Faleceu, no dia 2 de Março de 1980,
o veterano
Alcínio
Pereira da Fonseca Ribeiro
Coronel
Pára-Quedista
Comandante
do
Batalhão de
Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21)
«GENTE
OUSADA MAIS QUE QUANTAS»
Angola:
Jun1961 a Nov1963
Comandante
do
Comando de
Agrupamento Operacional, do
Comando-Chefe das Forças Armadas da
Guiné
Guiné:
Jan1969 a Ago1970
Medalha de Prata de Valor Militar
com palma
Medalha de Prata de Serviços
Distintos com palma
Medalha de Mérito Militar de 2.º
classe
Mealha da Ordem Militar de Avis,
grau Comendador
Medalha da Ordem Militar de Avis,
grau Cavaleiro


Alcínio
Pereira da Fonseca Ribeiro, Coronel
Pára-Quedista.
Nasceu no dia 16 de Julho de 1918 na
cidade da Guarda.
Em 1930 ingressa no Colégio Militar,
sendo-lhe atribuído o nº 43/1930;
Em 1937, comandante da 7ª Companhia
de Alunos, conclui o ensino
secundário;

Em
1940 alista-se no Exército como
voluntário;
Em 15 de Setembro de 1941 promovido
a alferes miliciano do Regimento de
Infantaria de Setúbal;
Posteriormente
mobilizado, presta serviço no
Arquipélago dos Açores;
Em Novembro de 1945 ingressa na
Escola do Exército;
Concluído
o curso da Arma de Cavalaria, fica
colocado na respectiva Escola
Prática;
Em
11 de Dezembro de 1954 agraciado com
o grau de Cavaleiro da Ordem Militar
de Avis;
Em 22 de Maio de 1955, tenente da
Escola Prática de Cavalaria
voluntário para servir nas tropas
pára-quedistas, executa sobre a base
aérea espanhola de Alcantarilla o
seu primeiro salto;

Em 9 de Julho de 1955, no Campo de
Tiro da Serra da Carregueira recebe
o brevet nº 10 de pára-quedismo
militar;
Em 14 de Agosto de 1955 desfila em
Lisboa na Avenida da Liberdade,
integrado no 1º contingente de
tropas pára-quedistas portuguesas;
Em 1 de Janeiro de 1956, sobre a
Quinta dos Álamos nos arredores da
Golegã, integra o «primeiro
lançamento em massa de
pára-quedistas em Portugal», para
assinalar a inauguração de
instalações no Polígono Militar de
Tancos;
Em
23 de Abril de 1956 tem lugar a
inauguração oficial do Batalhão de
Caçadores Pára-Quedistas
(BCP-Tancos);
Promovido a capitão, fica colocado
no Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas (BCP-Tancos);
De
Abril a Agosto de 1959 integra o
contingente do Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas (BCP-Tancos) que
efectua o 'Exercício Himba' na
Província Ultramarina de Angola;
Em 25 de Novembro de 1959 promovido
a major;
Em 1 de Abril de 1961 agraciado com
a Medalha de Mérito Militar de 2ª
classe;
Em
2 de Junho de 1961 assume em Luanda
o comando do Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas 21 (BCP21);
Em 13 de Janeiro de 1962 promovido a
tenente-coronel (com antiguidade a 1
de Dezembro de 1961);

