Batalhão
de Caçadores N.º 155
Identificação:
BCac155
Unidades
Mobilizadoras:
Regimento de Infantaria
16 (RI16 - Évora): Comando (Cmd) e
Companhia de Comando e Serviços
(CCS);
Regimento de Infantaria 10 (RI10 -
Aveiro): Companhia de Caçadores 127
(CCac127);
Regimento de Infantaria 12 (RI12 -
Coimbra): Companhia de Caçadores 128
(CCac128);
Regimento de Infantaria 14 (RI14 -
Viseu): Companhia de Caçadores 129
(CCac129).
Comandante:
Tenente-Coronel de
Infantaria Armindo de Jesus
Fernandes
2.º
Comandante:
Major de Infantaria José
Leitão Fernandes de Carvalho
Oficial de
Informações e Operações /Adjunto:
Capitão de Infantaria
Fernando Manuel da Costa Estorninho
Comandantes de Companhia:
Companhia de
Comando e Serviços (CCS):
Capitão de Infantaria
Arnaldo Alfredo Pereira do Carmo
Sousa Teles
Companhia de
Caçadores 127 (CCac127):
Capitão de Infantaria
Sérgio Manuel Carvalhais Ribeiro dos
Santos
Capitão Mil.º de Infantaria Alberto
António Ferreira
Companhia
de Caçadores 128 (CCac128):
Capitão de Infantaria
Octávio Gabriel Calderon Cerqueira
Rocha
Capitão de Infantaria António
Salgadinho São Braz
Companhia
de Caçadores 129 (CCac129):
Capitão de Infantaria
Joaquim Abrantes Pereira de
Albuquerque
Capitão Mil.º Ramiro de Oliveira
Dias
Divisa:
"Conduta Brava e Em Tudo
Distinta"
Partida:
Embarque em 28 de
Maio de 1961 (nota2),
no NTT «Niassa»; desembarque em 9 de
Junho de 1961.
Regresso:
Embarque em 21 de Agosto
de 1963, no NTT «Niassa» (no Lobito)
Síntese da Actividade Operacional
Inicialmente, o Batalhão de
Caçadores deslocou-se para Salazar (Dalatando),
onde recebeu o Pelotão de Morteiros
14 (PelMort14) e o Pelotão de
Canhões Sem Recuo 9 (PelCanhSRc9),
de reforço.
Em 10 de Julho de 1961, atingiu o
Songo, no Sector 2, mais tarde
designado por Sector I.
O
dispositivo adoptado foi o seguinte
o:
Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS), a Companhia de
Caçadores 127 (CCac127), o Pelotão
de Morteiros 14 (PelMort14) e o
Pelotão de Canhões Sem Recuo 9
(PelCanhSRc9) no Songo, a
Companhia de Caçadores 128 (CCac128)
ocupou Nova Caipemba, a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129)
em Banza Iende e, a partir de 11 de
Agosto de 1961, em Quizalala e a
Companhia de Caçadores 61 (CCac61),
de reforço, no Toto e com um pelotão
no Bembe.
A partir de 11 de Outubro de 1961,
por reorganização dos sectores, a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129)
passou a depender operacionalmente
do Batalhão de Caçadores 159
(BCac159), voltando à
responsabilidade do seu batalhão em
14 de Março de 1962, após ter sido
substituída em Quizalala pela
Companhia de Caçadores 62 (CCac62) e
instalando-se então no Songo.
Após reformulação do dispositivo
decorrente do plano de operações
"Centauro Grande", o BCaç [BCac155]
foi substituído na área do Toto-Bembe
pelo Batalhão de Caçadores 158
(BCac158) e passou a ocupar a nossa
zona de acção na região de Úcua,
onde substituiu efectivos do
Batalhão de Caçadores 261 (BCac261),
passando a integrar o Sector D, da
ZIN (Zona de Intervenção Norte),
então criado.
Em 30 de Junho de 1962, data em que
assumiu a responsabilidade do
subsector.
O dispositivo inicialmente adoptado
foi o seguinte: o
Comando, a Companhia
de Comando e Serviços (CCS) e a
Companhia de Caçadores 128 (CCac128)
em Úcua, a
Companhia de Caçadores 127 (CCac127)
em Pango Alquem, a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129)
no Píri e, em reforço, a
Companhia de Caçadores 78 (CCac78)
em Bula Atumba, esta com
destacamentos em Quiage e Fazenda
Augusta; no entanto, esta ZA (Zona
de acção) de Bula Atumba deixou de
pertencer ao batalhão a partir de 12
de Agosto de 1962.
Da constante actividade operacional
destacam-se nos sectores I e D as
operações "Serra do Uige/NE", "Jamuca",
"Bota Alta", "Quicombo" e "Mato
Grosso".
