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Condecorações

António Lopo Machado do Carmo, Capitão de Cavalaria, comandante do ECav252

 

  "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW

 

 

Ant-nio-Lopo-Machado-do-Carmo-350

 

António Lopo Machado do Carmo

 

Capitão de Cavalaria

 

Comandante do

 

Esquadrão de Cavalaria 252

«GUINÉ PORTUGUESA»

 

Subunidade de Cavalaria considerada pela rádio de Dacar (Senegal) como o «Esquadrão Vagabundo»

 

Guiné: 16Ago1961 a 14Mar1963 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra, de 2.ª classe

(Título póstumo)

 

Louvor Individual e Colectivo

(Título póstumo)

 

Louvor Colectivo

 

António Lopo Machado do Carmo, Capitão de Cavalaria do Quadro Permanente, n.º 218/53, nascido no dia 6 de Outubro de 1933, na freguesia da Sé Velha, concelho de Coimbra, filho de Carlos Maria do Carmo e de Maria Helena Mendes Leitão Machado do Carmo, solteiro;

 

Assentou praça em 16 de Outubro de 1950;

 

Promovido a Alferes no dia 1 de Novembro de 1954 e a Tenente no dia 1 de Dezembro de 1956;

 

Promovido a Capitão no dia 9 de Junho de 1961 (Ordem do Exército n.º 8 - 2.ª série, de 1 de Julho de 1961);

 

RC3-2Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3 (RC3 – Estremoz) «DRAGÕES DE OLIVENÇA» - «…NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné;

 

G-CCAV-0252-aNo dia 10 de Agosto de 1961, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou nu navio de transporte de tropas, como comandante do Esquadrão de Cavalaria 252 (ECav252) «GUINÉ PORTUGUESA», rumo ao estuário do Geba (Bissau), onde desembarcou no dia 16 de Agosto de 1961;

 

BCac238A sua subunidade de cavalaria, inicialmente, ficou colocada em Bissau, tendo destacado, em 23 de Agosto de 1961, dois pelotões para Bafatá, em reforço do Batalhão de Caçadores 238 (BCac238) e cujos efectivos foram distribuídos, a partir de 5 de Setembro de 1961, por Piche, Buruntuma e Canquelifá e por Nova Lamego, Cabuca, Bajocunda e Pirada; em 28 de Agosto de 1961, mantendo os dois pelotões na zona Leste, a subunidade foi transferida para Bula, ficando integrada BCac239no dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores 239 (BCac239), actuando em acções de soberania e de contacto com as populações em diversas localidades da zona Norte, com efectivos dispersos, por períodos variáveis, em São Domingos, Ingoré, Susana, Varela e outras; em 15 e 18 de Fevereiro de 1962, os dois pelotões destacados na zona Leste recolheram a Bula, tendo um pelotão ocupado Mansabá, de 16 de Fevereiro a 30 de Setembro de 1962, com secções instaladas em Farim, Cuntima, São Domingos, por períodos variáveis e outro instalado em Caió, de Agosto a 12 de Outubro de 1962, o qual seguidamente, se deslocou para São Domingos; neste período, a subunidade tomou parte em diversas acções de batida e patrulhamento nas regiões de Churo, Óio e Biambe, entre outras; em 12 de Janeiro de 1963, foi colocada em São Domingos, assumindo a responsabilidade de um subsector criado a norte do rio Cacheu, desde Varela, Susana, São Domingos, Ingoré até Farim, e depois sucessivamente reduzido das áreas de Farim, em 23 de Fevereiro de 1963;

 

Tombou em combate ao fim da tarde de 5.ª feira, dia 14 de Março de 1963, numa emboscada lançada pelo inimigo no itinerário Sedengal > Ganjando, noroeste da Província Ultramarina da Guiné.

