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HONRA E GLÓRIA: Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro, Coronel Pára-Quedista
 

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"
 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

e

Nota de óbito

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

Revista «ZacatraZ», da Associação de

Antigos Alunos do Colégio Militar

Diário de Lisboa, ed. 17409, 11Jun1971

Colaboração e apoio de Pedro Castanheira

Imagens dos distintivos cedidas por Carlos Coutinho

 

Faleceu, no dia 2 de Março de 1980, o veterano

 

 

Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro

 

Coronel Pára-Quedista

 

Comandante do

Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21)

«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»

 

Angola: Jun1961 a Nov1963

 

Comandante do

Comando de Agrupamento Operacional, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné

 

Guiné: Jan1969 a Ago1970

 

Medalha de Prata de Valor Militar com palma

 

Medalha de Prata de Serviços Distintos com palma

 

Medalha de Mérito Militar de 2.º classe

 

Mealha da Ordem Militar de Avis, grau Comendador

 

Medalha da Ordem Militar de Avis, grau Cavaleiro

 

 

 

Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro, Coronel Pára-Quedista.


Nasceu no dia 16 de Julho de 1918 na cidade da Guarda.


Em 1930 ingressa no Colégio Militar, sendo-lhe atribuído o nº 43/1930;


Em 1937, comandante da 7ª Companhia de Alunos, conclui o ensino secundário;


 

 

Em 1940 alista-se no Exército como voluntário;


Em 15 de Setembro de 1941 promovido a alferes miliciano do Regimento de Infantaria de Setúbal;


Posteriormente mobilizado, presta serviço no Arquipélago dos Açores;


Em Novembro de 1945 ingressa na Escola do Exército;


Concluído o curso da Arma de Cavalaria, fica colocado na respectiva Escola Prática;


Em 11 de Dezembro de 1954 agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis;


Em 22 de Maio de 1955, tenente da Escola Prática de Cavalaria voluntário para servir nas tropas pára-quedistas, executa sobre a base aérea espanhola de Alcantarilla o seu primeiro salto;


Em 9 de Julho de 1955, no Campo de Tiro da Serra da Carregueira recebe o brevet nº 10 de pára-quedismo militar;


Em 14 de Agosto de 1955 desfila em Lisboa na Avenida da Liberdade, integrado no 1º contingente de tropas pára-quedistas portuguesas;


Em 1 de Janeiro de 1956, sobre a Quinta dos Álamos nos arredores da Golegã, integra o «primeiro lançamento em massa de pára-quedistas em Portugal», para assinalar a inauguração de instalações no Polígono Militar de Tancos;


Em 23 de Abril de 1956 tem lugar a inauguração oficial do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas (BCP-Tancos);


Promovido a capitão, fica colocado no Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas (BCP-Tancos);


De Abril a Agosto de 1959 integra o contingente do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas (BCP-Tancos) que efectua o 'Exercício Himba' na Província Ultramarina de Angola;


Em 25 de Novembro de 1959 promovido a major;


Em 1 de Abril de 1961 agraciado com a Medalha de Mérito Militar de 2ª classe;


Em 2 de Junho de 1961 assume em Luanda o comando do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21);


Em 13 de Janeiro de 1962 promovido a tenente-coronel (com antiguidade a 1 de Dezembro de 1961);


Em 23 de Novembro de 1963 cessa funções em Angola e regressa à Metrópole, colocado no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP-Tancos) como 2º comandante;


Em 7 de Março de 1964 promovido a coronel (com antiguidade a 16 de Janeiro de 1964);


Em 10 de Junho de 1964 condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos com palma;


Em 8 de Janeiro de 1969 assume em Teixeira Pinto (noroeste da Província Ultramarina da Guiné), o cargo de comandante do CAOP/CCFAG (Comando de Agrupamento Operacional, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné);

 

Louvor (despacho de 5 de Dezembro de 1969):

 

Art. 2.º - LOUVORES


1. Por seu despacho de 5 de Dezembro de 1969, louvo o Coronel Pára-Quedista - ALCÍNIO PEREIRA DA FONSECA RI-BEIRO pela forma excepcionalmente eficiente como comandou o Agrupamento Operacional da zona de esforço do Comando Chefe, onde tem desenvolvido uma actividade digna do maior realce, tirando pleno rendimento dos meios heterogéneos que lhe estão atribuídos numa perfeita convergência de esforço e adaptação à situação especifica da sua zona de acção.


