento que a Pátria Honraram, por outro Oficial
Miliciano do mesmo COM de 1960/61, uma Palma de
Flores mencionando em especial todos os Camaradas
Artilheiros que deram as suas vidas por Portugal.
Prosseguiu o programa com a
apresentação aos antigos Militares de alguns dos
novos equipamentos de que dispõe a Artilharia,
lembrando-os de que vários dos presentes actuaram
como artilheiros durante a Guerra do Ultramar, onde
usaram, sobretudo, materiais da década de 50 do
século passado, muito diferentes dos actuais,
enquanto que outros o fizeram ao serviço de outras
Armas ou Serviços, mas todos os que concluíram o COM
de 1960/61 o fizeram com a determinação que
caracteriza a Arma onde foram formados.
Terminou a parte da manhã com um
Almoço no Refeitório do Regimento, que lhes permitiu
recordar o que conheceram há meio século, a começar
pela distinta e excepcional formação, militar e
humana, que receberam na Escola Prática de
Artilharia e, depois, ao longo dos vários anos de
serviço que prestaram, tanto na Metrópole como no
Ultramar, em situações, meios e épocas muito
diferentes da actualidade, o que alguns bem
salientaram, mas pondo a tónica dos seus discursos
na enorme importância da relação pessoal que é
característica dos Militares em geral, mas que hoje
a todos lembrou dois Oficiais de excepção, a todos
os títulos notáveis: os Srs. Ten. Coronel de
Artilharia CEM Raúl Passos Ramos e o Capitão
Miliciano de Artilharia Comando Horácio Martins
Valente.
Com o descerramento duma Placa
Comemorativa colocada numa parede do Regimento,
findou um dia memorável, por homenagear Militares
Artilheiros de invulgares qualidades numa Unidade da
sua Arma, como é o caso do Regimento de Artilharia
4, que sempre os teve e que bem honraram a sua
divisa de “Fortes e Leais”. A forma
extraordinariamente amiga e atenciosa como os
actuais Militares receberam os seus “velhos”
Camaradas, mostra bem a enorme união que liga duas
gerações que nunca serviram juntas, mas que bem
caracteriza quem serviu numa Arma de eleição: a
Artilharia.
Algumas fotografias que se anexam,
mostram alguns dos aspectos mais relevantes dum dia
marcante para uma geração que não foi
especificamente preparada para o tipo de guerra com
que se confrontou, mas que a enfrentou desde o seu
início, ainda no primeiro semestre de 1961, com a
generosidade do seu sacrifício, a inestimável
entreajuda com os Camaradas e a excepcional
qualidade de alguns Militares como os que agora
foram homenageados.
José Manuel Potier

O Senhor General
Gabriel Espírito Santo recorda os feitos dos Srs.
Ten. Cor. Raúl Passos Ramos e Cap. Horácio Martins
Valente