Em
23 de Novembro de 1963 cessa funções
em Angola e regressa à Metrópole,
colocado no Regimento de Caçadores
Pára-Quedistas (RCP-Tancos) como 2º
comandante;
Em 7 de Março de 1964 promovido a
coronel (com antiguidade a 16 de
Janeiro de 1964);
Em 10 de Junho de 1964 condecorado
com a Medalha de Prata de Serviços
Distintos com palma;
Em 8 de Janeiro de 1969 assume em
Teixeira Pinto (noroeste da
Província Ultramarina da Guiné), o
cargo de comandante do CAOP/CCFAG
(Comando de Agrupamento Operacional,
do Comando-Chefe das Forças Armadas
da Guiné);
Louvor (despacho de 5 de Dezembro de
1969):
Art.
2.º - LOUVORES
1. Por seu despacho de 5 de Dezembro
de 1969, louvo o Coronel
Pára-Quedista - ALCÍNIO PEREIRA DA
FONSECA RI-BEIRO pela forma
excepcionalmente eficiente como
comandou o Agrupamento Operacional
da zona de esforço do Comando Chefe,
onde tem desenvolvido uma actividade
digna do maior realce, tirando pleno
rendimento dos meios heterogéneos
que lhe estão atribuídos numa
perfeita convergência de esforço e
adaptação à situação especifica da
sua zona de acção.
Combatente de eleição, verdadeiro
condutor de homens, dotado de
invulgar serenidade e coragem
perante o perigo, e de elevado
sentido do dever, o Coronel ALCÍNIO
RIBEIRO, alia a este conjunto da
qualidades militares requisitos
morais e de comunicabilidade humana,
que o qualificam como um excepcional
comandante para a guerra. Com o
exemplo do amor às situações de
perigo e da sua presença Junto das
tropas combatentes, simultaneamente
ruce e jovial, enérgico e
comunicativo, justo e compreensivo,
mas sempre firme e determinado nas
suas decisões, formou uma equipa de
comando caracterizada pelo arreigado
espírito de corpo, eficiência e alto
espírito de missão, características
que tem sabido transmitir a todas as
tropas sob o seu comando.
Nomeado por escolha, para o comando
de maior responsabilidade no TO da
Guiné, o Coronel ALCÍNIO RIBEIRO
demonstrou já, no decurso da sua
comissão, ser um comandante
excepcionalmente dotado para a
campanha. que muito honra o corpo
das tropas pára-quedistas a que
pertence, e a sua arma de origem,
tendo já prestado à causa nacional
na Guiné serviços muito relevantes,
distintíssimos e extraordinários.

Em 22 de Agosto de 1970 cessa
funções e regressa à Metrópole,
ficando colocado na Direcção do
Serviço de Instrução da Força Aérea;
Em
10 de Junho de 1971, perante tropas
em parada no Terreiro do Paço,
condecorado com a Medalha de Prata
de Valor Militar com palma ...
- «Pela forma notável como
comandou o Agrupamento Operacional
durante a sua comissão de serviço
nesta província [da Guiné].
Oficial
dotado de invulgares qualidades de
condutor de homens, reúne um
conjunto de dotes de carácter de
excepção, revelando-se
simultaneamente enérgico e humano,
determinado e firme nas suas
decisões, mas jovial e compreensivo,
tornando-se um chefe profundamente
admirado e respeitado por todos os
seus subordinados.
Nomeado por escolha para o comando
de maior responsabilidade do teatro
de operações e onde se desenvolveu o
principal esforço de manobra do
comando-chefe, revelou no desempenho
das suas funções elevados dotes de
comando em campanha e alto sentido
do dever, impondo-se às suas tropas
pelo exemplo da sua presença em
operações, onde deu inequívocas
provas de invulgar coragem, decisão,
sangue-frio e serena energia debaixo
de fogo frente ao inimigo.
No cumprimento da missão que lhe foi
atribuída, desenvolveu uma intensa e
bem orientada actividade
operacional, a par de uma acção de
penetração psicológica e de
recuperação das populações,
integrando de forma notável a
manobra socio-económica e a manobra
militar, de que resultou um
insofismável desequilíbrio do
inimigo, em área onde se vislumbrou
acções de gravíssimas consequências
para a manobra global do teatro de
operações.
Face à perda da sua extraordinária
equipa de comando, que [em
20Abr1970] o inimigo massacrou
como reacção ao êxito completo que
se avizinhava, não se deixou
sucumbir por tão brutal golpe, antes
reagiu com excepcional abnegação,
alto sentido do dever e fé nos
objectivos a atingir, retomando sem
vacilar a orientação da nova equipa,
no sentido do cumprimento integral
da missão imposta ao Comando do
Agrupamento Operacional.
Obrigado mais tarde a afastar-se do
Comando, por motivos de saúde,
deixou o coronel Alcínio Ribeiro
marcada de forma indelével a sua
presença no chão manjaco, ao qual
dedicou todo o seu entusiasmo e a
sua inultrapassável generosidade.
O coronel Alcínio Ribeiro, pelo
conjunto das qualidades morais e
militares que nele se cruzam e de
que se salientam os notáveis dotes
de chefia em campanha e o seu
inultrapassável espírito de missão,
contribuiu com a sua acção para o
lustre das forças armadas no teatro
de operações da Guiné, ganhando jus
ao agradecimento da Pátria, que
serviu abnegadamente, num raro
exemplo de alta grandeza do valor
militar.»

