António Joaquim Ramos,
Tenente-Coronel de Infantaria Pára-Quedista na situação de reforma
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
 |
HONRA E GLÓRIA
e
nota de óbito |
Elementos cedidos por um
colaborador do portal UTW
Outros elementos cedidos
pelo PQ Pedro Castanheira
e
algumas imagens do arquivo do
SarMorPQ Serrano Rosa |
Faleceu no dia 5 de Agosto de
1997, em Roma, o veterano
António Joaquim Ramos
Tenente-Coronel Pára-Quedista na situação de reforma
Angola: Mar1964 a Abr1966:
Comandante do 2.º Pelotão da
2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21
«GENTE OUSAD MAIS QUE QUANTAS»
2.ª Região Aérea
«FIDELIDADE E GRANDEZA»
Guiné: Dez1966 a Mai1968:
Comandante do 1.º Pelotão da
Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121
Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 12 «UNIDADE E LUTA»
Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné «ESFORÇO E VALOR»
Guiné: 1971 a Jan1974
Sub-Chefe e, mais tarde, comandante interino
do Centro de Operações
Especiais
Comando-Chefe das Forças
Armadas da Guiné
2 Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe
Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe
Colectiva
Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas 12
Medalha de Mérito Militar de 3.ª Classe

António Joaquim Ramos,
Tenente-Coronel de Infantaria Pára-Quedista na situação
de reforma, nasceu no dia 5 de Outubro de 1942 na
freguesia de Vilares, concelho de Trancoso.
Após concluir em Lisboa o curso dos liceus no Gil
Vicente e no Pedro Nunes, matricula-
se
em histórico-filosóficas na Faculdade de Letras;
Em meados de 1963 abandona os estudos, ingressa
voluntariamente nas tropas pára-quedistas e conclui no
Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos)
«QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» como
Aspirante-a-Oficial Miliciano, o 20.º curso de
pára-quedismo militar, sendo-lhe atribuído o brevet nº
1877;

Em
Março de 1964, tendo sido mobilizado pelo Regimento de
Caçadores Pára-Quedistas (RCP –
Tancos)
«QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir
Portugal na Província Ultramarina de Angola, embarca em
Lisboa com destino a Luanda, como Alferes Miliciano
pára-quedista, a fim de assumir o comando do 2.º pelotão
da 2.ª Companhia de Caçadores Pára-
Quedistas
(2ªCCP) do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21
(BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS» da 2.ª Região
Aérea (2ªRA) «FIDELIDADE E GRANDEZA»;
Em Abril de 1966 regressa à Metrópole e ao Regimento de
Caçadores Pára-Quedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM»;
Por Portaria de 16 de Maio de 1966, agraciado com a
Medalha de Mérito Militar de 3.ª classe:
Alferes
Miliciano Pára-quedista
ANTÓNIO JOAQUIM RAMOS
Medalha de Mérito Militar de 3ª
Classe
Por Portaria de 16 de Maio
de 1966
Por proposta do Comandante do
Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas 21
louvo o Alferes Miliciano Para-quedista ANTÓNIO JOAQUIM
RAMOS, daquele Batalhão:
Porque havendo servido na Província de Angola durante
dois anos, dos quais cerca de 20 meses como comandante
de um pelotão operacional, sempre demonstrou ser um
oficial muito enérgico, desembaraçado e conhecedor dos
seus homens dos quais obtinha o máximo rendimento para o
cumprimento das missões que lhe eram impostas.
Tendo tomado parte em mais de vinte operações na ZIN, em
muitas delas foi aceite como voluntário para as mais
difíceis missões, por o seu comandante directo
reconhecer o todo que o seu pelotão constituía e a
determinação que o Alferes Para-quedista RAMOS incutia
nos seus homens.
Conduzindo os militares sob o seu comando pelo exemplo,
manteve sempre a sua sub-unidade em óptimo estado de
preparação física, militar e psicológica, contribuindo
em elevado grau para os bons resultados obtidos pelas
Tropas Pára-quedistas em Angola.
Oficial muito dedicado, perfeitamente integrado no
espírito Pára-quedista pelo qual foi totalmente
absorvido, o Alferes Pára-quedista RAMOS, merece ser
apontado como exemplo de combatente e condutor de
homens.
Elogio publicado no Jornal
'Boina Verde', edição de 1966:
«Durante
cerca de 22 meses, comandou o 2.º Pelotão da 2.ª
Companhia de Caçadores Pára-Quedistas.
Militar entusiasta, senhor das qualidades requeridas
pelos verdadeiros condutores de homens, o seu pelotão de
combate foi a prova mais evidente do modo como o chefe
pode influenciar os seus subordinados.
De facto o entusiasmo, espírito de agressividade,
voluntariado para as missões mais difíceis que fossem
atribuídas à sua companhia, vontade de colaborar e bem
cumprir, eram qualidades bem patentes no conjunto sólido
constituído pelo 2.º Pelotão, desde o soldado mais
modesto até ao seu comandante.
Apelidando-se a si próprios de 'Os Venenosos', o pessoal
do pelotão do Alferes Ramos soube concretizar todas as
suas pretensões, obtendo durante o seu período de
comando resultados operacionais muito apreciáveis.
O Alferes Ramos é, pois, pelas suas iniludíveis
qualidades de chefe, pela sua predisposição natural para
as missões tipicamente pára-quedistas, um militar digno
de usar a 'Boina Verde'.»;