Combatente de eleição, verdadeiro condutor de homens, dotado de invulgar serenidade e coragem perante o perigo, e de elevado sentido do dever, o Coronel ALCÍNIO RIBEIRO, alia a este conjunto da qualidades militares requisitos morais e de comunicabilidade humana, que o qualificam como um excepcional comandante para a guerra. Com o exemplo do amor às situações de perigo e da sua presença Junto das tropas combatentes, simultaneamente ruce e jovial, enérgico e comunicativo, justo e compreensivo, mas sempre firme e determinado nas suas decisões, formou uma equipa de comando caracterizada pelo arreigado espírito de corpo, eficiência e alto espírito de missão, características que tem sabido transmitir a todas as tropas sob o seu comando.


Nomeado por escolha, para o comando de maior responsabilidade no TO da Guiné, o Coronel ALCÍNIO RIBEIRO demonstrou já, no decurso da sua comissão, ser um comandante excepcionalmente dotado para a campanha. que muito honra o corpo das tropas pára-quedistas a que pertence, e a sua arma de origem, tendo já prestado à causa nacional na Guiné serviços muito relevantes, distintíssimos e extraordinários.


 

 


Em 22 de Agosto de 1970 cessa funções e regressa à Metrópole, ficando colocado na Direcção do Serviço de Instrução da Força Aérea;

Em 10 de Junho de 1971, perante tropas em parada no Terreiro do Paço, condecorado com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma ...


- «Pela forma notável como comandou o Agrupamento Operacional durante a sua comissão de serviço nesta província [da Guiné].

 

Oficial dotado de invulgares qualidades de condutor de homens, reúne um conjunto de dotes de carácter de excepção, revelando-se simultaneamente enérgico e humano, determinado e firme nas suas decisões, mas jovial e compreensivo, tornando-se um chefe profundamente admirado e respeitado por todos os seus subordinados.


Nomeado por escolha para o comando de maior responsabilidade do teatro de operações e onde se desenvolveu o principal esforço de manobra do comando-chefe, revelou no desempenho das suas funções elevados dotes de comando em campanha e alto sentido do dever, impondo-se às suas tropas pelo exemplo da sua presença em operações, onde deu inequívocas provas de invulgar coragem, decisão, sangue-frio e serena energia debaixo de fogo frente ao inimigo.


No cumprimento da missão que lhe foi atribuída, desenvolveu uma intensa e bem orientada actividade operacional, a par de uma acção de penetração psicológica e de recuperação das populações, integrando de forma notável a manobra socio-económica e a manobra militar, de que resultou um insofismável desequilíbrio do inimigo, em área onde se vislumbrou acções de gravíssimas consequências para a manobra global do teatro de operações.


Face à perda da sua extraordinária equipa de comando, que
[em 20Abr1970] o inimigo massacrou como reacção ao êxito completo que se avizinhava, não se deixou sucumbir por tão brutal golpe, antes reagiu com excepcional abnegação, alto sentido do dever e fé nos objectivos a atingir, retomando sem vacilar a orientação da nova equipa, no sentido do cumprimento integral da missão imposta ao Comando do Agrupamento Operacional.


Obrigado mais tarde a afastar-se do Comando, por motivos de saúde, deixou o coronel Alcínio Ribeiro marcada de forma indelével a sua presença no chão manjaco, ao qual dedicou todo o seu entusiasmo e a sua inultrapassável generosidade.


O coronel Alcínio Ribeiro, pelo conjunto das qualidades morais e militares que nele se cruzam e de que se salientam os notáveis dotes de chefia em campanha e o seu inultrapassável espírito de missão, contribuiu com a sua acção para o lustre das forças armadas no teatro de operações da Guiné, ganhando jus ao agradecimento da Pátria, que serviu abnegadamente, num raro exemplo de alta grandeza do valor militar.
»

 

 

 

Em 23 de Agosto de 1972 agraciado com a comenda da Ordem Militar de Avis;


Até 1974, desloca-se anualmente ao Ultramar em visita a unidades pára-quedistas;


Após 11 de Março de 1975, nomeado comandante do Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP-Tancos) (
notas);


Em Julho de 1975 passa à situação de reserva.