Em 23 de Agosto de 1972 agraciado
com a comenda da Ordem Militar de
Avis;
Até 1974, desloca-se anualmente ao
Ultramar em visita a unidades
pára-quedistas;
Após 11 de Março de 1975, nomeado
comandante do Regimento de Caçadores
Pára-Quedistas (RCP-Tancos) (notas);
Em Julho de 1975 passa à situação de
reserva.
Faleceu no dia 2 de Março de 1980.
A sua Alma repousa em Paz.
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(notas)
in revista «ZacatraZ», ed. 184, da
Associação de Antigos Alunos do
Colégio Militar
Antigos Alunos nas Tropas
Pára-Quedistas
Alcínio Pereira da Fonseca
Ribeiro (43/1930)
[...]
«Foi substituído em 1970 no comando
do CAOP1 pelo Coronel Rafael Durão
(11/1941). Depois, e até ao 25 de
Abril de 1974, foi colocado na
Direcção do Serviço de Instrução da
Força Aérea, deslocando-se todos os
anos às unidades de Pára-quedistas
no Ultramar, permanecendo entre 2 a
3 semanas em cada uma delas, para se
inteirar das suas necessidades
operacionais.
Na sequência do 11 de Março de 1975,
foi nomeado Comandante do Regimento
de Caçadores Pára-quedistas em
Tancos, com a finalidade expressa de
controlar os ânimos azedados pelos
acontecimentos. É deste período a
peripécia recordada mais à frente
pelo Tenente-Coronel Cardoso e
Castro.
Em Julho de 1975 passa à reserva por
ter atingido o limite de idade.
Quando, no decurso dos
acontecimentos do 25 de Novembro de
1975, o Chefe de Estado-Maior da
Força Aérea, General Morais e Silva,
lhe pede para ir a Tancos falar com
os “revoltosos”, não hesita, e segue
acompanhado apenas pelo condutor da
viatura em que se deslocou. É
recebido com honras militares, dorme
em Tancos de 26 para 27 de Novembro
e tem diversas reuniões com a
comissão de sargentos, os quais
acabam por pôr termo ao movimento.»
[...]
Nuno António Bravo Mira Vaz
Coronel de Cavalaria Pára-Quedista, na situação de reforma
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(notas)
in revista «ZacatraZ», ed. 184, da
Associação de Antigos Alunos do
Colégio Militar
Coronel Alcínio Ribeiro
«Por razões conhecidas, o Senhor
Coronel foi colocado a comandar o
RCP na altura mais conturbada. Nessa
altura existia uma lista de oficiais
considerados suspeitos no processo
do "11 de Março", da qual eu
fazia parte, e que se encontravam
detidos no quartel a aguardar ordens
do COPCON. A instabilidade
psicológica grassava neste grupo,
pois desconhecia-se quais seriam as
consequências. As hipóteses menos
agradáveis ventiladas com alguma
frequência eram duas: prisão de
Caxias ou fuzilamento! Eu era um
jovem tenente, discordante de todas
as tropelias praticadas pelos
surpreendentes "democratas"
que ainda hoje me atormentam. Numa
tarde em que as novidades foram
menos boas, dirigi-me ao Clube de
Oficiais para tomar uma bebida, e,
no Clube, estavam o Senhor
Comandante Alcínio Ribeiro, só, em
atitude serena, e num outro sofá o
Major P... em conversa com o Capitão
Preto. Não me tendo agradado a visão
do dito Major, disse-lhe em tom
ameaçador, de dedo apontado para
ele:
"se houver por aí algum rato que
me queira pôr em Caxias eu irei sim,
mas de pés para a frente, e só
depois de limpar o sarampo a esse ou
a esses ratos que por aí andam".
Após tal declaração dirigi-me ao
bar, bebi uma imperial e saí porta
fora. Refira-se que durante a cena o
Senhor Comandante manteve a
serenidade e não fez qualquer
comentário. Passados alguns minutos,
já no alojamento de oficiais, fui
abordado por um companheiro de
desdita que testemunhou a cena mas
de cuja presença eu não me tinha
apercebido. Muito razoavelmente,
chamou-me a atenção para o facto de
o Comandante ter assistido à
ocorrência e de que eu não teria
sido correcto em virtude da sua
presença. Reconheci de imediato e,
no mesmo dia, passadas algumas
horas, dirigi-me ao Senhor Coronel
Alcínio Ribeiro pedindo-lhe desculpa
pelo sucedido. Ouviu serenamente as
minhas desculpas e com toda a calma
disse-me: "não ouvi nada do
discurso que você fez, no entanto
quero dar-lhe um conselho: você
agora está na mó de baixo, portanto
deve andar muito caladinho e logo
que esta tempestade amaine, você
agarra numa marreta e rebenta os
cornos a estes cabrões, porque é
disso que eles estão a precisar!".
João António
de Albuquerque Cardoso e Castro
Tenente-Coronel Pára-Quedista, na
situação de reforma
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