Em
Dezembro de 1966, tendo sido mobilizado pelo Regimento
de Caçadores Pára-Quedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA
POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na
Província Ultramarina da Guiné, embarca em Lisboa com
destino a Bissau, como Alferes
Miliciano
Pára-Quedista, a fim de assumir o comando do 1.º pelotão
da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121 do Batalhão
de Caçadores Pára-Quedistas 12 (CCP121/BCP12) «UNIDADE E
LUTA» da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné (ZACVG)
«ESFORÇO E VALOR»;

Guiné 1966 / 1967:
Capitão PQ Casmarrinho Lopes
Morais e o Alferes Mil.º PQ António Joaquim Ramos
No princípio do ano de 1968,
promovifo a Tenente Mil.º Pára-Quedista;
Em 26 de Janeiro de 1968 agraciado com a Cruz de Guerra
de 1.ª classe, por distintos feitos em combate:
Tenente Miliciano
Pára-Quedista
ANTÓNIO JOAQUIM RAMOS
Medalha
da Cruz de Guerra de 1.ª Classe
Por Portaria de 26 de
Janeiro de 1968
Louvado, sob proposta do comandante-chefe das forças
armadas da Guiné, o tenente miliciano Pára-Quedista
António Joaquim Ramos, do Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas n.º 12, por, servindo na província da
Guiné há mais de um ano, se ter revelado um excelente
comandante de pelotão de combate, dedicando à instrução
do seu pessoal um interesse e entusiasmo tais que bem
depressa conseguiu formar um pelotão de grande
rendimento em operações , dotado de sólido espírito de
corpo e de uma agressividade notável.
A preparação física dos seus homens mereceu-lhe desde o
início cuidados especiais e, incentivando-a
permanentemente, conseguiu dar ao seu pessoal uma
resistência fora do comum.
Este oficial, sempre voluntário para todas as missões,
nunca se furtando a esforços para integralmente cumprir
as ordens que lhe eram dadas, revelou ao longo da sua
actividade um somatório de conhecimentos excepcionais,
uma agressividade permanente, uma dureza e tenacidade
tais que, aliados à sua coragem física e aprumo moral,
diversas vezes evidenciados nas piores situações fizeram
dele um oficial de rara craveira e um exemplar condutor
de homens em combate. O seu notável espírito de
combatente nunca foi suplantado pelo seu alto sentido de
disciplina, de esforçada e dura instrução, acompanhando
permanentemente os seus homens durante as horas passadas
no quartel, nunca descansando de os educar como
militares e como homens, pondo nisso entusiasmo e
aplicação raras vezes observados.
Exercendo nas funções de adjunto do comandante da
companhia, foi chamado por diversas vezes a comandar a
companhia, o que fez com brilho, tanto no quartel como
em operações.
Na Operação “AÇOR”, quando a companhia atingiu um
acampamento inimigo e caiu debaixo de fogo vivo e raso
dos seus ocupantes, o tenente Ramos, debaixo de fogo,
dirigiu de pé o trabalho das suas secções manobrando com
elas de tal forma que em pouco tempo o inimigo debandava
com baixas.
Na operação “LEÃO”, quando o seu grupo de combate foi
emboscado, do mesmo modo o tenente Ramos, com evidente
desprezo pelo fogo inimigo, se revelou dotado de
excepcional coragem e conhecimentos, manobrando o seu
pessoal debaixo de fogo por tal forma que o inimigo
retirou sem atingir nenhum elemento das nossas tropas.
O tenente Ramos pode ser apontado como um oficial de
elite, que prestou brilhantes serviços, prestigiando-se
às tropas Pára-quedistas, às quais se entregou para
melhor poder servir a sua pátria.
Por tudo isto, e porque da sua acção, considerada
brilhante e altamente honrosa, resultaram prestígio para
a Força Aérea e admiração e reconhecimento das outras
forças armadas, o tenente António Joaquim Ramos merece
ser apontado como exemplo.
Agraciado com a
Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª
classe Colectiva – Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas
12 «UNIDADE E LUTA» da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné
(ZACVG) «ESFORÇO E VALOR» -, pelo Decreto n.º
48328, publicado no Diário do Governo n.º 86/1968, Série
I, de 10 de Abril de 1968;
Em
Maio de 1968 regressa à Metrópole e ao Regimento de
Caçadores Pára-Quedistas (RCP – Tancos) «QUE NUNCA POR
VENCIDOS SE CONHEÇAM»;
Em
1969 ingressa no Curso Especial na Academia Militar (AM)
«DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI» como
Alferes-Aluno;
Em 18 de Maio de 1970 promovido a Capitão Miliciano
Pára-Quedista;
Em 1971, conclui o Curso
Especial da Academia
Militar (AM) «DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI»;
Em
1971 segue para Bissau, a fim de assumir as funções de
Adjunto do Chefe do Centro de Operações Especiais (COE) do
Quartel General do
Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné (CCFAG), mais
tarde assumiu as funções de Comandante Interino daquele
Centro de Operações Especiais;
10 de Novembro de 1971, parte do relatório da acção
"KAREN":