Faleceu no dia 2 de Março de 1980.


A sua Alma repousa em Paz.
 

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(notas)

in revista «ZacatraZ», ed. 184, da

Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar

 

Antigos Alunos nas Tropas Pára-Quedistas

Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930)

 

[...]


«Foi substituído em 1970 no comando do CAOP1 pelo Coronel Rafael Durão (11/1941). Depois, e até ao 25 de Abril de 1974, foi colocado na Direcção do Serviço de Instrução da Força Aérea, deslocando-se todos os anos às unidades de Pára-quedistas no Ultramar, permanecendo entre 2 a 3 semanas em cada uma delas, para se inteirar das suas necessidades operacionais.

 

Na sequência do 11 de Março de 1975, foi nomeado Comandante do Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos, com a finalidade expressa de controlar os ânimos azedados pelos acontecimentos. É deste período a peripécia recordada mais à frente pelo Tenente-Coronel Cardoso e Castro.

 

Em Julho de 1975 passa à reserva por ter atingido o limite de idade. Quando, no decurso dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, General Morais e Silva, lhe pede para ir a Tancos falar com os “revoltosos”, não hesita, e segue acompanhado apenas pelo condutor da viatura em que se deslocou. É recebido com honras militares, dorme em Tancos de 26 para 27 de Novembro e tem diversas reuniões com a comissão de sargentos, os quais acabam por pôr termo ao movimento.»

 

[...]

 

Nuno António Bravo Mira Vaz

Coronel de Cavalaria Pára-Quedista, na situação de reforma

 

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(notas)

in revista «ZacatraZ», ed. 184, da

Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar

 

Coronel Alcínio Ribeiro

 

«Por razões conhecidas, o Senhor Coronel foi colocado a comandar o RCP na altura mais conturbada. Nessa altura existia uma lista de oficiais considerados suspeitos no processo do "11 de Março", da qual eu fazia parte, e que se encontravam detidos no quartel a aguardar ordens do COPCON. A instabilidade psicológica grassava neste grupo, pois desconhecia-se quais seriam as consequências. As hipóteses menos agradáveis ventiladas com alguma frequência eram duas: prisão de Caxias ou fuzilamento! Eu era um jovem tenente, discordante de todas as tropelias praticadas pelos surpreendentes "democratas" que ainda hoje me atormentam. Numa tarde em que as novidades foram menos boas, dirigi-me ao Clube de Oficiais para tomar uma bebida, e, no Clube, estavam o Senhor Comandante Alcínio Ribeiro, só, em atitude serena, e num outro sofá o Major P... em conversa com o Capitão Preto. Não me tendo agradado a visão do dito Major, disse-lhe em tom ameaçador, de dedo apontado para ele:

 

"se houver por aí algum rato que me queira pôr em Caxias eu irei sim, mas de pés para a frente, e só depois de limpar o sarampo a esse ou a esses ratos que por aí andam". Após tal declaração dirigi-me ao bar, bebi uma imperial e saí porta fora. Refira-se que durante a cena o Senhor Comandante manteve a serenidade e não fez qualquer comentário. Passados alguns minutos, já no alojamento de oficiais, fui abordado por um companheiro de desdita que testemunhou a cena mas de cuja presença eu não me tinha apercebido. Muito razoavelmente, chamou-me a atenção para o facto de o Comandante ter assistido à ocorrência e de que eu não teria sido correcto em virtude da sua presença. Reconheci de imediato e, no mesmo dia, passadas algumas horas, dirigi-me ao Senhor Coronel Alcínio Ribeiro pedindo-lhe desculpa pelo sucedido. Ouviu serenamente as minhas desculpas e com toda a calma disse-me: "não ouvi nada do discurso que você fez, no entanto quero dar-lhe um conselho: você agora está na mó de baixo, portanto deve andar muito caladinho e logo que esta tempestade amaine, você agarra numa marreta e rebenta os cornos a estes cabrões, porque é disso que eles estão a precisar!".

 

João António de Albuquerque Cardoso e Castro

Tenente-Coronel Pára-Quedista, na situação de reforma

 

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