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Estevam
Rosa Gaspar, Tenente-Coronel
do Serviço Geral Paraquedista
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA E GLÓRIA |
Elementos castrenses cedidos pelo
PQ
Pedro Castanheira |
Estevam Rosa Gaspar
Tenente-Coronel do Serviço Geral Paraquedista

Guiné: 03Jul a
21Jul1963
Comandante de um
Pelotão de Paraquedistas
Aerodromo Base n.º 2
Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné «ESFORÇO E VALOR»
Guiné: 22Jul1963 a
03Jul1964
Pelotão de
Paraquedistas
Aerodromo Base n.º 2
Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné «ESFORÇO E VALOR»
Angola: 10Jan1965 a
15Ago1966
Companhia de Material
e Infraestruturas (Operações)
Batalhão de Caçadores
Paraquedistas 21
«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»
2.ª Região Aérea
«FIDELIDADE E GRANDEZA»
Moçambique: 10Set1968
a 20Abr1971
Comandante do 2.º Pelotão da
2.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»
3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»
Angola: 01Jun1973 a
05Ago1975
Companhia de Material
e Infraestruturas (Operações)
Batalhão de Caçadores
Paraquedistas 21
«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»
2.ª Região Aérea «FIDELIDADE E GRANDEZA»
Membro Honorário
da Ordem Militar da
Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito Colectiva
Medalha de Ouro de
Valor Militar com Palma Colectiva
Cruz de Guerra de 1.ª
Classe Colectiva
Medalha de Prata
de Serviços Distintos com Palma
Medalha de Mérito
Militar de 2.ª Classe
2 Medalhas
Comemorativas das Campanhas das Forças Armadas com as
legendas “Guiné 1963 – 64” e “Angola 1965 – 66”

Estevam Rosa Gaspar,
Tenente-Coronel do Serviço Geral Paraquedista, nascido
no dia 15 de Janeiro de 1935, na freguesia de
Martinchel, concelho de Abarantes, distrito de Santarém;
Até aos 20 anos, conciliou os estudos com o trabalho de
operário em
barragens
hidroelétricas, tendo participado na construção de
quatro dessas infraestruturas;
Em
Agosto de 1956, realizou a recruta e a especialidade de
Operador de Teleimpressor na Escola Prática de
Engenharia (EPE – Tancos) «UBIQUE DOCERE ET PUGNARE». Já
como militar da Força Aérea Portuguesa, foi colocado na
Base Aérea n.º 6 (BA6 – Mointijo) «FORÇA E GRANDEZA DE
ÂNIMO», onde prestou serviço até Dezembro de 1957;
Em
Janeiro de 1958, ofereceu-se como voluntário para servir
nas Tropas Paraquedistas e seguiu para o Batalhão de
Caçadores Paraquedistas (BCP - Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM». Ali, entre 15 de Fevereiro e 31
de Março de 1958, frequentou o 3.º Curso de Paraquedismo
Militar com aproveitamento, pelo que lhe foi atribuído o
brevet n.º 254;

De 18 de Janeiro a 08 de Julho de 1960, frequentou o 3.º
Curso de Promoção a Furriel Paraquedista;
Em 01 de Janeiro de 1961, promovido a Furriel
Paraquedista;
De 15 de Maio a 21 de Junho de 1961, frequentou o 5.º
Curso de Instrutores e Monitores Paraquedistas;
Entre
1961 e 1963, foi instrutor de vários Cursos no Regimento
de Caçadores Paraquedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM», com especial destaque para Cursos
de Paraquedismo Militar;
Em 01 de Janeiro de 1963, promovido a 2.º Sargento
Paraquedista;

Em 3 de Julho de 1963, com o posto de 2.º Sargento
Paraquedista, foi nomeado por escolha pelo Regimento de
Caçadores Paraquedistas (RCP – Tancos) «QUE
NUNCA
POR VENCIDOS SE CONHEÇAM», para comandar um Pelotão de
Paraquedistas. Este seguiu para a Guiné Portuguesa,
ficando integrado no
Aeródromo
Base n.º 2 (AB2 – Bissalanca), da Zona Aérea de Cabo
Verde e Guiné (ZACVG) «ESFORÇO E VALOR»;
Em 21 de Julho de 1963, cessou as funções de comandante
daquele pelotão, sendo o comando transmitido ao Tenente
do Serviço Geral Paraquedista Carreiro, mantendo-se, no
entanto, integrado na referida subunidade;
Em Fevereiro de 1964, foi louvado pelo Comandante-Chefe
das Forças Armadas da Guiné pela sua ação na Operação
“Tridente”. Este louvor foi publicado na Ordem de
Serviço n.º 7/64 do Comando das Forças Armadas da Guiné,
com o seguinte teor:
“Louva o 2.º
Sargento Paraquedista Estevam Rosa Gaspar, porque numa
acção na mata do CACHIL, em 07 de Fevereiro de 1964, se
deslocou em campo aberto e debaixo de intenso fogo
inimigo para ir buscar um camarada ferido que tinha
ficado isolado, o que demostra espírito de sacríficio,
coragem e abnegação”
Em
03 de Julho de 1964, regressou à
Metrópole;
Em 10 de Janeiro de 1965, mobilizado pelo Regimento de
Caçadores Paraquedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado na Companhia do
Material e Infraestruturas (CMI - Operações) do
Batalhão
de Caçadores Paraquedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS
QUE QUANTAS» da 2.ª Região Aérea (2ªRA) «FIDELIDADE E
GRANDEZA»;
Em 15 de Agosto de 1966, regressou à Metrópole;
Em
14 de Outubro de 1966, promovido a 1.º Sargento
Paraquedista;
Agraciado com a Medalha Comemorativa das Campanhas das
Forças Armadas com a legenda “Norte de Angola 1965 -
66”, publicado na ordem de Serviço n.º 278, de 29 de
Novembro de 1966, do Batalhão de Caçadores Paraquedistas
21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»;