Em 1 de Agosto de 1972 considerado Alferes Pára-Quedista
do quadro permanente da arma de infantaria e graduado em
Capitão com antiguidade desde aquela data;
Em 7 de Novembro de 1972, ferido em combate na região de
Timbó, durante a acção ‘Rosário;
Em 31 de Outubro de 1972,
proposta de concessão de Medalha Militar:

Em 01 de Agosto de 1973 promovido a Tenente
Pára-Quedista do quadro permanente;
Em 18 de Setembro de 1973 agraciado com a segunda Cruz
de Guerra de 1ª classe, por distintos feitos em combate
no decurso da Operação “Ametista Real”:
Capitão
Graduado Pára-Quedista
ANTÓNIO JOAQUIM RAMOS
Medalha da Cruz de
Guerra de 1.ª Classe
Diário do Governo n.º 219, 2.ª Série de 18 de Setembro
de 1973
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro
da Defesa Nacional, louvar, por proposta do
comandante-chefe das forças armadas da Guiné, o capitão
graduado António Joaquim Ramos, pela forma altamente
eficiente e valorosa como tem desempenhado as funções de
adjunto do Centro de Operações Especiais do
Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné.
Oficial dotado de vincada personalidade, de invulgares
qualidades de comando, de alto sentido do dever e de
inultrapassável espírito de missão, impôs-se
naturalmente ao respeito de todos que com ele servem,
perante os quais se tem constituído em exemplo de aprumo
moral e de indesmentida coragem, aliás bem patentes na
honrosa cruz de guerra que ostenta no seu peito.
Acompanhando ou comandando um pequeno grupo de militares
africanos em inúmeras e arriscadas acções de
contraguerrilha, para as quais revelou excepcional
vocação, teve oportunidade de mais uma vez, evidenciar a
sua rara abnegação, valentia, serenidade e desprezo pela
vida.
No quadro da sua notável conduta em combate merece
especial referência o seu comportamento durante a acção
Karen, em Novembro de 1971, em que, tendo sido
projectado no solo pela explosão, junto de si, de uma
granada de morteiro, se levantou logo que recuperou os
sentidos e, exclamando jovialmente para os seus homens
que ainda não morrera dessa vez, os incitou à
perseguição do inimigo, bem como uma operação efectuada
em Novembro de 1972, em que foi atingido por estilhaços
numa perna, por se expor destemidamente, e escondeu o
ferimento até ser completamente cumprida a missão que
fora determinada.
É ainda de salientar a forma brilhante, determinada e
agressiva como comandou um agrupamento, em duras
situações de combate, durante a operação Ametista Real,
levada a efeito em Maio de 1973, e na qual as nossas
forças conquistaram extraordinário êxito.
O capitão Ramos, pelas suas raras qualidades de chefia e
pela elevada noção de grandeza da profissão militar, é
digno de ser apontado como um oficial de elite que honra
as tropas Pára-Quedistas, tendo conquistado o direito ao
agradecimento da Pátria pelos altos serviços prestados
em campanha no teatro de operações da Guiné.
No início de Janeiro de 1974 regressa definitivamente à
Metrópole e fica colocado como Ajudante-de-Campo do
General vice-Chefe do Estado Maior General das Forças
Armadas (vice-CEMGFA);
Em Janeiro de 1979 passa à situação de reserva
extraordinária, como Major de Infantaria Pára-Quedista.
Faleceu no dia 5 de Agosto de 1997, em Roma, como
Tenente-Coronel na situação de reforma.
Encontra-se inumado no cemitério de Manteigas.
Paz à sua Alma.