O inimigo, que já dispunha de grande
número de armas automáticas,
executou numerosas emboscadas e
tentou ocupar o Bembe com grande
efectivo em Fevereiro de 1962, sendo
rechaçado com êxito.
Em princípios de 1 de Novembro de
1962, o Batalhão de Caçadores
[BCac155] regressou a Luanda, de
onde seguiria em 6 de Dezembro de
1962 para a Lunda.
Em 18 de Dezembro de 1962, o
batalhão assumiu a responsabilidade
do subsector de Veríssimo Sarmento (Camissombo),
então criado.
O Comando, a Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e a Companhia de
Caçadores 127 (CCac127)
instalaram-se em Veríssimo Sarmento,
a
Companhia de Caçadores 128 (CCac128)
em Andrada e a
Companhia de Caçadores 129 (CCac129)
em Portugália (Dundo), recebendo
ainda em reforço a
Companhia de Caçadores 283 (CCac283)
em Cacanda, a
Bateria 147 do Grupo de Artilharia
de Campanha 157 (Btr147/GAC157) e o
Pelotão de Artilharia Antiaérea 56
(PelAAA56), ambos em Portugália;
havia ainda destacamentos em Luxilo,
Canzau e Fucauma.
De 25 de Dezembro de
1962 a 1 de Junho de 1963, o
batalhão [BCac155] instalou ainda um
Posto de Comando Avançado em Cacanda,
a fim de fazer face à instabilidade
verificada no Catanga.
O inimigo não se revelou na ZA (Zona
de acção), pelo que a acção do
Batalhão de Caçadores [BCac155]
constou sobretudo de intensos
patrulhamentos e manutenção de
contacto com as populações.
Em 13 de Agosto de 1963, o batalhão
[BCac155] foi rendido no subsector
pelo Batalhão de Caçadores 451
(BCac451).
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(nota2)
28Mai1961:
A
partida do NTT «Niassa» com destino
a Luanda (Angola)
Diário de Lisboa, ed. 13813,
págs 1 e 2, de 28 de Maio de
1961

Título da
notícia:
«Partiu
para o Ultramar mais um contingente
de tropas. O Ministro do Exército
despediu-se dos soldados»
(transcrição):
Um importante
contingente militar embarcou esta
manhã com destino a uma das nossas
províncias ultramarinas, facto que
provocou grande curiosidade do
publico, que se aglomerou no vasto
largo fronteiro á estação marítima
de Alcântara. Aí os soldados
desfilaram, depois de o ministro do
Exército, acompanhado do
subsecretário da mesma pasta e do
chefe do Estado-Maior do Exército,
lhes ter passado revista.
A impressionante coluna de homens,
com os seus fardamentos de caqui,
encontrava-se formada ao longo da
comprida avenida, atingindo quase a
estação marítima da Rocha do Conde
de Óbidos.
À sua chegada, o ministro do
Exército foi recebido pelo
subsecretário, sr. tenente-coronel
Jaime Filipe da Fonseca, e pelos
generais Antunes Cabrita, governador
militar de Lisboa, Câmara Pina,
chefe do Estado-Maior do Exército,
Alves de Sousa, comandante da 2.ª
Região Militar, David dos Santos,
Barbieri Cardoso, Matos Mala, Romão
Duarte, Valadares, comandante da 1.ª
Região Militar, e brigadeiros
Ribeiro de Carvalho e Bastos
Gonçalves, assim como por muitos
outros oficiais superiores.

O sr. brigadeiro Mário Silva, depois
de ter passado revista ás tropas,
dirigiu-se para uma pequena tribuna,
onde, acompanhado do sr.
tenente-coronel Filipe da Fonseca,
assistiu ao desfile. Findo este e
quando os últimos soldados entravam
a bordo do navio [NTT «Niassa», com
destino a Luanda, Angola], a
multidão rompeu os cordões da
Polícia e dirigiu-se para o cais,
vitoriando os soldados.
A banda do Regimento de Infantaria
1, que abrilhantara o desfile,
continuou a executar marchas
militares, até o navio se fazer
definitivamente ao largo.
O
discurso do ministro do Exército
O Sr. ministro do Exército
dirigiu-se depois para bordo e, num
dos salões onde se encontravam todos
os oficiais expedicionários,
fez-lhes uma breve alocução,
começando por declarar:
- Mais um contingente para o
Ultramar; mais uma vez o Exército
responde: «Angola é e será
território nacional».
- Nada mais próprio para celebrar
esta data do 28 de Maio — prosseguiu
—, em que se comemora o aniversário
da Revolução Nacional, nada mais
próprio do que uma parada de tropas.