Em 1966, segue para o Aeródromo de Manobra n.º 2
(Águeda) para
frequentar
o Curso do Serviço Geral da Força Aérea, visando o
ingresso no Quadro de Serviço Geral de Paraquedistas;

Em 10 de Setembro de 1968, mobilizado pelo Regimento de
Caçadores Paraquedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM»
para servir Portugal na Província
Ultramarina de Moçambique, como comandante do
2.º Pelotão da 2.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas
(2ªCCP) do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (BCP31
– Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE» da 3.ª Região
Aérea (3ªRA) «LEALDADE E CONFIANÇA»;
Em
01 de Novembro de 1968, promovido a Alferes do Serviço
Geral Paraquedista;
Em 1969, foi considerado abrangido pelo direito ao uso
da insígnia da condecoração coletiva da
Cruz de Guerra de 1.ª classe,
concedida ao Batalhão de
Caçadores Paraquedistas 31
(BCP31) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE», da
3.ª Região Aérea (3RA – Moçambique) «LEALDADE E
CONFIANÇA», conforme
publicado
na Ordem à Aeronáutica n.º 19 – 2.ª série, de 1969;
Agraciado com a Medalha Comemorativa das Campanhas das
Forças Armadas com a legenda “Guiné 1963 – 64”,
publicado na Ordem de Serviço n.º 297, de 22 de Dezembro
de 1970, do do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
(BCP31 – Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»;
Em 01 de Novembro de 1969, promovido a Tenente do
Serviço Geral Paraquedista;

Moçambique, 1970:
Alferes SG/PQ Estevam Gaspar e, logo atrás, o 1.º
Sargento Américo Rodrigues de Sousa. Este último viria a
perder uma perna na Operação 'Nó Górdio', vítima de uma
mina antipessoal, pouco tempo depois deste registo.