 

Tinha 29 anos de idade;

 

Está inumado no cemitério de Coimbra;

 

Paz à sua Alma
 

Louvado, a título póstumo, por feitos em comabte no teatro de operações da Guiné, por despacho de 27 de Março de 1963, publicado na Ordem de Serviço n.º 4 do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa, na Ordem de Serviço n.º 27, de 29 de Março de 1963, do Comanto Territorial Independente da Guiné e na Revista da Cavalaria do ano de 1963, páginas 80 e 81;

 

Agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de 2.ª classe, a título póstumo, pela Portaria  de 30 de Abril de 1963, publicada na Ordem do Exército n.º 6 - 2.ª série, de 1 de Junho de 1963;

 

Louvor Colectivo – Esquadrão de Cavalaria 252 – concedido pelo Exm.º Senhor Comande do Comando Territorial independente da Guiné, constante na nota n.º 607 Proc.º 81.06, de 11 de Novembro de 1963, da Direcção da Arma da Cavalaria, publicado na Revista da Cavalaria do ano de 1963, página 153;

 

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Cruz de Guerra, de 2.ª classe

 

CG-2-Classe-700Capitão de Cavalaria
ANTÓNIO LOPO MACHADO DO CARMO


ECav252 - RC 3
GUINÉ


2.ª CLASSE (Título póstumo)


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 6 - 2.ª série, de 1 de Junho de 1963.
 

Por Portaria de 30 de Abril de 1963:


Condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª classe, a título póstumo, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o Capitão de Cavalaria, António Lopo Machado do Carmo.


Transcrição do louvor que originou a condecoração.


(Publicado na Ordem de Serviço n.° 27, de 29 de Março de 1963, do Comando Territorial Independente da Guiné):


Que transcreve o louvor publicado na Ordem de Serviço n.º 4 do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa, de 27 de Março de 1963:
 

Que, por despacho de 27 do corrente, louva:


A título póstumo, o Capitão de Cavalaria, António Lopo Machado do Carmo, pelas altas qualidades de bravura, energia e decisão demonstradas no ataque a numeroso grupo de terroristas, poderosamente emboscados nas proximidades de S. Domingos.


Não obstante as diminutas forças de que dispunha, não hesitou em se lançar ao ataque, constituindo-se num óptimo exemplo dos seus subordinados pela coragem, serenidade e desprezo pelo perigo demonstrados durante a operação, em que as forças terroristas foram quase completamente destroçadas.


As suas excepcionais qualidades de comando e de carácter permitiram-lhe imprimir às forças do seu comando elevado espírito de corpo, que as creditam entre as melhores tropas da Guiné, o que o torna digno de ser apontado como oficial de real mérito.
Paralelamente, desenvolveu saliente acção psicossocial, em especial entre as crianças da escola do Comando do Batalhão, a quem distribuiu vestuários e artigos desportivos arranjados por sua própria iniciativa, tornando-se assim estimado não só no meio militar como no meio civil.


Os serviços acima referidos prestados por este oficial ao Exército e à Nação devem ser considerados extraordinários, relevantes e distintos.

 

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Louvor Colectivo

 

Esquadrão de Cavalaria 252

 

CTIGLouvor concedido pelo

Exm.º Sr. Comandante do Comando Territorial Independente da Guiné:


«Louvo a Companhia de Cavalaria n.º 252, porque, tendo servido na Província da Guiné durante cerca de 27 meses sempre em regiões activas e perigosas, em especial na zona fronteiriça de São Domingos e ultimamente nas áreas de Bula e Óio, se revelou uma Unidade extremamente decidida nas missões de grande importância que lhe foram confiadas, sempre cumpridas com uma eficiência e valentia, que as baixas sofridas em numerosos combates contra grupos subversivos atestam com honra e dignidade.


Aliando a um grande espírito de sacrifício uma notável solidariedade militar, a Companhia de Cavalaria n.º 252 criou fama no Comando Territorial Independente da Guiné e mereceu a inteira confiança do Comando-Chefe, tendo sido justamente apontada como uma Unidade de «elite», capaz de servir de exemplo a qualquer outra do Exército Português cujas tradições mais nobres procurou seguir.»


(Nota n.º 607 P.º 81.06, de 11 de Novembro de 1963, da Direcção da Arma da Cavalaria)
(in Revista da Cavalaria do ano de 1963, página 153)

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Notícia do falecimento, publicada no vespertino «Diário de Lisboa» n.º 14457, de 15 de Março de 1963:

 

 

 

 

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Excerto da Revista da Cavalaria do ano de 1963, pág. 207, da autoria do Brigadeiro Fernando Louro de Sousa:

 

[...]