Aliás, esta parada, se lhe falta o
luzimento dos uniformes garridos e a
decoração das grinaldas e pendões,
tem em contrapartida a moldura do
povo anónimo, que em redor do cais
de embarque abençoa os soldados que
partem. Que partem numa missão
sagrada, na mais dignificante tarefa
que um português pode assumir: a de
defender a todo o custo o solo
pátrio.
Continuando as suas declarações, o
sr. ministro do Exército acrescentou
que esperava que todos e cada um
soubessem desempenhar-se das tarefas
que lhes forem cometidas, de forma a
honrarem a farda que envergam.
Mais adiante, disse:
Tenho de vincar bem a necessidade de
cada um, oficial, graduado ou praça,
se inteirar de que só uma inteira
ligação, uma integral cooperação
entre as Forças Armadas e as
populações te autoridades civis das
províncias do Ultramar pode levar a
dominar a situação actual e
cimentar, nume próximo futuro, uma
era de paz e de prosperidade em toda
a terra portuguesa.

No
combate contra o inimigo não pode
haver melindres nem escolha de
missões
- No combate contra o inimigo cruel
e sanguinário - afirmou o sr.
brigadeiro Mário Silva - não pode
haver melindres, nem escolha de
missões: os civis, as autoridades
administrativas, os homens, as
mulheres, as crianças, terão de
combater de armas na mão, ao lado
dos soldados. Estes - acentuou -
hão-de empunhar a enxada e entrar
nas colheitas, ombro a ombro com os
agricultores, brancos, pretos ou
mestiços, se tal for necessário para
o bem comum e para a boa marcha das
operações ou para a efectivação dos
planos económicos superiormente
estabelecidos.
A concluir o seu discurso, o sr.
brigadeiro Mário Silva disse:
- Faço votos pela vitória e tenho fé
inabalável em que ela nos há-de
sorrir, recompensando todo este
esforço militar, todo este esforço
nacional, que é o das causas justas.
Espero (e esperam-no todos os
portugueses verdadeiros), que dentro
em breve, em vez de nos despedirmos
dos soldados, começaremos a ir
esperá-los no regresso ás suas
casas, serenos e confiantes e com a
consciência do dever cumprido.
As últimas palavras do brigadeiro
Mário Silva foram para desejar a
todos boa sorte e boa viagem e o
melhor êxito.
Em resposta ás palavras do ministro,
o comandante das forças
expedicionárias, sr. tenente-coronel
Ribeiro de Albuquerque, declarou,
num breve improviso, que os soldados
sob as suas ordens tudo fariam para
que os seus filhos nunca se
envergonhassem do nome dos pais.
Emocionado, o sr. tenente-coronel
Ribeiro de Albuquerque declarou, por
último: «Aquilo que recebemos dos
nossos avós e dos nossos pais,
havemos de legá-lo aos nossos
filhos».
O
ministro falou também aos sargentos
Noutro salão de bordo, o ministro do
Exército dirigiu a palavra aos
sargentos, chamando-lhes a atenção
para a missão que os espera e
afirmando confiar na sua coragem e
decisão. Aconselhou-os a insuflarem
ânimo nos soldados mais
impressionáveis com pormenores de
vária ordem.
O sr. brigadeiro Mário Silva, depois
de ter abraçado o sargento mais
antigo, sr. António Borja Araújo,
ergueu um viva a Portugal, no que
foi vibrantemente correspondido.
Antes de se retirar, percorreu ainda
os vários compartimentos do navio,
acompanhado dos oficiais-generais,
inteirando-se da maneira como os
oficiais e soldados iam alojados.
Clique na imagem que se segue
para ampliação:

09Jun1961:
Chegada a Luanda do
terceiro contingente de tropas
Fotos relativas ao embarque no NTT "Niassa" – largado de
Alcântara (Cais da Rocha do Conde de Óbidos) no domingo
28Mai61 e acostado ao porto de Luanda às 08:00h da
6ªfeira 09Jun61 –, do terceiro grande contingente de
tropas destinadas a reforço da guarnição normal da
Região Militar de Angola, composto pelas seguintes
Unidades:
-
BCac114 (CCS/RI1-Amadora,
CCac115/EPI-Mafra,
CCac116/RI5-Caldas
da Rainha, CCac117/RI6-Porto);
–
BCac155 (CCS/RI16-Évora,
CCac127/RI10-Aveiro,
CCac128/RI12-Coimbra,
CCac129/RI14-Viseu);
–
BCac156 (CCS/RI11-Setúbal);
–
ECav121/RC8-Castelo
Branco;
–
PelCanh9/RI2-Abrantes;
–
PelCanh10/RI7-Leiria;
–
PelMort12/RI2-Abrantes;
–
PelMort13/RI7-Leiria;
–
PelMort14/RI5-Caldas da
Rainha;
–
PelInt126/1ºGCAM-Póvoa
do Varzim