Beira, Moçambique. Em
Novembro de 1970, o Tenente SG/PQ Rosa Gaspar salta a
7.000 metros de altitude,
efetua 2 minutos de queda livre e iguala o máximo
nacional.
Em 20 de Abril de 1971, regressou à Metrópole;
Agraciado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos
com Palma, por serviços prestados considerados
extraordinários, relevantes e distintos na Província
Ultramarina de Moçambique, pela Portaria de 05 de Abril
de 1972, publicada na Ordem à Aeronáutica n.º 13 – 2.ª
série, de 1972:
Tenente
Serviço Geral Paraquedista
ESTEVAM ROSA GASPAR
BCP31 – RCP
Moçambique
Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma
Por
Portaria de 5 de Abril de 1972
Louvado, por proposta do comandante da 3.ª Região Aérea,
o Tenente do Serviço Geral Paraquedista Estevam Rosa
Gaspar, do Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 31,
porque, servindo numa companhia operacional durante
dezoito meses consecutivos, evidenciou agressividade,
senso de comando, iniciativa e interesse pelo serviço,
que muito contribuíram para os êxitos da Companhia.
Quando, por interesse de serviço, foi desviado da
actividade operacional, sendo colocado em funções sem o
risco e o sacrifício exigidos às forças combatentes, o
Tenente Gaspar, apercebendo-se da dificuldade em
oficiais, ofereceu-se para regressar às operações,
denotando assim, mais uma vez, o seu alto sentido do
dever militar.
Oficial experiente e disciplinado, deu provas, durante a
sua actividade operacional, de ser possuidor de coragem,
decisão e serena energia debaixo de fogo, que o
impuseram aos seus subordinados, conquistando a sua
inteira confiança, com resultados positivos nas
operações, especialmente quando impõem grande sagacidade
na execução das emboscadas.
Pelas qualidades apontadas e pela sua actuação no teatro
de operações, o tenente Gaspar conseguiu, mercê do seu
esforço, prestigiar as forças armadas em geral e as
Tropas Paraquedistas em particular, pelo que os serviços
por si prestados devem ser considerados extraordinários,
relevantes e distintos.
Em
1973, foi considerado abrangido com direito ao uso da
insígnia da condecoração colectiva da Medalha de Ouro de
Valor Militar, com palma, concedida ao Batalhão de
Caçadores Paraquedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS
QUE QUANTAS», cuja concessão foi publicada o Diário do
Governo n.º 43 - 2.ª série, de 20 de
fevereiro
de 1973, e transcrita na Ordem à Aeronáutica n.º 6 – 2.ª
série de 1973;
Em 01 de Junho de 1973, mobilizado pelo Regimento de
Caçadores Paraquedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província
Ultramarina
de Angola, integrado na Companhia do Material e
Infraestruturas (CMI - Operações) do Batalhão de
Caçadores Paraquedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS
QUE
QUANTAS»
da 2.ª Região Aérea (2ªRA) «FIDELIDADE E GRANDEZA»;
Em 10 de Junho de 1974, perante as forças em parada no
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21, foi-lhe imposta
a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma;
No período de 19 de Agosto a 18 de Setembro de 1974, foi
nomeado Instrutor-Chefe do primeiro Curso de
Paraquedismo Militar ministrado em Angola, no Batalhão
de Caçadores Paraquedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS
QUE QUANTAS». O curso destinava-se a formar quadros com
militares portugueses naturais de Angola para o futuro
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 22 (BCP22), a ser
implementado no Luso;
Em 05 de Agosto de 1975, regressou à Metrópole;
Em 10 de Agosto de 1975, promovido a Capitão do Serviço
Geral Paraquedista;
Em 12 de Novembro de 1981, promovido a Major do Serviço
Geral
Paraquedista;
Agraciado com a Medalha de Mérito Militar de 2.ª classe,
pela
Portaria de 15 de Fevereiro de 1985, publicada na Ordem
à Aeronáutica n.º 10 – 2.ª série de 1985;
Em 1985, foi considerado Membro Honorário da Ordem
Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
Colectiva, concedida ao Corpo de Tropas Paraquedistas
(CTP) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE», publicado no
Diário da República n.º 62 – 2.ª série, de 15 de Março
de 1985;
Em 10 de Dezembro de 1985, promovido a Tenente-Coronel
do Serviço Geral Paraquedista;
Em 1988, através do Despacho Conjunto n.º A-250/88-XI
(Presidência do Conselho de Ministros e Ministério das
Finanças), foi-lhe concedido o direito à pensão por
serviços excecionais e relevantes prestados ao País,
publicado no Diário da República n.º 18 – 2.ª série,
página 669, de 21 de Janeiro de 1989;
Em 01 de Abril de 1989, passou à situação de reserva.
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Observações
Adicionais: Tenente-Coronel SG PQ Estevam Rosa Gaspar
Percurso e Mérito
Militar
Desde cedo, o então Sargento Estevam Rosa Gaspar revelou
o dom natural dos grandes saltadores em queda livre.
Praticante destacado, foi frequentemente selecionado
para as mais prestigiadas competições desportivas e
militares, representando Portugal em inúmeros
campeonatos no estrangeiro.
A sua excelência desportiva nunca comprometeu a sua
operatividade militar; pelo contrário, o equilíbrio
entre estas duas vertentes valeu-lhe o louvor que
fundamentou a concessão da Medalha de Prata de Serviços
Distintos com Palma. Integrou também o restrito “Clube
LAMINUTE do BCP21”, grupo que reunia os melhores
especialistas em queda livre da época.
Impulsionador do
Paraquedismo Civil
A sua influência extravasou o âmbito militar,
destacando-se como um pilar do paraquedismo civil. Foi
instrutor no Aero-Clube Universitário, no Colégio
Militar e na Academia Militar.
É ainda hoje recordado com saudade pelos veteranos dos
cursos civis que ministrou nas antigas Províncias
Ultramarinas, nomeadamente em Angola (Luanda e Nova
Lisboa) e Moçambique (Beira e Lourenço Marques).
O "Salto da Vida" e o Último Adeus aos Céus
Ao longo de uma carreira ímpar, o Tenente-Coronel
acumulou marcos históricos:
• O Recorde:
Em 1970, atingiu o estatuto de recordista nacional com
um salto a 7.000 metros de altitude (com recurso a
oxigénio).
•
A Despedida:
No dia 8 de Setembro de 2013, aos 78 anos, realizou o
seu 2318.º e último salto em Vila Nova da Barquinha,
durante a Taça de Portugal de Paraquedismo.
Equipado
com o seu fato verde histórico, saltou a 4.000 pés sob o
olhar de familiares e amigos. Transportava consigo uma
bandeira com o número "2318", o total de saltos que
define a sua trajetória — realizados a partir de aviões,
helicópteros e até balões cativos.
"É sentirmo-nos
num espaço que é d’Ele. Não há nada em trânsito. É a
vista maravilhosa que se alcança dos céus.... É
formidável." —
Estevam Rosa Gaspar
Instrução:
Instrutor de cursos militares e civis (Aeroclube
Universitário, Colégio e Academia Militar).
Formação em África:
Mentor de diversas gerações de paraquedistas em
Moçambique e Angola.
Experiência:
2318 saltos no total, incluindo 19 noturnos e 4 sobre a
água.
Competição:
Participações internacionais no Brasil, Espanha, França,
Alemanha, Bélgica, Suécia e Rodésia.
Títulos:
Sagrou-se, por diversas vezes, Campeão Nacional, tanto
na vertente militar como na civil.

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