A Companhia de Cavalaria 252 [Esquadrão de Cavalaria 252], regressada à Mãe-Pátria, desenvolveu a maior energia e decisão nos reconhecimentos, emboscadas, armadilhas, etc., na região fronteiriça do sub-sector de São Domingos, onde o seu heroico Comandante - Capitão Machado do Carmo - perdeu a vida.

 

 ECav252-Rev-Cav1963-207-920

 

Seguidamente na região do Óio tomou parte em numerosas operações, isoladas ou integradas no Batalhão, cumprindo eficientemente e em que vários dos seus elementos se destacaram pela sua bravura a ponto de receberem cruzes de guerra.


O louvor, conferido pelo Comandante-Chefe à Companhia [Esquadrão], enaltecendo a brilhante actuação desta Unidade, durante os 27 meses em que serviu na Guiné.
 

[...]

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Notícia publicada no jornal “O Século”
 

ESQUADRÃO DE CAVALARIA N.º 252


Comandante:
Inicialmente: Capitão Lopo do Carmo (morto em combate)
Depois: Capitão Moura Santos


A bordo do Paquete Índia chegou ao Tejo, um contingente de tropas provenientes da Guiné, do qual faz parte o célebre Esquadrão 252, de Bula, que foi comandado pelo falecido Capitão Lopo do Carmo [Capitão de Cavalaria António Lopo Machado do Carmo, Cruz de Guerra de 2.ª classe, tombou em combate no dia 14 de Março de 1963] que pereceu em combate na fronteira do Senegal, há sete meses, ganhando a Cruz de Guerra. Depois da sua morte passou o Esquadrão a ser comandado pelo sr. Capitão Moura Santos [Capitão de Cavalaria Luís Alberto do Paço Moura dos Santos] que foi seu subalterno, o qual ficou agora na Guiné a acabar o seu tempo de comissão de serviço.


A obra psicossocial, desportiva e de carácter operacional desta unidade de reconhecimento, foi a todos os títulos valorosa e excepcional pelo seu admirável comportamento, espírito de combate e amizade criada pelo seu falecido comandante e que foi continuada pelo actual. Os componentes da unidade há sete meses que usam no fardamento a braçadeira de luto, que só tirarão a partir do dia da desmobilização.


O espírito de combate desta unidade de cavalaria era temível, chegando a ser considerado pela rádio de Dacar como o «Esquadrão Vagabundo» porque o mesmo lhes contrariava os seus propósitos de terrorismo, aparecendo sempre no seu vasto sector operacional, desde Varela a Farim, passando por Mansabá. Tanto o Esquadrão como os seus oficiais, sargentos, cabos e soldados vêm aureolados de louvores, sendo os últimos do próprio comandante militar da Guiné, Sr. Brigadeiro Louro de Sousa.


No campo desportivo, através do entusiasmo do falecido Capitão Lopo do Carmo e do Alferes Joaquim Azevedo, jogadores e treinadores, realizaram através do grupo local - Nuno Tristão Futebol Clube - uma notável acção, construindo um campo desportivo cimentado e iluminado a que ultimamente foi dado o nome de Estádio Capitão de Cavalaria Lopo do Carmo.


Nos campeonatos da província da Guiné, em 1961-62 classificaram-se em segundo lugar em andebol, em primeiro no voleibol e em quarto no basquetebol; em 1962-63 foram campeões em andebol e em voleibol. Criaram escolas de jogadores de futebol, de basquete e de ciclismo, possuindo presentemente o melhor equipamento da província. Andavam agora a tratar da construção de uma piscina para a qual já deixaram fundos monetários através de subsídios do Totobola e do actual Ministro do Ultramar.


No campo educativo criaram escolas de aprendizagem da língua materna, em colaboração com as missões, montando escolas complementares com todos os apetrechos e que eram admiradas por todos aqueles que por lá passaram e as observaram. Deixaram nas diversas tribos a maior simpatia e admiração e era interessante a harmonia ética que conseguiram realizar através da escola e do desporto. Edificaram os seus aquartelamentos em Bula e em Mansabá, a par das respectivas escolas, frequentadas por imensas criancinhas que ainda eram alimentadas, vestidas e calçadas.


O Esquadrão 252 teve uma afectuosa despedida na Guiné e em Estremoz foi-lhe preparada uma grande recepção.


(in Revista da Cavalaria do ano de 1963, páginas 165 e 166)
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 Ant-nio-Lopo-Machado-do-Carmo-920

 

 

 

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